Maria Letra
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SEM REGRESSO EXPRESSO

Num enorme espaço aberto, muito para Além do mundo, entrou uma nova alma. Encontrou outras dormindo um sono muito profundo. Ali não há vida, nem ambição. Entrou nele mais uma luz, que a um corpo deu tréguas, deixando-o na Terra onde agora jaz a milhões de léguas desse Além em Paz. Um corpo que morreu lutando para continuar vivo mas que perece cativo duma razão susceptível, talvez, de confusão. Uma guerra inconcebível, para ajuste de contas, ou um acto da Morte que ceifa a vida de quem deixou de ser forte? Viagem que só tem ida. A volta... nunca será prometida. A partida é sempre triste mas, na verdade, necessária. É uma eterna adversária contra a qual lutamos para manter vivo quem “existe”. E o que fica dessa luta? Uma revolta bruta de quem amará sempre, sem reservas, quem partiu, ou de quem já não amaria, mas que a morte, enfim... nunca lhe desejaria.

Data da criação deste conteúdo: 2014-12-26
AINDA O IDOSO CARENCIADO E A SUA PROTECÇÃO

Notarão, certamente, que há três temas sobre os quais sou muito focada: A Criança – A Mulher – O Idoso. São temas muito sensíveis sobre os quais considero seja inadmissível que os governos não estejam permanente e cuidadosamente vigilantes.
Desta vez debruço-me sobre o que se passa nos corredores das urgências dos hospitais, sempre que um idoso, ou idosa, não esteja acompanhado/a de um familiar ou pessoa amiga, sendo deixado/a sozinho/a no corredor do mesmo, à espera da sua vez para ser atendido.
É constrangedor verificar este cenário – que considero desumano, muito embora possa não ser culpa do pessoal que presta assistência ao doente, sobrecarregado – sobretudo nos momentos de grande
afluência de doentes – pelo excesso de trabalho.
É certo também que o governo se debate com graves problemas financeiros, mas a impressão que colho do que nos vão dando a conhecer, é que a solução a encontrar, para colmatar os grandes “buracos” na economia, em Portugal, está errada. Procura-se, tanto quanto me apercebo, recorrer a soluções que protegem quem já está protegido. E quem é sempre a infeliz vítima? Quem já estava mal... ficando pior ainda! Entretanto, em busca de soluções, perguntaria:
• As excessivas despesas do governo, são controladas?
• O nível de “protecção” que sinto ser dada aos que já usufruem de condições básicas ultra
magníficas, será justo?
• Os grandes prevaricadores, que durante anos vigarizaram sorrateiramente, não continuam
a usufruir de condições privilegiadas?
• Etc., etc., etc.!
O que me parece ser um facto real é que há inúmeras falhas na criação de condições básicas capazes de proporcionar à população mais carente a atenção que merece, e os economistas continuam a falhar, quando procuram soluções, repito, que de uma ou de outra forma, protegem quem já está mais do que protegido.

2022-08-01 Imagem: Glo Russo
QUEM NÃO ESTIVER BEM, QUE SE MUDE!

Nasci carente de palavras, na minha frágil mente. Envolta nove meses numa grande escuridão, e encolhida num espaço curto... pacientemente esperava, esperava, sem pressa ou ambição. Movia-me nesse espaço curto, mês após mês com maior dificuldade. Havia disparidade entre o meu crescimento e o daquele espaço onde, sem eu saber porquê, esperava não sei o quê. Comecei a mover-me para sair da situação. Com a força que me foi dada, busquei uma estrada que pudesse conduzir-me à minha libertação. Urgia que eu mudasse. Sentia-me sufocada. Nove meses bastaram para tornar-me ansiosa. Fui crescendo gerando em mim um modo de actuar, e cheguei mesmo a esta convicção, assaz teimosa, de que, se não estivesse bem... deveria mudar. Contudo, ao longo dos anos estive mal inúmeras vezes, e mudei de localização muito amiúde, mas apesar da minha eupatia, pelos reveses, digo ainda, a quem não estiver bem... que se mude!

2022-10-09 Imagem: Miguel e Maria Letra
MALDITA SEJAS TU, Ó MORTE!

Urge que eu respeite a minha realidade ou deverei começar, suavemente, a dar mais atenção à indiscutível verdade da não resistência aos grandes danos que o tempo inflige em cada sana mente? Sei que não sou imune ao avançar dos anos... Deverei procurar serenar a minha agitação, que me tem escrava do que falta acabar, ou deverei moderar a minha tentação deste meu fazer de conta, rumar a norte, esquecendo que a sul, depressa ou devagar, caminha, em minha direcção, a morte? Por aqueles que sempre, fielmente, amei, eu quero continuar a viver, a amar, desprezando a tua chegada, que sempre ignorei! A confiança que, de ninguém, mereces, ofereço-a à Vida, que sabe criar e recriar! Maldita sejas tu, que não desapareces!!!

Data da criação deste conteúdo: 2022-09-23
QUANDO UM INDESEJÁVEL BREU DÁ LUGAR A UM ALVOR CHEIO DE LUZ

E quando tudo parecia sem solução, naquele dia cinzento em que a velhinha, abandonada pela família, seria deixada num lar de idosos, fez-se luz na mente de uma esquecida neta que havia sido institucionalizada quando criança. Sabendo do acontecimento, prestes a ser materializado, a jovem meteu pés ao caminho e foi ao encontro da avó, disposta a fazer-lhe uma proposta. O inesperado acontecimento poderia apagar a mágoa que estava a pesar na avó, havia já alguns meses, pela triste perspectiva de ser entregue, como um fardo, aos cuidados não sabia de quem, nem onde. Iria passar a estar algures, onde nada era seu. No seu humilde cantinho olhava pelas suas plantas, sabia onde estava tudo. No lar para onde iria... quase tudo era de todos. A neta recordava o quanto sofreu no dia inesquecível em que foi abandonada pela família e entregue a uma instituição. Isso agitou-lhe a alma. Não, ela não podia deixar que isso acontecesse à avó, e decidiu meter pés ao caminho para ir ao encontro dela e fazer-lhe a proposta de viverem juntas. Ela poderia transcorrer ainda alguns anos de felicidade, apoiada no seu amor e, talvez, acabarem as duas por descobrir respostas que iriam ajudar ambas a diluir traumas do passado. A proposta foi recebida com imensa surpresa e tanta, tanta alegria. Dito e feito, avó e neta passaram de um passado cor de breu, a um alvor cheio de luz e de esperança. Não saberei por quantos anos se manteve essa felicidade, mas não importa, desde que tivessem sido suficientes para que nesse desconhecido tempo, todos os maus traços de um passado indesejável, mas infelizmente demasiado comum, deixassem de perturbar-lhes a alma.

2022-09-19 Imagem: Mathias Reding
A PALAVRA! SUA EXCELÊNCIA!

As palavras, quando as soltam, ruam por todos os lados, e correm de boca em boca em muitos que, não calados, e de cabeça assaz oca, fazem lestos prognósticos sobre isto, aquilo e aqueloutro, ...nem sempre com fundamento. Sejam simples ou pernósticos, maltrapilhas, ou letrados, soltam palavras ao vento, cheios de convicções... só pra não estarem calados e causarem reacções. Chamemos-lhes tagarelas! Há, porém, muitas palavras que vivem encarceradas em bocas que não se abrem. São vítimas de cautelas de pessoas previdentes. Nas suas mentes não cabem, nem as conversas da treta, nem as de mentes doentes. Outras há, mesmo de cultos, a que não chamo palavras, prefiro chamar insultos. Vivem num estado perene na boca de gente reles. Insulto... provoca insulto. É ver quem se insulta mais! Contudo, quando as palavras são encerradas em livros comprados por multidões... passam a ser imortais. Mais do que gerar palavras, geram muitas emoções. Ficam sujeitas à crítica de quem as lê. Surdas, mudas... estão ali. Oferecem tempo a todo e qualquer leitor, para que o seu pensamento possa julgar e expor sobre o tema que as juntou. Não há dita por não dita. Nenhuma dessas palavras foi jogada para o ar. Dispostas, na forma escrita, a que alguém deu preferência, passam a ser, uma a uma... A Palavra! Sua Excelência!

Data da criação deste conteúdo: 2015-12-11
O RIO QUE DISSOLVE PALAVRAS

Recordo quando os dois, um belo dia, sentados junto a um rio, que não tem fundo, me prometeste amor que nos daria para viajarmos juntos, pelo mundo. Recordo, uma a uma, cada jura proferida com palavras bem expressas. A tua convicção era a mais pura, mas eu não acreditava nas promessas. Os anos foram correndo, lentamente. A vida separou-nos, mesmo amando. Víamo-nos, apenas, de quando em quando. Recordo o velho rio, que não tem fundo... Dissolve palavras ditas em promessas... mesmo que com muito amor sejam expressas.

2022-09-05 Imagem: Margarida Antunes Vieira
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SIM… PORQUE EU AMO A VIDA!

Foram anos e anos de grande trovoada. Não havia sossego no meu lindo país, nem uma forma de alguém sentir-se feliz. Minha mão tremendo, estava cheia de nada, afagando a alma de quem queria mais, mas faltava paz e liberdade de acção, para que as crianças... nessa vil condição, recebessem conforto e bem estar reais. .......... Foram anos e anos de vidas sem sentido. Os sonhos morreram... mas ficou a ilusão de que tudo mudaria. E porque não se a trovoada tinha desaparecido? Mas outras tempestades, ainda mais pesadas, fizeram-se ecoar, dia e noite adentro... O factor idade era, agora, o epicentro da minha memória, onde estão bem gravadas velhas recordações que me mantêm cativa. Oh meu perseguidor e cruel mês de Setembro... Tu voltaste à carga! Sim, porque bem me lembro de cada um dos teus anos, enquanto for viva. Cativa serei, mas não me sentirei vencida. Seguirei lutando. SIM... PORQUE EU AMO A VIDA!

Data da criação deste conteúdo: 2022-09-01
ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA…

No seio de um mau governo, tomadas de posição onde impere a prepotência, geram conflitos sociais, sobretudo quando as classes mais desfavorecidas não usufruem de condições básicas mínimas que lhes garantam uma desafogada estabilidade económica. “Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. Temo muito que a situação actual, no nosso País, esteja a caminhar a passos largos para o caos, uma vez que
1. as pessoas mais desprotegidas não estão a conseguir gerir o pouco rendimento mensal de que
dispõem. Os aumentos, sobretudo no sector alimentar, tornaram-se escandalosos;
2. entre as manifestações mais assustadoras nota-se o aumento gradual dos suicídios, dos crimes
de uma violência cada vez mais doentia, mais assustadora e mais generalizada;
3. há uma acentuada desorientação emocional, reflectindo-se já entre a classe social onde
o desafogo económico sempre existiu. É claro que temos de considerar
a) o problema da formação educacional de cada indivíduo;
b) desmedida tendência para um materialismo exacerbado, com muito egoísmo à mistura,
sem qualquer recato por quem está a sofrer profundamente;
c) frustração notória provocada pela obcessão do belo e da perfeição;
Bate-se muito – e bem! - na tecla do recurso ao tratamento clínico da depressão, por causa do incontável número de pessoas que estão a sofrer preocupantes depressões, mas entramos num campo onde há factores muito sensíveis _sobre os quais não quero pronunciar-me. Deveriam, porém, ser cuidadosamente observados.
Este meu desabafo é, obviamente, o de uma cidadã que se preocupa muito com o que a rodeia, mas que não tem formação superior na área, capaz de atrever-se a dar conselhos. Declaro o que penso aqui porque, como referi no meu primeiro manifesto, a minha página é um espaço onde, livremente, expresso a minha opinião, preocupação e/ou regozijo sobre assuntos de carácter geral que possam, de algum modo, interessar a quem lê o que vou escrevendo e suscitem interesse em trocar opiniões.
Para terminar, desejo bem que venham a descobrir-se factos que poderão dar resposta à minha preocupação sobre a existência de causas alheias ao conhecimento de todos nós.

2022-08-31 Imagem: Lúcia Neto
JORGE (para sempre) AMADO

Gostaria de direccionar este meu texto, não propriamente para as obras de Jorge Amado - informação acessível a qualquer pessoa através das várias fontes de pesquisa de que dispomos - mas sim para o homem que foi, o seu valor humano e aquilo que possa ter feito dele um exemplo para todos nós, independentemente de crenças religiosas ou de ideologias políticas. Interessa-me mais este lado da sua vida, na medida possível de análise do que o seu sofrimento, que inegavelmente deve ter suportado, possa ter feito dele, transformando-o ou mesmo exacerbando nele o ser humano que tanto admiro. Há dois pontos que sempre me intrigaram em Jorge Amado: a sua ideologia política e o seu grande interesse pelo universo mágico da Baía. Isto não significa, porém, que condene uma ou outro, mas aguça a minha curiosidade sobre “Quem era Jorge Amado”. Homem de grande humildade, ele escrevia sobre vidas reais, dando-nos a conhecer caraterísticas de personalidades que criava e que representavam a realidade que o cercava. Aí podemos detectar, de imediato, a sua grande capacidade de análise e a sua enorme sensibilidade. Este facto, aliado às duas vertentes “ideologia política” e “universo mágico da Baía”, levou-me a recorrer a alguém que teve a honra de conhecê-lo de perto e cuja inegável idoneidade e capacidade de análise merecem o meu maior apreço. Trata-se do jornalista português Alfredo Mendes, que me escreveu o seguinte sobre o escritor: “Jorge Amado retratou a realidade do povo daquele Estado, o seu amar, o seu sofrer, o seu alegrar, criando tipos humanos imorredouros. Digamos, então, que se tratou, em versão brasileira, do nosso neorealismo, encarnado por Soeiro Pereira Gomes e Alves Redol. Não admira, assim, a sua militância comunista. Porém, bebedor de tudo quanto à volta de si gravitava, sempre seria um homem livre, logo, de livre pensamento. Cortou com o partido comunista, alinhando, porém, ao lado dos injustiçados. Mas sem rancores ou facciosismos, porquanto sempre foi um humanista. Despreocupado, senhor de um fino sentido de humor, fez-se andarilho, mergulhando no pulsar do povo. Tendo ganhado um prémio de jornalismo, tive a oportunidade de escolher um destino Tap. Não hesitei: São Salvador da Baía - mátria e barro de Amado. Mas... como ir à fala com ele? Calhou ter um amigo que, por seu turno, era amigo de um senhor de Lisboa amigo dele. Daí a sugestão: leve-lhe uma caixinha com pastéis de Belém que ele se derreterá em amabilidades. Assim fiz. Cheguei ao hotel da Baía e telefonei para casa do escritor. Do outro lado do fio, Amado agradeceu a oferta, informando-me que iria mandar à recepção o motorista para pegar na lambarice. E pronto. Dever cumprido, com algum amargo de boca, reconheço. Eis quando, passado um ou dois dias, ligam da recepção para me informarem de que tinha ao telefone o escritor Jorge Amado. De pronto atendi, surpreendido. Afinal, o medo que se nos apodera de que o mito, o ídolo, a pessoa que tanto admiramos não corresponda, no contacto pessoal, à imagem que dela fizemos, não tinha razão se existir. Amado, em voz arrastada, meiga, quase suplicante, pedia-me desculpa por não me ter logo recebido e que seria uma honra que o visitasse em sua casa, na Rua da Alagoinha. Com minha mulher lá fomos de camioneta até àquela morada, com justificada ansiedade e redobrada alegria. E, veja só, num instante, sem saber quem nós éramos, se ricos, pobres, se remediados, qual a nossa profissão, Jorge Amado inverte a situação e passa ele a engrandecer-nos, a louvar-nos. Com uma t-shirt coçada, de velhos calções e uns chinelos rascos, afofa-se no sofá, pergunta pela festa de Amarante, pelos bolinhos de ovos da Lai Lai, pelos doces de Viana do Castelo de seu amigo Natário, pergunta pelas vindimas no Alto Douro. Depois, tendo a indescritível simpatia da mulher ao lado, a Zélia Gattai, a quem, amorosamente, chama essa bruxa aí, oferece-nos livros seus, autografa-os e fica até perplexo por conhecermos as suas obras. E torna a agradecer a visita, a nossa cortesia. Tivemos a sensação, nítida sensação, de já nos conhecermos há muitos anos, de estarmos em casa de uns tios do Brasil. Zélia afaga a cara de minha mulher "então, querida, está gostando daqui? Ainda não está moreninha, não". Beija-a, mostra-lhe peças de artesanato português, enquanto Amado continua a falar de Portugal, da Baía e dos seus santos, pais-santos. Depois, pede-me um favor: que levasse um cheque para entregar a um amigo de Lisboa, por conta de uma dívida. E, pachorrento e bonacheirão, com toda a naturalidade passou a explicar: Quando o seu motorista fez anos de casado, ofereceu ao casal aniversariante uma viagem de núpcias pela Europa. Eles deslumbraram-se pelas capitais do Velho Continente e, quando chegaram a Lisboa, já nem dinheiro tinham para dormir ou almoçar, quanto mais para embarcar no avião. Telefonaram, aflitos. Ao que Jorge Amado, divertido, ligou a um amigo de Lisboa que os foi buscar, instalou-os num hotel com tudo pago, comprando-lhes, dias depois, passagem aérea para o Brasil. Lá para o fim da tarde, o casal mostra-nos o jardim, descreve-nos as árvores, deixa-se fotografar, fotografa-nos. E, emocionados, cheios de calor humano, descem a escadaria (um suplício para Amado, agarrado a uma discreta bengalinha), despedindo-se de nós com um até sempre dizendo-nos que, a partir dali, passávamos a ter casa, a casa deles na Baía. Enfim, um dia encantador, vivido em família, em que as estrelas foram as visitas - que esse foi o desejo de um homem amado.”

2012-05-22 Imagem: Bertrand Livreiros
SE ADIVINHAR-TE PUDESSE

Procuro-me onde estava e como era no tempo em que te amava loucamente e duma forma transparente, tão sincera, que eras presença mesmo estando ausente. Se no espaço etéreo que te envolve, adivinhar-te pudesse... eu te diria que a lucidez que tenho não me devolve aquilo que fui perdendo, dia após dia. Pergunto-me, por vezes, onde estará aquela outra que não sinto mais em mim. Será que o nosso amor chegou ao fim? Que se perca o tempo que não voltará, mas que não se apague a recordação daquilo que perdura no meu coração.

Data da criação deste conteúdo: 2020-07-12
O MAL NO MUNDO

Como gostaria de olhar este mundo, com um filtro nos olhos, para protegê-los. - O que hoje irradia, tolda-me a visão! Mergulho num espaço que é meu, assaz fundo... Construo mil sonhos e enormes castelos, que se vão ajustando no meu coração. Entre o sono e o alerta brotam forças do mal. Perturbam-me o sono, mas sigo sonhando. Apagam-se luzes na imaginação. Ouço o Universo. Sua voz astral está cheia de fúria, de tanto pesar por ver mil sacanas entre a multidão. Acolho-te em mim, ó meu amor, meu Mundo! Dou-te a cor que quero. Deixa-me sonhar e que o Universo olhe bem por mim. Que gira a justiça de modo fecundo e me faça, finalmente, acreditar que tudo o que está mal terá um fim.

2022-08-29 Imagem: Ali Atyabi
IMPÕE-SE RECATADA RESERVA

Vou publicar um desabafo que tenho evitado fazer, mas que não consigo silenciar por mais tempo. Esta minha página é o meu ponto de encontro comigo mesma onde, através do que escrevo, vou procurando filtrar o que me incomoda e/ou vou captando meles que me adocem a alma. No mínimo, hoje tentarei serenar. Há dias li uma notícia que tinha sido publicada na Hiper fm, do dia 27 de Julho, p.p., através da qual é dado conhecimento público - usando um estilo assaz medíocre - de mais umas férias a serem gozadas por Cristina Ferreira. Claro está que só satisfaz a curiosidade pública quem está, de alguma forma, interessado em fazê-lo. Está no seu pleno direito. É que, paralelamente às milhares de pessoas interessadas neste tipo de informação, há um bom grupo de figuras públicas dispostas a alimentarem as almas dessas mesmas pessoas, nesse sentido. Até aí, entendo. Só é pena que essa notícia tenha sido escrita num tom jocoso, de baixo nível, bem à semelhança, certamente, de quem se mistura num certo tipo de comentários. Deixou-me profundamente triste, não só a forma como foi redigida a notícia, mas também a ousadia que é preciso possuir para publicá-la num país onde abunda carência de meios económicos na maioria das pessoas, facto do qual todos nós temos consciência absoluta. Há famílias a enfrentar dificuldades de bradar aos céus e senti bem, no âmago da minha alma, a crueldade que é preciso ter para colocar tal notícia, redigida daquela forma, a qual poderá ser lida por pessoas que neste momento não têm dinheiro para comer e muito menos para gozar férias em hotéis, nos quais – escreveram - a diária é superior a 5.000 euros. Que necessidade tinha, quem redigiu esta informação, de expor desta forma, as suas férias? Podia ter reduzido a informação a uma forma humana, de cidadã recatada, atendendo à conjuntura da situação que se vive em Portugal. Aparentemente, a pessoa em questão é desprovida de sensibilidade e não poderá, portanto, avaliar até onde poderá pavonear o seu exibicionismo arrogante. Perante uma inconveniência, não seria melhor destacar-se através de uma recatada reserva?

2022-08-15 Imagem: Sharath G.
DUAS FACES DA NATUREZA

Procura na Natureza, fonte de rara beleza, aquilo de que careces e que, provavelmente, mereces, ...mas não estás a conseguir. Ela existe para servir, ajuda-te a bem viver, em harmonia, com saber. Se a tratares com respeito, ela até se porá a jeito de improvisar-te um colinho, bem moldado ao teu corpinho. Recorre a ela sempre que carente, ou mesmo bastante doente, a precisares de uma cura. Quando estiver em modo pura, faz buscas nela, com calma, e verás a paz que trará à tua alma. Não esqueças, porém: Há um lado mau que ela tem, quando está com os azeites. Nesses dias, não te deites no seu tronco curvilíneo pois perde todo o fascínio. Dá às de Vila Diogo, foge, pisga-te logo! Tem um lado insubmisso que nunca cede em serviço.

2022-08-17 Imagem: Daniel Torobekov
A TI, GERADOR DE ÓDIO

Discursos, de acrimónia impregnados, retratam teu carácter hediondo. Vê-se um brutal ódio escancarado em tudo o que, habilmente, vais expondo. Sem tergiversar, vais revelando de que lado te encontras, no cenário. O povo, ignorante, vais fraudando com opróbias atitudes de vigário. Vai longo o teu exórdio! Que pereça na alma de pessoas desumanas, isentas de valores, pragas humanas. Desmascarar-te, urge que aconteça! De gente como tu, está cheia a Terra. Geras o ódio que conduz à guerra.

Data da criação deste conteúdo: 2018-11-01
O RECURSO À FALSA IMAGEM

Fazendo uso da minha liberdade de expressão, em 14 de Outubro publiquei um texto no Facebook, o qual foi partilhado da página de uma conhecida figura pública, e no qual se pedia às pessoas para darem água aos bombeiros que andavam, exaustos, a apagar os incêndios. Esse texto foi-me cancelado por não obedecer às regras do Facebook. Todavia, a publicação original nunca foi sancionada. Pedi explicações e prometeram que iriam rever a situação e que me informariam. Decorridos quatro anos, nunca tive o privilégio de uma justificação para o corte desse meu texto, puramente humanitário. Por esse motivo - e só por esse motivo, pois cada um vê o que quer e lhe apetece - quero referir aqui o facto do Facebook permitir a um dos utilizadores das "so called" Histórias, a montagem de falsas imagens absolutamente de mau gosto, que tocam a indecência, e cujo objectivo é a publicação de cenas que seriam censuráveis se colocadas antes da meia-noite mas que, como são falsas montagens, o facebook não terá justificação para sancionar o/a autor/a. No fundo, permite-se a publicação de imagens absolutamente de mau gosto, que tocam a indecência, repito, como forma de atrair a curiosidade de utilizadores que apreciam o indecoro. Em que direcção caminhamos? Já não há limites?

2022-08-09 Imagem: Montagem
ESPERA NO LIMBO

Revejo, palmo a palmo, as estradas onde caminhei arrastando comigo a teimosa ilusão de haver-te. Foi um penoso crescimento, que não controlei, uma vontade constante de não perder-te. Viveste escondido em todos os meus cenários. Era um modo de ter-te, uma forma de provar-te que estavas em mim nos meus sonhos diários. Enquanto vida fui... continuei a amar-te. Hoje sinto que parti. Choro esse tempo, Amor. Será que percebeste a imensidão da dor que carreguei no peito durante tantos anos? Sou vulcão sem vida que jaz acorrentado num espaço gelado, triste, ignorado. Na minha mente secaram já mil desenganos.

2020-11-14 Imagem: Kathryn Archibald
DERRADEIRO VOO

Solta-se a fera nas asas dum inocente que desconhece o espaço pra onde voa, mas seguindo à deriva, quem o leva sente carregar uma dura carga que atraiçoa! Há que mudar de rumo. A praia, já remota, recorda-lhe aquele mau tempo de criança. Vagueia no espaço e pensa na derrota, se prosseguir voando sem fé ou confiança. Afrouxa o voo, e medita no seu fim como algo imutável, sem outra saída. Agradece ao tempo e à própria Vida! Prosseguindo, aceita tudo o que foi ruim, sorrindo ao futuro e aceitando a morte porque nesta, não conta o factor sorte.

Data da criação deste conteúdo: 2022-08-08
AGUENTAREI!

Foram milhares os quilómetros que fiz
caminhando com calçado que magoa.
Ganhei bolhas nos pés, apenas porque quis
provar-me que a minha alma... perdoa.
Falhei em muitas direcções que programei
mas que, por tantos imprevistos, não segui.
Foram erros meus que, de culpas, só eu sei,
e caminhadas das quais me arrependi.
Quis sentir-me capaz de evoluir
no conceito de perdão que reinventei.
Hoje estou descalça e a resistir.
Sem bolhas e sem dores, aguentarei.

Data da criação deste conteúdo:
2021-09-16
Autor da imagem: Rennan Oliveira
A SOMBRA DO OBSCURANTISMO

(Texto escrito e publicado em 2011. Onze anos volvidos, politicamente tudo continua como dantes)
Fico sempre muito bem impressionada quando bons críticos utilizam uma forma clara e precisa nas suas análises, tanto no que se refere ao comportamento nefasto de figuras políticas em relação aos interesses dos cidadãos, como aos interesses saudáveis defendidos por elas, cuja concretização não é possível devido ao obscurantismo que continua comodamente instalado no nosso país. Este texto foi elaborado precisamente com base numa crítica específica que li num blog, cujo texto não insiro aqui por considerar desnecessário pedir autorização para tal.
Programas adequados para o desenvolvimento cultural da população deveriam ser a base de medidas urgentes a serem implementadas por qualquer governo, em qualquer nação onde exista um elevado número de pessoas sem bases culturais sólidas. Quando me refiro a desenvolvimento cultural, falo de medidas revolucionárias a serem tomadas desde a base, visando a formação, em várias vertentes, de uma nova geração.
O sucesso dos 'vendedores de pomada Santa Gibóia' ainda ocorre devido ao elevado número de ignorantes, que, por falta de hábito e formação básica deficiente, não têm motivação para ler e são incapazes de compreender a maior parte das informações transmitidas. Esses manipuladores de promessas exploram a população de uma forma que perturba qualquer cidadão mais lúcido e informado – o que é, lamentavelmente, desagradável.
A agravar esta situação, a carência de cultura leva a tomadas de posição 'cegas' por parte daqueles que chamo de 'professores', que se julgam detentores de todo o conhecimento e não permitem que os outros aprendam. Essas atitudes, frequentemente transformadas em graves conflitos, dificultam a solução de problemas que poderiam ser resolvidos de forma democrática, mas que a referida carência não permite assimilar como sendo, em democracia, a forma correcta de ouvir e ser ouvido.
Assim, é urgente que os nossos políticos mudem de tática e comecem a usar uma transparência genuína (e não a manipulativa, que é perigosa), além de transformarem as suas promessas em discursos de verdade convincente. Seria bom, portanto, tentar de várias formas elevar o nível cultural da população menos informada, afim de ser atingido um maior grau de responsabilidade na escolha dos candidatos, não só para governar o país, mas também para assumirem lugares de chefia em outros sectores de interesse para o progresso da nação. É urgente formar pessoas de alma sã em corpo são, o que só poderá conseguir-se quando cada um tiver uma vida confortavelmente digna e de grande valor humano.

Data da criação deste conteúdo.
2011-02-16
Imagem: Harrison Haines
GENTALHA… PRÀ BATALHA!

Deixem-me gritar, clamar bem alto por milhões de seres vivendo em dor, cujo longo sofrimento exalto, fiel, que sou, à força do AMOR. São já milhões os pobres inocentes em sofrimento atroz por tanta guerra. Temem o recurso a armas tão potentes, que podem destruir a própria Terra. Disputas de interesses, de ganância, invadiram sistemas, em nações, para os quais nada serve a importância dos direitos humanos, sem excepções. São valores que procuram camuflar com estudadas leis, feitas a seu jeito, contudo, esse tratado a respeitar não é uma coisa vã, é um direito! Que cessem os insultos e as agressões provocadas por gente que se diz detentora de credos e razões, mas que não passam dum molho de imbecis! E se querem lutar, que sejam eles os primeiros da fila, essa gentalha. Façam esta opção, que é menos reles: voltem de novo às lutas, por batalha!

2009-07-12
A CRIANÇA

A Criança é um diamante. Ela não se usa, não se abusa, não se explora. A Criança... é um ser superior, puro. Ela é a esperança no futuro, é o amanhã e é o agora. A Criança... ...ai dos que se servirem dela! Maldito seja aquele, ou aquela, que a desrespeita. A Criança... merece ser adorada e superiormente guiada. O lírio a simboliza. Ela é perfeita!

2019-11-30 Imagem: Bess Hamiti
JOVENS, QUE FUTURO?

Questiona-se o futuro que daremos a cada jovem, no auge da ambição. Nós, adultos, perante o que hoje vemos, sentimos o nosso esforço ser em vão. Não se vislumbram sinais fortes e reais, de gente vocacionada prà mudança, quando os governos não vêem que há chacais, que conduzem o país à insegurança. É todo o jovem, esperançado e crente, que dos adultos espera a solução ...mas não conseguem remar contra a corrente! Deixemos que sorriam os que acreditam numa réstia de luz na escuridão. Os velhos...já não se envolvem, só meditam!

Data da criação deste conteúdo: 2022-07-28
A CONTABILIDADE E A VIDA

Aqui jaz alguém que já nada faz
ou, provavelmente, fez alguma vez.
Dentro dessa caixa que o encerra,
o tempo reduzi-lo-á à origem,
ao estado de matéria virgem.
Para ele, o "Deve" e "Haver"
já não terão mais razão de ser.
Para muitos, a Contabilidade,
necessária, é uma afirmação
da sua situação nesta vida,
do seu valor como ser humano,
pois é directamente proporcional
ao valor intrínseco do seu capital.
É um conceito assaz desumano,
se assim interpretado. Contudo,
esse valor não é tudo. É nada!
É a tua essência mascarada,
um cálculo completamente errado,
e passas à categoria de condenado
se for provado que tu... nada tens,
além de alguns míseros bens.
A vida tem uma dimensão maior,
no que concerne ao seu real valor.
Sobrepõe-se à maldade profunda
duma sociedade moribunda.
Eu tento ignorar a falsidade
em que abunda: a perversidade,
a traição e a velha corrupção.
A vida gera o bater do coração,
quando vibra e quando se agita,
ou sente a falta de um amor ausente,
que nunca mais estará presente.
Não é preciso saber contabilidade
para compreender onde está a verdade
de cada ser de alma e coração,
que olha o outro como seu irmão.

Data da criação deste conteúdo:
1986-05-03
Autor da iImagem: KoolShooters
CRIA GOSTO PELA LEITURA

- Lê, lê muito! - Analisa com muita atenção o conteúdo de cada livro que escolheste. - Sobre cada matéria de teu interesse busca, com entusiasmo, outras opiniões, outros dados de autores de prestígio. - Não deixes o que foste lendo permanecer arquivado no teu cérebro, sem que te dês a oportunidade de construires a tua própria opinião. - Cultura livresca não chega, não te torna culto/a. Só te fornece informação, mas esta, necessita de ser submetida ao teu julgamento, depois de teres colhido o máximo possível do conhecimento de mestres na matéria. - O que, finalmente, concluíres ajustar-se a ti, ou parecer-te mais em conformidade com o aceitável, essa será a tua cultura, não a cultura de outros. - Mantém-te sempre aberto/a ao aparecimento de conhecimentos renovados. O CONHECIMENTO, seja do que for, NÃO É ESTÁTICO. Manter-se-á SEMPRE DINÂMICO.

2022-07-20 Imagem: Eman Gelatinan
MEU PEQUENO GRANDE PAÍS

(Dois excertos do meu livro) ..................................... Pra terminar esta parte da História de Portugal e do seu nome também (apenas porque convém), acrescentarei, portanto, que o nosso país de encanto, em redor de Portus Cale, era o Porto... tal e qual (ou mais ou menos, digamos, pra que não atraia enganos)! Então como foi possível este feito inverosímel de termos crescido tanto? Foram séculos de luta com muitos filhos da mãe que sempre nos invadiram de causas para disputa desse país de ninguém. No ano mil cento e três, um tal Henrique Borgonha - morto nove anos mais tarde - com uma coragem medonha faz algo que maravilha: Resolve ajudar Castilha de forma não calculista (ou calculista, talvez...) na luta pela reconquista. Grato por este seu gesto, Afonso VI o que fez? Nomeou o tal Henrique, por vontade ou manifesto, El Conde de Portugal. Foi um acto excepcional, porém, morre Afonso VI e altera-se o contexto em que tudo decorria.

2016-02-01 Autor da Capa do livro: Jorge Marques
DEGRADANTE ESCALADA DE COMPORTAMENTOS CONDENÁVEIS
URGE REVER AS LEIS QUE ESTABELECEM A PUNIÇÃO A SER APLICADA EM CADA CASO

a) O execrável aumento da violência;
b) O que os "mass media" transmitem/publicam, fugindo ao respeito pelo pudor e sensibilidade
dos outros, para atraírem a atenção de um público bem específico e, assim, aumentarem as
suas audiências/os seus leitores;
c) A inoperância das leis que regem as punições pelo abuso sexual de crianças e de adultos;
d) A incontrolável falta de respeito dos alunos nas escolas, para com os professores;
e) O assustador aumento de jovens que recorrem ao uso das chamadas drogas leves, quantas
vezes evoluindo, mais tarde, para as drogas pesadas.
De a)+b)+c)+d) e e) resulta a tendência para criar, na geração mais velha, a defesa da hedionda falsa moralidade dos "extremistas", como justificação para atingirem objectivos bem concretos, ocultos por um "manto diáfano de bons propósitos".

2022-07-22 Imagem: Tomas Anunziata
UM AMOR VINDO DO NORTE

... E sendo eterno o nosso grande Amor,
que eterna seja, também, a felicidade
de vivê-lo até ao fim das nossas vidas.
Nenhum de nós é hoje devedor
seja do que for. Em liberdade,
contámos muitas metas atingidas.
Não quereria sobreviver à tua morte,
mas quereria que sobrevivesses tu, à minha
e que a vida sãs vontades não me negue.
Estou presa a um Amor vindo do norte,
o qual matou as dores que, outrora, eu tinha
e se tornou a luz que sigo e que me segue.

Data da criação deste conteúdo:
1956-02-21
TEUS CASTELOS

Esculpi imagens, sonhando
sentir amor, ser paixão.
Contudo o tempo, passando,
deixou rastos de traição.
Saturei-me de esperar-me.
Não consegui dar-me a ti.
Sabia que um dia, ao dar-me,
não me daria, e parti.
Rasguei laços, cortei elos.
Queria um futuro sozinha,
sem sonhos, nem ilusões.
Deixei ruir mil castelos,
onde me querias rainha.
Matei tuas ambições.

Data da criação deste conteúdo:
2014-01-30
MEUS CAMINHOS DE CRISTAL

Meus Caminhos de Cristal percorro com ambições, lado-a-lado com camelos, águias, mochos, camaleões. Por vezes lhes faço frente, outras há que os ignoro. Depende do que consente a minha vida, que adoro. Aos camelos tiro espaço; às águias apalpo o pulso; aos mochos abro um abraço e os camaleões... expulso! Neste caminhar que mudo - porque a vida mo consente - tenho encontrado de tudo, e tanto que me atormente. Vejo males noutros caminhos muito piores do que os meus; bichos perversos, daninhos, ‘ávis raras’, camafeus. Magoa fundo esta dor de ver o velho e a criança, sem defesa, sem amor, morrer de desesperança. E não se enganem aqueles que pensam remediar erros velhos... quando neles há vícios a degradar. Não se cancela num dia condutas velhas, caducas, e o remendo só adia a regra que nos educa. É preciso fazer mais. Defenderei, com fervor, actuações globais em prol dum mundo melhor.

Data da transcrição deste excerto do livro:
2011-05-03
Capa do Livro: Miguel Letra
HÁ COISAS QUE JULGO ÚTIL RECORDAR

A minha teimosa esperança de ver o meu velho país ser bafejado por uma onda de renovações de vária ordem, leva-me hoje a recordar um texto que escrevi, há exactamente sete anos, vinte e nove depois de uma previsão feita por Natália Correia, a qual achei fantástica mas que não irei transcrever porque tornaria demasiado longa a reflexão que gostaria de fazer hoje. Esta senhora, de quem sei pouco, inspirou esta minha reflexão porque fiquei com a impressão de que teria consciência de uma verdade que anunciou, independentemente das posições que tenha assumido, durante a sua vida, a maioria das quais desconheço. Não importa se tu és de esquerda ou se és de direita, basta que tenhas consciência das opções que assumires ao tomar uma decisão importante, decisão essa que pode vir a prejudicar fortemente o teu país, se não souberes escolher o Homem que gostarias de ver governá-lo. Tal escolha não deve – de forma alguma – servir o teu partido, mas sim a tua Nação. Por classe social entendo várias, entre elas: - a que teve acesso à cultura e que a adaptou a bons princípios a defender; - a que teve acesso a uma cultura apenas livresca e que a adaptou a si, para tentar satisfazer as suas excessivas e egoístas ambições; - a que não teve acesso – por um ou por outro motivo – à base cultural que poderia ter-lhe dado a possibilidade de julgar por si e não pelo que os outros lhes dizem. - etc.... Não acredito em classes sociais ditas ricas e pobres. Não é o ter ou não ter dinheiro que nos coloca num dos dois patamares. São os valores que defendemos e, aí, os patamares são vários. Temos tido governos escolhidos por maiorias que votam no seu partido, e não no HOMEM que convém ao país, por provas dadas das suas grandes qualidades. Essa maioria, confia num programa que lhes apresentam e que vai de encontro à provável satisfação das suas ambições, sem respeito pelas ambições de outros. Mas, nessa maioria, encontram-se também eleitores que, ao votar, não têm consciência da responsabilidade do seu acto porque, provavelmente, foram manipulados por defensores de partidos que funcionam como “clubes” aos quais são fiéis. Esta é uma realidade, não é uma suposição. Os sacrificados, as grandes vítimas, são aqueles que estão a pagar pela predominância duma classe privilegiada e egoísta. Não estou a referir-me a uma classe social como é, normalmente, referida: rica, ou pobre. Estou a referir-me a uma classe de gente para quem os valores são, predominantemente, materiais. Quanta gente muito pobre os defende! Eu não seria contra a situação da classe privilegiada desde que, os outros, tivessem direito a uma base segura, que lhes garantisse emprego, um tecto, um bom serviço de saúde e de educação – gratuitos! - e o direito inquestionável a condições que lhes permitissem uma velhice tranquila, num ambiente de Amor. O que saísse deste grupo de bens de direito, faria parte de conquistas conseguidas, por mérito próprio, por comprovada lealdade, honestidade, e não prejudicando fosse quem fosse. Revolta-me saber da existência de tantos privilegiados, em detrimento do chocante número de pessoas que vive na miséria, sem receio de exagerar, muitas das quais estão a pagar uma pesadíssima factura por erros cometidos, por devoção a partidos e não a valores.

2022-07-18 Imagem: Margarida Antunes Vieira
LUTA CONTRA O TEMPO

Encarcerada num espaço, - lembrando o que fui... ou era - sinto o meu corpo entalado entre o Outono e a Primavera. Suspensa nas frias águas onde, imersa, estou lutando, corre um fraco tempo, escasso, que nem sinto, nem comando. Espero um ciclo coeterno, com Verão e com Inverno.

2018-12-03
Imagem: Engin Akyurt
EM BUSCA DA VERDADE

Viajando entre o desconhecido, o que lhe dizem ser verdade, e as verdades que, amanhã, podem deixar de o ser, está o Ser Humano em conflito, carregando o peso de muitas dúvidas, um ser que veio ao mundo por um motivo, ou quem sabe se sem ele, mas que, de alguma forma, o tornou curioso acerca de uma série de fenómenos que gostaria de entender.

Data da criação deste conteúdo:
2012-02-20
MENINA-MULHER- MÃE

De Neonata, a Menina, um ser com tanto de seu! Nascer assim, não foi sina... foi a Vida que a escolheu. De Menina, a Criança, doce, meiga, caprichosa, ora cativa, ora cansa. Adora tudo que é rosa. De Criança, a Adolescente passa por algumas fases. Por vezes irreverente... Muitos castelos sem bases. De Adolescente, a Mulher quanta coisa que transtorna. Não é um mudar qualquer, é um ser que se transforma. De Mulher, a Mãe, troca, com a sua graça, a liberdade que tem, por um ser lindo, que abraça.

2015-03-07
Imagem: Vlada Karpovich
O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE PORTUGUÊS

Entre as diversas questões que me ponho frequentemente, há uma que gostaria de partilhar com quem lê o que escrevo:
Constatamos que está em crescente aumento a existência de pessoas com problemas de saúde mental, especialmente após o aparecimento do vírus SARS-CoV-2... vá lá saber-se como e porquê, em boa verdade. Tudo o que tem acontecido, afigura-se-me de uma forma bastante misteriosa, forma essa que dá lugar a muitas perguntas. Mas não é esse o objectivo deste meu texto.
Desejando ser consultado por um especialista da área respectiva, o paciente dirige-se a um Centro de Saúde – que me dizem poderá nem ser o seu - e começa, então, uma série de anomalias no seu acompanhamento, as quais me levam a fazer uma reflexão:
Suponhamos que esse paciente, por qualquer razão _aceitável ou não,
• perde o seu médico de família e tenta conseguir uma consulta de recurso, para o dia seguinte. Para isso, terá de compreender que deverá chegar ao Centro de Saúde respectivo, onde quer que seja, duas horas antes da sua abertura, porque quem mais cedo chegar, maior será a possibilidade de ser visto por um médico. Quem não tiver em conta esta realidade, terá uma menor chance de conseguir o objectivo pretendido.
Suponhamos que o médico que o atender irá encaminhá-lo para um hospital e, caso concorde, passa-lhe uma carta para que seja visto pelo respetivo especialista.
• A partir daí, se não tiver a sorte de ser bem sucedido no tratamento que lhe tiver sido prescrito, verifica-se, com frequência, que esse paciente começa a estar sujeito a saltar de médico em médico, mais parecendo uma bola de ping-pong, ou melhor expressando, uma cobaia submetida a testes um após outro, na sua desesperada busca de “sentir-se bem”.
• A escolha do médico, pelo paciente que depende do SNS, nem sempre lhe é permitida, mas a base do sucesso de qualquer tratamento, seja a doença que for, passa pela confiança que o paciente tem no seu médico. Hoje, porém, foco-me, especificamente, na doença mental.
• Mais ainda, se o médico, eventualmente, tem interesse pessoal em receitar medicamentos de determinados laboratórios, o paciente é que sofre se continua a não estar bem, e poderá sentir-se profundamente frustrado _frustração essa que nunca sabemos como poderá acabar. Não poderemos facilmente adivinhar qual irá ser a reação de cada paciente. Defendo, portanto, que tanto quanto possível, qualquer paciente que se encontra em sofrimento, seja seguido considerando os seguintes factores importantíssimos:
1. CONFIANÇA NO SEU MÉDICO.
2. CUIDADA ATENÇÃO NA PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS, de forma a que se respeite o que necessita o paciente e nunca o que convém ao especialista receitar.
3. QUE SEJA MANTIDO, TANTO QUANDO POSSÍVEL, O MESMO MÉDICO QUE ACOMPANHA O PACIENTE DESDE O INÍCIO.

2022-07-08
Imagem: Luís Dalvan
SER MULHER!

Ser Mulher
não será nunca
um “ser” qualquer…
Nesta sua condição
deveras muito importante,
ela não nasceu em vão,
foi-lhe dado um “ser” constante.
Gerar amor, emoções,
dar vidas aqui no mundo
e perpetuar lições
de teor muito profundo.
Ser Mulher
não será nunca
um “ser” qualquer...
Excluindo aberrações
e caracteres mal formados,
que encontrará aos montões
em gente de muitos lados...
ela preza o que lhe serve
em modos bem ponderados
para de exemplo servir
aos grupos de mal formados..
Ser Mulher
não será nunca
um “ser” qualquer..
Filtra mágoas amarradas
em erros por redimir
para ter forças lavadas
num presente a corrigir.
Gerando e gerindo vidas
adoça-se de ternura
e vai sanando feridas
na alma de gente pura.
Ser Mulher
não será nunca
um “ser” qualquer..
Solteira ou mesmo casada,
vive com grande prazer
e assaz bem preparada,
prà missão de conceber.
Exige ser respeitada
da forma como convém.
Ela ama e é amada
pelos seres de quem é Mãe!

Data da criação deste conteúdo:
2015-03-05

Data da criação deste conteúdo:
2015-03-05
O QUE É A VIDA, MÃE?

Vida, meu filho, é força, é coragem, é amor. Vida... é uma luta constante entre a felicidade e a dor. Vida... é saberes olhar com ternura e compreensão, todo aquele que não é como tu, mas é teu irmão. Vida... é saberes aceitar, com resignação, cada dia que vem, mesmo aquele pior. Vida... é aprenderes a lição da diferença que existe entre o mal e o bem. Sabê-la de cor, rejeitares os erros daqueles que, coitados, não sabem melhor. Vida... é o fogo que aquece, a neve que gela, o quadro, a aguarela. É um mar que assusta, mas comove. Vida... é a história que ouviste sobre coisas passadas, que não viste. Vida... é sentires o que o olhar puro duma criança, pode conseguir. Vida... é saberes como e porquê, podemos salvar tantos dos que sofrem e a maioria não vê. Vida... é a Natureza que teima ajudar-te em cada momento que passa. Vida... é o oposto à Morte, à Guerra, à Caça, à Repressão, e à indiferença do mundo que contrai, que aperta tanto o coração. Vida... é a recusa a todas as forças nefastas, más, que não deixam sentires o que quer dizer Amor, o que quer dizer Paz!

Data da criação deste conteúdo:
1985-03-20
ACEITAÇÃO E RESILIÊNCIA

ACEITAÇÃO e RESILIÊNCIA são duas importantes chaves que nos ajudam a reagir, de forma tranquila, às más surpresas da Vida. Ao praticá-las, poderemos acabar por concluir, no tempo, que elas surgiram na nossa vida, de alguma forma a nosso favor, e não o contrário.

Data da criação deste conteúdo:
2021-11-02
A GUERRA NUNCA DEVERIA SER A OPÇÃO

Quando um governo opta pela guerra para fazer valer o que defende, deixa de ser um governo
para se tornar uma maldição. Quem toma tal decisão gera insatisfação, pois faz
com que vidas sejam ceifadas, sobretudo as de crianças que nada fazem para
se tornarem vítimas diretas de conflitos de interesses.
Vivemos num mundo onde passamos com vida efémera, mas muita gente vive alheia a essa realidade,
obcecada pela conquista de um vasto conjunto de bens materiais que lhes turva
os valores morais, perdendo a consciência de que não estão sós nesta
inconfundível e deliciosa esfera a que chamamos Terra.

Data da criação deste conteúdo:
2022-02-17
A SOCIEDADE E O ESTADO

• O estado social dum país é o espelho da competência de quem o governa.
• O número exagerado de bancos pode ser sintoma de tendência à prática de usura. Quanto maior for o número de bancos, maior poderá ser a pobreza.
• A miséria, e a degradação social, denunciam a existência de jogos de interesses não a favor do povo, mas a favor duma classe dominante para a qual o significado da palavra Amor não coincide com aquela que conduz ao bem-estar de toda a humanidade, em geral.

2018-01-01
Imagem: Anil Sharma
ONDE COMEÇA A ESPERA

Tipologia: Embrião
quer seja esperado ou não.
Sua condição: Gerado.
Tem vida, não tem passado.
Posto na fila de “Espera”,
espera… mas não desespera!
Espera alimento e conforto,
senão, pode nascer morto.
Na sua espera, assaz calma,
não tem conflitos de alma.
Nove meses, como ser,
dão-lhe a honra de nascer.
Um certo aperto no espaço
fá-lo sair do embaraço.
Natus sum! Aqui começa
uma reacção expressa
de várias formas. A espera,
— que antes de ser, já o era
no ventre de sua Mãe —
grita, mas não ouve… Amén!
E continua esperando
sem dela ter o comando…
porque “Veni, Vidi, Vici”
nem sempre funciona aqui.
É que a espera, essa rainha,
é lenta quando caminha.
Esperar… palavra assaz dura,
vira doença sem cura,
se quem de esperar se cansa
e o que quer… não alcança!
Estado normal: Esperar!
Entretanto… vimos passar
o tempo que nos foi dado
para viver deste lado.
Não sei se lá, no Além,
se espera também.
Esperámos para nascer;
esperamos melhor viver;
esperamos sempre, afinal.
Fatal condição geral.
Maria Letr@
2016-01-28


Data da criação deste conteúdo:
2016-01-28
Autor da imagem: Janko Ferlic
A PESCA NA PRAIA DE VIEIRA DE LEIRIA

É verdadeiramente emocionante a entrada de um barco de pesca no mar, sobretudo durante os primeiros momentos da operação de controle da posição em que o barco deverá entrar para que não suceda o pior. É louvável a comunhão de sentimentos e de responsabilidade existente entre os que se envolvem nesta tarefa.
Sente-se, em cada elemento, uma grande dose de cooperação, humanidade, altruismo e espírito de luta, permanecendo, porém, entre estes sentimentos, o orgulho bem patente entre os elementos de cada “campanha”, quando vão para o mar. Há sempre a expectativa, talvez, de quem conseguiu pescar mais e melhor, o que motiva o esforço a dedicar ao trabalho. Quando o mar está bravo, esta tarefa apresenta-se dramática, com os familiares dos pescadores arrastando-se de joelhos pela areia, em preces emocionantes, clamando protecção para quem está dentro daquele barquinho, aparentemente tão frágil. Vivi isto em pequena, quando ia para esta praia passar férias, local onde nasceu meu Pai.
Eu tinha um primo pescador, que tinha o apelido de "Ganeno", tendo ficado na minha memória, bem nítido, o timbre da voz de um seu companheiro quando, de madrugada, passava em frente à casa dele gritando, num tom arrastado e calmo... - Ó Ganeno, o mar está manso..." Parece-me ouvi-lo ainda. É uma praia de gente vocacionada para aceitar o cumprimento de um seu dever existencial, mais do que o de viver com um objectivo material, mesmo sendo esta, também, uma das pretensões de cada elemento. Contudo, o primeiro supera o segundo, na alma de cada um.
Aceitação e Resignação comandam a vida desta pessoas, depois... vem a Entrega e o Orgulho (ou não) do que conseguem atingir.

Data da criação deste conteúdo:
2022-07-03
Autos da imagem: Miguel Letra







