Enquanto, à segunda-feira,
és da preguiça, uma herdeira.
Enquanto, nos outros dias,
tu tens muitas arrelias
- ou mesmo um fim de semana
com muita coisa sacana.
Enquanto tu te revoltas
por males viajando à solta.
Enquanto no teu ofício,
o trabalho virou vício
_porque a família que tens
são os teus mais puros bens.
Enquanto buscas, em vão,
um amor, uma paixão.
Enquanto, do que semeias,
colhes menos do que anseias...
outros há esperando a morte.
Isso sim, é que é “má sorte”!
Enquanto uns, desgastando
o que ainda vai sobrando
dum corpo já quase ausente
deste mundo deprimente...
há ainda os que se lamentam
de coisas que os atormentam.
E enquanto o corpo gastam
e sua alma desgastam...
há os que dariam tudo
pelo passado. Contudo,
estão velhos e a enfrentar
o que lhes resta: esperar!
És habitante com prazo.
Não deixes que aquele atraso
que tu sentes, no que esperas,
te desespere deveras.
Aceita o que tens sabendo
que, mal ou bem, tu estás vivendo!
Discursos, de acrimónia impregnados,
retratam teu carácter hediondo.
Vê-se um brutal ódio escancarado
em tudo o que, habilmente, vais expondo.
Sem tergiversar, vais revelando
de que lado te encontras, no cenário.
O povo, ignorante, vais fraudando
com opróbias atitudes de vigário.
Vai longo o teu exórdio! Que pereça
na alma de pessoas desumanas,
isentas de valores, pragas humanas.
Desmascarar-te, urge que aconteça!
De gente como tu, está cheia a Terra.
Geras o ódio que conduz à guerra.
Jazem em mim amordaçadas esperanças
gélidas, sem cor. Passaram a lembranças
no dia em que partiste, feito orgulho,
mas é nelas que, por vezes, eu mergulho.
Eu sei que é doentia esta recordação
dum passado tanto vida quanto solidão...
Sobrepõe-se a tudo quanto me corrói,
um grande Amor que o tempo não destrói.
Eu sei que a minha frágil resistência
já pouco poderá, em realidade,
contra o desgaste recôndito da idade.
Mas prefiro abraçar-me à tua ausência,
do que anular em mim todo um passado!
Não estás... mas imagino-te ao meu lado.
Ouço o chilrear dum pássaro, aturdido.
Minha alma desperta ao som dum novo dia.
A noite despediu-se escapando do ruído
de seres indignados, gritando de agonia.
Começa o movimento dum vaivém que cansa.
O povo não se cuida, afunda na rotina...
e neste afundamento pesa o da criança
entregue a vigilâncias às quais se subordina.
Vives esmagado por normas sociais
onde impera a força de grandes aldrabões.
Queimam a tua esperança e as tuas ilusões.
Vives numa era de forças virtuais.
Deixaste de ser livre! Tu és um seu refém!
Não vales pelo que és, mas sim pelo que tens.
Faço parte desse teu imaginário. Para ti, não sou um ser... Eu sou um vulto bem escondido atrás dum cenário onde, covardemente, o manténs, oculto. Tu nunca consideraste o meu direito à liberdade. Ignoras o respeito que me deves. Sou Mulher e sou pessoa. Tu não planeaste tudo isto, à toa...
Não tolero a tua covardia, tanto insuportável, quanto infame! Tu geres sempre o meu dia-a-dia tentando protegeres-te do vexame de poderes vir a ser reconhecido. Tu és um ser que vive comprometido entre fazer bem e fazer muito mal. Tu és.... subtilmente... um anormal.
Divides-te entre o bem que aparentas, e o insuportável mal que praticas. Satisfazes velhas ânsias sedentas de vingança e guerra, que exercitas provocando no meu ser um medo atroz. Impedida de erguer a minha voz. fizeste de mim a escrava desejada que amordaças, para manteres calada.
E eu... - Deus meu! - não posso fazer-te frente. És demasiado musculoso... forte! A minha grande fraqueza não consente arrojos, porque vive temendo a morte. Até quando segue a lei, compactuante com este horror que continua actuante? Até ser tarde demais e deixar que eu sinta a liberdade morrer em mim... faminta?
Caminhava às escuras,
na última etapa
da estrada onde, um dia,
perdi o meu norte.
As noites tão duras,
sem lua, sem mapa
e sem companhia,
eram breu de morte.
Abracei-me e beijei
minhas mãos já gastas
de tanto escrever
de tanto afagar.
Não te choro. Cansei.
Foram muito nefastas
as dores de temer,
as dores de te amar.
Pergunta a Fé à Esperança:
- Por que andas sempre a meu lado?
- Porque sou brisa que amansa
todo o ser abandonado.
Quando a ausência desespera
um sofrido coração,
sou eu a que, nessa espera,
acalma a situação.
Segura do teu valor,
não gostas de companhia,
mas eu sou Esperança e Amor,
e no tempo... Terapia.
Minha alma... irresoluta, quando se observa ao espelho, faz sempre a mesma pergunta: - Quem foi a filha da mãe, que te pôs rugas no rosto? Não te ficam nada bem. Respondo triste e calada: - Foram dores. Deixaram traços fingindo serem abraços. Não reajo… mas eu sei: - Foi o tempo que me tirou aquilo que mais amei!
Tristonha, não me rebelo. Nem tudo na vida é belo, e um dia... partiremos belas ou não - não importa. Quando a morte bate à porta, como estivermos… iremos. Na campa, um camafeu em vez de fotografia, não mostra que seja eu naquela imagem esculpida. Repousarei, de alma fria, com tudo o que fui na vida.
Sentimos aumentar a fragilidade do que pensávamos ser bastante forte e tememos perder o nosso norte. O chão que pisamos perde estabilidade. Passamos a sentir o peso de longos anos vividos entre sonhos e desenganos, numa luta constante em busca de Amor, de Saúde, de um desejado bem-estar... em que exigimos demais, sem pensar. É o desgaste. O tempo não perdoa. Tudo aquilo que ambicionávamos, que tanto idealizávamos… encalha como um barco que abalroa. Desintegra-se. Deixa de interessar porque sabemos ser impossível realizar. E choramos o passado, com saudade. Mas... durante o tempo que perdemos, houve uma lição que não aprendemos: a de vivermos com muita simplicidade sem desejar sequer, transpor limitações que exigem bom senso e tantas precauções.
Quisera poder virar-me do avesso, duplicar-me... Ser mais eu! Ser urgência e ser excesso, nunca ausência. Fazer mais do que aquilo que já faço. Estar presente, frente a frente com a dor e, num abraço, juntar a Fé, a Coragem e tanto, mas tanto Amor. Urge acalmar a maré de raiva e de rancor, que ronda por todo o lado. Que mundo desnorteado, onde quase tudo errado não pode dar certo, não! Vive-se a vida morrendo, sem praticar o perdão.
Data da criação deste conteúdo: 2014-05-23 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Queria partir com o sol quando se põe no além; seguir-lhe o passo lento, acolher-lhe a magia. Fugir da noite incerta e do seu turvo vaivém, na esperança de alongar-me a vida em cada dia.
Rejeito a luz da lua, expoente de alternância; perturba a minha mente — tão triste, tão soturna. Venero a luz do sol: mantém-me em vigilância, e faz de mim mudança, enquanto taciturna.
Queria poder escrever, sentir inspiração, e encontrar um rumo para viver sem mim. Eu sei… não sou eterna, mas não aceito o fim.
É tempo de reflectir e de pedir perdão por todo o embaraço que possa ter causado a quem nunca aceitou eu tanto haver mudado.
Data da criação deste conteúdo: 2025-12-05 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Procuro na tua mente, rica de bons elementos de informação adquirida e muito bem trabalhada... aquilo de que careço. Faço-o, tranquilamente, naqueles momentos de conversa bem contida, por mim tão apreciada. E o meu saber abasteço, como qualquer viatura, numa estação de serviço. Há muito tema oriundo de coisas já diluídas que prefiro explorar da tua enorme cultura. Procuro o que tenho omisso de algum tema assaz profundo. São essências extraídas de uma fonte a transbordar.
Com respeito eu entro e saio
nas(das) igrejas do mundo,
mas não preciso de ensaio
pra dizer o que, no fundo,
sinto ser uma agressão
à moral de um bom Cristão.
Não tem nada a ver com crenças.
Tem a ver com atitudes
notoriamente perversas
...disfarçadas de virtudes
por homens que as defendem.
São desumanos! Ofendem!
Conquistam os seus “rebanhos”
usando uma má doutrina,
e dogmas assaz estranhos
que actuam como morfina
na alma de muitos crentes.
São ordinários e doentes!
Por grandes portas eu entro...
saindo isenta de tanto!
Há manchas negras no centro
do meu grande desencanto.
Em jeito de espiroqueta
vai fermosa e bem segura,
Leonor… pela verdura,
mas ouve uma obsoleta
piada de garanhão,
e dispara-lhe a tensão.
Renuindo e avançando
achou ser um impropério
piropear-lhe um galdério!
Pior ainda... cantando!
O que disse aquele machão,
implicava uma reacção.
Leonor, perante as tretas
que a incitavam a agir,
teve mesmo de intervir.
Desferiu-lhe duas galhetas,
em jeito de punição,
e acabou-se a questão.
Teria a alma do poeta
- lá do sítio onde ela está -
visto o que se passou cá?
Não estará ela inquieta?
É que as Lianores de agora
não são como as de outrora.
Como vivi a pandemia?
No global, o que sinto,
é que a vivi, dia-a-dia,
metida num labirinto
de coisas que não suporto.
Se discordam, não me importo!
Em tempo de frustração
por um vírus vagabundo
ter vindo para matar,
eu senti, bem no meu fundo,
asco da vil ignorância
que causa tanto mal-estar.
E... talvez pela minha idade,
uma enorme discrepância
entre a mentira e a verdade,
gerou em mim implicância.
De olhos cheios de poeira,
perdi qualquer esperança
de ser-nos dada maneira
de promover confiança.
Já ninguém crê no que contam
os grão-mestres da ciência.
Hoje dizem uma coisa,
amanhã... haja paciência!!!
Depois do que vi... e vejo,
nos meios de informação,
sei que há pessoas sem pejo
de iludir a multidão
com programas inconvenientes.
A justiça, sempre lerda,
não é posta a funcionar
contra quem defende a tese
de as audiências salvar
mesmo que o que passe lese
os interesses da criança.
Um, ou outro, programador,
fiéis a uma velha herança...
vão recorrendo a programas
com violência... no amor.
O resultado final?
As audiências... são salvas
e grita-se: Menos mal!!
MAS QUE FALTA DE PUDOR!
Que acelerem os meus passos
e que os meus braços se estendam.
Quero abraçar-te, amanhã.
Há que enfrentar os devassos,
se mais crianças morrerem
e a morte virar campeã.
Que se condenem traidores,
que a justiça protegeu.
Que se puna cada ser
de sistemas opressores.
Há nuvens negras no céu
e crimes a acontecer..
Vejo flores a murchar
e fontes que já secaram
porque o ódio... gera guerra.
Mal consigo caminhar...
Cansaram-me os que espalharam
a incúria aqui na Terra.
Cinco dias de vida para a despedida
de dois mil e vinte e três. Quem sabe, talvez,
parta humilhado, e com tanta vergonha...
Muito mais do que aquilo que se suponha!
Foram inúmeras as malogradas vidas,
certa e inexoravelmente perdidas;
umas foram causas brutais e desumanas,
praticadas por pessoas muito sacanas;
outras ligadas a ódios e a ganância,
nas quais se luta por tudo... em abundância;
restam ainda as de causas naturais...
pelas quais não foi possível fazer-se mais,
e outras, também, de causas a descobrir
as quais, quiçá, ocultam metas a atingir.
Ficarão no ar mil perguntas sem respostas
credíveis, esclarecedoras e compostas
das causas de alguns efeitos secundários...
mas só nos são explicados dados primários.
Assumem-se inúmeros procedimentos,
contra os quais não são admitidos argumentos.
E já asseguram que os vindouros anos
carregarão mares de vários desenganos.
Deixemos correr as prenunciadas águas!
Quem sabe lavarão todas as nossas mágoas...
A Mulher Portuguesa
é força todos os dias.
Acorda em posição “pino”,
para dar volta ao que enfrenta,
e aos cadilhos que aguenta.
Não confia no destino.
Vai à luta pelo que quer.
Para tanto... ela é MULHER!
Nasceu símbolo de Força
na sua forma mais casta.
Vive o Amor verdadeiro.
Nem se entrega por dinheiro,
nem qualquer coisa lhe basta.
Sabe bem qual o valor
de dar... recebendo Amor
na sua maior pureza.
É só isso que ela espera
da sua entrega sincera.
Esta é a Mulher Portuguesa!
Data da criação deste conteúdo:
2018-09-20
Imagem de Jo Kassis
Do mundo, sou cidadã. Da vida, sou sua amante. Moro onde me sinto bem. Sou, por norma, viajante. Para onde quer que vá, segue comigo, também, esta minha mente sã, quanto basta de esperança, uma mão cheia de amor, e tanta perseverança. Tenho perfeita consciência de fazer o meu melhor, ao opor-me à desistência a que os fracos dão valor.
Malmequer te elejo, A flor da noite. Ladina, sem pejo, Mergulhas na dor Errantes, amantes. Que queres tu tecer? Um romance em flor, Em alguém a querer Respostas de Amor?
Data da criação deste conteùdo: 2012-11-05 Autor da imagem: José Prada
Desgasto-me de raiva por não vencer o medo, causado pela fraqueza que sinto em mim, agora. Oh! Quem me dera travar este arremedo da mulher forte que eu encarnava outrora.
Quisera conseguir ultrapassar o tempo, chegar a vencedora de tudo o que criei, mas as pernas cedem perante o contratempo de ser tarde demais pra tanto que almejei.
As dores vão aumentando enquanto as folhas secam, e perdem-se vontades geradas com amor durante tantas fases, tão densas de fulgor.
Enquanto fui gerando sonhos que obcecam, não dei pelo desgaste da alma consumida por tudo o que, então, fiz sem respeitar a vida.
Data da criação deste conteúdo: 2024-10-02 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
O povo grita e pragueja contra um governo impudente, que se desculpa, gagueja e não quer saber da «gente»! Da «gente»… pois! E não só! Ó meu Deus, vê lá… tem dó!
Na mente dos governantes, enfatuados senhores, nós não somos relevantes… nós somos só pagadores! O pobre está habituado a ser sempre o condenado.
Enquanto ladrões, à solta, vivem à grande, à francesa, duma forma que revolta, a «gente» vive na pobreza dum miserável ordenado, espremido e descontado.
Estamos cheios de conversas! Queremos acções diversas! Avancem com demissões, um após outro, que a «gente» quer ter, em vez de aldrabões, um governo competente!
Data da criação deste conteúdo: 2012-10-17 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Entre planos agendados e a sua concretização, está o povo em expectação. Alguns, já habituados a promessas não cumpridas… nada dizem! Nem se movem, nem tão pouco se comovem. Procuram outras saídas. Aquele povo mais confiante, mais letrado, mais paciente, mantem-se resiliente. Nem precisa de calmante… Mas com medo de que o CHEGA gere “um país de VENTURA”, há gentinha que tortura o André, que não sossega. Promessas já foram feitas, mas sua concretização exige a alteração de leis a que estão sujeitas. Da minha parte, direi: como não tenho partido, escolho no bom sentido, optando pelo que sei convir a gente de bem. Que se faça, enfim, justiça! Seguirei insubmissa Às leis do que não convém.
Data da criação deste conteúdo: 2025-08-31 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Este caos que em portugal e espanha se instalou, gerou devastação geral, muito profunda: perda de vidas, de bens e do que ocasionou a má governação por tanta actuação imunda.
O nome “Marta”, paira na mente de quem, generosamente trocou o seu ócio por acção, e dá-se de alma e coração a alguém que ela sente estar a gritar-lhe por atenção.
Porém… sopra um vento ainda mais decisivo; nas urnas mede-se o rumo nacional. É tempo de pesar o gesto colectivo: disputam-se dois nomes bastante desiguais.
E eis chegado o momento das decisões… A ala esquerda defende o que lhe convém, e a da direita, cheia de argumentações, apela ao que disse, ao que promete… e que mantém.
Após este presente, pensemos no passado para fundamentar o próximo futuro. Somos um povo que vive ameaçado por um novo tempo, sem dúvida, não seguro.
Data da criação deste conteúdo: 2025-02-08 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Impõe-se actuar. Amanhã será tarde.
Rodopia no ar, desaire e loucura.
Urge que apaguemos a chama que arde,
antes que outras pestes surjam já sem cura.
Misturam-se as forças do bem, e do mal.
Uma estranha nuvem é vista no céu
pelos olhos de luz de um jovem zagal…
mas foge encoberta por um turvo véu.
Milhões de imbecis estão bailando na estrada.
São gente que grita, que canta, que clama.
Filmam-se em poses de glória frustrada,
vivendo em ribalta, sedentos de fama.
Mas há um outro grupo, sereno e culto,
de seres inteligentes, e assaz calados,
que ama escutar o Universo oculto,
onde ecoa o silêncio dos iluminados.
Meus Caminhos de Cristal
percorro com ambições,
lado-a-lado com camelos,
águias, mochos, camaleões.
Por vezes lhes faço frente,
outras há que os ignoro.
Depende do que consente
a minha vida, que adoro.
Aos camelos tiro espaço;
às águias apalpo o pulso;
aos mochos abro um abraço
e os camaleões... expulso!
Neste caminhar que mudo
- porque a vida mo consente -
tenho encontrado de tudo,
e tanto que me atormente.
Vejo males noutros caminhos
muito piores do que os meus;
bichos perversos, daninhos,
‘ávis raras’, camafeus.
Magoa fundo esta dor
de ver o velho e a criança,
sem defesa, sem amor,
morrer de desesperança.
E não se enganem aqueles
que pensam remediar
erros velhos... quando neles
há vícios a degradar.
Não se cancela num dia
condutas velhas, caducas,
e o remendo só adia
a regra que nos educa.
É preciso fazer mais.
Defenderei, com fervor,
actuações globais
em prol dum mundo melhor.
Data da transcrição deste excerto do livro: 2011-05-03 Capa do Livro: Miguel Letra
Queria ser Primavera, vestir as árvores de verde quando pareciam já mortas, em aparente agonia… Queria ser Primavera, ser força quando tu perdes um sonho lindo, que abortas do ventre em que era magia. Queria ser Primavera em casa de quem é pobre, ser esperança e ser coragem, não ter tempo, nem idade. Queria ser Primavera na nuvem que o sol encobre e em cada minha abordagem, falar só de Felicidade.
Quando sofro conto à lua
o quanto a dor me corrói,
e o quanto, não sendo tua,
vivo um mal-estar que dói.
A lua, suave e meiga.
aceita o que lhe narrar.
Sendo, do que eu sinto, leiga,
nunca irá me contestar.
Prefiro lua, a pessoa,
pois em vez de falar... escrevo.
Com seu luar me abençoa;
cada texto... eu subscrevo!
Quando construo um poema,
exorciso a minha alma...
Expulsando cada dilema,
fico mais leve... e mais calma.
Aquele primeiro encontro que tivemos, quando, ainda crianças, nos beijámos, foi o princípio de tudo o que fizemos para esconder o quanto nos amávamos.
Na sombra, tão inocente quanto pura, a minha alma te buscava sem que visses. Foram anos de pena, de amargura, pensando que por mim nada sentisses.
No silêncio vivemos nosso amor. Havia entre nós uma barreira. Tu nada me disseste e, por temor, nada te quis dizer a vida inteira.
Para poder ver-te, fiz longas caminhadas em troca dum instante curto e escasso, que compensasse as noites mal passadas, sem poder fechar os olhos, do cansaço.
Mas um dia, meu amor, me confessaste o forte sentimento que escondias. Tarde demais. Sofri, mas não deixaste que eu compreendesse, então, por que partias.
Nunca disseste a razão que — por culpa minha — nos manteve afastados toda a vida. Hoje és a minha estrela que, sozinha, me conduz, silenciosa, na descida.
Vivemos um amor grande e profundo, que guardei, tal como tu, no coração. Partiste para sempre deste mundo sem que eu pudesse, Amor, pedir perdão.
Há momentos - maus momentos!-
em que me sinto morrer,
mas há muitos mais, ainda,
em que me sinto viver.
A minha alma está limpa
de quaisquer comedimentos.
Sinto que a vida me enlaça,
me prende e até me abraça,
como água cristalina,
brincando com uma menina...
Nem a chuva me incomoda!
Esvazia-me a alma toda
daquilo que me faz mal,
e quedo-me, impressionada,
em profunda reflexão,
até que passe, em geral,
o que me causa impressão.
Quero pensar que é mentira
nada haver que seja são.
Na Vida, tudo venero,
nas pessoas é que não.
Enquanto a idade alonga,
eu não sinto que envelheço,
sinto boa orientação.
Que eu morra quando mereço,
mas o Universo... não!
Tua imagem reflecte ostentação,
gosto por luxúria... imaginação.
Há peças que te embelezam, na verdade,
mas pesam muito, devido à tua idade.
Leio ambiguidade na expressão
e avidez de posse, no teu coração.
São sinais muito evidentes de porfia
entre ti mesma, e a tua fantasia.
Conserva os sonhos, e as aspirações.
Envolve-os numa corrente de paixões
por novos projectos que possam promover
o teu futuro de vida... e de mulher.
Segue, consciente, por caminhos seguros,
evitando ir por atalhos obscuros.
Aquilo que tu fizeres, nesse sentido,
dar-te-á a paz dum dever que foi cumprido.
Vales pelo que és, não pelo que trajas.
Perante a ignorância, não reajas.
Enquanto jovem... adquire conhecimento,
aproveitando muito bem o teu talento.
Já nada do que fazia num tempo muito distante pouco estável, muito errante - que vivia, dia-a-dia - faz parte do meu presente. De programa organizado partia, nesse passado, e, por dias, estava ausente.
Quando tinha, reunidas, várias colecções de roupa, - Muita chique! Simples, pouca! - escolhia a mais preferida. Eu tinha de trabalhar de modo a deixar contentes vários tipos de clientes difíceis de contentar.
Na mulher simples e culta, de gostos sóbrios, simplistas, que não ousa dar nas vistas, o clássico… resulta. Mas há outras, extravagantes, que gostam de lantejoulas e, como são muito louras, são dos brilhos, muito amantes.
Com a roupa estagnada, comparo o que sou agora, com aquilo que era outrora. Eu... -“moi”-, não mudei nada! Quando a vida corre mal… procuro o que faz efeito: sigo em frente do meu jeito! Continuo tal e qual...
Prometo que te amarei - como sempre amar-te quis - se o futuro que sonhei e as juras que a mim fiz quando era aventureira... me soltarem desta amarra que mantém-me prisioneira da má onda que me agarra, e que me faz marear. É que há ventos que recuso sua direcção tomar. Não cederei ao abuso de sofrer... por tanto amar.
Vergo-me perante as marcas da saudade que não conhece as penas que sofri. Passei a ser presença e castidade de erros que no passado cometi.
São essas marcas que hoje me concedem idoneidade que no tempo em mim gerei. São memórias reais que não me impedem de recordar vivências que ultrapassei.
Saúdo um grande mestre, de excepção. Permitiu-me, eficazmente, separar factores flutuantes em ablação no centro de valores a ponderar.
Faço reflexões neste Universo grande considerando o que sou, sem o que fui. A água vai correndo sem que a comande… porque o que vai com ela não dilui.
Data da criação deste conteúdo: 2025-10-26 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Se os julgamentos são feitos
tendo em conta só defeitos,
sem considerar virtudes...
quanto a mim, tais atitudes,
são frias, tendenciosas,
e porventura enganosas.
Há posições que tomamos
que nem sempre controlamos.
Serão, quiçá, provocadas
por pressões acumuladas.
Qualquer avaliação
duma incontrolada acção,
gera a pergunta: - Por quê?
Esse alguém fica à mercê
de quem o julga, contudo,
o acto em si, não é tudo.
Ao focarmos uma imagem,
há que fazer a filtragem
do que queremos realçar.
Sairá, então, um todo
resultante, em certo modo,
do que é feio e do que é belo.
Coexistem, em paralelo.
Há julgamentos suspeitos,
que só conhecem defeitos.
Procura na Natureza,
fonte de rara beleza,
aquilo de que careces
e que, provavelmente, mereces,
...mas não estás a conseguir.
Ela existe para servir,
ajuda-te a bem viver,
em harmonia, com saber.
Se a tratares com respeito,
ela até se porá a jeito
de improvisar-te um colinho,
bem moldado ao teu corpinho.
Recorre a ela sempre que carente,
ou mesmo bastante doente,
a precisares de uma cura.
Quando estiver em modo pura,
faz buscas nela, com calma,
e verás a paz que trará à tua alma.
Não esqueças, porém:
Há um lado mau que ela tem,
quando está com os azeites.
Nesses dias, não te deites
no seu tronco curvilíneo
pois perde todo o fascínio.
Dá às de Vila Diogo,
foge, pisga-te logo!
Tem um lado insubmisso
que nunca cede em serviço.
Se, tal como eu, a tua mente
já não suporta os abusos incontroláveis
do obsceno, camuflado astutamente
para atrair negócios... autorizáveis,
sobretudo utilizando a Mulher....
Se, tal como eu, a tua paciência
já não suporta certos exibicionistas
espavoneando-se, na sua concuspicência
- seres cautelosos e estrategistas
que o seu status, em particular, requer -.
Se, tal como eu, achas que não vale a pena
remar contra a maré dessa gente insignificante
que nem amor por si sabe cultivar... Serena,
retira-te desse grupo assaz impactante,
mas oco de valores e de virtudes.
São gente que quer impor-se pelo brilho
mas tem a alma seca, sem qualquer cor.
Tem particulares que recuso e não partilho,
exactamente porque não sabem gerar amor.
Actuam no inverso, isentos de boas atitudes.
Toda a violência exercida nas raízes
de alguém para quem o passado é sagrado,
perpetua-lhe inapagáveis cicatrizes
que serão, eternamente, um seu legado.
Actos imperdoáveis, causadores de medo,
como aqueles do direito de posse, e do ciúme,
são comparáveis aos da lapa presa no rochedo
que, como tal... de direito se julga e se presume.
Urge encontrar meios para exterminar
vícios nefastos, geradores de violência...
embora difícil seja qualquer interferência.
Contudo, se nada se fizer, irão continuar
mortes macabras e todo o tipo de agressão.
Tenha-se eficaz control da situação.
Ao mar, que toda a tua vida tanto amaste, estarás a oferecer o que de ti sobrou. Estampado, no teu tronco, há o desgaste que o tempo, impiedoso, lhe deixou. Desejarás perpetuares-te na coragem, de mergulhares onde nunca ousaste entrar. Jazerás só, despido e sem qualquer bagagem, eternamente esquecido nesse mar.
Tal qual sou, estarei aqui.
De como acordo... dependo.
Não espero me compreendam
pois nem eu mesma me entendo.
Sou muito sujeita a luas,
nunca sei o que me espera
Tenho um coração que é calmo
e um outro que acelera.
Se está um dia de sol,
faço projectos, actuo,
mas se o dia está cinzento,
viro teimosa e amuo.
Surpreendo facilmente,
porque detesto a rotina.
Já não mudo nesta idade.
Sou assim desde menina.
É escrevendo, de alma leve e nua,
sem constrangimentos, e sem qualquer pudor,
que falo do meu passado, à luz da lua,
buscando-te entre as trevas, meu Amor!
Encontro no teu silêncio, paz amena...
um eco doce... de palavras que não dizes.
É como uma brisa suave, serena,
acalmando dores de muitas cicatrizes.
Se o tempo não existe, nesse Além,
estarás imune, à espera dum vento
que não acelera. O seu passo é lento.
Saldarei as contas que tenho com alguém,
antes de deixar outros seres que eu amo;
...dívidas de Amor, de teor humano.