Discursos, de acrimónia impregnados,
retratam teu carácter hediondo.
Vê-se um brutal ódio escancarado
em tudo o que, habilmente, vais expondo.
Sem tergiversar, vais revelando
de que lado te encontras, no cenário.
O povo, ignorante, vais fraudando
com opróbias atitudes de vigário.
Vai longo o teu exórdio! Que pereça
na alma de pessoas desumanas,
isentas de valores, pragas humanas.
Desmascarar-te, urge que aconteça!
De gente como tu, está cheia a Terra.
Geras o ódio que conduz à guerra.
Jazem em mim amordaçadas esperanças
gélidas, sem cor. Passaram a lembranças
no dia em que partiste, feito orgulho,
mas é nelas que, por vezes, eu mergulho.
Eu sei que é doentia esta recordação
dum passado tanto vida quanto solidão...
Sobrepõe-se a tudo quanto me corrói,
um grande Amor que o tempo não destrói.
Eu sei que a minha frágil resistência
já pouco poderá, em realidade,
contra o desgaste recôndito da idade.
Mas prefiro abraçar-me à tua ausência,
do que anular em mim todo um passado!
Não estás... mas imagino-te ao meu lado.
Ouço o chilrear dum pássaro, aturdido.
Minha alma desperta ao som dum novo dia.
A noite despediu-se escapando do ruído
de seres indignados, gritando de agonia.
Começa o movimento dum vaivém que cansa.
O povo não se cuida, afunda na rotina...
e neste afundamento pesa o da criança
entregue a vigilâncias às quais se subordina.
Vives esmagado por normas sociais
onde impera a força de grandes aldrabões.
Queimam a tua esperança e as tuas ilusões.
Vives numa era de forças virtuais.
Deixaste de ser livre! Tu és um seu refém!
Não vales pelo que és, mas sim pelo que tens.
Faço parte desse teu imaginário. Para ti, não sou um ser... Eu sou um vulto bem escondido atrás dum cenário onde, covardemente, o manténs, oculto. Tu nunca consideraste o meu direito à liberdade. Ignoras o respeito que me deves. Sou Mulher e sou pessoa. Tu não planeaste tudo isto, à toa...
Não tolero a tua covardia, tanto insuportável, quanto infame! Tu geres sempre o meu dia-a-dia tentando protegeres-te do vexame de poderes vir a ser reconhecido. Tu és um ser que vive comprometido entre fazer bem e fazer muito mal. Tu és.... subtilmente... um anormal.
Divides-te entre o bem que aparentas, e o insuportável mal que praticas. Satisfazes velhas ânsias sedentas de vingança e guerra, que exercitas provocando no meu ser um medo atroz. Impedida de erguer a minha voz. fizeste de mim a escrava desejada que amordaças, para manteres calada.
E eu... - Deus meu! - não posso fazer-te frente. És demasiado musculoso... forte! A minha grande fraqueza não consente arrojos, porque vive temendo a morte. Até quando segue a lei, compactuante com este horror que continua actuante? Até ser tarde demais e deixar que eu sinta a liberdade morrer em mim... faminta?
Portugal, fragmentado
em todo o singular lado,
no mais recôndito canto...
virou um país em pranto.
De tanto que foi traído
já pouco nele faz sentido.
Nem usando cola-tudo
se colaria, contudo,
Mesmo que desajeitado,
qualquer fadista tem fado
que cantará a seu jeito,
filtrando a dor a preceito.
Oh... País desgovernado...
Não serás silenciado!
Faz-te ouvir, sem veleidade.
Grita de dor e saudade.
As férias terminaram?
E o que é que isso tem?
Não aproveitaram?
Não se sentem bem?
Então…
Encham o peito de ar,
e respirem bem fundo.
Tudo tem de acabar…
É assim o Mundo!
Posso não saber quem sou, por que caminho é que vou, ou os males que me afligem... Mas sei que, enquanto viver, tenho o honroso dever de respeitar minha origem.
Deixa-me juntar a vós, mesmo que em sonho. Deixa-me conhecer o seu rosto risonho, as suas mãos que brincam e as suas pernas que correm, quando as ondas se agitam. Deixa-me ouvir, contigo, a sua voz te chamar quando, por momentos, te esqueças de brincar. Deixa-me penetrar nesse mundo que é vosso e ao qual gostaria tu chamasses “nosso”.
As algemas com que vivo, noite e dia, estrangulando vontades que sinto em mim, tornaram-me um ser cativo duma existência que abrando, alienando-me assim: trabalho com raiva e dor e bebo para esquecer o que enfrento, dia a dia. Filtro mágoas no suor, que, no meu corpo a escorrer, grita cansaço, arrepia.
Soltei-me das amarras que me prendiam à longa distância de um tempo sem contagem. Mergulhei nas entranhas do desconhecido, em busca de um saber ou de uma miragem, que desse luz a um todo abluído nas águas que o tornaram respeitado e oficialmente consagrado. Não me perdoo tudo o que perdi, durante tantos anos de inconsciência, dominada por inaceitável prepotência. Cavei um abismo no limiar do caos, sem retorno ou concebível solução. Os pesadelos eram tantos e tão maus, que quase enlouqueci de perdição. Não encontrava a saída dessa vida. Mas foi na origem deste meu poema que me encontrei comigo. Decidida, adquiri uma alternativa e uma paz serena
Editado por Maria Letra, em "The World Art Friends", em 04/03/2014 – 16:25
Quando tinha 13 anos, apaixonei-me, seriamente, por um amiguinho, filho de amigos dos meus Pais. Quando meu Pai descobriu, caíu "o Carmo e a Trindade" lá em casa. Passei a sofrer todo o tipo de medidas de precaução para que essa paixão não viesse a tornar-se, mais tarde, um "quebra-cabeças", porque meu Pai era gerente da firma do pai dele e, por princípio, isso seria algo que o molestaria profundamente. Além disso, atendendo à nossa idade, seria inconcebível. Pudera! Uma pirralha de 13 anos, enamorada de um jovem de 11!!!
Mas era tão lindo... Era o meu Gary Cooper da época... Em tempo de aulas eu fazia um trajecto de uns bons 5kms a pé, acompanhada por uma fiel amiguinha, só para poder vê-lo e trocarmos um ou dois bilhetinhos de amor, quando eu chegasse à Praça do Marquês, no Porto, onde ele estaria à minha espera. Que inocentes... Acreditem! Éramos mesmo inocentes...
Foi também nessa idade que começou o meu amor pela poesia. Nessa altura, sabia já, de cor, alguns cantos dos Lusíadas - tal era a minha paixão por esta forma fixa de escrever poesia. E escrevia... escrevia... quantas vezes até de madrugada. Que loucura! E foi numa dessas noites, entre os 13 e os 15 anos, que escrevi um soneto dedicado ao meu grande amor pelo referido jovem, o qual foi publicado no velho jornal "O Primeiro de Janeiro". Meu Pai, que andava de olhos bem abertos em cima de nós, nunca comentou o teor do poema. Hoje indago-me... porquê?! Claro está que eu não revelava o segredo do nosso amor um pelo outro e a traição de ter sido descoberta, "apaixonada"... Mas meu Pai venceu. Anos mais tarde o pai dele mandou o grande amor da minha vida estudar para a Alemanha e o meu autorizou que eu fosse estudar para Londres. Isso determinou o final duma esperança, mas não do Amor que nos unia.
MISTÉRIO
Grande é o mistério que envolve o meu segredo pois, mesmo eu, já não sei se o compreendo. Minha vida, transformada num degredo, é enorme confusão que não entendo.
Da minha dor culparei somente a vida, pois cobrindo-a com o véu da ilusão, escondi-me atrás de si na falsa lida em que andava, disfarçada, sem perdão...
E, ao cair esse véu que faz sofrer todo aquele que confiar em seu poder, fazendo dele um jardim para sonhar...
acabei por destruir minha ventura, não vendo mais o valor, nem a ternura, que possui um coração que quer amar!
Um dia, esse tal jovem insistiu comigo que o amor dele era maior do que o meu. Escrevi, então, esta quadra, num dos célebres bilhetinhos que trocávamos ainda, quadra essa que, mais tarde, se negou devolver-me:
Se tu te servires duma balança, pra com cuidado pesares nossa paixão, verás tombar com grande diferença, o prato que contém meu coração!
Procuro na tua mente, rica de bons elementos de informação adquirida e muito bem trabalhada... aquilo de que careço. Faço-o, tranquilamente, naqueles momentos de conversa bem contida, por mim tão apreciada. E o meu saber abasteço, como qualquer viatura, numa estação de serviço. Há muito tema oriundo de coisas já diluídas que prefiro explorar da tua enorme cultura. Procuro o que tenho omisso de algum tema assaz profundo. São essências extraídas de uma fonte a transbordar.
Com respeito eu entro e saio
nas(das) igrejas do mundo,
mas não preciso de ensaio
pra dizer o que, no fundo,
sinto ser uma agressão
à moral de um bom Cristão.
Não tem nada a ver com crenças.
Tem a ver com atitudes
notoriamente perversas
...disfarçadas de virtudes
por homens que as defendem.
São desumanos! Ofendem!
Conquistam os seus “rebanhos”
usando uma má doutrina,
e dogmas assaz estranhos
que actuam como morfina
na alma de muitos crentes.
São ordinários e doentes!
Por grandes portas eu entro...
saindo isenta de tanto!
Há manchas negras no centro
do meu grande desencanto.
Em jeito de espiroqueta
vai fermosa e bem segura,
Leonor… pela verdura,
mas ouve uma obsoleta
piada de garanhão,
e dispara-lhe a tensão.
Renuindo e avançando
achou ser um impropério
piropear-lhe um galdério!
Pior ainda... cantando!
O que disse aquele machão,
implicava uma reacção.
Leonor, perante as tretas
que a incitavam a agir,
teve mesmo de intervir.
Desferiu-lhe duas galhetas,
em jeito de punição,
e acabou-se a questão.
Teria a alma do poeta
- lá do sítio onde ela está -
visto o que se passou cá?
Não estará ela inquieta?
É que as Lianores de agora
não são como as de outrora.
Como vivi a pandemia?
No global, o que sinto,
é que a vivi, dia-a-dia,
metida num labirinto
de coisas que não suporto.
Se discordam, não me importo!
Em tempo de frustração
por um vírus vagabundo
ter vindo para matar,
eu senti, bem no meu fundo,
asco da vil ignorância
que causa tanto mal-estar.
E... talvez pela minha idade,
uma enorme discrepância
entre a mentira e a verdade,
gerou em mim implicância.
De olhos cheios de poeira,
perdi qualquer esperança
de ser-nos dada maneira
de promover confiança.
Já ninguém crê no que contam
os grão-mestres da ciência.
Hoje dizem uma coisa,
amanhã... haja paciência!!!
Depois do que vi... e vejo,
nos meios de informação,
sei que há pessoas sem pejo
de iludir a multidão
com programas inconvenientes.
A justiça, sempre lerda,
não é posta a funcionar
contra quem defende a tese
de as audiências salvar
mesmo que o que passe lese
os interesses da criança.
Um, ou outro, programador,
fiéis a uma velha herança...
vão recorrendo a programas
com violência... no amor.
O resultado final?
As audiências... são salvas
e grita-se: Menos mal!!
MAS QUE FALTA DE PUDOR!
Não me assusta nada a Morte, mas a Vida, agora, sim! Ela avança sem saber o que bem fazer de mim. É dela que eu tenho medo. Sinto uma luta entre as duas quando, como hoje, me excedo e fico horas e horas a pensar no que inventar para não ser castigada por este meu “deixa andar”... Soluções? Não encontrei porque o caminho que sigo diz-me que olhe por mim, mas afinal... não consigo!
Amo-te, Vida! Não sei como foste concebida, quem te gerou, e depois te propagou por este maravilhoso Universo, do qual faço parte. Tu és uma obra de arte! Tu és perfeita! Mas há gente que não respeita a verdadeira aplicação de cada elemento, de cada orgão, com que foram concebidos: refiro-me aos assumidos “Reis da sua Preferência”. Eles personificam a prepotência do seu eu, da sua ganância... defendida com pompa e com circunstância, porque eles Querem e Podem impor uma nova ordem na vida: o malogrado fim deste indecifrável Universo onde já reina tanto de perverso!!! Defenderei, até à exaustão, o verdadeiro mistério da criação!
Mulher, tu pisas estradas
docemente agarrando
o que a vida te vai dando.
Deixas marcas bem vincadas
nos lugares por onde passas,
e nos seres que tu abraças.
Teus olhos espelham Amor,
como uma estrela cadente,
aos olhos de quem te sente.
Tu esqueces a tua dor
para ajudares quem procura
os teus segredos de cura.
Nasceste flor amando
tuas pétalas de cor rosa.
Sensível, muito ciosa
das vidas que vais criando...
mostras ao mundo, com arte,
que o amor é o teu estandarte.
Porém... deves renunciar
a quem te aldrabando vive,
e de respeito te prive.
Recusa sempre aceitar
qualquer tipo de violência.
Foge dela com urgência.
Esse mastro sobre rochas resistentes, como eu, às tempestades da vida, marca a presença que outrora deixava rastos de amor por onde quer que passasse. Mastro de perseverança fecundada na esperança de conquistar mil batalhas. Arrojada e resiliente, cada uma que perdia gerava nova vertente. E era assim que investia pra realizar meus sonhos. Havia riscos medonhos, na luta por conseguir minhas metas atingir, mas tal como rocha dura, resisti às consequências de quem prefere arriscar, a desistir sem lutar.
Sinto bem que essas palavras, ditas assim... ao ouvido, devem ter duplo sentido: Ou me queres muito, ou me aldrabas. Pára lá com o sussurro. Já está a cheirar-me a esturro!
Tu foste a estrela de um sonho, que caducou numa doce esperança. Deste-me força, amor e confiança. Hoje, suporto o que me desespera em cada esquina da minha estrada. Foste agridoce nesta caminhada. Serás sempre uma estrela lembrada entre tantas outras que eu abracei. Tu és a perda maior, indesejada, que, certamente, nunca esquecerei. Caminho, ousada, buscando o fio de um confuso novelo cuja traça corroeu a imaterial essência, agora, malogradamente, escassa. Vivo a memória do nosso tempo, mas o futuro me apaixona tanto que, neste tempo de mau contentamento, até com o que foi... hoje me encanto. De Deus imploro asas para voar, que o que perdi, Ele não me pode dar.
Todos os dias são especiais. Uns... são de nada outros... são de mais! Há desejados feriados para serem festejados, por variadas razões; geram lindas reuniões. Encontrei uma solução: bastaria que o abelhudo daquele chamado de entrudo estivesse, enfim, preparado e muito bem aprontado para uma grande proeza: mascarar a multidão do que tem no coração contra o que tem na cabeça.
E no dia de São Valentim? Que treta! Eu penso assim: Uns vão jantar com a esposa, mas...traidores como a raposa... praticam o acto constante de estar depois com a amante. E viva a hipocrisia! Contudo, ainda há casais nutrindo um bem especial pela pessoa que amam e que jamais trairão! Esses… em pura verdade, prezam a sua paixão! Ai se o coração falasse... Talvez a todos contasse o que poucos saberão.
Impõe-se actuar. Amanhã será tarde.
Rodopia no ar, desaire e loucura.
Urge que apaguemos a chama que arde,
antes que outras pestes surjam já sem cura.
Misturam-se as forças do bem, e do mal.
Uma estranha nuvem é vista no céu
pelos olhos de luz de um jovem zagal…
mas foge encoberta por um turvo véu.
Milhões de imbecis estão bailando na estrada.
São gente que grita, que canta, que clama.
Filmam-se em poses de glória frustrada,
vivendo em ribalta, sedentos de fama.
Mas há um outro grupo, sereno e culto,
de seres inteligentes, e assaz calados,
que ama escutar o Universo oculto,
onde ecoa o silêncio dos iluminados.
Meus Caminhos de Cristal
percorro com ambições,
lado-a-lado com camelos,
águias, mochos, camaleões.
Por vezes lhes faço frente,
outras há que os ignoro.
Depende do que consente
a minha vida, que adoro.
Aos camelos tiro espaço;
às águias apalpo o pulso;
aos mochos abro um abraço
e os camaleões... expulso!
Neste caminhar que mudo
- porque a vida mo consente -
tenho encontrado de tudo,
e tanto que me atormente.
Vejo males noutros caminhos
muito piores do que os meus;
bichos perversos, daninhos,
‘ávis raras’, camafeus.
Magoa fundo esta dor
de ver o velho e a criança,
sem defesa, sem amor,
morrer de desesperança.
E não se enganem aqueles
que pensam remediar
erros velhos... quando neles
há vícios a degradar.
Não se cancela num dia
condutas velhas, caducas,
e o remendo só adia
a regra que nos educa.
É preciso fazer mais.
Defenderei, com fervor,
actuações globais
em prol dum mundo melhor.
Data da transcrição deste excerto do livro: 2011-05-03 Capa do Livro: Miguel Letra
Queria ser Primavera, vestir as árvores de verde quando pareciam já mortas, em aparente agonia… Queria ser Primavera, ser força quando tu perdes um sonho lindo, que abortas do ventre em que era magia. Queria ser Primavera em casa de quem é pobre, ser esperança e ser coragem, não ter tempo, nem idade. Queria ser Primavera na nuvem que o sol encobre e em cada minha abordagem, falar só de Felicidade.
Quando sofro conto à lua
o quanto a dor me corrói,
e o quanto, não sendo tua,
vivo um mal-estar que dói.
A lua, suave e meiga.
aceita o que lhe narrar.
Sendo, do que eu sinto, leiga,
nunca irá me contestar.
Prefiro lua, a pessoa,
pois em vez de falar... escrevo.
Com seu luar me abençoa;
cada texto... eu subscrevo!
Quando construo um poema,
exorciso a minha alma...
Expulsando cada dilema,
fico mais leve... e mais calma.
Gostava de ser capaz
de poder voltar atrás,
aos velhos tempos de outrora...
...sabendo o que sei agora!
Escondidos nestes meus versos,
há muitos sonhos imersos
em quadros de muitas cores.
São contos de mil amores.
Sonhos perdidos, quimeras,
mil e muitas primaveras
vividas, enquanto amei.
Oh… mas quanto me enganei!
………………
Abracei-te com saudade,
ansiando liberdade...
O amor tornou-se escasso,
tal como este meu abraço.
...E foi no teu olhar que mergulhei
um dia, procurando-me,
buscando saciar a minha sede
de amar... e de ser amada,
de libertar-me daquela dura rede
onde permanecia, encarcerada.
...E foi em ti que, descrente, constatei,
confrontando-me,
que amar era tão importante
quanto virar a página dum livro velho,
onde já nada era belo, ou relevante,
e onde me revia, como num espelho.
Amar de novo era um desejo ardente,
era uma necessidade, não uma ilusão
ou um capricho impertinente.
Ser livre, esquecer aquele diário
onde quase tudo me parecia secundário
deixou de ser uma simples ambição.
Urgia libertar-me da prisão
onde, cruelmente, estava aprisionada,
reduzida a zero, no auge do tormento...
...E foi em ti que me reencontrei,
liberta das amarras em que estive
tantos anos, nos quais não tive, um só momento,
o que me deste tu, Amor. Quanto te amei!
...E foi em ti, num lindo amanhecer,
que despertei dum pesadelo... para Viver!
Este poema que hoje publico, é uma chamada de atenção para a
assustadora escalada de violência doméstica que se verifica no
mundo. Dia, após dia, surgem notícias constrangedoras a respeito
deste tema que não encontra resposta que viabilize uma solução.
Tu e eu somos dois seres muito diferentes!
Sempre serás um oceano que me agita,
e eu... um ser assaz sereno que te irrita.
Perturbado pelos cenários que tu crias,
e alheio ao sofrimento que tu provocas,
espezinhas, maltratas, dominas e sufocas.
Disse não a esse universo que tu geres.
Não serei, nunca mais, essa mulher resignada,
que foi, durante anos, reduzida a nada.
Estou preparada para caminhar em frente!
O passado que me culpa, e que me acusa,
transformou-se em muita força e em recusa.
Desprendi-me de alguém que tanto magoaste.
Sinto hoje que a minha vida vale mais
do que as cenas que fazias… sempre iguais!
Deixei de ser a mulher que tu nunca amaste.
Vento que bate, insistente, em frágeis corpos sem norte. Leva tudo à sua frente, na sua fúria de morte. Ninguém sabe o que fazer. Desistir, não são capazes. Acreditam que vencer é o prémio dos audazes. Os que preferem ponderar, estudam o mal na raiz, buscando como travar os ventos do seu país.
Ventos loucos, sem control, que sopram todos os anos, anos escuros, sem sol, que causam penas e danos. Uns esperando a calmia, vão recolhendo a folhagem; outros, mais em sintonia, lutam juntos com coragem. Procuram travar a dor. Têm esperança no bom senso e na força do amor, cujo poder é imenso.
Fartos dum presente duro, fogem de ventos e lodos. Têm esperança no futuro. Todos por um, um por todos! E, nesse esperar sem fim, sentindo a força do vento que sopra, dentro de mim, fui-me esquecendo do tempo, esse factor meu rival, que sei ser muito importante nesta luta desigual contra um mau tempo constante.
Admiro a Mulher decidida, que luta, que é corajosa, ponderada, resoluta, e que, perante um facto irreversível, procura bem torná-lo exequível, apelando ao poder do Universo... Quem sabe o que estará no reverso desse facto e da sua não aceitação? A revolta poderá ser uma razão.
Para além do palpável, visível e perceptível, esconde-se um Mistério, onde tudo é mutável. Nesse suposto império, onde somos marionetas, parece estar alguém, atento ao que projectas. Não tomes como seguro o que possas desejar, para bem do teu futuro. Num súbito volte-face, acaba por desabar aquele teu lindo plano que contavas resultasse. Seria puro engano? Quando virás a saber? Num mês, num dia, num ano? A resposta tardará, mas surgirá, podes crer.
Vergo-me perante as marcas da saudade que não conhece as penas que sofri. Passei a ser presença e castidade de erros que no passado cometi.
São essas marcas que hoje me concedem idoneidade que no tempo em mim gerei. São memórias reais que não me impedem de recordar vivências que ultrapassei.
Saúdo um grande mestre, de excepção. Permitiu-me, eficazmente, separar factores flutuantes em ablação no centro de valores a ponderar.
Faço reflexões neste Universo grande considerando o que sou, sem o que fui. A água vai correndo sem que a comande… porque o que vai com ela não dilui.
Se os julgamentos são feitos
tendo em conta só defeitos,
sem considerar virtudes...
quanto a mim, tais atitudes,
são frias, tendenciosas,
e porventura enganosas.
Há posições que tomamos
que nem sempre controlamos.
Serão, quiçá, provocadas
por pressões acumuladas.
Qualquer avaliação
duma incontrolada acção,
gera a pergunta: - Por quê?
Esse alguém fica à mercê
de quem o julga, contudo,
o acto em si, não é tudo.
Ao focarmos uma imagem,
há que fazer a filtragem
do que queremos realçar.
Sairá, então, um todo
resultante, em certo modo,
do que é feio e do que é belo.
Coexistem, em paralelo.
Há julgamentos suspeitos,
que só conhecem defeitos.
Procura na Natureza,
fonte de rara beleza,
aquilo de que careces
e que, provavelmente, mereces,
...mas não estás a conseguir.
Ela existe para servir,
ajuda-te a bem viver,
em harmonia, com saber.
Se a tratares com respeito,
ela até se porá a jeito
de improvisar-te um colinho,
bem moldado ao teu corpinho.
Recorre a ela sempre que carente,
ou mesmo bastante doente,
a precisares de uma cura.
Quando estiver em modo pura,
faz buscas nela, com calma,
e verás a paz que trará à tua alma.
Não esqueças, porém:
Há um lado mau que ela tem,
quando está com os azeites.
Nesses dias, não te deites
no seu tronco curvilíneo
pois perde todo o fascínio.
Dá às de Vila Diogo,
foge, pisga-te logo!
Tem um lado insubmisso
que nunca cede em serviço.
Se, tal como eu, a tua mente
já não suporta os abusos incontroláveis
do obsceno, camuflado astutamente
para atrair negócios... autorizáveis,
sobretudo utilizando a Mulher....
Se, tal como eu, a tua paciência
já não suporta certos exibicionistas
espavoneando-se, na sua concuspicência
- seres cautelosos e estrategistas
que o seu status, em particular, requer -.
Se, tal como eu, achas que não vale a pena
remar contra a maré dessa gente insignificante
que nem amor por si sabe cultivar... Serena,
retira-te desse grupo assaz impactante,
mas oco de valores e de virtudes.
São gente que quer impor-se pelo brilho
mas tem a alma seca, sem qualquer cor.
Tem particulares que recuso e não partilho,
exactamente porque não sabem gerar amor.
Actuam no inverso, isentos de boas atitudes.
Toda a violência exercida nas raízes
de alguém para quem o passado é sagrado,
perpetua-lhe inapagáveis cicatrizes
que serão, eternamente, um seu legado.
Actos imperdoáveis, causadores de medo,
como aqueles do direito de posse, e do ciúme,
são comparáveis aos da lapa presa no rochedo
que, como tal... de direito se julga e se presume.
Urge encontrar meios para exterminar
vícios nefastos, geradores de violência...
embora difícil seja qualquer interferência.
Contudo, se nada se fizer, irão continuar
mortes macabras e todo o tipo de agressão.
Tenha-se eficaz control da situação.
Ao mar, que toda a tua vida tanto amaste, estarás a oferecer o que de ti sobrou. Estampado, no teu tronco, há o desgaste que o tempo, impiedoso, lhe deixou. Desejarás perpetuares-te na coragem, de mergulhares onde nunca ousaste entrar. Jazerás só, despido e sem qualquer bagagem, eternamente esquecido nesse mar.
Caminhava às escuras,
na última etapa
da estrada onde, um dia,
perdi o meu norte.
As noites tão duras,
sem lua, sem mapa
e sem companhia,
eram breu de morte.
Abracei-me e beijei
minhas mãos já gastas
de tanto escrever
de tanto afagar.
Não te choro. Cansei.
Foram muito nefastas
as dores de temer,
as dores de te amar.
Pergunta a Fé à Esperança:
- Por que andas sempre a meu lado?
- Porque sou brisa que amansa
todo o ser abandonado.
Quando a ausência desespera
um sofrido coração,
sou eu a que, nessa espera,
acalma a situação.
Segura do teu valor,
não gostas de companhia,
mas eu sou Esperança e Amor,
e no tempo... Terapia.
Minha alma... irresoluta, quando se observa ao espelho, faz sempre a mesma pergunta: - Quem foi a filha da mãe, que te pôs rugas no rosto? Não te ficam nada bem. Respondo triste e calada: - Foram dores. Deixaram traços fingindo serem abraços. Não reajo… mas eu sei: - Foi o tempo que me tirou aquilo que mais amei!
Tristonha, não me rebelo. Nem tudo na vida é belo, e um dia... partiremos belas ou não - não importa. Quando a morte bate à porta, como estivermos… iremos. Na campa, um camafeu em vez de fotografia, não mostra que seja eu naquela imagem esculpida. Repousarei, de alma fria, com tudo o que fui na vida.
Sentimos aumentar a fragilidade do que pensávamos ser bastante forte e tememos perder o nosso norte. O chão que pisamos perde estabilidade. Passamos a sentir o peso de longos anos vividos entre sonhos e desenganos, numa luta constante em busca de Amor, de Saúde, de um desejado bem-estar... em que exigimos demais, sem pensar. É o desgaste. O tempo não perdoa. Tudo aquilo que ambicionávamos, que tanto idealizávamos… encalha como um barco que abalroa. Desintegra-se. Deixa de interessar porque sabemos ser impossível realizar. E choramos o passado, com saudade. Mas... durante o tempo que perdemos, houve uma lição que não aprendemos: a de vivermos com muita simplicidade sem desejar sequer, transpor limitações que exigem bom senso e tantas precauções.