Quando no olhar inocente e puro duma criança,
não há sinais da vida, da luz duma Esperança,
essa criança, sofrida, não pergunta nada.
Queria, apenas, sentir-se mais amada.
Amada por nós, pelo chão que pisa,
ou pela frescura duma doce brisa.
Bastar-lhe-ia algo do tanto
- não importa quanto -
que outras terão,
mas ela… NÃO!
Um grande mar nos separa,
mas as palavras nos ligam
enquanto palavras forem
com verdadeira expressão.
Mas, se um dia já nem elas
servirem de ligação
entre nós… Oh! Meu amor,
não deixarei que te digam
o quanto dependi delas
quando tu, já contrafeito,
na tua tão grande dor,
teimavas abandonar
a missão que te marcou.
Serão espinhos no meu peito,
mas calarei meu sentir
porque o que morre, acabou.
Como é possível calar bocas que lançam prò ar calúnias e palavrões ditos sem qualquer respeito, por quem não tem outro jeito de aliviar frustrações? Seja política ou bola, só ganhar… não os consola. Têm mesmo que ofender! Provocam, gritam, insultam, não desistem, nem entendem, que tais coisas não resultam, nem os vão enaltecer. E se no disse e não disse vierem com a patetice de afirmar, não é assim… Desistam! Eu não sou surda. Há gente muito absurda e muito oca. Quanto a mim... contra o palavrão reclamo! Eu evito o que não chamo nem a um meu inimigo, muito embora até pareça, que dá alívio à revolta... … Que o palavrão desapareça! É ofensa! Vai... e volta.
Solto a minha cansada mente e deixo que me lembre daquele tempo em que brincava muito feliz, muito contente por tudo e por nada. Chegava a ser insensata. Eram tempos de prata! Fazia rir toda a gente, ora imitando, ora dançando, ora falando com as paredes, minhas amigas que, pacientes, mudas e surdas, deixavam que lhes dissesse tudo aquilo que eu quisesse. “Amiga, a fruta estava caríssima, e o mercado… cheio de gente!” Aquele trajecto que a minha mente, lesta, consente, estou recordando e derramando gotas de sal, porque a saudade faz muito mal! Busco defesas. Recordo, em fila, aqueles momentos, ano, após ano. Seis filhos tive. Tive os que quis. Daí em diante é pra esquecer. Contudo, neste meu fado que guardo, muda, houve episódios de grande luz que iluminavam a minha mente. Virei a página. E aquela dor que a minha alma ainda sente, muito pesada, não vale nada. Foi a herança que me deu força e tanta esperança. Os meus bons filhos foram sarilhos, muitos cadilhos, mas são tesouros. Deles nasceram catorze netos, e ainda uma menina que brilha, como uma filha. Ponto final! Eles são meus netos! Com eles partilho grandes projectos para o futuro que será deles. Sim, que do meu… o que sei eu?!
Cansada dos erros meus, fiz um pacto com o meu Deus: eu nunca mais pecaria, e Ele... me perdoaria. Se agirmos sem reflectir no mal que possa advir de cada atitude nossa, um mau futuro se esboça. Deus nunca me deu resposta! Concluí, perante os factos, como dona dos meus actos, que, quando o erro sobeja... não há Deus que nos proteja.
De Neonata, a Menina,
um ser com tanto de seu!
Nascer assim, não foi sina...
foi a Vida que a escolheu.
De Menina, a Criança,
doce, meiga, caprichosa,
ora cativa, ora cansa.
Adora tudo que é rosa.
De Criança, a Adolescente
passa por algumas fases.
Por vezes irreverente...
Muitos castelos sem bases.
De Adolescente, a Mulher
quanta coisa que transtorna.
Não é um mudar qualquer,
é um ser que se transforma.
De Mulher, a Mãe,
troca, com a sua graça,
a liberdade que tem,
por um ser lindo, que abraça.
Não fora este meu jeito de viver
despegada do infâme materialismo
em que vejo o nosso mundo se abater...
e eu me anularia neste abismo.
Não fora este meu jeito de esquecer
e até de perdoar, sem abusar-me...
...e aqueles que me magoam, sem piedade,
teriam muitas contas a prestar-me.
Não me revejo em tudo o que é vileza
e falta de respeito, ou desamor.
Assusta-me a ousadia e a ligeireza
com que é adulterado o termo AMOR.
Prezo o abraço quente de quem ama,
tanto quanto abomino o dos que odeiam
e o dos que, sequiosos, querem fama.
Em mim, os maus amantes... serpenteiam.
Bem haja quem nas trevas se faz luz
e quem, no desfolhar-se, busca Vida.
Esses, seguem na estrada que conduz
a um Amor sem conta e sem medida.
Meus genitores já partiram. Deixaram-me ensinamentos que nem sempre pratiquei, ou porque não me serviram em específicos momentos... - mais de recusa, direi - ou, talvez, por ocasião de rejeição e discórdia sobre os nossos ideais... ... Ou seria uma questão de teimosa monocórdia nas suas ordens de pais???
Hoje, porém, reconheço, que eles até tinham razão! Por isso, principiantes, uma coisa só vos peço: invistam na Instrução. Deixem de ser petulantes! Há muito por aprenderem sobre este mundo assaz louco e que tanto surpreende. Vale a pena compreenderem que, afinal, sabem tão pouco, que até petulância... ofende!
Quando a emoção te cala porque uma imagem te fala... Quando, no silêncio, impera dentro de ti uma fera… Quando, cansado da vida, anseias a despedida. Não deixes que te governe o ódio, esse vil germe capaz de corroer o que de bom possas fazer. Deixa que essa onda, envergonhada, se esconda no teu coração, que bate, esperando que o tempo a mate. Verás nascer novos dias que, de cego, tu não vias. Não esqueças que há crianças que precisam de mudanças feitas de paz, de querer, para poderem crescer... ...um crescer em que o amor encha este mundo de cor.
… e quando sentires que à tua volta,
tudo soa falso e tudo te cansa,
busca um ser pequeno.
Nada mais doce do que um amor pleno
reflectido no olhar duma criança.
Sim, porque no tempo, esse olhar muda.
Que ninguém duvide. Que ninguém se iluda.
A vida embaciará aquele espelho
que, pouco a pouco, irá ficando velho,
queimado pelo fogo de paixões
e do álgido efeito de muitas decepções.
No silêncio do meu quarto
sinto um presságio sacana
que ameaça tempestade.
O meu coração está farto!
Está gélida a minha cama.
Terei eu capacidade
para aguentar o frio
que teima paralizar-me?
Enfrentar o desafio
exige fé e coragem!
A minha alma se esforça.
Quero continuar lutando,
mas esta gelada aragem
não me deixa. Não sei quando
possa voltar o calor
capaz de aquecer-me a alma,
e revigorar meu EU,
carente de tanto Amor!
Impõe-se mantenha a calma.
Não desistirei, Deus meu!
Bateste na porta errada. Meu Amor não está à venda, nem em saldo. Podes crer. Minhas mãos, cheias de nada, não esperam que me arrependa. Têm força de Mulher.
Prefiro viver sem ti a vender-me por seres rico. Minha opção... ser feliz! No teu olhar eu já li coisas das quais abdico. Me fariam infeliz.
É curta a tua memória. Não te esqueças que, no fundo, não passaste duma treta. Meu nome... virou Victória. Nele, sinto orgulho profundo, todo o resto… não me afecta.
Avizinhei-me do local onde, um dia, me beijaste. Sabia que não te encontraria. O farol que outrora me levou ali fez-se guia de tudo o que sonhaste. Transformava cada amanhã num breve agora. Irradiava tristeza, uma tristeza sombria, densa... Já nada me prendia àquela praia, como antigamente. Abraçava-me somente a saudade da tua presença. Procurei algo que iluminasse a minha mente e me convidasse a estar, a reviver, a recordar, mas a minha alma nada reconhecia. Faltavas tu. Imaginei o cenário que vivi ali: o sol, o mar, o odor a maresia... Um todo errado, rígido, cru, porque faltavas tu. Quanto daria, Amor, por um minuto apenas, abraçada a ti. Quanto mal me faz não ver-te, não sentir-te, não reviver aquelas noites serenas em que gerei mil sonhos... mas nunca o de perder-te.
Gostava que me aceitassem com a minha velha crença, e que nunca a mal julgassem, excessivamente intensa. Cada um é como é, quando se trata de Fé.
Duma crença limitada, neste espaço onde me movo, há muito que vem do nada e dá vida a todo um povo. Eu creio na Natureza, tão bela quanto indefesa.
É que, num dado momento, inventa-se outro cenário, e o nosso convencimento fica virado ao contrário. Sigo feliz um Senhor ao qual chamamos: AMOR.
De resto, tudo é incerto nesta vida que vivemos, pensando que o que está certo é tudo aquilo em que cremos. Por isto mesmo, eu respeito quem respeita este meu jeito.
Vejam-me como um jardim que acolhe qualquer flor. O coração que há em mim bem conhece a Fé no AMOR. Só nessa vou caminhando, as outras vou respeitando.
Com fé devota, girando entre amor e Natureza, vivo grata mesmo quando, contra um mal, não há defesa. Acolho, resignada, qualquer mão cheia de nada!
...
Apesar do que se diz,
amarei o meu País
da forma como o entendo.
Não por aquilo que é hoje
mas sim pela sua raiz.
Admito que, crescendo,
fui talvez me apercebendo
de coisas que estavam mal,
sobretudo em Portugal.
Milagres... eu nunca vi
e, portanto, decidi
correr, para conseguir
aquilo que pretendia.
E foi essa mesma a via.
Deixei, também, de ir à igreja,
essa casa de um Jesus
que pregaram numa cruz
pra que todo o mundo veja...
Amarra-me a Portugal
tanto o que vejo estar bem,
como o que vejo estar mal.
Uma corda com nó cego,
que continua a apertar-me,
causa em mim desassossego.
Sinto um mal-estar que incomoda
por tudo o que vejo cá...
Não sei dizer: Tanto dá!!!
Meu Portugal está carente
de gente que reconheça
que precisa de lutar
pelo que quer que aconteça.
Depois, há o inconveniente
de cada vez haver mais
elementos muito maus,
de actuação condenável
que torna o país instável.
2016-02-01
Do meu livro "Meu Pequeno Grande País"
Imagem: Litografia de António Ramalho
Solta-se a fera nas asas dum inocente
que desconhece o espaço pra onde voa,
mas seguindo à deriva, quem o leva sente
carregar uma dura carga que atraiçoa!
Há que mudar de rumo. A praia, já remota,
recorda-lhe aquele mau tempo de criança.
Vagueia no espaço e pensa na derrota,
se prosseguir voando sem fé ou confiança.
Afrouxa o voo, e medita no seu fim
como algo imutável, sem outra saída.
Agradece ao tempo e à própria Vida!
Prosseguindo, aceita tudo o que foi ruim,
sorrindo ao futuro e aceitando a morte
porque nesta, não conta o factor sorte.
Reencontrei-me num mar de exclusões.
Nada do que tivera, me seduzia,
e o que restou está nu do que era seu.
Em redor fala o silêncio. Não há recordações
daquilo que não era, mas parecia,
enquanto bajulavam o meu EU.
Se houve quem me amasse, eu não sabia.
Não foi perito na arte de se expor...
...ou sentiria remorsos se paz me desse?
O futuro? Que importa? Eu já sabia
que iria continuar sem ter amor,
contudo, tudo fiz pra que o tivesse.
Resta porém, feliz, a minha alma
serena, e inexoravelmente... calma.
Leio, na transparência linda da tua alma
que amarás aquilo que ambos comungamos
mesmo quando tu, cansado e quase sem calma,
escavas paciência no que partilhamos.
São acordos de amor, laivos de atenção
na procura de algo que não sei explicar.
Busco mil tesouros que tens no teu coração,
os quais te devolvo num maroto olhar.
Um olhar apenas. Fico presa a ti.
Sentirás tu, Pai, o que vale pra mim
entregares-te assim à minha malandrice?
São poemas de amor que não vi... nem li.
Páginas de estórias que nunca terão fim...
Verdadeiros sonhos da minha meninice.
Dou colinho com amor
a quem meu amigo for...
só tem é que ser limpinho,
ser um cão sossegadinho,
e que não deixe um jazido
em espaço não permitido.
Cumpridas as condições...
desfaço-me em corações.
Sonho com cargas às costas.
De vez em quando, tropeço.
Trepo muros, subo encostas,
viro sonhos do avesso.
É no sonho que eu me cruzo
com outros eus, que nele vejo,
mas são tantos, que recuso
fazer parte do cortejo.
Saio do sonho cansada
dos eus que aí encontrei!
Pergunto-me, aparvalhada;
Porque vi tantos? - Não sei!
O mar se mostra agitado. A maré viva ameaça. Soltem as asas às aves, em cada uma que passa. Quero que voem comigo. Sopra o vento, são os ais da alma dos imortais.
Voa alto o pensamento. Tem asas, pode voar, mesmo que, em sobressalto por algum constrangimento, páre um tempo. Tranquilo, fica pairando no ar até aos sonhos voltar.
Excedo-me nas alturas, sobre o mar em maré viva. Atrevo-me em aventuras até que, sempre à deriva, recomece a calmaria. Assobia forte o vento. que odeia o meu voo lento.
Não tenho força nas asas por tanto haver estagnado em almas pobres e rasas. Meu coração, já cansado, chora de tanto esperar. A cor negra da Saudade. corroeu-lhe a Liberdade.
Quanto a mim, para gente assim, darei o meu conselho: olhem-se bem no espelho e respirem fundo. Com um olhar profundo, tentem acalmar, amigas. A falsidade não merece brigas. Encaro a hipocrisia com muita ironia, olhos nos olhos e firmeza aos molhos. Direi, sem pena e de forma serena, a quem me quiser bajular: ponha-se mas é a andar. Aquela com quem quer falar deve ter ido ao teatro, à matinée das quatro. Volte outro ano, num futuro... Com gente assim, não me misturo.
Sou contra os dias de tudo, mas deste… não posso ser. Façamos, portanto, um estudo do que possamos fazer para acabar com a praga da malvada corrupção que prolifera no mundo. Sabemos o que sentimos! É como uma grande chaga. Actua como uma praga consumindo o mais profundo da alma de todos nós. Ela massacra, destrói, ataca em múltiplas frentes. Vive no crime, corrói porque obedece a uma voz que agita mentes doentes. Que tal esta solução: passarmos a promover princípios de protecção das crianças, ao nascer. Eduquemos os seus pais para a sua rejeição dos podres da sociedade. Começando em tenra idade, no seio familiar, gerar-se-ão promotores de uma sã moralidade, em luta contra corruptos. Pouco a pouco, os transgressores, por actos ininterruptos, perdem espaço de actuação, e gera-se outro, fecundo, como prémio da contra-acção: UM PARAÍSO NO MUNDO!
Num enorme espaço aberto,
muito para Além do mundo,
entrou uma nova alma.
Encontrou outras dormindo
um sono muito profundo.
Ali não há vida, nem ambição.
Entrou nele mais uma luz,
que a um corpo deu tréguas,
deixando-o na Terra
onde agora jaz
a milhões de léguas
desse Além em Paz.
Um corpo que morreu
lutando para continuar vivo
mas que perece cativo
duma razão susceptível,
talvez, de confusão.
Uma guerra inconcebível,
para ajuste de contas,
ou um acto da Morte
que ceifa a vida
de quem deixou de ser forte?
Viagem que só tem ida.
A volta... nunca será prometida.
A partida é sempre triste
mas, na verdade, necessária.
É uma eterna adversária
contra a qual lutamos
para manter vivo quem “existe”.
E o que fica dessa luta?
Uma revolta bruta
de quem amará sempre,
sem reservas, quem partiu,
ou de quem já não amaria,
mas que a morte, enfim...
nunca lhe desejaria.
Hoje acordei muito tarde.
Cedi a uma preguiça
que me mantém submissa.
Nada tem de covardia,
mas tenho de ser correcta…
Eu virei assaz medrosa
desta força poderosa
que quer manter-me quieta.
Se sentes que nos outros tu já não crês, porque alguém te feriu, atraiçoando uma jura que te fez… Se estás a sentir que o mundo desabou a teus pés, porque a pessoa que amas e a quem te confessavas não te aceita como és. Se sentes não seres capaz de voltar a amar, ferida no teu amor próprio e sem qualquer vontade de perdoar... Olha o teu passo em frente. Ele anseia prosseguir, não importa por qual estrada e a despeito dessa dor que possas estar a sentir. É no caminhar consciente do que possas enfrentar, que aumentarás a força que tu não sabias ter, nem precisar. Não queiras olhar para trás, para tudo o que tu deixaste. Faz parte do teu passado, dum tempo para esquecer. Foi nele que te magoaste. É no futuro que deves acreditar, criando esperança. Agarra a Vida com muito amor, sentindo a força e o valor do olhar duma criança.
Queria ser perfeita. Não consigo.
Sou reflexo de dor, por um castigo
vindo não sei de quem. Quiçá do Além
que desconheço, que teve - ou ainda tem -
algum ressentimento contra mim.
Será por isso que me mantém assim.
Escondo sentimentos que este mundo
não iria compreender mas que, no fundo,
controlo como posso ou como sei.
São fruto do rumo que tomei
e do qual hoje me sinto assaz culpada.
Porém, de malvadez, não teve nada.
Na vida amei - eu sei...- amei demais!
Não tenho, a definir-me, muito mais...
Se perdoar-me puderes,
pelo silêncio em que estive...
aceita, se te aprouver,
os mil motivos que tive.
Eu sentia, bem presente,
não desejar abraçar-te.
Faltava, na minha mente,
vontade de perdoar-te.
Tu sabes bem das razões
que, na altura, tu me deste...
pelo excesso de traições,
e de erros que cometeste.
Cansei de tanto esperar
pelas vontades, sentidas,
que silenciei num mar
de palavras reprimidas.
Mas o tempo foi passando,
filtrando a minha paixão.
O amor… foi acabando,
daí, pedir-te perdão.
Busco paragens diferentes,
outras Terras, e outras gentes.
Almas - porque indiferentes -
mais parecem seres ausentes.
Gentes que já não acreditam,
tão pouco rezam, ou imploram
… só porque deixaram de crer…
Não se lamentam, e não choram.
São meros seres a sofrer…
mas os seus corações palpitam.
Quero percorrer este Mundo,
conhecer gente a penar
de desgosto assaz profundo.
Gente a quem eu possa dar
coragem para reagir.
Quero ser estrela que guia
a criança em sofrimento
e dar-lhe, dia após dia,
nem que seja um só momento,
bons motivos para sorrir.
Quero sentir que há alguém
- onde quer que possa estar -
contente, na vida que tem.
Que saiba poder confiar
naquele bom ser que a socorre.
Gostaria, pois, que soubesse
que não se trata de quimera
os sonhos que ainda tece.
Por arrasto, na Primavera,
mais esperança... acontece!
O que seria de mim se durante a minha infância me tivessem dado tudo aquilo que eu pedia? Hoje, carente de algumas coisas, não por ganância... muito sinceramente, não sei dizer o que faria.
O que seria de mim se durante a juventude tivessem ignorado a minha agitação? Seria mimada, caprichosa e bastante rude, carecendo de uma orientada correcção!
O que seria de mim se os meus pobres Pais, outrora, tivessem menosprezado o meu medo de voar? Seguramente não teria tanta força, agora, perante a minha necessidade de viajar.
Se ama, trave a ira, não imponha, sugira. Perante uma contenda, não agrida, entenda. Se ama, não insulte nem imponha... ausculte! Se sabe que foi traída, deixe que o coração decida. Se foi você a tradora... termine já, sem demora.
Ó miga, tenho o peixinho
mais fresco que há no Bolhão.
Xaputa e peixe-porquinho,
truta, pescada e salmão.
Venha aqui! Venha comprar!
Ó freguesa, leva ou não?
Se preferir desdenhar
...viro "modo palavrão"!
Ó muore, venha cá escolher!
A sardinha é cor da prata!
Quando o marido a comer...
irá ver como ele a trata!
Encarcerada num espaço,
- lembrando o que fui... ou era -
sinto o meu corpo entalado
entre o Outono e a Primavera.
Suspensa nas frias águas
onde, imersa, estou lutando,
corre um fraco tempo, escasso,
que nem sinto, nem comando.
Espero um ciclo coeterno,
com Verão e com Inverno.
No ano dois mil e dezoito, sentia-se que, no país, estávamos feitos num oito, mas não haveria embromas com um declarado cariz de preocupantes sintomas... Tais sinais eram diferentes, em quem quer dominar o mundo. Revelavam-se evidentes! Ocultaram-se mil perguntas - que prosseguirão sem resposta. Hoje mais parecem defuntas. E... em dois mil e dezanove, foi declarada a suposta peste, que move... e remove. Em dois mil e vinte e dois, paira um penoso mistério pelo que se passou depois da aplicação de vacinas, deixando um rasto funéreo em meninos e meninas. Por infindáveis mutações, aqueles que vivos estão, têm fundadas pretensões, de saber por que não resulta só uma inoculação, em cada pessoa adulta. Resta-nos, então - já se vê - saber quando irão parar de dar vacinas... pra quê? Até jovens vão perecendo? Onde iremos acabar? A vida não está vencendo! Reina um desaire escabroso, que acaba fazendo mal. Mesmo que o vírus, teimoso, acabasse por regredir, há uma verdade geral: o mundo está a sucumbir.
Data da criação deste conteúdo: 2022-11-20 Imagem: Mikhail Nilov
Balanço no balancear
dos anos que já lá vão.
Já deixei de os contar
de tantos anos que são.
Dei de mim até estourar.
Rebentei como um balão.
Espalhei-me toda no ar,
só me resta o coração.
É ele o que balanceia...
Não sabe quando parar.
Espalha Amor sem ter ideia
do quanto me faz chorar.
Meu corpo já não existe,
não sei onde foi parar.
Só o coração resiste
a tanta sede de Amar.
Procura os porquês desta confusa vida,
sem grande ambição. Lê no teu coração.
Dentro dele há verdade, nunca ficção.
Procura os porquês desta confusa vida,
com muita simplicidade. Amigo, acredita,
vive tranquilo, sê feliz e medita.
Procura os porquês desta confusa vida,
olhando uma criança. Nela reside o segredo.
Vive a sua inocência! Rejeita esse teu medo.
Abandona os porquês desta confusa vida.
porque só o tempo poderá dar-te respostas,
através de sinais... com verdades expostas.