Maria Letra nasceu em Coimbra, a 20 de Setembro de 1938. Escreve poesia desde os 13 anos, idade em que manifestou a sua preferência por esta forma literária. Possui os cursos Comercial e Liceal, completos, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos das línguas Inglesa e Francesa em escolas estrangeiras. Aos 22 anos foi para Londres, onde estudou no conceituado colégio “The West London College”. Foi secretária de direcção e tradutora técnica durante 35 anos, e empresária durante 17.
Deixou Portugal para viver em Itália em 1989, por exigências de trabalho, mas três anos depois fixou residência definitiva no Reino Unido.
Lvros publicaos: “Meus Caminhos de Cristal”, em 2011, e "Meu Pequeno Grande País, em 2017.
1. Se há produtos alimentares cuja composição é considerada prejudicial à saúde, porque se autoriza o seu fabrico ou, no mínimo, por que não se coloca, depois da sua composição, a respectiva advertência? Não podemos negligenciar que um grande número da população desconhece quais as implicações que cada elemento adicionado ao produto, representa para a saúde.
a) Nós somos, também, aquilo que comemos.
b) Quanto mais doentes houver, mais complicada se torna, para o Serviço Nacional de Saúde,
a gestão do orçamento disponível.
c) A carência de saúde tem implicações na actividade intelectual e física de cada cidadão.
2. Se há bebidas que são, igualmente, prejudiciais à saúde - especialmente para os rins -
deveriam ser retiradas do mercado. No caso das bebidas alcoólicas, por exemplo, deveriam ser
estabelecidas regras adequadas, para o seu fornecimento.
a) O álcool é uma das grandes causas de violência, nas mais variadas vertentes da sociedade.
b) O aumento do crime gera medos na população, consequentemente, gera também
instabilidade social, a todos os níveis.
3. Uma boa gestão do que impede o progresso, elimina, gradualmente, os riscos do seu retrocesso
ou a sua completa estagnação.
a) Os princípios a respeitar para a criação de fundamentos sólidos de uma sociedade, não
deverão ser considerados anti-democráticos.
b) Considero que procurar corrigir elementos claramente negativos para a humanidade,
através de sugestões e respectivas conclusões aceites por unanimidade por pessoas
superiormente formadas para esse efeito, não pode ser considerado uma atitude impositiva.
Esse tipo de conceito só poderá ser compreendido se originário da mente de quem quer
conquistar fortunas à custa da ignorância de quem tem o ávido objectivo de enriquecer,
mesmo que prejudicando a saúde dos outros.
O tempo livre de que dispunha hoje, para escrever, está a esgotar-se. Falta-me, porém, o equilíbrio necessário para que as palavras possam fluir. Estou desencantada com as minhas reacções. Não sinto mais aquele fervilhar estimulante que me deixava viver em paralelo com os contratempos, estado esse que me ia facultando suficiente liberdade de acção para transpor as barreiras que me iam sendo colocadas, ao longo da vida. Mais do que a busca de um ombro amigo, escrever sempre foi a minha preferência de ter encontros comigo mesma. Hoje, porém, atingi um estado de saturação que me impede de concentrar-me na execução daquilo que me dava tanto prazer e que me permitia neutralizar, razoavelmente bem, as minhas preocupações. Escrevendo, conseguia libertar-me, completamente, daquilo que não queria recordar.
Neste momento procuro inspiração, mas as palavras não surgem e o tema que tinha em mente enfrentar, perdeu-se na minha inacção. Atingi uma idade em que prefiro escrever , maioritariamente sobre temas do presente, e não sobre o que tanto mal me fez no passado, ou sobre o que gostaria de ter sido, e não consegui, por várias circunstâncias. As minhas reflexões sobre o meu passado são imutáveis, mas tento evitar que possam, eventualmente, acabar por prejudicar uma evolução positiva que tanto ambiciono. Preciso de organizar as minhas ideias, baralhadas num tempo passado que me parece ainda, demasiadamente próximo.
É tarde e não consigo concentrar-me, porque nem sempre a minha mente se propõe sobrepor-se a este sentimento perturbador, que não me permite que as ideias fluam organizadas. Arrisco-me a perder-me pelo caminho e acabe por não perceber onde quereria chegar quando, hoje, decidi escrever. No meu dia-a-dia, faço o que posso, não o que gostaria de fazer. Vivo como posso, não como gostaria de viver. Assim acontece com a escrita. Deixo-me vaguear ao sabor desta indecisão, à mercê da inspiração e, enquanto esta sensação não passa, atiro para o papel pedaços do que sinto. Mas hoje não tenho forças para comandar este turpor. Escrevo, apago e volto a tentar escrever. Porque deveria ser diferente, se sou vítima directa dum estado de coisas que repugna-me admitir estarem irremediavelmente perdidas? Sim, eu sei que se toda a humanidade se revelasse condenada à inacção que sinto hoje, o mundo não melhoraria porque passaríamos todos a viver no modo zombie...
Estamos reduzidos a pobres criaturas obrigadas a obedecer a leis impostas sabe Deus por quem, se não tivermos força suficiente para lutar pela mudança da realidade que enfrentamos. Como poderemos ter objectivos na vida quando, tantas vezes, surge alguém que nos puxa o tapete debaixo dos nossos pés - exactamente quando julgávamos estarmos a alcançar a vitória? Repentinamente, sem se saber de onde, surge o "inesperado", uma qualquer “pouca sorte” que faz-nos acumular mais um problema a outros já existentes. Vítimas dum sistema corrupto, quase não temos forças para prosseguir na luta que tínhamos encetado um dia, já nem nos lembraremos quando.
Será melhor ficar por aqui. Se começo a descrever o que penso da sociedade em que vivemos, actualmente, não conseguirei o meu objectivo de sempre: escrever com coerência, sobre o presente que estamos a viver em todo o mundo. Nunca fui mulher de desistências, seja do que fôr, mas hoje vou desistir de reencontrar o tema sôbre o qual a minha inspiração, não existente, deveria dissertar. Espero que amanhã a minha necessidade de escrever volte a revelar-se. Quem sabe será um maravilhoso dia, tanto para mim como para tantas outras pessoas, vitimas dum sistema onde impera a lei do “salve-se quem puder e como possível”. Entretanto, a guerra continua a destruir, os assaltos continuam a aumentar, os abusos de toda a espécie continuam a instalar o terror... Inúmeras vozes permanecem em silêncio, com enorme vontade de gritar, mas não se fazem ouvir porque existe um sentimento desgastante de que ninguém irá ouvi-las. Paira uma sensação de mordaça que aperta, que não nos deixa gritar aos ouvidos moucos de quem ignora o sofrimento. Entretanto, indiferente a este lado da humanidade, escuro como breu, coexiste um outro cheio de brilhos estonteantes, com exageradas regalias que são, permanentemente, usurpadas daqueles que deveriam ter nem que fosse apenas algumas. Esta louca atmosfera que vivemos deixa-nos abafados, sem capacidade para encontrarmos sábios estratagemas que poham um fim no lado preverso do mundo.
Teria sido incoerente em tudo o que escrevi, mas fui fiel a uma realidade inexoravelmente comum a tantas pessoas como eu: a Insuportável Impotência da humanidade, perante o panorama geral do que se passa no mundo.
Como cidadã do mundo
- eu não durmo! - sigo vendo
um ódio enorme, profundo,
na esfera em que estou vivendo.
Gente em fuga, apavorada,
deixa seus lares para trás
e busca, desesperada,
ir ao encontro de paz!
Mas nessa fuga, o mistério
de um milagre... não se vê.
O mar passa a cemitério,
nunca se sabe porquê.
Morrem sem ver outros mundos,
acabando sua história assim...
São vítimas de seres imundos
que geram guerras sem fim.
Encontro os substantivos
que possam designá-los,
mas faltam-me adjectivos
que possam classificá-los.
Onde se encontra esse Deus
a quem biliões de crentes
pedem milagres? E os réus?
Irão prosseguir doentes
ou dar-lhes-á penitência
que os façam sentir dor,
pena ou condescendência
de gerar cenas de horror?
Já não sei se estou vivendo
ou se, de pena, morrendo.
Mãe, tu que me deste a Vida
para ser vivida em pleno,
tinhas a doce esperança
dum futuro assaz sereno.
Mãe, tu que me viste falhar
milhares de vezes - apesar
dos teus avisos permanentes,
sábios e tão pertinentes...
Crê, eu não te culpo de nada.
O meu falhar foi resultante
do quanto, na vida, passei.
Hoje, sinto-me arrependida.
Para sempre, recordar-te-ei
como uma Mulher de força,
uma Mãe boa, assumida,
porém, muito introvertida.
Não obstante irreverente,
sentia na tua conduta
os efeitos da tua luta.
Mãe, partiste tão de repente...
Tu travaste uma batalha
aos teus noventa e seis anos...
e eu... estava de novo ausente
e não me despedi de ti.
Foi injusto… inesperado,
e muito fora dos teus planos
… se de morte planos houvesse...
Estes, o Universo os tece.
Como eu me sinto sozinha!
Oh! Mãe, minha querida Mãe,
deixaste-me na maior dor.
Repousa, agora, em Paz,
Meu Grande Eterno Amor.
Entre mim e ti
uma longa história
paira viva
na minha memória.
Jazem inapagáveis
cicatrizes
nas nossas raízes.
Imortal será,
entre nós,
a palavra Mãe...
pelo valor intrínseco
que tem.
Sólidos estarão
entre as duas,
dezanove rubis
onde continuas.
Tua imagem reflecte ostentação,
gosto por luxúria... imaginação.
Há peças que te embelezam, na verdade,
mas pesam muito, devido à tua idade.
Leio ambiguidade na expressão
e avidez de posse, no teu coração.
São sinais muito evidentes de porfia
entre ti mesma, e a tua fantasia.
Conserva os sonhos, e as aspirações.
Envolve-os numa corrente de paixões
por novos projectos que possam promover
o teu futuro de vida... e de mulher.
Segue, consciente, por caminhos seguros,
evitando ir por atalhos obscuros.
Aquilo que tu fizeres, nesse sentido,
dar-te-á a paz dum dever que foi cumprido.
Vales pelo que és, não pelo que trajas.
Perante a ignorância, não reajas.
Enquanto jovem... adquire conhecimento,
aproveitando muito bem o teu talento.
Nessa dos ovos... não entro.
Não quero nada com eles!
Estavam sempre ocos por dentro,
decidi livrar-me deles.
Escolhi um outro caminho,
já não confio em ninguém.
Este ano dou só carinho...
Cada um... dá o que tem.
Este poema é só meu, a criadora... fui eu. Sou a única implicada no que escrever, revoltada.
Minha calma explodiu! Sinto um enorme vazio causado pela falência de bondade... e de clemência. Um egoísmo profundo está gerando um mal imundo. Há que encontrar uma via de abolir a tirania. Impera gentalha oca, capaz de morrer em troca de disparar sobre gente absolutamente inocente. Há monstros destruidores por detrás dos bastidores, a comandar, com mestria, almas sem sabedoria. Não posso acusar ninguém… Não sabemos quem é quem, mas trata-se dum compadrio de almas duras e sangue frio… Materialistas nojentos, de humanidade isentos! São aos milhões! Perigosos, com intuitos asquerosos, espalham terror pela Terra. Os fracos usam a guerra para impor uma ditadura, e praticarem usura. Temo que se rebele o anverso do misterioso Universo.
Data da criação deste conteúdo: 2024-03-26 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Este poema que hoje publico, é uma chamada de atenção para a
assustadora escalada de violência doméstica que se verifica no
mundo. Dia, após dia, surgem notícias constrangedoras a respeito
deste tema que não encontra resposta que viabilize uma solução.
Tu e eu somos dois seres muito diferentes!
Sempre serás um oceano que me agita,
e eu... um ser assaz sereno que te irrita.
Perturbado pelos cenários que tu crias,
e alheio ao sofrimento que tu provocas,
espezinhas, maltratas, dominas e sufocas.
Disse não a esse universo que tu geres.
Não serei, nunca mais, essa mulher resignada,
que foi, durante anos, reduzida a nada.
Estou preparada para caminhar em frente!
O passado que me culpa, e que me acusa,
transformou-se em muita força e em recusa.
Desprendi-me de alguém que tanto magoaste.
Sinto hoje que a minha vida vale mais
do que as cenas que fazias… sempre iguais!
Deixei de ser a mulher que tu nunca amaste.
Me escondo na poesia,
nas palavras musicadas,
nas rimas que vou criando,
nas verdades abafadas
entre versos, vagueando...
Me acalmo na poesia,
comunicando, vivendo,
expressando aquilo que sinto,
quantas vezes não sabendo
se são verdades, se minto.
O rubicundo poente
que a minha imaginação
criou no meu horizonte,
é um factor decorrente
que a paz no meu coração
deixa que, serena, afronte.
Abaganhada em trabalho,
missão que a vida me impõe
dia, após dia, que passa,
busco homizio num baralho,
as mil coisas que se impõe
que eu, tranquilamente, faça.
Mas o poente em questão,
engoda quem lhe faz mossa,
e quando penso que sim,
que talvez, ou mesmo não,
ele acredita que eu possa
suportar seu frenesim.
Mas a idade atraiçoa
esses poentes em fogo,
frutos das nossas cabeças.
E quando o muito magoa
e o trabalho está em jogo,
viramos tudo às avessas.
Um veloz fenecimento
da força que, até então,
parecia viver em nós,
surge num dado momento
e, sem qualquer ambição,
sentimo-nos muito sós.
Sentia o coração fechar-se no meu peito.
Não aceitava a minha vida tão sem jeito,
porque enquanto a minha alma se despia,
revelava-me ao mundo, muito só… vazia!
Estava cercada de tudo, porém, de nada.
Não vivia mais em mim! Estava magoada…
O ser humano deixou de ver. Tornou-se cego,
pensando apenas na defesa do seu EGO.
Lutava, desejando que não fosse em vão
a força que ia mantendo, na esperança
de que iria acontecer qualquer mudança.
Impus-me dar uma volta à situação.
Se as soluções, falham todas, uma a uma,
O peso que já carregamos se avoluma!
Sei que escrever um manifesto para extravasar injustiças que possam estar a amachucar, ou ter amachucado, a minha alma, será sempre apenas um “audaz manifesto de protesto”, pois nunca será lido pelo destinatário contra o qual me expresso, revoltada. Todavia, como sou contra toda e qualquer forma de abafo... desabafo!
1. Um governo, ou sucessivos governos, em que os elementos que dele fazem parte, mais do que governarem, governam-se, dificilmente levará a sua missão a bom porto, seja qual for o partido nele dominante.
2. Além disso, tratando-se, eventualmente, de governos de coligação, o objectivo pretendido deverá ser sempre o de conseguir uma harmoniosa coordenação entre os vários ministérios de que é composto, sem que cada um “puxe a brasa à sua sardinha”. Tal requer muita competência, muita tolerância, e muito conhecimento das necessidades dum país onde há todo o tipo de pessoas: de direita, de esquerda, de extrema direita, de extrema esquerda e/ou de coisíssima nenhuma... porque vivem amarrados a partidos como se de clubes de futebol se tratasse… o que torna muitíssimo difícil chegar ao referido “bom porto”. Estes, podem mesmo acabar por provocar a ascenção de uma ditadura, quer de direita, quer de esquerda!
3. Por último, além da tendência política de cada elemento de um governo, há a sua reputação e idoneidade, quando posta em causa a partir de acções praticadas, inúmeras vezes camufladas com o tal “manto diáfano da fantasia”, a que já tenho feito referência.
Concluindo…
Neste momento, sendo eu absolutamente apartidária, sinto-me à altura de poder olhar o cenário deste meu querido país, da seguinte forma:
Estamos metidos numa grande alhada, borrifada com afirmações disparatadas através de discursos eufóricos da parte de cada um dos elementos na berlinda: AD, PS e CHEGA!
BASTA!
Data da criação deste conteúdo: 2024-03-19 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
No teu semblante pesado,
envergonhado,
vejo sinais de tortura,
de escravatura
da tua alma inocente.
És um marco de sofrimento
sedento de compaixão
e de atenção...
… não importa por que razão.
És o retrato fiel
do fel que ronda no mundo,
onde impera muito imundo!
És vítima duma fera,
de poder sedenta,
que intenta sobrepor-se a tudo e a todos.
Recorre a perpretados engodos
pró-guerra,
com o fito de governar a Terra.
Tu és a medalha atribuída
a vil canalha
que não está governando...
está aproveitando
o que milhões de seres, em missão,
dão com o coração.
Vejo na tua imagem ressequida,
alguém que deu tanto à vida!
Nas tuas mãos rugosas,
calejadas,
vejo mil sonhos por realizar,
mil promessas amorosas,
impensadas,
mil tormentos enfadonhos,
a magoar.
Um quadro sem vida
e sem cor,
e uma vontade teimosa,
insaciável,
de não te dares por vencida,
nessa dor.
Sua causa – vergonhosa! -
é intragável.
Gostarias de ultrapassar
algo que te morde,
te remorde,
te consome cada artéria.
Há gente que lhe chama Fome,
outros lhe chamam Miséria!
Confusas estão, nas colmeias,
a rainha e as obreiras.
É grande a azáfama ali.
Impõe-se entrega total.
A Vida, de mortes cheia,
arrasta enormes fileiras
de abelhas que olham por si
duma forma excepcional!
Reina confusão no espaço.
Obreiras choram ausentes,
mas partiram... Já não estão.
O Sol espreita... e vai embora.
Lá dentro impera o cansaço.
Todas querem estar presentes,
apesar da aflição.
Abelha Mestra... não chora!
Fui amante de tesouros que, em verdade,
fui criando ao longo duma certa idade,
em que a esperança mantinha-se permanente...
Acreditava em tudo... porque inocente.
Eles seriam os meus escudos nas batalhas
perpetradas contra os eventuais canalhas,
que ousassem querer violar a minha mente.
Percorri a minha juventude consciente
do quanto era importante que o futuro
fosse bem diferente, e muito mais seguro.
Aquilo a que assisti, tanto em excesso,
virou todas as minhas vontades do avesso.
Mantinha-se, bem vincado, dentro do meu lar,
aquilo que, fora dele, estava a faltar.
Mas isso não chegava. Era bem pouco
neste mundo onde aquele que confiar, é louco.
Ganhei uma forte, bem vincada consciência
das nossas regras sociais, e da prepotência
com que somos, tacitamente, manipulados.
E a minha alma partiu-se, em mil bocados.
Hoje, atingida já uma certa idade,
não me bastam a força e a boa vontade,
para moldar o leito em que eu me aqueço.
Foram tantos aqueles sonhos, que não esqueço!
Viraram pesados, fugazes e mal dormidos,
tal como os anos de luta com fé vividos
que, pensando bem, nem sei se valerá a pena
continuar a sonhar com uma vida plena.
Recomeçar da base seria repensar
uma nova fórmula para tudo mudar.
Vejo o mundo a sucumbir no exagero,
com tanto de falso e tão pouco de vero.
Durante esta minha vida
...rica de muito a fazer,
busco sempre uma saída
para alongar meu viver.
Deixo sempre algo pendente
de acabamento... Eu juro!
Não... pra fazer no presente,
mas sim durante o futuro.
Quero evitar o stress!
Vivo a vida deste jeito...
Só faço, se me apetece,
desde que acordo, e me deito…
Os meus poemas de outrora,
espero poder melhorar.
É uma forma, impostora,
da minha morte atrasar...
A Mulher Portuguesa
é força todos os dias.
Acorda em posição “pino”,
para dar volta ao que enfrenta,
e aos cadilhos que aguenta.
Não confia no destino.
Vai à luta pelo que quer.
Para tanto... ela é MULHER!
Nasceu símbolo de Força
na sua forma mais casta.
Vive o Amor verdadeiro.
Nem se entrega por dinheiro,
nem qualquer coisa lhe basta.
Sabe bem qual o valor
de dar... recebendo Amor
na sua maior pureza.
É só isso que ela espera
da sua entrega sincera.
Esta é a Mulher Portuguesa!
Data da criação deste conteúdo:
2018-09-20
Imagem de Jo Kassis
Mulher, tu pisas estradas
docemente agarrando
o que a vida te vai dando.
Deixas marcas bem vincadas
nos lugares por onde passas,
e nos seres que tu abraças.
Teus olhos espelham Amor,
como uma estrela cadente,
aos olhos de quem te sente.
Tu esqueces a tua dor
para ajudares quem procura
os teus segredos de cura.
Nasceste flor amando
tuas pétalas de cor rosa.
Sensível, muito ciosa
das vidas que vais criando...
mostras ao mundo, com arte,
que o amor é o teu estandarte.
Porém... deves renunciar
a quem te aldrabando vive,
e de respeito te prive.
Recusa sempre aceitar
qualquer tipo de violência.
Foge dela com urgência.
Soma… e soma… e segue! Haverá alguém que negue que certas pessoas, sem graça, se nutrem com a desgraça de explorar males de base carecendo de catarse? Sinto que esta revista tem um propósito em vista, quando promove a agressão com chamadas de atenção para tantas telenovelas. … Elas bastam-se, só por elas, para aumentar audiências… Dispensam bem diligências que acabem por piorar - sem receio de exagerar! - um cenário paradoxal que agravou, em Portugal: o aumento, na juventude, de falências em certas mentes, claramente doentes.
………………………………..
Implora-se clemência para tanta prepotência! Parem de enfatizar o crime! A vossa capa… deprime!
Data da criação deste conteúdo: 2024-03-08 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Quando voo desenlaço
os laços que eu bem quiser.
Não quero o espaço tão escasso,
que tem, na Vida, a Mulher.
São laços de nós forçados,
que teimam em me impingir
os tempos ultrapassados
em que amar... era servir.
Mulher que serve a paixão
de alguém que se diz seu dono,
é amada no Verão,
e esquecida no Outono.
Busco paragens diferentes,
outras Terras, e outras gentes.
Almas - porque indiferentes -
mais parecem seres ausentes.
Gentes que já não acreditam,
tão pouco rezam, ou imploram
… só porque deixaram de crer…
Não se lamentam, e não choram.
São meros seres a sofrer…
mas os seus corações palpitam.
Quero percorrer este Mundo,
conhecer gente a penar
de desgosto assaz profundo.
Gente a quem eu possa dar
coragem para reagir.
Quero ser estrela que guia
a criança em sofrimento
e dar-lhe, dia após dia,
nem que seja um só momento,
bons motivos para sorrir.
Quero sentir que há alguém
- onde quer que possa estar -
contente, na vida que tem.
Que saiba poder confiar
naquele bom ser que a socorre.
Gostaria, pois, que soubesse
que não se trata de quimera
os sonhos que ainda tece.
Por arrasto, na Primavera,
mais esperança... acontece!
Um grande mar nos separa,
mas as palavras nos ligam
enquanto palavras forem
com verdadeira expressão.
Mas, se um dia já nem elas
servirem de ligação
entre nós… Oh! Meu amor,
não deixarei que te digam
o quanto dependi delas
quando tu, já contrafeito,
na tua tão grande dor,
teimavas abandonar
a missão que te marcou.
Serão espinhos no meu peito,
mas calarei meu sentir
porque o que morre, acabou.
Um movimento de gente atarefada
invade lojas, ruas e até calçadas.
Os multi-bancos, de forma inusitada,
esvaziam-se de notas... Que maçada!
A despeito de poderes, ou não, cobrir
uma listagem de presentes de Natal,
interessa-te é comprar e, a seguir,
“a ver vamos!”, dirás então... mas ficas mal.
Fazes a lista dos créditos a pagar, verificas o valor da tua receita,
e passarás esse Natal... insatisfeita!
Enfrentarás esta dura realidade:
Se o Dever for superior ao Haver,
há um saldo negativo… a inverter!
Pessoa, um dia, escreveu:
“Não sei quantas almas tenho,
Cada momento mudei”.
Eu, nem sempre estou sendo eu,
porque às vezes me abstenho
de ser eu mesma. Cansei.
Para estar onde não sou
o que bem me apetecer...
desdobro-me em muitos eus.
Em cada um, eu não estou.
...Ou eu estarei, sem saber.
São todos estados meus.
Para estar... deverei não ser
a outra! Cansa demais.
Só serei como antes era
quando, um dia, eu perceber,
se eu era outras a mais,
ou se o meu ser se adultera.
Quando leio notícias nas quais se transcrevem determinadas declarações, tendencialmente ameaçadoras, feitas por chefes de governo de uma qualquer nação, fico estupefacta.
Não me sentindo à altura de discutir o regime político que aqueles mesmos chefes de governo defendem, por carência de dados seguros e/ou, por ignorância, limito-me a comentar apenas, humildemente, mas com grande veemência, aquilo que considero serem afirmações denunciadoras de alguém com uma formação de carácter inexoravelmente perigosa. Neste caso - pergunto eu - se devemos considerar tranquilizantes as soluções que esses chefes de governo apresentam como forma de resolver um conflito, ameaçando recorrerem a uma solução através do uso de armas nucleares, mesmo que medianamente potentes. Esta solução não os tornará, jamais, vencedores. Tal armamento, eventual e premeditadamente concebido para imposição do que defendem, tira-lhes a honra de saírem vencedores do conflito. Guerra não deveria - NUNCA! - ser solução para conflitos entre as nações, se esta puser em causa a vida na Terra, em geral.
Poderá parecer utópica a solução que irei sugerir a seguir, já referida num outro manifesto escrito por mim, anteriormente:
Se este tipo de chefes de governo, e mesmo de população, é a favor da guerra como solução de conflitos - qualquer que seja a sua natureza - procurem um campo de batalha para poderem, livremente, digladiarem-se entre si.
Dei vida a seis filhos, os quais geraram os meus catorze netos. Eis a razão pela qual não consigo viver tranquila, lendo declarações como as que referi. Estamos a assistir a uma onda de troca de afirmações altamente perigosas e temíveis, as quais colocam milhões e milhões de pessoas em permanente ansiedade.
Mais ainda, aquilo que tenho vindo a constatar como sendo, paralelamente, perigoso, é a possibilidade de esses mesmos chefes de governo perderem algumas das suas forças humanas, nomeadamente de inteligência emocional, de humanidade, de justiça, de sabedoria e de temperança… e começarem a surgir evidentes sinais de colapso nas suas forças de carácter, sobretudo por ausência de bravura, de perseverança e de honestidade.
Data da criação deste conteúdo: 2024-03-01 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Pesaram-me as regras gerais,
porque nem todas eram iguais.
Isso originou o meu vacilar
sobre a decisão a tomar,
pois a opção... não era segura.
Decidir, foi prova dura…
carecia de profundeza.
Não havia qualquer certeza!
E pensava... reflectia...
cada hora e cada dia:
Vacina: sim, ou vacina não?
Ainda me punha a questão
dos medos! Mas disse: Sim.
Contudo... de mim pra mim,
dizia: Maria, toma cautela
que podes “partir de vela”.
Não sabia o que fazer!
Eu não queria morrer
dum vírus que é tão fatal.
Estaria a ponderar mal?
Nada havia de eficaz...
Sigo em frente... ou volto atrás?
Recuei e... pelo sim, pelo não,
optei pela negação!
Não havia meios termos!
Imaginava os enfermos
que, num sofrimento atroz,
morriam cedo, mal e sós.
Anos a fio passarão
até sabermos, então.
porque morreu tanta gente.
Impõe-se resposta urgente!
Não sei há quantos anos eu te amo,
nem sei quantos mais anos te amarei.
Só sei quantos serão os que reclamo,
por não poder mais ver-te. Esses... sei!
O que sinto por ti teve um começo,
mas nunca, nunca mais terá um fim.
Viajaste com bilhete sem regresso,
e ao partires, Amor, fiquei sem mim.
Anseio, loucamente, ver-te um dia,
para abraçar, feliz, a tua alma
serena… na sua paz... na sua calma.
Eras sempre tranquilo, quando te via.
Daí, na minha dor, ter superado
todo e qualquer problema, no passado.
Enquanto a vida se entende nesta incerteza em que vivo, solto esta arte que corre dentro do meu coração. Continua muito activo o fogo desta paixão. Viverá até ao fim. Que morra apenas eu, como um pobre plebeu, mas nunca pobre de mim!
É escrevendo, de alma leve e nua,
sem constrangimentos, e sem qualquer pudor,
que falo do meu passado, à luz da lua,
buscando-te entre as trevas, meu Amor!
Encontro no teu silêncio, paz amena...
um eco doce... de palavras que não dizes.
É como uma brisa suave, serena,
acalmando dores de muitas cicatrizes.
Se o tempo não existe, nesse Além,
estarás imune, à espera dum vento
que não acelera. O seu passo é lento.
Saldarei as contas que tenho com alguém,
antes de deixar outros seres que eu amo;
...dívidas de Amor, de teor humano.
Pergunta a Fé à Esperança:
- Por que andas sempre a meu lado?
- Porque sou brisa que amansa
todo o ser abandonado.
Quando a ausência desespera
um sofrido coração,
sou eu a que, nessa espera,
acalma a situação.
Segura do teu valor,
não gostas de companhia,
mas eu sou Esperança e Amor,
e no tempo... Terapia.
E quando já nem o Sucesso basta,
a Tentação, quase sempre madrasta,
pode anular a frágil Consciência
de quem quer abraçar a Dependência.
Vimos então que Razão e Saber,
deixarão de ter peso no Querer,
aniquilando qualquer ser humano
incapaz de combater o Desengano.
E surge o sinal mais evidente:
a clara Degeneração da mente.
Usarei neste manifesto uma linguagem tão elementar quanto elementar é o meu conhecimento da lei. Ousarei transpor o muro do desconhecimento que me separa de todo e qualquer argumento apresentado por um juiz – ou grupo de juizes – como elemento justificativo da razão pela qual decide – ou decidem – manter em prisão preventiva um cidadão suspeito de corrupção ou infracção de qualquer tipo. Vulgarmente, diz-se que todo o acusado é inocente até que seja feita uma clara e isenta análise das acusações que lhe são atribuídas e que provem que ele é, ou não, culpado. Assim sendo, ponho esta questão:
Não seria mais dignificante, tanto para o acusado, como para um juiz – ou grupo de juízes – que fossem pormenorizadamente averiguadas todas as provas de acusação que lhe são feitas, ANTES de condená-lo a prisão preventiva? Se a lei permite esta prevenção, e há, constantemente, casos em que o suspeito acaba, finalmente, por ser ilibado de qualquer culpa ou suspeita, parece-me tremendamente humilhante colocar-se em prisão um inocente, se for este o caso. Há o perigo de fugir do país? Nesse caso, fica em liberdade condicional, proibido de ausentar-se do seu local de residência. Com isto poderia evitar-se a um cidadão, eventualmente idóneo, a vergonhosa condição de ex-recluso, para toda a vida.
Não creio seja admissível o tempo de espera para a eventual libertação de um inocente em prisão perventiva, ou mesmo outros casos de que todos temos conhecimento. A minha opinião pessoal - que sei não ter qualquer relevância! - é a de que se dispõe muito da vida de cada um em conflito, em deterimento da necessidade de acelerar o tempo que os tribunais levam a concluir os processos em análise.
Data da criação deste conteúdo: 2024-02-20 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
As férias terminaram?
E o que é que isso tem?
Não aproveitaram?
Não se sentem bem?
Então…
Encham o peito de ar,
e respirem bem fundo.
Tudo tem de acabar…
É assim o Mundo!
Procurava uma mulher da praia, que vestisse como antigamente, de avental e lenço na cabeça. Só essas poderão responder às mil perguntas que tenho para lhes fazer. Tenho um interesse insaciável de saber tudo o que puder desta terra mágica, que nos prende a ela, inexoravelmente, para toda a vida. Só elas sabem tudo e conhecem todos... Queria falar com Mulheres da minha idade, aproximadamente, para que fossem capazes de perceber o que ansiava saber das muitas coisas que gravei na minha memória. Só elas serão capazes de falar-me dum passado que me pertence também. Mulheres com rugas, de pele morena queimada e dura como a coragem com que enfrentaram sempre o trabalho, de sol a sol. A maioria vendia peixe, que era transportado em cima do burro que as conduzia da Praia de Vieira de Leiria à Marinha Grande. Essas não podem compreender os jovens de hoje e falam com orgulho da sua coragem e dessa força com que procuravam vencer todos os dramas e todos os obstáculos. A alma delas parece gritar, quando relatam os tempos em que as suas Mães se arrastavam pela areia chorando e pedindo protecção aos seus santos, enquanto os maridos e/ou familiares iam para o mar pescar o peixe que elas iriam vender.
E encontrei! Falei hoje com Argentina Feteira, uma Mulher típica, marcada pela vida mas cheia de força na sua alma. E falou dos seus antepassados de tal modo entusiasmada e interessada em desvendar laços de família que eu fiquei receosa de não estar a perceber nada. Não queria maçá-la com perguntas, mas a sua explicação ultrapassava de tal modo os meus conhecimentos, que receei continuar a conversa e terminar chegando à conclusão de que eu era irmã de mim mesma ou até, sei lá, sobrinha da minha Avó ou filha dela. Era um novelo tal de familiares, que a minha mente ficou toda num sarilho. E dizia-me:
- A ‘nha Mãe, que Deus haja, fez de mim uma mulher às direitas. Passámos muitas dificuldades... mas éramos muito honestos. Tá a ver aquela porta pintada de verde? Era ali que o meu home me vinha namorar todos os dias. Que tempos! Olhe, o meu home é aquele que passou agora...
Mas falava-me de uma mistura de Tomés, de Feteiras e de Letras que me deixou muito confusa. Segundo esta Senhora, nós ainda somos primas, da parte dos Tomés, mas ela também tem Letras na família, pelo que percebi. Mas será que eu teria percebido mesmo?
O que terão estas pessoas de tão particular que são capazes de prender a minha atenção durante longas conversas? Guardam na alma a mesma magia que nos prende a esta terra. Não sou a única a afirmar que a Praia de Vieira de Leiria fica para sempre no coração de quem por aqui passa a sua juventude. Não direi o mesmo relativamente aos que vêm passar férias apenas, que não nasceram cá ou não são familiares de quem aqui nasceu. Esses não poderão nunca compreender a intensidade do sentimento que nos traz a esta praia...
Parte de mim continuará aqui quando eu partir. Trata-se duma localidade a que pertencerei para sempre!
Data da criação deste conteúdo:
2014-09-29
Nota: Livros que recomendo:
Maré Alta de José Loureiro Botas
Os Avieiros de Alves Redol
Se te cansa estar entre a multidão,
porque tua alma não quer agitação.
Se algo, ou alguém, te decepcionou
porque, de algum modo, te prejudicou.
Se agora te amas mais intensamente,
e queres colocar-te no lugar da frente.
Se a tua suportação diminuiu,
porque a resiliência te traiu...
Apoia-te apenas no que te faz bem,
e em tudo aquilo que mais te convém.
Não te excedas, porém. Tu és a pessoa
que deve estar firme, na frente, na proa.
Aceita o auxílio de alguém que te ama
se tu, porventura, caíres numa cama.
Abre bem os braços ao que a ti voltar.
É um prémio da Vida que dizias Amar.
Nunca te arrependas do que tu fizeste
em prol dos valores, que sempre defendeste.
Abençoa a Vida, em qualquer idade.
Dedica uma ode à tua Verdade.
Tendo atingido uma respeitável idade, julgo muito improvável poder permitir-me a ousadia de divagar sobre o meu futuro. Não seria agradável colocar-me na ridícula posição de perder-me no campo das ilusões, nem seria recomendável fazê-lo, até pela fragilidade do terreno em que perspectivaria o que quer que fosse. Assim sendo, e porque navego hoje sobre um mar de ondulação muito variável e pouco consistente, sinto que a base para escrever sobre o meu futuro seja demasiadamente sensível para prospectivá-lo. O passado permitiu-me ter momentos – e até períodos – de grande felicidade. Foram esses momentos que geraram a resiliência que, até uma certa idade, foram o meu marco de sustentação de muitas vicissitudes. Actualmente, atingi um patamar da minha vida em que sinto-me tremer quando devo tomar uma decisão importante, de natureza muito pessoal, e que possa mexer com o que regula a minha estabilidade emocional. Sinto-me particularmente frágil a certas memórias as quais, de certa forma, acompanhar-me-ão sempre. Talvez por isso, se tenho de enfrentar um problema, e resolvê-lo, gera-se de imediato um sentimento de confronto entre o meu EU actual e o EU que, no passado, me identificava, porque fui uma mulher que sempre reagiu pegando “o touro pelos cornos”. Hoje sinto que, nesses momentos, gera-se uma troca de olhares entre duas almas: uma que olha a decisão a tomar dando-lhe o peso de um qualquer S.O.S., e a outra que responde com um olhar de quem quer, mas já não consegue.
A continuidade desta minha existência não depende de mim, obviamente, e é, também, um dos muitos senãos “irreversíveis” que sempre me perturbaram na vida. Vincadamente corajosa nas minhas tentativas de resolver causas aparentemente irresolúveis, sempre que esses casos surgem hoje, provocam em mim um grande desconforto. A certeza de que a minha vida irá ter um fim está, porém, a entrar no meu dia a dia com razoável aceitação, não lhe dando, no entanto, muita atenção.
Dar aos outros a possível impressão de que me sinto infeliz, ou depressiva, seria lamentável, pois dentro de mim há um amor à vida, e ao Universo, sem limites. Vim ao mundo com um propósito, muito provavelmente, o qual estará ainda por cumprir. Talvez seja isso que me dá uma certa sensação de quem quer expressar ao Universo, através de uma permanente rotina diária, que me deixe continuar por cá, pois tenho ainda muita coisa por organizar. Quando vou terminando a organização de umas, já outras - que criei entretanto - esperam por mim. E vou vivendo iludida de que alguém, algures, estará a perceber-me.
Continuarei agarrada à convicção de que a escrita é a forma que melhor me permite ser fiel ao que penso, até porque dá-me tempo de reflectir e, só depois, manifestar-me. Tal preferência dá-me, também, a possibilidade de desabafar com o ar que respiro enquanto as ideias vão fluindo… Isso evita que eu sinta solidão, não dependendo de quem não apreciaria ouvir eventuais lamentos de uma idosa. Depois… só lê o que escrevo quem quer.
Data da criação deste conteúdo: 2024-02-17 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Irmãos portugueses, vítimas como eu da impunidade de muitos desonestos. Expirou o tempo de resistir à dor. Portugal é de todos nós, não se rendeu. Accionemos uma onda de protestos contra cada demagogo, ou opressor. Não devemos continuar indiferentes ao abuso do poder duma certa malta, e aos seus eventuais golpes financeiros. Nós não somos mais um molho de inocentes que se conquista com as luzes da ribalta, projectada por camafeus interesseiros. Enquanto sacrificados pelo abuso dum poder em reconhecida decadência - que, de iludir o país não se abstém... O Zé Povinho, paupérrimo e obtuso, continua a ver uns que vivem muito mal, enquanto outros - Oh Deus Meu! - vivem tão bem! Por que permitimos esta vergonha crassa a que políticos sem pejo, nos condenam? Até quando manter-se-á esta miséria? Seremos nós indiferentes à desgraça? Onde estão afinal, os que mais ordenam? Era verdade ou apenas pura léria? Palavras de ordem para quê? Não precisamos! Todos nós sabemos bem a lição de cor, não carecemos de mais tretas, de ninguém. Há muitos anos - Santo Deus! - que nós andamos a viver na corda bamba, com tanta dor, que até já sabemos o que nos convém. Não queiramos de nós próprios ter vergonha, pois temos contas a prestar aos nossos filhos. Teremos todos um mau fim, se continuarmos a confiar a nação a quem se oponha ao projecto de nos livrarmos dos sarilhos em que a sua ambição quer afundar-nos. Digamos todos NÃO ao voto inconsequente, por teimosa filiação a um partido. Repensemos muito bem a nossa opção. A grande prioridade, a mais urgente, é a da nossa segurança no sentido de sentirmos todos orgulho na Nação.
Data da criação deste conteúdo: 2009-07-22 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Dou colinho com amor
a quem meu amigo for...
só tem é que ser limpinho,
ser um cão sossegadinho,
e que não deixe um jazido
em espaço não permitido.
Cumpridas as condições...
desfaço-me em corações.
Gaivotinhas, gaivotinhas, tragam meu amor de volta!
Por fora dói-me o rabinho, por dentro sinto a revolta ...
dura como este banquinho em que, sentadinha, espero!
Fico a pensar, feita mona,
se é isto mesmo que eu quero
ou uma fofa poltrona!
Sinto um aperto no beco
onde morei toda a vida.
Lá fui grito, não fez eco,
preparei-me prà partida.
Mil sonhos, mil esperanças
se tornaram pesadelos.
Foram pesadas heranças
deixadas por vis camelos.
Deixei meu País, sofrendo...
Rompi laços, à partida.
Ainda hoje não entendo,
por que mudou minha vida.
Na estrada que vou pisando
doem-me os pés. Não reclamo.
Caminho sempre sonhando,
voltar ao País que eu amo.