O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE PORTUGUÊS


Entre as diversas questões que me ponho frequentemente, há uma que gostaria de partilhar com quem lê o que escrevo: 
Constatamos que está em crescente aumento a existência de pessoas com problemas de saúde mental, especialmente após o aparecimento do vírus SARS-CoV-2... vá lá saber-se como e porquê, em boa verdade. Tudo o que tem acontecido, afigura-se-me de uma forma bastante misteriosa, forma essa que dá lugar a muitas perguntas. Mas não é esse o objectivo deste meu texto.

Desejando ser consultado por um especialista da área respectiva, o paciente dirige-se a um Centro de Saúde – que me dizem poderá nem ser o seu -  e começa, então, uma série de anomalias no seu acompanhamento, as quais me levam a fazer uma reflexão:
Suponhamos que esse paciente, por qualquer razão _aceitável ou não, 
•	perde o seu médico de família e tenta conseguir uma consulta de recurso, para o dia seguinte. Para isso, terá de compreender que deverá chegar ao Centro de Saúde respectivo, onde quer que seja, duas  horas antes da sua abertura, porque quem mais cedo chegar, maior será a possibilidade de ser vista por um médico. Quem não tiver em conta esta realidade, terá uma menor chance de conseguir o objectivo pretendido.
Suponhamos que o médico que o  atender irá encaminhá-lo para um hospital e, caso concorde, passa-lhe uma carta para que seja visto pelo respetivo especialista.
•	A partir daí, se não tiver a sorte de ser bem sucedido no tratamento que lhe tiver sido prescrito, verifica-se, com frequência, que esse paciente começa a estar sujeito a saltar de médico em médico, mais parecendo uma bola de ping-pong, ou melhor expressando, uma cobaia submetida a testes um após outro, na sua desesperada busca de “sentir-se bem”. 
•	A escolha do médico, pelo paciente que depende do SNS, nem sempre lhe é permitida,                                                                                                                                                                 mas a base do sucesso de qualquer tratamento, seja a doença que for, passa pela confiança que o paciente tem no seu médico. Hoje, porém, foco-me, especificamente, na doença mental. 
•	Mais ainda, se o médico, eventualmente, tem interesse pessoal em receitar medicamentos de determinados laboratórios, o paciente é que sofre se continua a não estar bem, e poderá sentir-se profundamente frustrado _frustração essa que nunca sabemos como poderá acabar. Não poderemos facilmente adivinhar qual irá ser a reação de cada paciente. Defendo, portanto, que tanto quando possível, qualquer paciente que se encontra em sofrimento, seja seguido considerando os seguintes factores importantíssimos: 

1.	CONFIANÇA NO SEU MÉDICO.
2.	CUIDADA ATENÇÃO NA PRESCRIÇÃO DE MEDICAMENTOS, de forma a que se respeite o que necessita o paciente e nunca o que convém ao especialista receitar.
3.	QUE SEJA MANTIDO, TANTO QUANDO POSSÍVEL, O MESMO MÉDICO QUE ACOMPANHA O PACIENTE DESDE O INÍCIO.

2022-07-08
Imagem: Luís Dalvan