Maria Letra nasceu em Coimbra, a 20 de Setembro de 1938. Escreve poesia desde os 13 anos, idade em que manifestou a sua preferência por esta forma literária. Possui os cursos Comercial e Liceal, completos, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos das línguas Inglesa e Francesa em escolas estrangeiras. Aos 22 anos foi para Londres, onde estudou no conceituado colégio “The West London College”. Foi secretária de direcção e tradutora técnica durante 35 anos, e empresária durante 17.
Deixou Portugal para viver em Itália em 1989, por exigências de trabalho, mas três anos depois fixou residência definitiva no Reino Unido.
Lvros publicaos: “Meus Caminhos de Cristal”, em 2011, e "Meu Pequeno Grande País, em 2017.
Não quero saber em que País está a razão! A guerra nunca foi justa, nem foi solução. Não quero saber quem ateou as acendalhas, porque acredito tenham sido vis canalhas. Não quero saber a verdade do que nos contam. Habituei-me às mil mentiras que se montam. Será que essa gentalha pensa na criança quando projecta a guerra na sua liderança? Quero saber quem irá pagar aqui na terra o ressuscitar dos mil despojos duma guerra. E quereria saber ainda, bem no meu fundo, quando se instalará a Paz aqui no mundo!
Data da criação deste conteúdo: 2022-03-11 Imagema: Dmitri Ganin
É tão pequenino o espaço onde o velhinho se move tão tristemente... e tão só... que chega a fazer-me dó. Deixa de ser peregrino na Terra, comum a todos, passando a ficar sujeito ao espaço a que tem direito. Ainda que vivo... está morto! Mas que direito tão torto!
De quem é, então, a culpa? Do culpado, ou de quem julga? Puxo aqui o tema AMBIENTE, que, ultimamente, se sente em todo o mundo, alterado. Tem sido negligenciado. Portanto, decidi acrescentar, ou direi mesmo, mudar palavras neste poema, para focar o dilema que estamos vivendo já no mundo, tal como está.
Há que tentarmos pôr fim, por todos e até por mim, no caos que está a gerar-se. Quem estiver a marimbar-se fugindo a regras impostas, a que muitos viram costas, deve sofrer um castigo. Isso é acto de inimigo. A mim também caberá, apesar de idosa... vá, fazer tudo o que puder pra mudança acontecer.
Daí eu ter decidido escrever aqui um pedido de empenhamento geral. E que ninguém leve a mal... O que é vida vira morte, (e não se trata de sorte!) se este planeta, em risco, não for protegido... Insisto: Nós deixaremos cadilhos aos netos dos nossos filhos, se mantivermos estagnada a questão de fazer... nada!
E pensei, de mim pra mim, pôr este poema assim, porque aquele, antes escrito, pecava por ser restrito, no tema aqui em questão. Ora vamos lá então... Quando o sol, luz irradia, no começo de cada dia, a Natureza implora, estarmos atentos, na hora, com rigor, e de bom jeito, à dupla: Causa-Efeito.
Muda e cega, muita gente age de forma imprudente, deixando subentender, que não quer mesmo saber do que se passa no mundo. Claro que, enfim, no fundo, não faz o que lhe compete, e o futuro compromete! Deixo a coisa neste pé: Quem avisa… amigo é!
Data da criação deste conteúdo: 2022-07-14 Imagem: Margarida Antunes Vieira
O período mais significativo na construção da minha estrutura mental e psicológica de hoje, decorreu entre 25 de Abril de 1974 e o tempo actual. Antes desta data, nada do que fiz na minha vida tem seja o que for a ver com aquilo que eu teria feito se tivesse a consciência que tenho hoje, contudo, devo salientar que as mudanças que se operaram em mim, não foram imediatas. Decorridos tantos anos, em que fui acumulando conhecimentos e experiências de vária ordem, ganhei consciência do que estava mal em mim, parcialmente em consequência de traumas que tenho procurado ultrapassar da melhor forma, e sem ajuda especializada.
Depois de um episódio a que dei o título “A minha primeira desilusão”, muitos outros semelhantes aconteceram, mas eu sou perita em desenrolar novelos que estão cheios de fios embaraçados, embora nem sempre com sucesso. Quando consigo, fico com uma profunda sensação de felicidade pela "missão cumprida". Que outra coisa melhor fiz, na minha vida? Talvez criar os meus seis filhos; acarinhar – sempre que possível - os meus catorze netos; amar as crianças em geral, incondicionalmente; olhar os lírios dos campos nos momentos mais críticos; admirar o sol que nos aquece e a água que nos refresca... Sim, porque as marcas que me ficaram dos muitos pontapés dados em pedregulhos que me foram colocando nas estradas por onde fui caminhando em busca de novos caminhos, foram tantos, que os pés que hoje mal me seguram na posição vertical, perderam muito da sua magnífica resistência.
A minha vida é uma tela a duas cores: o azul da lealdade e o branco da verdade. Tem muitos pontos negros de amargura, e lindos pontos brancos de ternura. A clara indefinição de traços é fruto da falta de abraços.
Data da criação deste conteúdo: 2009-05-31 Imagem: Tim Mossholder
Quando um ser do sexo masculino nasce, é portador de uma certeza:
a igualdade de direitos e deveres entre ele e o sexo feminino,
independentemente das diferenças biológicas que os caracterizam.
A Natureza se encarregará de neutralizá-las de forma a coexistirem
em perfeita sintonia.
Quando um ser do sexo feminino nasce, é portador de um baú de responsabilidades a cumprir. Cabe a esse ser o dever de executá-las no tempo e, à Justiça, o de protegê-lo para que o consiga.
Façamos, em conjunto, uma análise entre o que somos aconselhados a fazer e o que, na realidade, podemos fazer:
• Somos aconselhados a estar atentos a sinais físicos ou psicológicos não comuns em nós, e a consultar o médico caso eles persistam. Contudo, hoje em dia só quem for rico pode manter a saúde. Vejamos a falta de médicos de família e a confusão generalizada nos hospitais, em vários sectores. É chocante!
• Somos aconselhados a ter cuidados especiais com a alimentação, mas, começando pelo que se observa nos hospitais, não se presta a devida atenção ao que é dado aos doentes. Pergunto: Como poderemos ter uma alimentação adequada se a maioria das pessoas não tem condições económicas que lhes permitam o privilégio de escolher o mais saudável, ou mesmo o menos prejudicial? Também perguntaria por que razão não se põe o responsável pela saúde pública a ganhar o salário mínimo. Para não mencionar o valor da inserção social que o Estado paga a quem a ele recorre. Talvez assim resultasse e ele começasse a sentir na pele os resultados.
• Somos bombardeados por programas contra a violência, nomeadamente doméstica, mas ao mesmo tempo é facultada aos jovens a possibilidade de assistir a esse sacrilégio através de diversos programas de entretenimento, filmes e revistas tais como a "Telenovelas", onde são exibidas, frequentemente, imagens que revoltam qualquer ser humano mais sensível e contrário ao uso de violência.
Tenho absoluta consciência do quão complicado será alterar este estado de coisas e de muitas outras que não convém aqui referir pois tornaria este apontamento demasiado longo e poucas seriam as pessoas dispostas a lê-lo. Sei, também, que qualquer reforma a introduzir teria, necessariamente, de começar no seio familiar e teríamos de esperar algumas gerações para que surtisse efeito. Contudo, gostaria de reafirmar a minha convicção de que urge pôr um travão ao que está a acontecer. Estão a avançar movimentos perigosamente ameaçadores da tranquilidade das pessoas, e este assunto percorre um caminho onde é comum a justiça falhar sempre que não são convenientemente penalizados aqueles que praticam crimes de previsível reincidência após condenação, com redução de pena por bom comportamento. É revoltante o número de casos em que tal se verifica.
Se os julgamentos são feitos
tendo em conta só defeitos,
sem considerar virtudes...
quanto a mim, tais atitudes,
são frias, tendenciosas,
e porventura enganosas.
Há posições que tomamos
que nem sempre controlamos.
Serão, quiçá, provocadas
por pressões acumuladas.
Qualquer avaliação
duma incontrolada acção,
gera a pergunta: - Por quê?
Esse alguém fica à mercê
de quem o julga, contudo,
o acto em si, não é tudo.
Ao focarmos uma imagem,
há que fazer a filtragem
do que queremos realçar.
Sairá, então, um todo
resultante, em certo modo,
do que é feio e do que é belo.
Coexistem, em paralelo.
Há julgamentos suspeitos,
que só conhecem defeitos.
Qualquer chefe de governo que esteja “amarrado” a linhas de actuação ditadas e consagradas pelo programa do partido que representa, em vez de criar condições que convenham ao seu país, acaba por cair na sobejamente conhecida tendência para proteger uma determinada classe social, em detrimento de outras. Para que qualquer coligação funcione, em meu entender, será necessário que os candidatos à chefia de uma nação sejam pessoas de reputada formação básica, dispostas a aceitar regras que - mais do que mantê-las fiéis seguidoras de uma linha de actuação - aceitem e se adaptem a conceitos de justiça social que favoreçam todos em geral. Isso acabaria por torná-los cidadãos independentes, conscientes do que convém a todos e não apenas à classe que defendem. Portugal tem tido sucessivas provas do fracasso de certas coligações, nas quais teria havido um ou outro responsável que, mais do que servir a nação, serviu interesses pessoais.
Enquanto, à segunda-feira,
és da preguiça, uma herdeira.
Enquanto, nos outros dias,
tu tens muitas arrelias
- ou mesmo um fim de semana
com muita coisa sacana.
Enquanto tu te revoltas
por males viajando à solta.
Enquanto no teu ofício,
o trabalho virou vício
_porque a família que tens
são os teus mais puros bens.
Enquanto buscas, em vão,
um amor, uma paixão.
Enquanto, do que semeias,
colhes menos do que anseias...
outros há esperando a morte.
Isso sim, é que é “má sorte”!
Enquanto uns, desgastando
o que ainda vai sobrando
dum corpo já quase ausente
deste mundo deprimente...
há ainda os que se lamentam
de coisas que os atormentam.
E enquanto o corpo gastam
e sua alma desgastam...
há os que dariam tudo
pelo passado. Contudo,
estão velhos e a enfrentar
o que lhes resta: esperar!
És habitante com prazo.
Não deixes que aquele atraso
que tu sentes, no que esperas,
te desespere deveras.
Aceita o que tens sabendo
que, mal ou bem, tu estás vivendo!
Ó mar lindo, inspirador de poetas
a quem lavas, docemente, suas mágoas,
solta as ninfas que conservas submersas,
na profundidade dessas tuas águas.
Vives, indiferente, serpenteando
em ondas, que sempre vão… e sempre voltam.
Lembram crianças tontas, rodopiando
de tanta felicidade... quando as soltam.
Escrava dos teus encantos escolho rimas
que tornem este poema - especial -
um hino à tua imagem, em geral.
Estou-te grata, mar, porque me animas
quando te procuro. Me basta olhar-te!
Eu sei que para sempre irei amar-te!
...
Apesar do que se diz,
amarei o meu País
da forma como o entendo.
Não por aquilo que é hoje
mas sim pela sua raiz.
Admito que, crescendo,
fui talvez me apercebendo
de coisas que estavam mal,
sobretudo em Portugal.
Milagres... eu nunca vi
e, portanto, decidi
correr, para conseguir
aquilo que pretendia.
E foi essa mesma a via.
Deixei, também, de ir à igreja,
essa casa de um Jesus
que pregaram numa cruz
pra que todo o mundo veja...
Amarra-me a Portugal
tanto o que vejo estar bem,
como o que vejo estar mal.
Uma corda com nó cego,
que continua a apertar-me,
causa em mim desassossego.
Sinto um mal-estar que incomoda
por tudo o que vejo cá...
Não sei dizer: Tanto dá!!!
Meu Portugal está carente
de gente que reconheça
que precisa de lutar
pelo que quer que aconteça.
Depois, há o inconveniente
de cada vez haver mais
elementos muito maus,
de actuação condenável
que torna o país instável.
2016-02-01
Do meu livro "Meu Pequeno Grande País"
Imagem: Litografia de António Ramalho
No limiar do trajecto que me conduz à partida da minha confusa vida, faço da mente objecto de criteriosa análise, com perguntas e respostas que me ponho, interpostas em "modo de psicanálise"... Gostava de concluir se nesta minha existência falhei por incompetência, ou por meu ego servir. Atribuo "mea culpa" a muitos maus resultados de passos que dei, mal dados. Não merecerei desculpa. Voltar atrás... já não posso! Mais vale, então, perdoar-me, seguir em frente e amar-me, pois com a dor... não me adoço.
Data da criação deste conteúdo: 2022-06-11 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem: Liza Summer
Sorri! Enche os teus olhos de brilho e de ternura. Semeia esperança em cada sepultura. Tu és a vida, a luz, a alegria da lua nova que surge em cada dia. Sê forte, serena, confiante, e que o Amor seja o teu grande amante. Vive pra ele. Faz-nos sentir que em cada ser há uma razão para sorrir.
Data da criação deste conteúdo:2009-12-06 Fotografia de família Publicado em “World Art Friends”19.530 visualizações
Outrora, o meu regaço quente e fundo abraçava, apaixonado, todo o mundo. Partilhava sonhos, era outra atmosfera. Oh! Quem dera que voltasse a Primavera...
Pairava cheiro intenso a urze nas montanhas enquanto os rios geravam força nas azenhas. Brilhava felicidade por todo o lado, e os maus momentos dissolviam-se no fado.
Quisera sentir hoje, como antigamente, a magia do indiviso e, lentamente, envelhecer durante os anos que me restam.
Porém, os rios já não são livres como outrora. Parte do caudal diminuiu, e pesa agora, uma infinidade de males que molestam.
Procurava uma mulher da praia, que vestisse como antigamente, de avental e lenço na cabeça. Só essas poderão responder às mil perguntas que tenho para lhes fazer. Tenho um interesse insaciável de saber tudo o que puder sobre esta terra mágica, que nos prende a ela, inexoravelmente, para toda a vida. Só elas sabem tudo e conhecem todos... Queria falar com Mulheres da minha idade, aproximadamente, para que fossem capazes de perceber o que ansiava saber das muitas coisas que gravei na minha memória. Só elas serão capazes de falar-me dum passado que me pertence também. Mulheres com rugas, de pele morena, queimada e dura como a coragem com que enfrentaram sempre o trabalho, de sol a sol. A maioria vendia peixe, que era transportado em cima do burro que as conduzia da Praia de Vieira de Leiria à Marinha Grande. Essas não podem compreender os jovens de hoje. Falam com orgulho da sua coragem e dessa força com que procuravam vencer todos os dramas e todos os obstáculos. A alma delas parece gritar, quando relatam os tempos em que as suas Mães se arrastavam pela areia chorando e pedindo protecção aos seus santos, enquanto os maridos e/ou familiares iam para o mar pescar o peixe que elas iriam vender.
E encontrei! Falei hoje com Argentina Feteira, uma Mulher típica, marcada pela vida mas cheia de força na sua alma. E falou dos seus antepassados de tal modo entusiasmada e interessada em desvendar laços de família que eu fiquei receosa de não estar a perceber bem o que dizia. Não queria maçá-la com perguntas, mas a sua explicação ultrapassava de tal modo os meus conhecimentos, que receei continuar a conversa e terminá-la chegando à conclusão de que eu era irmã de mim mesma ou até, sei lá, sobrinha da minha Avó ou filha dela. Era um novelo tal de familiares, que a minha mente ficou toda num sarilho. E dizia-me:
- A ‘nha Mãe, que Deus haja, fez de mim uma mulher às direitas. Passámos muitas dificuldades, mas éramos muito honestos. Tá a ver aquela porta pintada de verde? Era ali que o meu home me vinha namorar todos os dias. Que tempos! Olhe, o meu home é aquele que passou agora...
Mas falava-me de uma mistura de Tomés, de Feteiras e de Letras que me deixou muito confusa. Segundo esta, nós ainda somos primas, da parte dos Tomés, mas ela também tem Letras na família, pelo que percebi. Mas será que eu teria percebido mesmo?
O que terão estas pessoas de tão particular que são capazes de prender a minha atenção durante longas conversas? Guardam na alma a mesma magia que nos prende a esta terra. Não sou a única a afirmar que a Praia de Vieira de Leiria fica para sempre no coração de quem por ali passa a sua juventude. Não direi o mesmo relativamente aos que vão apenas passar férias, que não nasceram lá, ou não são familiares de quem ali nasceu. Esses não poderão nunca compreender a intensidade do sentimento que nos leva a esta praia...
Parte de mim continuará ali quando partir. Trata-se duma localidade a que pertencerei para sempre!
… e que ninguém se convença que esta podridão não vença. Habilmente protegida por gente para quem a vida dos outros, nada lhes diz, não chegamos à raiz... Essa, está forte e segura, a avaliar pela procura de muita gente de nome que nunca passará fome - enquanto o dinheiro dura. Haja drogas com fartura e traficantes da mesma! Seu fim, tem passo de lesma. Enquanto muitos vão “dentro”, muitos outros, os do centro desta maralha de gente muito rica e indecente, vivem da morte. Que importa? Entraram por uma porta que parece sempre aberta, apesar de tanto alerta! Drogas leves ou pesadas, fumadas ou snifadas por muita, mesmo muita gente com a mente já doente... estão condenados à morte, se não fizerem um corte no consumo que os destrói. Até dói vê-los sofrer! Oh se dói! Enquanto isso, os traficantes, por seus actos revoltantes, deixam num caos bem profundo, famílias de todo o mundo
Data da criação do conteúdo: 2016-06-10 Imagem: Kindel Media
Assemelham-se a um octopode predador ondulando os seus tentáculos entre possíveis presas, com a intenção de aprisionar na suas ventosas o maior número possível de “distraídos”.
Objectivo da ondulação: Seduzirem, através da Falsa Verdade.
Objectivo da sedução: Alimentarem o seu próprio Ego usando o poder que lhes foi conferido, mesmo que, com isso, acabem por ferir o Ego dos outros.
Quando o lindo mar se agita,
por revolta no seu fundo,
há gente que, muito aflita,
teme que termine o mundo.
Não te encrespes mais, ó mar!
Apesar dos males que alastram,
iremos poder travar
o que tantos egos castram.
Que a ira não se repita!
Entranhada no teu fundo,
há um mal-estar que grita
contra um egoísmo imundo.
Elevamos nossa voz!
Vivamos todos na Terra
considerando que NÓS,
muitos EU e TU encerra.
Mais um ano passou sem ver as tuas águas.
Mais um ano passou sem ver as tuas areias.
Ai quantas vezes lavaste as minhas mágoas
e quantas vezes, meu bem, mudei de ideias.
Mais um verão marcado pelo desgaste
sorrateiro e louco, que tanto me sufoca.
Esperei-te, meu amor, mas tu nunca chegaste.
Sou retrato fiel do que o esperar provoca.
O mar e tu, meu bem, são tudo o que me resta
dum passado remoto que me tem cativa
dum amor imenso, que não irá deixar-me.
Um vil cansaço em mim se manifesta.
São rugas de que o tempo não me priva...
Amar-te-ei, amor, até cessar de amar-me.
Que não se espere paz de gente que ama a guerra Há que criar o modo de pôr fim a vis projectos que impedem os amantes da Vida aqui na Terra, de gerar a Paz, liberta de propósitos abjectos.
Impõe-se actuar. Amanhã será tarde.
Rodopia no ar, desaire e loucura.
Urge que apaguemos a chama que arde,
antes que outras pestes surjam já sem cura.
Misturam-se as forças do bem, e do mal.
Uma estranha nuvem é vista no céu
pelos olhos de luz de um jovem zagal…
mas foge encoberta por um turvo véu.
Milhões de imbecis estão bailando na estrada.
São gente que grita, que canta, que clama.
Filmam-se em poses de glória frustrada,
vivendo em ribalta, sedentos de fama.
Mas há um outro grupo, sereno e culto,
de seres inteligentes, e assaz calados,
que ama escutar o Universo oculto,
onde ecoa o silêncio dos iluminados.
Há vírus de várias estirpes actuando no mundo de várias formas, hipoteticamente deixando marcas para sempre, mas gostaria de concentrar-me neste momento, e em primeiro lugar, no que atacou Portugal em 25 de Abril de 1974, durante o processo de instalação da tão desejada Liberdade e, em segundo lugar, no que invadiu o mundo, no final de 2019. Através de uma simples análise básica, ambos me parece terem uma característica comum, isto é, possível morte por asfixia.
Tendo vivido, bem de perto, momento a momento, a Revolução de 25 de Abril de 1974, e revendo os ideais causais da mesma, chego à conclusão básica de que a evolução que teve proporcionou, aos mais curiosos, uma boa oportunidade de analisarem inúmeras e variadas reacções das pessoas, durante a qual aqueles adquiriram uma série de conhecimentos que lhes foram permitindo fazer um quadro das variadíssimas cores da alma do Povo Português – até então amarrado à proibição de ser livre.
Considerando que, num regime dito democrático, o slogan “Socialismo em Liberdade” ocasionou erradas interpretações e consequentes abusos da parte de pessoas sedentes de libertinagem – o que nada tem a ver com Liberdade! – não posso deixar de continuar posicionando-me defensora do respeito por certos valores morais que foram negligenciados a partir daí, e que o novo regime não soube proteger. É certo que não seria fácil dominar certos ímpetos do povo, parte do qual carecia, e carece ainda, de princípios de educação e de cultura adequados a um país democrático, mas tenho de reconhecer, repetindo-me, de que competia aos detentores do poder dar ao povo aquilo de que carecia, para melhor sentirem a diferença entre o que foi o país antes do dia 25 de Abril de 1974 e o que foi proposto vir a acontecer a partir desta célebre data.
Considerando ainda não só os diferentes níveis culturais da nossa sociedade, na altura, mas também o que resultou dos cinquenta anos de “clausura da alma de cada português”, ainda hoje considero não terem sido totalmente neutralizadas as consequências dos quase cinquenta anos de regime totalitarista, então vividos. Quer nas vítimas directas quer, por reflexo, nos seus descendentes, essas consequências representaram golpes muito graves, que atacavam primeiro a alma e, depois, o corpo que era, em muitos casos, “enclausurado”, se ousassem manifestar-se contra o regime. Tal clausura não era provocada por um vírus qualquer… Tratava-se de uma estirpe, também esta com várias mutações de ampla envergadura, que causavam lesões graves nos opositores ao regime, acabando por asfixiá-los, lentamente.
Se fizermos um estudo – que nem é necessário que seja profundo – do que se passa hoje, verificamos que, decorridos quase outros cinquenta anos, ainda somos perseguidos por vírus “especiais” que matam por asfixia, só que agora trata-se de uma outra espécie, também assassina e com variadas mutações, mas igualmente asfixiante. Este vírus ataca primeiro o corpo, deixando a alma a pairar num espaço perdido… Por que nos enclausuram? Porque a ciência isso aconselha! Contudo, as inúmeras contradições de opinião e de constatação de factos e de insucessos, “engasgam” quem está atento e geram perguntas sem resposta aparente. Depois, todo este quadro tem um background e um jogo de interesses não indiferentes… Assim sendo, continuamos a sofrer a perseguição de verdadeiros assassinos do corpo e da alma… mas trazendo sempre implícito o estabelecimento de regras de comportamento que têm como objectivo “sermos protegidos e protegermos os outros”. Não estarão estas regras mascaradas para servir novos fins, mais perversos ainda – se bem que diferentes daqueles que imperavam antes e durante a revolução de 1974? Decorridos cerca de cinquenta anos, somos surpreendidos por uma nova situação viral, de novo mascarada com “diferentes mutações”.
Quem serão os “malabaristas” que continuam presos ao dito cujo da galinha, desde o primeiro ovo que de lá tiraram, em 2019? É que se trata de um “soma e segue” de partos… numa galinha que continua viva… Até quando? Estarão estes “malabaristas” com propósitos bem definidos, na tentativa de levar uma qualquer outra carta a Garcia”? Da primeira vez, saímos marcados e com deficiências. Como sairemos desta vez?
Deixem que caminhe às cegas sem saber quando parar. Ó alma minha! Se negas a viagem continuar contigo amarrada em mim, sentenciarás meu fim.
As viagens programadas, comigo já não resultam! Acabam sempre falhadas. São muitas das quais me culpam. Preferirei ir andando sem estipular como ou quando.
A alma que hoje venero deixa-me “reinar” assim: faço aquilo que bem quero e ela olha por mim. Espero que não se arrependa, e minha mente compreenda.
Carrega o meu corpo às costas com erros que cometi. Subiu mil e uma encostas, levou-me amarrada em si. Continua a estar comigo. Será prémio, ou castigo?
O meu corpo envelheceu. Já pus a zero os quilómetros. Hoje o tempo é todo meu, não preciso de cronómetros. Amo a dimensão do sonho e o tempo de que disponho.
Ó miga, tenho o peixinho
mais fresco que há no Bolhão.
Xaputa e peixe-porquinho,
truta, pescada e salmão.
Venha aqui! Venha comprar!
Ó freguesa, leva ou não?
Se preferir desdenhar
...viro "modo palavrão"!
Ó muore, venha cá escolher!
A sardinha é cor da prata!
Quando o marido a comer...
irá ver como ele a trata!