Poesia
A CONTABILIDADE E A VIDA

Aqui jaz alguém que já nada faz
ou, provavelmente, fez alguma vez.
Dentro dessa caixa que o encerra,
o tempo reduzi-lo-á à origem,
ao estado de matéria virgem.
Para ele, o "Deve" e "Haver"
já não terão mais razão de ser.
Para muitos, a Contabilidade,
necessária, é uma afirmação
da sua situação nesta vida,
do seu valor como ser humano,
pois é directamente proporcional
ao valor intrínseco do seu capital.
É um conceito assaz desumano,
se assim interpretado. Contudo,
esse valor não é tudo. É nada!
É a tua essência mascarada,
um cálculo completamente errado,
e passas à categoria de condenado
se for provado que tu... nada tens,
além de alguns míseros bens.
A vida tem uma dimensão maior,
no que concerne ao seu real valor.
Sobrepõe-se à maldade profunda
duma sociedade moribunda.
Eu tento ignorar a falsidade
em que abunda: a perversidade,
a traição e a velha corrupção.
A vida gera o bater do coração,
quando vibra e quando se agita,
ou sente a falta de um amor ausente,
que nunca mais estará presente.
Não é preciso saber contabilidade
para compreender onde está a verdade
de cada ser de alma e coração,
que olha o outro como seu irmão.

Data da criação deste conteúdo:
1986-05-03
Autor da iImagem: KoolShooters
BEM-VINDO SEJA O NOVO ANO

Parte tranquilo, dois mil e vinte e dois. Leva contigo o mal que nos fizeste e deixa ficar o que de bom trouxeste. Tivemos esperança em ti. Pouco depois... com o decorrer dos dias e dos meses, perdemos a ilusão de tu seres diferente. Seguiste a linha do ano precedente, e começou uma escalada de reveses. Sentia-se uma certa baralhação na questão da saúde e também da vida. Favoreceste a morte, essa bandida! Fizeste do tempo uma péssima gestão! Quero ver-te partir em boa ordem! Que venha, pois, dois mil e vinte e três e que seja feita, finalmente, desta vez, a cessação do tempo da desordem. Carecemos duma mudança radical no sector da saúde e do bem viver, com alimentos de confiança pra comer. Há gente a sucumbir, por viver mal.

Data da criação deste conteúdo: 2022-12-31 Imagem: Javon Swaby
SELOS DE HORROR

Não serão, certamente, estes meus versos, gerados na dor do que estou vendo, que irão mudar as mentes dos perversos que vivem pra matar, mesmo morrendo. Condenada e sem saída, a vossa estrada cheira a mortes e a fogo, aqui na Terra. Vive-se a mentira arquitectada nas verdades ocultas duma guerra. Os corpos inocentes que hoje jazem em terras onde o solo é infecundo... têm o vosso selo vil, imundo. Não temo as ameaças que, em vão, fazem. Sou cidadã do mundo. Busco Paz... esteja ela onde estiver. Tanto faz!

2017-05-28
TEMPO, VAI DEVAGAR!

Atrás, não sei bem de quê, corre o Tempo assaz veloz. Leva um pouco de você, de mim… de todos nós. Criemos uma barragem no trajecto que ele seguir para aumentar a coragem de quem já quis desistir. Tempo que vai mas não volta, tem calma… vai devagar. A tua pressa revolta quem quer tempo para Amar.

Data da criação deste conteúdo: 21-10-20
SOU UM SER INCOMPLETO!

A perfeição não existe, mas essa é a minha meta. De tão exigente ser não me sinto completa. Mesmo assim, por acabar, tenho um coração que crê que, de amor, estou repleta. Aos olhos de quem me vê por vezes sou assim mesmo: Incompleta! O que é que falta? O problema está dentro. Há um senão que ressalta. Ontem, fui boa pessoa; anteontem… já não sei; hoje procuro tornar-me a mistura que convém. Convém... a quem de mim espera qualquer coisa... assaz diferente. Acabo sendo um enigma aos olhos de toda a gente que me olha e vai dizendo: - Esta aqui, não está completa! Tem um parafuso a menos... ou é doutro planeta.

Data da criação deste conteúdo: 2011-03-11
QUEM SABE SE, UM DIA…

Longos voos realizei, sempre com ida... e com vinda. Tantos anos que eu matei! Nem sei quantos tenho ainda. Buscava pérolas brancas, escapava a pontas de fogo. Fechava portas com trancas, pra fugir de um demagogo. Uma asa já quebrou, não a posso consertar. Estou cansada de tentar. Choro o tempo que passou. Nem correndo o apanharia! Mas... quem sabe se, um dia...

Data da criação deste conteúdo: 2020-02-20
ÉS A RAINHA DO MEU AMOR

Mãe, tu que me deste a Vida para ser vivida em pleno, tinhas a doce esperança dum futuro assaz sereno. Mãe, tu que me viste falhar milhares de vezes - apesar dos teus avisos permanentes, sábios e tão pertinentes... Crê, eu não te culpo de nada. O meu falhar foi resultante do quanto, na vida, passei. Hoje, sinto-me arrependida. Para sempre, recordar-te-ei como uma Mulher de força, uma Mãe boa, assumida, porém, muito introvertida. Não obstante irreverente, sentia na tua conduta os efeitos da tua luta. Mãe, partiste tão de repente... Tu travaste uma batalha aos teus noventa e seis anos... e eu... estava de novo ausente e não me despedi de ti. Foi injusto… inesperado, e muito fora dos teus planos … se de morte planos houvesse... Estes, o Universo os tece. Como eu me sinto sozinha! Oh! Mãe, minha querida Mãe, deixaste-me na maior dor. Repousa, agora, em Paz, Meu Grande Eterno Amor.

Data da criação deste poema: 2013-05-05
FINALMENTE… INTEIRA!

Finalmente... inteira!
Era a última da fila; hoje, sou a primeira.
Desisti de um certo modo de amar
perdidamente, dividida em mil pedaços.
Não tenho mais espaços por ocupar
no meu todo, unido por fortes laços.
Finalmente... inteira!
Já não saberia estar de outra maneira.
Peguei cada pedaço envelhecido,
virei-o e revirei-o do avesso
até que cada um, restabelecido,
permitisse eu aceitar-me, de regresso.
Finalmente... inteira!
Consciente, tranquila, e sem cegueira.

Data da criação deste conteúdo:
2016-03-16
TEUS AFECTOS

Ervas daninhas habitam
no canteiro do jardim
que em minha alma floresceu.
Todas as flores se agitam...
mas uma, cor de carmim,
está linda! Recrudesceu...
Ela é Amor num deserto.
Não quero vê-la secar,
precipitando o seu fim,
porque, sempre que desperto,
põe-me no peito um colar
feito de afectos por mim.

Data da ciação deste conteúdo:
2016-11-22
A MAGIA DO AMANHÃ

Hoje passará a ontem,
quando a meia-noite vem,
e passa a ser anteontem,
numa outra a vir também.
Todos eles viram passado,
dia após dia, por certo,
deixando sempre ignorado
um amanhã muito incerto.
O Presente é uma porta
desse amanhã que me atrai,
pois o futuro é que importa,
quando o passado se vai.
Contudo, nessa magia
que o Amanhã dizem ter,
há um mistério que adia
o nosso querer saber.
A Natureza, perfeita,
o amanhã quis esconder,
para que a Vida, essa eleita,
não saiba quando irá morrer.

Data da criação deste conteúdo:
2011-04-15
UM AMOR DE COR

Amo o teu sorriso de criança
e a tua pele da cor de chocolate.
Amo teu brincar que não me cansa,
mesmo que outro cansaço me maltrate.
Tu és inspiração na minha vida,
sempre que caminhando nesta estrada,
sinta que a coragem foi perdida
e esteja a vacilar na caminhada.
És poesia, és sonho, és a ventura
de quem desventurado se encontrar
em dias sem sol e sem luar.
Tu és suave brisa que me cura,
és inocência, luz e muito amor
ignorado por tantos sem valor.

Data da criação deste conteúdo:
2013-05-08
O DELÍRIO DA BOLA

Nunca gostei de futebol,
pelo que gera a nível geral
mas cantei o hino como um rouxinol,
porque quem venceu foi Portugal!
Duas equipas… em que uma falha,
lutaram duro pela vitória;
porém, só uma vence a batalha
e dá ao povo honra e glória.
Não são só destas que precisamos
neste país de gente nobre,
pois tudo aquilo que façamos
é sempre pouco… e muito pobre.
Pobres nos meios, ricos na mente,
doam ao mundo o seu saber,
pois Portugal, concretamente,
não é capaz de os proteger.

Data da criação deste conteúdo:
2025-06-08
A POESIA E OS POETAS

Poesia, alimento da alma,
e um bom refúgio do coração
de um poeta, em inspiração.
Aceita, com muitíssima calma,
o mais particular sentimento
que ele tenha num dado momento.
Expõe aberta e publicamente
o que lhe conta o seu poeta,
de forma livre, mas muito concreta.
Não sente algum constrangimento:
faz um papel hoje já lendário
neste tão particular cenário.
Posso prever esta realidade:
os poemas que passaram de mão em mão
e de alma em alma, com devoção,
direi, sem qualquer ambiguidade,
que serão sempre bem-sucedidos;
os outros… eternamente esquecidos.

Data da criação deste conteúdo:
2025-12-11
NEM DESISTO…NEM CAIO!

Sou folha colorida... num Outono frio,
oscilando num ramo onde já fui vida.
Permaneço ocupante de um espaço vazio
recusando tornar-me uma folha caída.
O meu balançar é balanço morto.
Perdi toda a força que a vida me deu.
Meu pecíolo preso àquele ramo torto
ameaça soltar-se desde que nasceu.
Contudo, acusando um carácter teimoso
no espaço vazio que agora é ventoso,
oscilo agarrando-me àquilo que eu amo.
Vai longe a beleza que tem cada Maio.
Mantenho-me assim... nem desisto, nem caio...
e enquanto suspensa, meus versos declamo.

Data da criação desre conteúdo:
2018-11-09
Imagem: Olga
SIM… PORQUE EU AMO A VIDA!

Foram anos e anos de grande trovoada. Não havia sossego no meu lindo país, nem uma forma de alguém sentir-se feliz. Minha mão tremendo, estava cheia de nada, afagando a alma de quem queria mais, mas faltava paz e liberdade de acção, para que as crianças... nessa vil condição, recebessem conforto e bem estar reais. .......... Foram anos e anos de vidas sem sentido. Os sonhos morreram... mas ficou a ilusão de que tudo mudaria. E porque não se a trovoada tinha desaparecido? Mas outras tempestades, ainda mais pesadas, fizeram-se ecoar, dia e noite adentro... O factor idade era, agora, o epicentro da minha memória, onde estão bem gravadas velhas recordações que me mantêm cativa. Oh meu perseguidor e cruel mês de Setembro... Tu voltaste à carga! Sim, porque bem me lembro de cada um dos teus anos, enquanto for viva. Cativa serei, mas não me sentirei vencida. Seguirei lutando. SIM... PORQUE EU AMO A VIDA!

Data da criação deste conteúdo: 2022-09-01
A INTERPRETAÇÃO DA ARTE

Diz um ditado, já velho,
que os olhos serão o espelho
da alma do ser humano.
Como tal, não por engano,
transporta para o que cria
uma especial magia
em sentimentos, em imagens,
indicadores de mensagens
cuja interpretação
depende da formação
e do grau de sensibilidade
de quem as lê, na verdade.
O emissor as envia,
o receptor as aprecia.
Passa-se isso com as telas
e, quando pincela nelas,
o artista se revela.
O quadro é aquilo que expela,
em emoções. É o seu emissário,
levando-nos a um universo
onde o pintor resta, imerso.
Por vezes, quem observa,
fá-lo sem qualquer reserva
de espaço para sentir
o que o quadro reflectir.
Tal depende do valor
que terá o seu autor.

Data da criação deste conteúdo:
2016-02-17
MALDITOS INTERESSES!

Um jogo vergonhoso de interesses impera... destruindo este País onde a população... está infeliz. Oh infortúnio! Poucas são as vezes em que a justiça faz pronta questão de antecipar devida punição! Fala-se de culpas e condenações, mas a espera... enfim! É muito longa! Entretanto, se alonga... se prolonga... Quando chegam, finalmente, conclusões... os culpados ter-se-ão bem prevenido, e terão um bom futuro! Garantido! Maldita seja a grande perversidade que impera neste mundo desumano onde os bons... só existem por engano! Impera a vilânia e a dupla crueldade. Salvemos as crianças desta loucura! Isto não é viver! Isto é tortura!

2018-11-12
ESTOU ENTRE O CAOS E A ACÇÃO!

Os anos vão avançando
e eu vou-me transformando…
Sinto-me muito carente
da força que hoje não tenho.
É um não sei quê… Algo estranho...
pois não sou quem era outrora!
Diluiu-se a inspiração.
A que tenho pouco presta...
Estou entre o caos e a acção!
É tão pobre o que me resta
do muito que já perdi,
que não ato... nem desato.
De tudo quero isolar-me.
Dizem que sou poetisa,
mas tal não se concretiza,
quando procuro escrever.
Não sou real, nem concreta,
no que escrevo... e no que digo.
Eu provo... mas não consigo.
As rimas que vou criando
se baralham, me exasperam,
se confundem, ou se fundem
se atropelam, se retraem.
São pobres letras dançando
nos versos que a mente traem.
Escondem-se dentro da rede
dum todo de fantasia
onde o que há é só sede
daquilo que tive um dia.
Os versos que agora faço,
geram-me um grande embaraço,
que não me deixa viver.
O pouco de que era abastada,
já perdi. Só resta... nada!
Minha alma quer renovar-se,
alongar-se, adaptar-se
a este barco sem remos.
Se consome neste estado
de intranquila disputa
travada comigo mesma.
É uma luta incomum,
e enquanto a coragem rasgo...
com a inspiração me engasgo,
por rimas sem jeito algum...
Em suma, compilo versos
muito meus, muito simplórios,
focando temas diversos.
Contudo…. são recorrentes
longas crises de jejum,
sem um poema escrever.
Recuso-me versejar!
Já não consigo criar!

Data da criação deste conteúdo: 2013-10-02
A FOME E A FARTURA

Perguntaram à fartura:
quem foi que te pôs no mundo?
respondeu, toda ternura,
— Foi um ser muito fecundo.
— Queria ser tua filha,
comentou quem perguntou.
Ser-se pobre só humilha,
não sei quem me atraiçoou.
Perdi tudo, tenho fome,
não sei mais o que fazer.
Meu nada ter me consome,
sou pobre até no viver.
A fartura, muito cheia,
retorquiu-lhe sem afecto:
— Se não tens um “pé de meia”,
tornas-te um ser abjecto!
Pede emprego no governo.
Vais ver o que é viver bem!
Deixas de estar nesse inferno,
viverás sempre em Belém.
Tratada como princesa,
numa casa apalaçada,
terás sempre cheia a mesa,
e toda a roupa lavada!

Data da criação deste conteúdo:
2012-11-23
REABRAÇAR-TE QUERIA, UM DIA…

Não sei há quantos anos eu te amo, nem sei quantos mais anos te amarei. Só sei quantos serão os que reclamo, por não poder mais ver-te. Esses... sei! O que sinto por ti teve um começo, mas nunca, nunca mais terá um fim. Viajaste com bilhete sem regresso, e ao partires, Amor, fiquei sem mim. Anseio, loucamente, ver-te um dia, para abraçar, feliz, a tua alma serena… na sua paz... na sua calma. Eras sempre tranquilo, quando te via. Daí, na minha dor, ter superado todo e qualquer problema, no passado.

Data da criação deste conteúdo: 2016-09-17
PARA ALÉM DO PASSADO

Revolta-se um mar de nada que atraia.
Com algas eu banho um passado que dói.
Olho as crianças agitadas na praia,
e lamento o tempo que tudo corrói...
Aguardo outro ano... Sei que o terei!
Mas... ano, após ano, viva permanece
a recordaçãp que em mim conservei
dos tempos de jovem que a mente não esquece.
E vibro sonhando, teimosa, insistindo
no quanto ainda aspiro poder terminar
coisas que, no tempo, ousei projectar.
De Amor e de Sonhos vou chorando e rindo
porque creio na alma que carrego em mim!
Sou feita de esperança. Serei sempre assim.

Data da criação deste conteúdo:
2018-09-08
EM BUSCA DE OBJECTIVOS

Mesmo com a idade avançando, não me cansarei, jamais,
de ir procurando o que tanta falta me faz:
puros valores vitais, e tanta, tanta paz.
Busco novos objectivos, entre os quais ressalta
o de como justificar esta minha sede de amar, de satisfazer a alma,
de conseguir reparar aquilo que mina e que me traz o tédio
causado pela rotina.
Amarei, entretanto, todos os que, como eu, acreditam na vida…
mas não na do presente, profundamente agredida
por tanta loucura, para a qual não vejo cura.
Como podem certos homens convencerem jovens
a lutar por uma fé em que a maioria não crê?
Não importa como ou até quando, mas continuarei procurando
bons e novos objectivos que tornem os fracos activos
na recuperação do amor e de um mundo melhor.

Data da criação deste conteúdo:
2015-03-15
APRENDER COM A MENTIRA

Gostaria de saber
se o saber que eu hoje tenho
é um Saber de Verdade.
Sinto nele muita mentira
que não tem a perna curta...
Mantém-se para que surta
o efeito desejado?
Tem um prazo calculado?
Mentira, não tem idade.
Não sabemos quando expira
seu prazo de validade,
portanto, o meu saber
nunca me irá convencer.
Ainda jovem, sentia
que muito do que aprendia
me deixava duvidosa...
Certa matéria estudada
foi verdade comprovada,
ou peca por mentirosa?

Data da criação deste conteúdo:
2015-10-11
PELO SIM… PELO NÃO…

De bocas abertas,
a anunciar descobertas
sensacionais,
está o mundo farto;
portanto, reparto-me
— por razões especiais —
entre acreditar
e não me entusiasmar.
Seja o que Deus quiser!
Enquanto puder,
recorro à Mãe Natureza
— por uma questão natural —
e estarei mais bem do que mal!
E podem ter a certeza
de que faço realmente isto:
quando da cura receio,
não arrisco! Ziguezagueio.
E nunca me arrependi
dos ziguezagues que fiz.
Depois... eu nunca entendi
tudo aquilo que se diz
sobre ‘o mais aconselhável’.
Porém, quando estiver mesmo mal,
duma forma inquestionável,
em que perca a paciência,
viro brava e radical:
entrego o corpo à ciência,
decidida e resoluta,
e aceito o que vier!
De certeza absoluta!

Data da criação deste conteúdo:
2016-04-20
DESPERTAR PARA A VIDA

Desperta fico sonhando
nesse lindo tempo, quando,
inocente e especial,
eu cria no Pai Natal.
Que saudade desse tempo!
Mas um triste contratempo
acabou por ocorrer,
e fez o sonho morrer.
O adulto, nesta cena,
é sempre quem contracena
com a inocência pura.
E pode ser a altura
duma porta entreaberta
conduzir à descoberta
de que o papá real
também é Papá Natal.
E vem a desilusão
— a primeira, até então…
Surge a desconfiança
no coração da criança,
e aquilo que conduz
a ter de repor a luz
que o sonho lhe traz à vida.
Bem cedo vira mentira
o que a criança admira.

Data da criação deste conteúdo:
2014.08-02
A FLOR DO CAMINHO

Entre pedras de um caminho,
nasceu esta linda flor.
Eu não sei se por amor
ou por respeito e carinho,
quem vai passando por lá
não ousa sequer tocar-lhe,
talvez para não roubar-lhe
a vida que nela há.
Oh! Quem me dera ser cuidada
como essa flor de rua,
ser companheira da lua
e do sol ser namorada!
Mas o tempo da existência
é efémero, sem prazo.
A morte é fruto do acaso
ou tem tempo de vigência?

Data da criação deste conteúdo:
2025-01-11
O DESTINO DO MEU RIO

Sou como um rio em busca de um destino,
ou será ânsia de encontrar acolhimento?
Perante os obstáculos, me obstino
e sigo em frente, sem constrangimento.
Amo a aventura! Gera em mim audácia.
Não temo o imprevisível Universo.
Face ao perigo, activo a perspicácia
e jogo contra tudo o que é perverso.
Não sei se alcançarei o que procuro,
nem saberei, ao certo, o que é que quero,
mas vivo um bom momento, assaz sincero.
Viajo entre montanhas, com ar puro,
e sei que a minha água irá secar.
O que sempre durou… tende a acabar.

Data da criação deste conteúdo:
2025-10-04
Imagem de Zé e Zeza
ONDE COMEÇA A ESPERA

Tipologia: Embrião,
quer seja esperado, ou não.
Sua condição: Gerado.
Tem Vida, não tem Passado.
Posto na fila de “Espera”,
espera... mas não desespera!
Espera alimento e conforto,
senão, pode nascer torto.
Na sua espera, assaz calma,
não tem conflitos de alma.
Nove meses, como ser,
dão-lhe a honra de nascer.
Um certo aperto no espaço,
fá-lo sair do embaraço.
Natus Sum! Aqui começa
uma reacção expressa
de várias formas. A espera,
- que antes de ser, já o era
no ventre de sua Mãe -
grita, mas não ouve... Amén!
E continua esperando
sem dela ter o comando...
porque “Veni, Vedi, Vici”
nem sempre funciona aqui.
É que a espera, essa raínha,
é lenta quando caminha.
Esperar... palavra assaz dura,
vira doença sem cura,
se quem de esperar se cansa
e o que quer... não alcança!
Estado normal: Esperar!
Entretanto... vimos passar
o tempo que nos foi dado
pra viver cá deste lado.
Não sei se lá, no Além,
iremos esperar também.
Esperámos para nascer.
Esperamos melhor viver.
Esperamos tudo, afinal.
Maldita praga geral!

Data da criação deste conteúdo:
2016-01-28
Imagem: David Bartus
BRINCANDO COM AS PALAVRAS

Se o lôbrego cenário em que te fechas,
recrudesce e amodorra a tua vida,
não quero mais ouvir as tuas queixas,
fundadas na tua mente empedernida.
Cada vez que, rangendo ao meu ouvido,
me vens falar da tua fé e crença,
afadigas o meu ser que, consumido,
acredita que em ti... é já doença.
Aurindo uma doutrina em que não creio,
coleias, devagar, e adivinho
não perceberes que eu, não serpenteio…
Se aquilo em que acredito, tu não crês,
prefiro mudar meu rumo, meu caminho,
ao remansar da tua insensatez.

Data da criação deste conteúdo: 2021-05-01
DESABAFOS DE UMA AVÓ

Quem anda à chuva... acontece
ter aquilo que merece!
Tive seis filhos... que quis!
Só por isso, já sou feliz.
Netos, são catorze aqueles que tenho,
cada qual do seu tamanho.
Os que estão longe, ouço às vezes,
mas alguns não ouço há meses!
Depende das suas razões
e das minhas limitações.
Resumindo: lá gente... eu tenho!
Até aqui, nada é estranho.
Amo todos de igual maneira,
vê-los é que é uma canseira!
Alguns estão sempre ocupados
com namoradas ou namorados.
E se não estão... lá terão
qualquer boa distracção.
Bué de jogos, discoteca,
internet... Mas que seca!
E quem sofre? Sempre a avó,
que não gosta de estar só.
Raramente lhes dou prendas.
Tenho despesas tremendas!
É curto o meu rendimento.
Se o gasto não me alimento.
Dei muita gentinha ao mundo,
e se não poupo, me afundo.
Nem o Natal me comove.
Catorze e seis... dezanove!!!

Data da criação deste conteúdo:
2019-06-28
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A AREIA DA TUA PRAIA

A areia da tua praia
guarda segredos
bem fundo
que nunca revelará
aos curiosos do mundo.
Tem sido fiel cobaia
de mil ditos e enredos.
Sem contramarcha,
tu teimas em enfiá-los
na tua abusada lida.
Na tua vida não há,
nem haverá,
o sossego que desejas,
enquanto nela faltar
“Inversão de Marcha”,
ou “Saída”…

Data da criação deste conteúdo:
2013-07-03
AMBIÇÕES CORRUPTAS

A direcção que alguns seres seguem
na esperança de, um dia, pôr fim
ao que de mau tem o mundo,
está cravejada de estradas,
precipícios, contra-curvas,
cheias d’almas atrofiadas
de formação bem ruim.
Corruptos, parasitas,
têm bem no fundo
uma só ambição:
poder dominar,
para roubar
meu irmão!
São gente a quem vil cegueira,
quiçá das piores que haverá.
Só conhecem seus direitos.
Esses seres vis e egoístas
desconhecem a miséria.
É malta zero altruista.
É gentalha muito má!
E… os que padecem,
estão contrafeitos,
cansados, sem fé,
sem esperança,
porque esperar
já lhes cansa.
Ah… pois é!

Data da criação deste conteúdo:
2013-07-27
CONCEITOS DE RAPINA

Estranho costume o daqueles que fazem do “meu”, “seu”, também. Sem respeito e sem pudor, vão aumentando o que é “deles”, da forma que lhes convém. Para esses, sem excepções, esta é a vida melhor e, nesta luta por bens, a ambição dos ladrões, vai de mal a bem pior... Há vários tipos de rapina, que o rapinador consome: por cleptomania, porque se tornou sovina, ou por estar cheio de fome. Por doença, há que curá-la com um método eficaz; por ganância, há que perdê-la; pela fome, há que matá-la, senão... não se vive em Paz. À mistura com rapina, há mil formas de conduta perturbando muita gente, que se exalta e se amofina, fazendo-a manter em luta pois nesta guerra, infernal, há que pegar-lhe pela ponta, começando pelo imbecil que, indiferente à moral, alimenta o “faz de conta”. Com discursos de fachada, sem nada a ver com o que sentem, deixam muitos convencidos que a razão, arquitectada, está do lado dos que mentem. Mas há outros, aos milhões, que querem fazer um cerco a esta corja de ladrões, que cresce dia, após dia. São uma forma de esterco!

Data da criação deste conteúdo: 2009-08-08
ABELHA MESTRA NÃO CHORA

Confusas estão, nas colmeias,
a rainha e as obreiras.
É grande a azáfama ali.
Impõe-se entrega total.
A Vida, de mortes cheia,
arrasta enormes fileiras
de abelhas que olham por si
duma forma excepcional!
Reina confusão no espaço.
Obreiras choram ausentes,
mas partiram... Já não estão.
O Sol espreita... e vai embora.
Lá dentro impera o cansaço.
Todas querem estar presentes,
apesar da aflição.
Abelha Mestra... não chora!

Data da criação deste conteúdo: 2020-04-01
ESTAS BOTAS NÃO NOS SERVEM

Alto! Não estamos em tempos
de cantar grandes vitórias,
nem de apregoar glórias.
Há que estarmos bem atentos!
O País “está de gatas”,
porque está pobre de muito!
Caíu, débil, num circuito
com regras nada sensatas.
De muito o País está pobre,
mas não está pobre de tudo.
Somos ricos, sobretudo,
de gente bastante nobre,
com coragem a valer!
Lutaremos pela paz
duma maneira eficaz:
Nunca vergar… nem torcer!
Portugal caiu num caos,
por causa de certos trutas.
Por dinheiro... geram lutas.
Para além de serem maus...
de ricos fazem figura,
enquanto outros, que tristeza...
para terem pão na mesa,
que vida enfrentam! Que dura!
Esqueçamos partidarismos.
Somos todos seres humanos
que já estão fartos de enganos,
de mentira e de conformismo.
Estamos cheios de discursos
de “gente de mente aberta”.
Cada dia, há um alerta.
que nos põe todos piurços.
Há que arregaçar as mangas?
Comecemos pelos vilões,
vigaristas, aldrabões,
que nos deram tantas tangas.
O povo deste País
afundou-se na amargura
… duma pobreza bem dura,
que nunca, por certo, quis.
Há coisas que não percebo!
Tivemos alguns famosos,
perfumados e charmosos
que nos levaram ao cebo.
Agora, para livrar-nos
dum caos tendente a aumentar
outros tais querem "salvar-nos"
para mais pobres ficarmos.
Quanto a mim, compatriotas,
era cá muito entre nós,
- só nós... e muito nós sós -
(mesmo que a comer bolotas),
que a solução para a crise
devia ser encontrada
e muito bem aplicada,
antes que mais agudize.
Reparem bem: nas ajudas
que nos querem facultar,
há exigências no ar
que mais parecem de Judas.
Ainda vamos assistir
a cenas de revoltar,
com os ricos a aumentar
e os pobres a sucumbir.
Não nos deixemos levar
por promessas ardilosas,
dessas cabeças famosas,
peritas em calcular.
A moral que neles vigora,
dá para a fome aumentar
nos milhões a "patinar",
num mundo que os ignora.
Portugueses, meus irmãos,
(excluindo os trafulhas,
vigaristas, maus e pulhas):
Apertem todos as mãos
e vamos mostrar ao mundo
o nosso exemplo de luta,
antes que essa malta... astuta,
nos leve a um poço sem fundo.

Data da criação deste conteúdo:
2011-07-10
DEMOCRACIA ADULTERADA

Cerca de cinquenta anos tivemos a ditadura, instalada em Portugal. Sou testemunha dos danos causados pela tortura a muita gente, em geral. A revolução de Abril libertou-nos, finalmente, dum governo à força imposto, mas, gentinha assaz servil, continua, secretamente, atraiçoando por gosto. Bailando na corda bamba, bufando e manipulando... vão, ricamente, vivendo, enquanto outros, de tanga, ...de tristeza vão chorando, de pobreza vão morrendo...

Data da criação deste conteúdo:
2023-04-25
MONÓLOGO DE ‘MARIA POVINHO’

A um chefe de governo:
Entre nós há um grande abismo
de coexistência diversa.
Eu estou ligada ao realismo,
e tu, a uma causa adversa.
Ao teu sorriso reajo mal,
fere-me fundo o coração.
Está carente do fundamental:
empatia e comiseração.
Para os milhões desses teus bens...
talvez a solução eficaz
fosse perderes o que terás...
e viveres pobre, sem nada teres.
Irás, um dia, compreender,
que na estrada por onde vais,
só há ganância do ‘tudo’ teres.
Esse teu ‘tudo’... nunca é demais.

Data da criação deste conteúdo:
2024-09-05
NAS FRANJAS DA MINHA VIDA

As lágrimas que liberto são saudade
daquilo que na vida fui perdendo.
Segura do que sou na minha idade
já não lamento nada. Estou vivendo...
Cada lamento, em noites de reflexão,
é puro alívio do que ainda resta.
Gozo a franca liberdade da paixão
que me exclui daquilo que não presta.
Renovei-me pela base, pela raiz,
daí o coração, hoje cansado,
travar os meus impulsos mais subtis.
Não estou magoada. Eu sou perdão.
Vivo entre as franjas do passado
e os prazeres de tudo o que for são.

Data da criação deste conteúdo:
2024-10-17
DESFECHO DESEJADO

Não sei como te ocultaste!
Só sei que andei envolvida
uma parte da minha vida
em actos de muito contraste.
Hoje não consigo admitir
como, anos e anos… (tantos!),
presa aos teus falsos encantos,
tivesses coragem de trair.
Entretanto, vil desonesto,
amando à tua maneira,
enchias tua algibeira,
em jeito de muito honesto.
O teu plano saiu furado,
acabaste arruinado,
enquanto eu… tão lutadora,
saí forte e vencedora.

Data da criação deste conteúdo:
2013-01-16
SÓ… NA TUA COMPANHIA

Uma vontade lenta surgiu na minha vida,
sem pedir licença, sem qualquer ambição,
mas com algum sentido.
Era a voz da minha alma cansada, traída
na sua busca de algo mais, onde o não
se afirmava decidido.
A minha voz não fazia eco no universo;
era apagada pela força da confusão
que pairava neste mundo.
Lentamente, fui sobrevivendo ao avesso
do meu desejo de paz e de acção,
que não confundo.
E foi quando optei pela tua companhia,
pela solidão e pela tua ligação
à pessoa de mim…
Mas isso não anulou a minha empatia
pelo ser bom. E pus um fim à exaustão
a que sobrevim.

Data da criação deste conteúdo:
2025-11-07
ENQUANTO MUITOS VÃO DENTRO, OUTROS ACTUAM CÁ FORA!

… e que ninguém se convença
que esta podridão não vença.
Habilmente protegida
por gente para quem a vida
dos outros, nada lhes diz,
não chegamos à raiz...
Essa, está forte e segura,
a avaliar pela procura
de muita gente de nome
que nunca passará fome
- enquanto o dinheiro dura.
Haja drogas com fartura
e traficantes da mesma!
Seu fim, tem passo de lesma.
Enquanto muitos vão “dentro”,
muitos outros, os do centro
desta maralha de gente
muito rica e indecente,
vivem da morte. Que importa?
Entraram por uma porta
que parece sempre aberta,
apesar de tanto alerta!
Drogas leves ou pesadas,
fumadas ou snifadas
por muita, mesmo muita gente
com a mente já doente...
estão condenados à morte,
se não fizerem um corte
no consumo que os destrói.
Até dói vê-los sofrer! Oh se dói!
Enquanto isso, os traficantes,
por seus actos revoltantes,
deixam num caos bem profundo,
famílias de todo o mundo

Data da criação do conteúdo:
2016-06-10
Imagem: Kindel Media
JOVENS, QUE FUTURO?

Questiona-se o futuro que daremos a cada jovem, no auge da ambição. Nós, adultos, perante o que hoje vemos, sentimos o nosso esforço ser em vão. Não se vislumbram sinais fortes e reais, de gente vocacionada prà mudança, quando os governos não vêem que há chacais, que conduzem o país à insegurança. É todo o jovem, esperançado e crente, que dos adultos espera a solução ...mas não conseguem remar contra a corrente! Deixemos que sorriam os que acreditam numa réstia de luz na escuridão. Os velhos...já não se envolvem, só meditam!

Data da criação deste conteúdo: 2022-07-28
O GRANDE VALOR DO TEMPO

O tempo gasta-se, tal como a nossa paciência, mas é um segredo do tempo a grande conveniência de saber esperar. O tempo aflige, tal como o sofrer duma criança, mas é um segredo do tempo pesar, numa balança, o possível e o desejável. Dar tempo ao tempo pode ser o mais aconselhável. O tempo corre veloz, mas é um segredo do tempo podermos dar corpo à voz de todos nós, pelos que sofrem. O tempo é professor. Deixemos que ele nos dê mais lições onde o amor seja a palavra de ordem, para que o mundo não acabe numa grande desordem. O tempo não é nosso, foi-nos cedido por um ano, um mês, um dia... Ele não deve ser perdido. O tempo passa por nós e deixa marca... quer sejas um plebeu ou um monarca. Saibamos amá-lo com sabedoria, para não corremos o risco de não termos mais tempo para apreciá-lo.

Data da criação deste conteúdo: 2010-10-25 Imagem: Montagem de Maria Letra
GOSTARIA…

Gostaria que este poema tivesse asas para poder voar pelo Universo, pincelando de cores todas as casas e emanando amor de cada verso. Gostaria que cada ser reflectisse nos seus erros, cometidos no passado, e que, com a melhor fé, se permitisse ser de muito sofrimento liberado. Gostaria que cada pessoa fosse luz no bom renascer dum mundo com valores. Ódio é um factor que nos conduz ao deflagrar de guerras, com seus horrores. Gostaria que o renascer fosse na base, no seio das famílias mal formadas, atendidas com amor, em cada fase, e todas, condignamente, respeitadas. Gostaria que cada governo fosse forte, fiel à sua causa, muito activo, e nunca se desviasse do seu norte, projectado num sentido construtivo.

2023-05-31
SAUDADE

Saudade é um mal que se sente, Saudade é uma dor ingrata. É uma ausência presente, É uma presença que mata. Saudade de quem partiu, de quem não está, que não volta. Saudade é ferida que abriu, é um mal-estar que revolta. É negra a cor da saudade, negra sem réstia de luz. Sem pena, sem piedade, põe-nos ao peito uma cruz. A Saudade não se cura, enquanto presença for. A minha saudade é dura, há muitos anos, amor.

Data da criação deste conteúdo: 2010-07-03
NÃO AO RECURSO À GUERRA!

Segundo apelo, sete anos depois de "Gentalha Pra Batalha"
Deixem-me gritar esta revolta
que sinto em mim, por tanto mal à solta!
Deixem-me com outros, em uníssono,
perguntar a Deus, a Esse Altíssimo,
que dizem reger tudo, lá do alto:
- Quando terminará o sobressalto
provocado por fortes sons, estridentes,
de tantas armas que matam inocentes?
Por que pagarão eles, pelos adultos
seguidores de vis princípios bem ocultos?
Deponham as armas! Que cesse a guerra
destruidora de tudo o que há na Terra!
Não deixem que paguem as crianças
pelos crimes cometidos por alianças
feitas entre adultos muito maus,
que espalham ódio e geram tanto caos.
Enquanto há gente orando na igreja,
há outra gente no mundo, que pragueja!
Deixem-me despertar adormecidos,
cegos, imbecis e embrutecidos
pelas luzes estonteantes da ribalta
- onde circula tanta gente falsa…
Não optem pelo recurso à guerra.
Somos todos irmãos aqui na Terra!

Data da criação deste conteúdo:
2016-02-06
ESTA INSUPORTÁVEL VIOLÊNCIA

Cada monstro hediondo, deste mundo, que mantém a sua presa submissa a maus tratos de conteúdo imundo… impera onde a justiça for omissa.
Rogo a Vós, ó Deuses do Universo,
enquanto resta a ténue esperança…
que seja punido todo o perverso
que mata, ou abusa duma criança.
Demitam-se, juízes incompetentes,
que julgam sem pensar na reincidência
de um criminoso, não encarcerado.
Todo o inapto juiz, displicente,
é, comprovadamente, incompetente,
e deve demitir-se, após julgado.

Data da criação deste conteúdo_ 2019-02-16
FRAGMENTO DE UM ÊXODO

Como cidadã do mundo - eu não durmo! - sigo vendo um ódio enorme, profundo, na esfera em que estou vivendo. Gente em fuga, apavorada, deixa seus lares para trás e busca, desesperada, ir ao encontro de paz! Mas nessa fuga, o mistério de um milagre... não se vê. O mar passa a cemitério, nunca se sabe porquê. Morrem sem ver outros mundos, acabando sua história assim... São vítimas de seres imundos que geram guerras sem fim. Encontro os substantivos que possam designá-los, mas faltam-me adjectivos que possam classificá-los. Onde se encontra esse Deus a quem biliões de crentes pedem milagres? E os réus? Irão prosseguir doentes ou dar-lhes-á penitência que os façam sentir dor, pena ou condescendência de gerar cenas de horror? Já não sei se estou vivendo ou se, de pena, morrendo.

Data da criação deste conteúdo: 2015-08-06
APOTEOSE NO AREAL

Entrou pelo mar adentro
a rede dos pescadores,
em busca de peixe fresco.
O mar deu o que queriam,
sem querer saber pra quê.
No regresso, triunfante,
esperava-os um maranhal
de gente muito ansiosa,
curiosa e coisa e tal.
Com lenços brancos de neve
o mar acenou, contente,
ao povo, em grupo, na costa,
esperando ansiosamente.
- Até à volta! Até breve!
Não teve qualquer resposta.
Mercadores e usurários,
esperavam no areal.
Afastaram as pessoas,
naquele momento crucial,
para evitar muitas baixas
no conteúdo geral
das redes com pescaria.
Santo Deus! Virgem Maria!
O cenário se adensava,
atacado por gaivotas
que buscavam as marmotas
e o resto do cardume.
Palavra de ordem: - Matar!
Saí de cena... desfeita,
sem assistir à colheita.

Data da criação deste conteùdo:
2020-06-27
