Maria Letra nasceu em Coimbra, a 20 de Setembro de 1938. Escreve poesia desde os 13 anos, idade em que manifestou a sua preferência por esta forma literária. Possui os cursos Comercial e Liceal, completos, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos das línguas Inglesa e Francesa em escolas estrangeiras. Aos 22 anos foi para Londres, onde estudou no conceituado colégio “The West London College”. Foi secretária de direcção e tradutora técnica durante 35 anos, e empresária durante 17.
Deixou Portugal para viver em Itália em 1989, por exigências de trabalho, mas três anos depois fixou residência definitiva no Reino Unido.
Lvros publicaos: “Meus Caminhos de Cristal”, em 2011, e "Meu Pequeno Grande País, em 2017.
Leio, na transparência linda da tua alma
que amarás aquilo que ambos comungamos
mesmo quando tu, cansado e quase sem calma,
escavas paciência no que partilhamos.
São acordos de amor, laivos de atenção
na procura de algo que não sei explicar.
Busco mil tesouros que tens no teu coração,
os quais te devolvo num maroto olhar.
Um olhar apenas. Fico presa a ti.
Sentirás tu, Pai, o que vale pra mim
entregares-te assim à minha malandrice?
São poemas de amor que não vi... nem li.
Páginas de estórias que nunca terão fim...
Verdadeiros sonhos da minha meninice.
Entrai, minha gente, entrai!
Nós, portugueses, sabemos,
que já não há quem debande
gente a mais. Todos cabemos!
Entre quem veio, e quem foi,
houve quem, tão bem, dizia...
“Levo barriga de boi
e a bolsa, não vai vazia”.
Basta que sejam estrangeiros...
Mesmo sem cobrar vintém,
estamos prontos a servir-vos
pra que nos alembrem bem.
Vinde de novo, almas santas!
Estão abertas as fronteiras
pra turistas especiais,
que tenham boas maneiras.
Tão bem estiveram por cá…
Outros verões haverão!
Com uns euros bem poupados,
terão sol, vinho e bom pão.
Se, realmente,voltarem,
quiçá ‘inda cá estaremos...
Simpatia, encontrarão!
Sobreviventes… veremos!
Dura Lex! Sed Lex! A primeira condenação imposta a qualquer cidadão. Todavia. um mundo de interrogações paira no ar: Quem de direito a inventou? Quem de direito a aprova ou a faz aplicar? Mas ela faz-se cumprir, de modo fácil, ou não, sem lugar pra admitir a mais leve compaixão. Os parágrafos... enfim! Dão "pano pra muita manga". Por vezes a culpa anula, outras vezes acumula males maiores a cada caso. Mas... insisto eu: quem de verdade e direito está à altura de julgar cada lei? Vejo pouco de perfeito - sem medo de exagerar - em muitos que a inventam, em muitos que a aprovam, ou a fazem aplicar. Num mundo em cujos sistemas, mais corruptos que sãos, fazem pesar grandes penas nos ombros dos cidadãos a eles sujeitos... vejo leis contrárias à lei do Amor, males com muitas virtudes e bens com muitos defeitos. E, com pavor, assisto a tanta injustiça na lei imposta, submissa ao poder de cada estado, que já não sei se lutar traz benefícios de vulto a um futuro que, oculto, me parece amordaçado. Mas, pra esse mal, não sai lei. É duma injustiça tremenda. Cada um que se defenda!
Tento analisar de frente
o cenário do Poente,
que sinto ter como certo.
Ele já me ronda de perto.
Está tão próximo de mim
que consigo ver-lhe o fim.
Não sei bem qual a distância
a que estou da minha infância,
mas do poente, sei eu.
Por vezes levanta o véu
e deixa-me calcular
o quanto possa sonhar
ainda, na minha vida
- tão bela quanto sofrida.
Eu viajei neste mundo
com seres de saber profundo
e outros que, sem querer,
levaram-me a perceber
o porquê da ignorância
ter a sua relevância.
Actualmente, a cultura,
- na presente conjuntura -
prejudica-nos demais.
Não me refiro aos jornais,
revistas... e outros mais...
Notícias tendenciosas,
com verdades mentirosas
retiram, a quem é sério,
todo e qualquer desidério
de continuar no mundo.
Com efeito, eu, no fundo,
sofro por coabitar
com certa gente, na Terra,
porque promovem a guerra.
Prefiro a paz do Além.
Lá... não se lesa ninguém!
• Quando sentires que à tua volta tudo parece ruir… e que a tua revolta não te deixa reflectir;
• Quando quem tu amas não pára de magoar-te, não percas o control e silencia a dor que possa causar-te;
• Se precisares de ajuda, nesse teu drama, procura um técnico e clama;
• Verás que aquilo que parecia ser um muro a desabar sobre ti, é uma luz que te conduz;
• Abraça o que dela emana. Serás do teu destino a soberana;
• Luta pela tua vida e pelo teu bem. Retribui a graça, ajudando alguém.
Segundo apelo, sete anos depois de "Gentalha Pra Batalha"
Deixem-me gritar esta revolta que sinto em mim, por tanto mal à solta! Deixem-me com outros, em uníssono, perguntar a Deus, a Esse Altíssimo, que dizem reger tudo, lá do alto: - Quando terminará o sobressalto provocado por fortes sons, estridentes, de tantas armas que matam inocentes? Por que pagarão eles, pelos adultos seguidores de vis princípios bem ocultos? Deponham as armas! Que cesse a guerra destruidora de tudo o que há na Terra! Não deixem que paguem as crianças pelos crimes cometidos por alianças feitas entre adultos muito maus, que espalham ódio e geram tanto caos. Enquanto há gente orando na igreja, há outra gente no mundo, que pragueja! Deixem-me despertar adormecidos, cegos, imbecis e embrutecidos pelas luzes estonteantes da ribalta - onde circula tanta gente falsa… Não optem pelo recurso à guerra. Somos todos irmãos aqui na Terra!
A perfeição não existe,
mas essa é a minha meta.
De tão exigente ser
não me sinto completa.
Mesmo assim, por acabar,
tenho um coração que crê
que, de amor, estou repleta.
Aos olhos de quem me vê
por vezes sou assim mesmo:
Incompleta! O que é que falta?
O problema está dentro.
Há um senão que ressalta.
Ontem, fui boa pessoa;
anteontem… já não sei;
hoje procuro tornar-me
a mistura que convém.
Convém... a quem de mim espera
qualquer coisa... assaz diferente.
Acabo sendo um enigma
aos olhos de toda a gente
que me olha e vai dizendo:
- Esta aqui, não está completa!
Tem um parafuso a menos...
ou é doutro planeta.
Cai chuva miúda, que atropela a graúda que fica nas nuvens, esperando cair. Vem suave, mansinha, com ar de santinha mas vem pra ferir. Me enlaço num laço, em jeito de abraço, em jeito de amar. Me giro, me viro, e fico suspensa, com a chuva a cansar. Traz sabor de fel, disfarçado de mel, e quando desperto, não há céu aberto, há nuvem cinzenta. A chuva graúda, que já não desgruda, cai forte, não lenta. Então, recomeço de novo e tropeço. Caio, mas não esqueço a chuva miúda que nem me saúda.
Aquele primeiro encontro que tivemos, quando, ainda crianças, nos beijámos, foi o princípio de tudo o que fizemos para esconder o quanto nos amávamos.
Na sombra, tão inocente quanto pura, a minha alma te buscava sem que visses. Foram anos de pena, de amargura, pensando que por mim nada sentisses.
No silêncio vivemos nosso amor. Havia entre nós uma barreira. Tu nada me disseste e, por temor, nada te quis dizer a vida inteira.
Para poder ver-te, fiz longas caminhadas em troca dum instante curto e escasso, que compensasse as noites mal passadas, sem poder fechar os olhos, do cansaço.
Mas um dia, meu amor, me confessaste o forte sentimento que escondias. Tarde demais. Sofri, mas não deixaste que eu compreendesse, então, por que partias.
Nunca disseste a razão que — por culpa minha — nos manteve afastados toda a vida. Hoje és a minha estrela que, sozinha, me conduz, silenciosa, na descida.
Vivemos um amor grande e profundo, que guardei, tal como tu, no coração. Partiste para sempre deste mundo sem que eu pudesse, Amor, pedir perdão.
Gostava de ser capaz
de poder voltar atrás,
aos velhos tempos de outrora...
...sabendo o que sei agora!
Escondidos nestes meus versos,
há muitos sonhos imersos
em quadros de muitas cores.
São contos de mil amores.
Sonhos perdidos, quimeras,
mil e muitas primaveras
vividas, enquanto amei.
Oh… mas quanto me enganei!
………………
Abracei-te com saudade,
ansiando liberdade...
O amor tornou-se escasso,
tal como este meu abraço.
Cubos e Caixas,
Barracas baixas.
Robots e Peças,
Ruas, Travessas.
Máquinas, Contas,
Cabeças tontas.
Governos, Ministros,
Rostos Sinistros.
Dólares, Escudos,
Tostões miúdos.
Prisões, Tortura,
Droga, Loucura.
Um mundo cão,
Sem compaixão.
Está tudo em mim.
Para quando o fim?
Procura os porquês desta confusa vida,
sem grande ambição. Lê no teu coração.
Dentro dele há verdade, nunca ficção.
Procura os porquês desta confusa vida,
com muita simplicidade. Amigo, acredita,
vive tranquilo, sê feliz e medita.
Procura os porquês desta confusa vida,
olhando uma criança. Nela reside o segredo.
Vive a sua inocência! Rejeita esse teu medo.
Abandona os porquês desta confusa vida.
porque só o tempo poderá dar-te respostas,
através de sinais... com verdades expostas.
Num baú já muito antigo, repleto de recordações, reencontrei-me com as tuas cartas. Estavam todas juntas, já sem cor, muito em jeito de terem sido amarradas na tua infinita dor. Tu não conseguiste perdoar-te todo o mal que me fizeste, tal como eu não soube ultrapassar ainda o que, ao longo do tempo, tu me disseste.
Procuro-te dentro de mim, mas de ti já pouco tenho. Só resta um sentimento que mantenho: o da Superação, mas culpo-me das penosas concessões que, consciente, me fiz, e das quais tu, meu eleito no passado, te sentiste culpado.
Não rasgarei as cartas que hoje li e reli. Elas são o meu único testemunho, ainda presente, do que significa “Não Esquecer”, mas “Perdoar”. Sim, porque houve entre nós um passado a respeitar.
… e quando sentires que à tua volta,
tudo soa falso e tudo te cansa,
busca um ser pequeno.
Nada mais doce do que um amor pleno
reflectido no olhar duma criança.
Sim, porque no tempo, esse olhar muda.
Que ninguém duvide. Que ninguém se iluda.
A vida embaciará aquele espelho
que, pouco a pouco, irá ficando velho,
queimado pelo fogo de paixões
e do álgido efeito de muitas decepções.
Vivo ao sabor das marés.
Poucas vazas, muitas cheias.
Se o mar não acalma as ondas...
se agitarão as areias.
Sofro as loucuras da Vida!
De tanto sofrer... estou louca.
Gritando passo meus dias...
de tanto gritar... estou rouca.
Estou farta da confusão
de um vai e vem que me cansa
e me deixa perturbada.
Com tanto golpe à traição,
trairam-me a confiança
e já não creio em mais nada!
Mil nove e cinquenta e um.
O dia... já não me lembro,
mas foi no mês de Setembro.
Naquela tarde precisa
entraste na minha Vida.
De repente, fui atraída
por não sei quê fascinante,
que actuou naquele instante.
Passei a sentir magia
num viver que simboliza
a importância e o valor
que tem a força do Amor.
A minha mente me acusa de mil difíceis estradas que percorri sem pensar no possível contratempo de não poder recuar. Mas, apesar de confusa por essas encruzilhadas onde sempre fui parar durante este espaço de tempo, nunca desisti de Amar! Sou filha da Temperança. A minha mente é imprudente, mas a minha alma, não. Em vez de lutar com asco, luto com o coração! E nesta luta, com Esperança, vive uma coisa envolvente, contrária à resignação: tentar vencer o fiasco de Acreditar... sem Razão!
A direcção que alguns seres seguem na esperança de, um dia, pôr fim ao que de mau tem o mundo, está cravejada de estradas, precipícios, contra-curvas, cheias d’almas atrofiadas de formação bem ruim. Corruptos, parasitas, têm bem no fundo uma só ambição: poder dominar, para roubar meu irmão!
São gente a quem vil cegueira, quiçá das piores que haverá. Só conhecem seus direitos. Esses seres vis e egoístas desconhecem a miséria. É malta zero altruista. É gentalha muito má! E… os que padecem, estão contrafeitos, cansados, sem fé, sem esperança, porque esperar já lhes cansa. Ah… pois é!
E foi a explosão na minha mente
- que me mantinha presa e amordaçada -
a causa que matou, naquele Presente,
a praga duma Vida mascarada.
Mudei a direcção que, então, seguia.
Rumei a um Futuro que, não nego,
mudou completamente, nesse dia,
o lado distorcido do meu ego.
Apraz-me constatar que sou feliz.
Assim... a minha alma nua,
nunca mais se mascarou de actriz.
Vestiu-se de verdade, não actua.
Estou vivendo neste mundo,
cada dia mais imundo,
com esperança e muita coragem.
Estou seguindo uma viagem.
Não sei bem de onde parti,
nem sei o que faço aqui.
Calmamente, vou tentando
nunca perder o comando
de mim e das ambições
que criei, sem condições.
Sigo amarrada a mim própria,
talvez duma forma imprópria,
mas é aquela que aguenta,
com tudo o que me atormenta.
Com Amor seguem, comigo,
quem de mim fez seu abrigo.
Amanhã, os que hoje estão,
quem sabe, já não estarão,
quando livres se sentirem.
Chorarei por eles partirem,
em busca dum seu Futuro,
menos preso, menos duro.
Farão o que fiz um dia,
quando buscava o que queria...
Libertei-me de uma amarra,
cheia de força, de garra,
e a muitas mais fiquei presa.
De nada tenho a certeza,
mas seguirei sempre em frente.
Muito há que me contente,
nesta ânsia de viver.
Eu sinto que irei vencer,
mas se não for, paciência!
Eu sou contra a desistência.
Que acelerem os meus passos
e que os meus braços se estendam.
Quero abraçar-te, amanhã.
Há que enfrentar os devassos,
se mais crianças morrerem
e a morte virar campeã.
Que se condenem traidores,
que a justiça protegeu.
Que se puna cada ser
de sistemas opressores.
Há nuvens negras no céu
e crimes a acontecer..
Vejo flores a murchar
e fontes que já secaram
porque o ódio... gera guerra.
Mal consigo caminhar...
Cansaram-me os que espalharam
a incúria aqui na Terra.
Não me assusta nada a Morte, mas a Vida, agora, sim! Ela avança sem saber o que bem fazer de mim. É dela que eu tenho medo. Sinto uma luta entre as duas quando, como hoje, me excedo e fico horas e horas a pensar no que inventar para não ser castigada por este meu “deixa andar”... Soluções? Não encontrei porque o caminho que sigo diz-me que olhe por mim, mas afinal... não consigo!
Há uma notória revolução generalizada nos neurónios da humanidade. Estamos em presença de regressos cíclicos de crimes inconcebíveis, cometidos no passado, ou trata-se de programas demoníacos em actividade no presente?
Hoje vou aqui escrever
sobre uma preocupação,
que está na minha cabeça:
quero passar a comer
aquilo que me apeteça!
Vem um diz, dum alimento,
que é muito bom prà saúde,
mas passado um tempo, alguém,
diz-nos, com conhecimento,
que afinal, não nos faz bem!
Estou farta desta incerteza,
do que era e já não é,
do que é, que antes não era.
Desisto, na incerteza.
Tudo isto me exaspera.
Passarei a respeitar
a vontade que sentir
disto, ou daquilo, comer.
Afinal, se bem pensar,
todos temos que morrer.
Se bem que... melhor pensando...
se me dá uma camoeca,
e dou aos outros trabalho,
poderei ficar penando
e, por isso, me baralho.
Pode tornar-se um sarilho!
Passo a vida a confrontar-me
com coisas incompatíveis,
em tabelas que hoje empilho,
porque sei serem falíveis.
Se houver alguém que me diga,
com segurança credível,
o que faz bem à saúde,
sem me vir com a cantiga
que depende da atitude
perante cada alimento...
eu mando-a dar uma curva.
Comigo, não funciona.
Continuo sempre magra
por muita coisa que coma.
Queria ser perfeita. Não consigo.
Sou reflexo de dor, por um castigo
vindo não sei de quem. Quiçá do Além
que desconheço, que teve - ou ainda tem -
algum ressentimento contra mim.
Será por isso que me mantém assim.
Escondo sentimentos que este mundo
não iria compreender mas que, no fundo,
controlo como posso ou como sei.
São fruto do rumo que tomei
e do qual hoje me sinto assaz culpada.
Porém, de malvadez, não teve nada.
Na vida amei - eu sei...- amei demais!
Não tenho, a definir-me, muito mais...
Os sonhos morrem de velhos, um a um.
Não se ouve o voo dos pássaros coloridos
que aqueciam a alma e semeavam vida.
Neste lúgubre mundo já não há nenhum.
Nunca mais se viram. Estão desaparecidos.
São silêncio, dor e esperança traída.
No passado foram montes de paródia.
Tão pequeninos! Eram aves sedentas de Amor
que quem ama não nega. Estimula!
E o chilrear recrudescia, virava rapsódia
à Lagardère. Sem sentido… mas com tanto valor!
Sabia a felicidade que o tempo mata, anula.
Ele, que desgasta, gera alterações
na essência das coisas que brilhavam em nós
… e deixam-nos restos do que não esquecemos.
Acumulam-se, então, invernos, verões,
primaveras, outonos, que geram avós…
ficando a memória do que já não temos.
Há folhas velhas pelo chão.
Estão secas. Perderam cor.
As que ainda ali não estão
sofrem de perdas de Amor.
A poda... já se avizinha.
Novas vidas surgirão
trazendo em cada folhinha
cores da velha geração.
É assim que o tempo faz.
Cada ciclo é uma mudança
que a Natureza nos lança.
Os velhos ficam pra trás.
Vão morrendo em prestações
que a morte cobra... em fracções!
Vou abrir uma porta nova,
Onde a Vida nunca esteve.
Urge que o Sol possa entrar.
Adiei anos e anos,
Belos projetos que tinha,
Reservados para um dia…
Indiferente a que o tempo,
Rival da Vida, corria.
Uni-me à força que tinha,
Marcada por muitos sonhos
Aos quais tinha renunciado.
Parti, então, na aventura,
O que até então não fiz,
Receosa de que o sonho,
Tombasse pela raiz,
Acabando em desventura.
Data da criação deste conteúdo:
2011-04-25
Poema acróstico
Os anos vão avançando
e eu vou-me transformando…
Sinto-me muito carente
da força que hoje não tenho.
É um não sei quê… Algo estranho...
pois não sou quem era outrora!
Diluiu-se a inspiração.
A que tenho pouco presta...
Estou entre o caos e a acção!
É tão pobre o que me resta
do muito que já perdi,
que não ato... nem desato.
De tudo quero isolar-me.
Dizem que sou poetisa,
mas tal não se concretiza,
quando procuro escrever.
Não sou real, nem concreta,
no que escrevo... e no que digo.
Eu provo... mas não consigo.
As rimas que vou criando
se baralham, me exasperam,
se confundem, ou se fundem
se atropelam, se retraem.
São pobres letras dançando
nos versos que a mente traem.
Escondem-se dentro da rede
dum todo de fantasia
onde o que há é só sede
daquilo que tive um dia.
Os versos que agora faço,
geram-me um grande embaraço,
que não me deixa viver.
O pouco de que era abastada,
já perdi. Só resta... nada!
Minha alma quer renovar-se,
alongar-se, adaptar-se
a este barco sem remos.
Se consome neste estado
de intranquila disputa
travada comigo mesma.
É uma luta incomum,
e enquanto a coragem rasgo...
com a inspiração me engasgo,
por rimas sem jeito algum...
Em suma, compilo versos
muito meus, muito simplórios,
focando temas diversos.
Contudo…. são recorrentes
longas crises de jejum,
sem um poema escrever.
Recuso-me versejar!
Já não consigo criar!
Queria ter força, fugir, mesmo sem saber de quê. Deixar o mundo, partir em busca dum tal “por quê” que nunca me dá descanso e não deixa de seguir-me. Quando me enervo, me amanso. Já não quero mais trair-me. Enroscada no meu “EU”, continuo a procurar-me, mas não me encontro Deus meu!
Minha mente não está calma…
Sinto um grande desconforto
no seu todo - que é tão meu...
porque quem o gere, sou eu!
Quero encontrar a maneira
que – espero! - seja eficaz,
de acabar com a hipocrisia,
que gera ira… e azia.
Há uma certa caridade,
- em forma de ocupação -
que causa mal-estar profundo
em qualquer recanto do mundo.
Incomodam-me as pessoas,
com um egoísmo gigante,
a quem chamam "gente do bem",
mas que deste... bem pouco tem.
Espalhados por toda a parte
confundem muito inocente,
por seus movimentos balofos
e sorrisos… “bué de” fôfos.
Actuam por conveniência,
em pontos muito sociais,
onde brilham com esplendor.
Dão ”esmolas”, não dão Amor.
Contrastam com os cidadãos
que nasceram iluminados.
São desprovidos de vaidade,
e espalham humanidade.
Esses amo! São almas boas...
Aos pobres carentes de tudo,
dão Amor muito genuíno,
assaz doce, assaz Divino.
2014-02-10
Data da recriação deste conteúdo:
2023-10-04
Ao mar, que toda a tua vida tanto amaste, estarás a oferecer o que de ti sobrou. Estampado, no teu tronco, há o desgaste que o tempo, impiedoso, lhe deixou. Desejarás perpetuares-te na coragem, de mergulhares onde nunca ousaste entrar. Jazerás só, despido e sem qualquer bagagem, eternamente esquecido nesse mar.
Faço parte desse teu imaginário. Para ti, não sou um ser... Eu sou um vulto bem escondido atrás dum cenário onde, covardemente, o manténs, oculto. Tu nunca consideraste o meu direito à liberdade. Ignoras o respeito que me deves. Sou Mulher e sou pessoa. Tu não planeaste tudo isto, à toa...
Não tolero a tua covardia, tanto insuportável, quanto infame! Tu geres sempre o meu dia-a-dia tentando protegeres-te do vexame de poderes vir a ser reconhecido. Tu és um ser que vive comprometido entre fazer bem e fazer muito mal. Tu és.... subtilmente... um anormal.
Divides-te entre o bem que aparentas, e o insuportável mal que praticas. Satisfazes velhas ânsias sedentas de vingança e guerra, que exercitas provocando no meu ser um medo atroz. Impedida de erguer a minha voz. fizeste de mim a escrava desejada que amordaças, para manteres calada.
E eu... - Deus meu! - não posso fazer-te frente. És demasiado musculoso... forte! A minha grande fraqueza não consente arrojos, porque vive temendo a morte. Até quando segue a lei, compactuante com este horror que continua actuante? Até ser tarde demais e deixar que eu sinta a liberdade morrer em mim... faminta?
Mocho lindo, sabichão,
lê este poema todo
e responde, com prontidão:
serei do mal, um engodo?
Nasci no mês de Setembro,
e gostava de saber
porque será que não lembro,
noutro mês me acontecer
tanto azar em 30 dias…
Já pensei em recolher-me,
mas... como tenho manias,
não consigo resolver-me.
Não suporto estar fechada
dentro dum pequeno espaço...
Como sou amedrontada,
não confio no que faço.
Temo que em qualquer momento
me ataque qualquer fobia,
e, com este meu sofrimento,
eu morra duma histeria.
Estive oculta três estações
na minha Mãe, que me teve;
quando saí, sem pressões,
nem Outono me deteve...
Daí em diante, então,
ano após ano, em Setembro,
cada minha decisão...
foi um desastre que lembro.
Há provas do que escrevi.
De cada caso... um tratado!
Foi Karma que contraí,
ou destino programado?
Fazendo uma busca na internet sobre poesia orfã *, encontrei uma que senti ser mais uma lindíssima reflexão, do que outra coisa. Portanto, reflecti - como aliás o texto aconselha – sobre a impressionante velocidade do tempo durante as diferentes etapas da minha vida, velocidade essa que, na minha idade actual, relembrou-me uma série de projectos que tinha em mente executar sem pressas, sem grandes preocupações.
Depois da leitura de “Dança Lenta”, passei a temer a morte que se aproxima a grande velocidade. E passei, também depois desta leitura reflexiva, a meditar sobre o meu desejo de completar tudo aquilo que tenho, ainda, por fazer, sentindo, intensamente, que a minha ansiedade foi agravada. Desacelerar como, se eu sinto o vento que essa velocidade gera, bater-me de frente?
Existe uma considerável polémica sobre quem é – ou quem teria sido - o autor desta reflexão. Não tendo eu “ferramentas” que me permitam concluir seja o que for sobre este assunto, limito-me a transcrever o que li, com o devido respeito por quem, tão sabiamente, controlava a sua existência.
* Poesia que, por qualquer contingência, perdeu o pai ao nascer, e foi adoptada, ou perfilhada mais tarde, por um pai verdadeiro, ou por um ou mais meros interessados em usá-la.
DANÇA LENTA
Alguma vez você já viu crianças brincando de roda?
Ou ouviu o som da chuva batendo no chão?
Já seguiu o vôo errático de uma borboleta?
Ou olhou para o sol dando lugar à noite?
É melhor desacelerar; não dance tão rápido.
O tempo é curto e a música acaba.
Você passa batido por cada dia?
Quando você pergunta: como vai você?, ouve a resposta?
Quando acaba o dia, você se deita em sua cama
Com a próxima centena de tarefas percorrendo sua cabeça?
É melhor desacelerar; não dance tão rápido.
O tempo é curto e a música acaba.
Alguma vez disse a seu filho, pode ser amanhã?
E, na sua pressa, percebeu a tristeza em seu rosto?
Já perdeu contato e deixou morrer um amigo
Porque nunca teve tempo de ligar e dizer “oi"?
É melhor desacelerar; não dance tão rápido.
O tempo é curto e a música acaba.
Quando você corre para chegar a algum lugar
Perde metade da graça em chegar lá.
Quando se preocupa e atropela seu dia
É como um presente que vai pro lixo sem ser aberto.
A vida não é uma corrida. Vá devagar.
Ouça a música antes que ela acabe.
O meu conselho:
1. Se ainda é novo, desacelere agora. Respeite a preciosa oportunidade que lhe deram de viver. Tranquilamente, procure realizar sonhos ao ritmo do correr de um rio limpo de impurezas. Ele irá, sem dúvida, terminar num mar abundante, para o qual o passado de cada rio não é importante.
2. Se já não é jovem, interiorize a necessidade de respeitar o facto de estar vivo e, sem agitações, vá fazendo o que puder, pois poderá não ter quem saiba o que tinha programado executar no tempo e, consequentemente, não haja quem queira assumir, por si, o acabamento seja do que for.
Data da criação deste conteúdo:
2023-09-14
Autor da poesia: desconhecido
Foram anos passados numa luta
com vitórias e derrotas que enfrentei.
Fui vítima de gente muito astuta,
treinada para contornar a lei.
Foram anos passados que vivi
ora magoada, ora bem feliz.
Há erros dos quais já me esqueci.
Outros, porém, deixaram cicatriz.
Sempre preferi o risco ao ócio
de ver passar o tempo conformada
com a desdita de saber-me derrotada.
Nada do que fiz foi por “negócio”.
Sinto-me orgulhosa de saber
que tudo quanto fiz foi por prazer.
Há mentalidades sujas
que se contam aos milhões!
Ora parecem corujas,
ora mochos sabichões.
Vivem tramando quem calha,
com grande sabedoria.
São estrigiformes! Maralha
do mesmo saco. Sabia?
Saudade é um mal que se sente,
Saudade é uma dor ingrata.
É uma ausência presente,
É uma presença que mata.
Saudade de quem partiu,
de quem não está, que não volta.
Saudade é ferida que abriu,
é um mal-estar que revolta.
É negra a cor da saudade,
negra sem réstia de luz.
Sem pena, sem piedade,
põe-nos ao peito uma cruz.
A Saudade não se cura,
enquanto presença for.
A minha saudade é dura,
há muitos anos, amor.
Atrás, não sei bem de quê,
corre o Tempo assaz veloz.
Leva um pouco de você,
de mim… de todos nós.
Criemos uma barragem
no trajecto que ele seguir
para aumentar a coragem
de quem já quis desistir.
Tempo que vai mas não volta,
tem calma… vai devagar.
A tua pressa revolta
quem quer tempo para Amar.
Confirmam-se actos surpreendentes,
que não sabemos porque se geram,
nem com que fim são praticados.
Perturbam crentes e até descrentes.
Há mil respostas que nada alteram
se os seus autores são questionados.
Silêncios estranhos, perturbadores,
derrubam sonhos, queimam projectos,
ferem pessoas, destroem vidas...
Não conhecemos os vis traidores.
Hediondos monstros, seres abjectos,
que silenciam... com fins suicidas?
Caminham juntos, na mesma estrada,
seres que te amam, seres que te odeiam,
seres que te iludem, seres que te traem..
Porém... amigo, na caminhada,
há outras almas, de mil formatos,
que com ruídos... não se distraem.
Fica em silêncio, e põe-te à escuta
para aprenderes quem fala a quem,
e o que combinam de muito imundo...
Esquece os ruídos! Há gente em luta,
que quer salvar quem está refém
dessa gentalha, que trai o mundo.
Não tenho medo da chuva,
nem mesmo quando troveja.
Não me assusta a vida dura,
por mais dura que ela seja.
Contudo, amigos, vos digo,
que me faz um mal profundo
ver pessoas sem abrigo
por culpa de leis no mundo.
Teremos sempre um por quê,
difícil de ser julgado...
que passa a ser cliché,
usado pelo culpado.
Haverá maior tristeza
do que passar a estar só
na rua, onde a frieza
transita, sem sentir dó?