Maria Letra nasceu em Coimbra, a 20 de Setembro de 1938. Escreve poesia desde os 13 anos, idade em que manifestou a sua preferência por esta forma literária. Possui os cursos Comercial e Liceal, completos, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos das línguas Inglesa e Francesa em escolas estrangeiras. Aos 22 anos foi para Londres, onde estudou no conceituado colégio “The West London College”. Foi secretária de direcção e tradutora técnica durante 35 anos, e empresária durante 17.
Deixou Portugal para viver em Itália em 1989, por exigências de trabalho, mas três anos depois fixou residência definitiva no Reino Unido.
Lvros publicaos: “Meus Caminhos de Cristal”, em 2011, e "Meu Pequeno Grande País, em 2017.
Revolução!?! Mas o que é revolução?
É passares o tempo de jornal na mão,
condenares partidos, criares confusão?
É chamares aos outros nomes sem perdão?
É clamares por algo que não cultivaste,
e quando tu erras, não veres que falhaste?
Não! Revolução é pôres no que fazes, paixão,
repudiando o mal... dando nova razão
à existência humana, sem sede de fama.
Revolução, é amares todo o ser desprezado,
ou diferente, a que chamam coitado.
É sentires as dores daqueles que anseiam
condições melhores. Sim, amigo, Revolução
é jamais permitires a exploração;
é dares realidade à palavra "amigo".
É criares um mundo sem desunião.
Revolução, é não revelares qualquer distinção
entre ti e um ser que nasceu mais pobre;
é abrires caminhos para a Paz no mundo.
Meu irmão, Revolução... é algo mais nobre,
não a falsa paz, com fins abjectos,
mas a paz de espírito, com fins bem concretos,
sem as guerras frias, inúteis, cruéis,
onde opera gente nem a si fiéis.
Revolução... é fazeres sempre o bem;
é reinvindicares uma nobre condição:
a de haver compaixão e um abnegado AMOR,
que exclui o que seja traição e rancor.
Depois... conserva os valores que geras,
e praticas, porque acreditas que a vida
deverá ser dignamente vivida.
Reconhecerás, então, que a tua consistência
serviu à Nação, por serem valores reais.
Pratica lealdade, fidelidade e decência;
Exige justiça e condições sociais,
geradas numa base bem definida.
Dá-te a esta luta, de alma e coração!
Verás que isso, amigo, foi uma dura lida,
mas poderás gritar... FUI REVOLUÇÃO!!!
Não sei se estou seguindo em linha recta no caminho que escolhi como correcto pra chegar, vitoriosa, à minha meta. Espero, porém, ser limpo o meu trajecto.
Vou enfrentando a estrada na defesa. Reajo sempre conforme a situação. O que é benéfico acolho com firmeza, o que é maléfico... sem contemplação.
Neste meu caminhar encontro amarras com laçadas que julgo assaz bizarras, e que nem sempre consigo desfazer.
Serão obra de mestres bem treinados, que vivem de expedientes destinados a destruir, sem dó, quem quer vencer.
Oh Natureza Perfeita!
Oh grande eleita!
Tu me sorris cada dia,
enchendo-me de alegria.
Tu proteges e acarinhas
tantas coisas, também minhas,
que nascem em cada canto,
e que hoje venero tanto...
Rogo ao meu Deus clemência,
para quem destrói a essência
de tudo o que vais criando.
Que não reduzam a pó
esta Terra onde, sem dó,
tanto mal se está fazendo.
É vergonhoso! É tremendo
o desrespeito que existe
e que me põe muito triste.
Que sejas, por longos anos,
protegida contra danos.
Que o Sol continue raiando
cada manhã, acordando
mil almas que, com respeito,
defendem o seu direito
a esta magia querida
a que nós chamamos VIDA!
Quem anda à chuva... acontece ter aquilo que merece! Tive seis filhos... que quis! Só por isso, já sou feliz. Netos, são catorze aqueles que tenho, cada qual do seu tamanho. Os que estão longe, ouço às vezes, mas alguns não ouço há meses! Depende das suas razões e das minhas limitações. Resumindo: lá gente... eu tenho! Até aqui, nada é estranho. Amo todos de igual maneira, vê-los é que é uma canseira! Alguns estão sempre ocupados com namoradas ou namorados. E se não estão... lá terão qualquer boa distracção. Bué de jogos, discoteca, internet... Mas que seca! E quem sofre? Sempre a avó, que não gosta de estar só. Raramente lhes dou prendas. Tenho despesas tremendas! É curto o meu rendimento. Se o gasto não me alimento. Dei muita gentinha ao mundo, e se não poupo, me afundo. Nem o Natal me comove. Catorze e seis... dezanove!!!
The settings here apply on this page only. Leave everything as default will use the site-wide Theme Appearance from the Themify panel > Settings > Theme Settings.
Fui gerado com um senão,
... como todos os outros foram.
Só difere a dimensão,
se melhoram, ou se pioram...
Não haverá quem me convença!
Dois seres iguais? Nunca vi!
Há sempre alguma diferença
que os distingue, entre si.
Vim ao mundo por direito,
consenço de opiniões,
ou mero acaso, sem jeito
num monte de confusões.
Olhem-me como igual a todos,
sem diferenças, sem rancor,
com carinho e com bons modos,
e tanto, mas tanto, Amor.
Hoje quero reflectir na posição a assumir, em regime democrático, sempre que surge um baldado, que, sendo assaz desbocado, atreve-se a ofender, sem consequências temer.
Se a testa do tipo é oca, não serve fechar-lhe a boca!
Trata-se dum conflito, se a apreciação de um dito, numa sociedade livre, foi julgada pelo critério de que o dito é um impropério. Tal julgamento - escusado - passa a caso muito sério.
Haja uma ideia que brote, e outro critério se adopte.
Portanto, perguntarei: até que ponto é que a lei é o meio mais correcto de usá-la como objecto de condenação de alguém? É que uma das partes pensa que não proferiu uma ofensa...
Dependerá, no momento, do que der como argumento.
Mais parece uma censura em tempo de ditadura! Julgar casos como este, exige se faça um teste de avaliação dos actos. O que ofendeu, é perfeito? E o ofendido, de respeito?
Que não regressem os tempos de múltiplos contratempos....
Em jeito de espiroqueta
vai fermosa e bem segura,
Leonor… pela verdura,
mas ouve uma obsoleta
piada de garanhão,
e dispara-lhe a tensão.
Renuindo e avançando
achou ser um impropério
piropear-lhe um galdério!
Pior ainda... cantando!
O que disse aquele machão,
implicava uma reacção.
Leonor, perante as tretas
que a incitavam a agir,
teve mesmo de intervir.
Desferiu-lhe duas galhetas,
em jeito de punição,
e acabou-se a questão.
Teria a alma do poeta
- lá do sítio onde ela está -
visto o que se passou cá?
Não estará ela inquieta?
É que as Lianores de agora
não são como as de outrora.
Escrevo para os inúmeros seres humanos que, por qualquer motivo, estão neste momento a viver conflitos emocionais de certa gravidade, sejam eles de que origem forem. Ao fazê-lo, estou a responder à dor que sinto por pessoas que conheço, numa tentativa de suavizar o seu estado de espírito, sendo eu própria vítima de muitos maus momentos ao longo da minha vida. Aprendi a aceitar o que quer que me aconteça, apoiando-me sempre, pacientemente, numa resposta que sei que poderá chegar demasiado tarde, mas a tempo de repensar, enquanto viva, essas más vivências, para poder refazer os meus conceitos e ainda sussurrar ao ouvido de cada ser que sofre um conselho amigo.
1. Quando não medimos bem as consequências de uma atitude nossa, irreflectida, fomos imprudentes e deveremos aprender a lição resultante do peso das respectivas consequências. A lição colhida alberga o peso da nossa responsabilidade pelos actos que cometemos.
2. Quando fomos prudentes nos actos que assumimos e, apesar disso, as suas consequências não foram as desejadas, então deveremos aceitá-las resignadamente, pois não nos cabe julgar o seu porquê. Estarão fora do controlo da nossa existência terrena. Teremos de repensar tudo, aceitando o que nos foi dado por uma força superior a nós. Não existirá, neste caso, uma lição a tirar; existirá, isso sim, a necessidade de aceitarmos humildemente o que nos foi dado e aguardarmos pela resposta que o futuro possa, eventualmente, vir a dar-nos.
Sinto que as palavras são tão importantes!
Elas sobrepõem-se às pausas de silêncio
que por vezes - mesmo que por instantes -
sentimos serem necessárias. Quando em dor
as soltamos, arbitrariamente e, em baixa voz,
num ímpeto de mágoa, e sem rancor,
aliviamos a solidão se nos sentirmos sós.
Usemos as palavras com tanto, tanto Amor.
Hoje acordei muito tarde.
Cedi a uma preguiça
que me mantém submissa.
Nada tem de covardia,
mas tenho de ser correcta…
Eu virei assaz medrosa
desta força poderosa
que quer manter-me quieta.
Rodopiando na vida,
num rodopiar constante,
muitas vezes fui traída
de forma muito chocante.
Vivi anos assustada
numa escola onde a maldade
duma “doninha” frustada...
não gerou em mim saudade.
Adolescente inquieta,
amante de viajar,
decidida, e muito directa,
minha vida quis mudar.
Depois de ter posto fim
a um passado assaz duro,
escolhi Londres e, enfim,
programei o meu futuro.
Casei-me mal, fui sofrida,
mas meus filhos, meus amores,
ensinaram-me que a vida
é feita de muitas cores.
Numa luta sem descanso,
mil perdas quis esquecer,
e enfiei-me num campo
de mais ganhar que perder.
Serena e muito confiante,
faço provas, em escritos,
de ser da vida uma amante,
e de odiar conflitos.
O dia estava fresco, acinzentado.
A pobre da gaivota esvoaçava
em busca de alguns restos de pescado.
E enquanto sobrevoava... grasnava...
À ninhada, acabada de nascer,
não importava saber por que gritava.
Prosseguia, pipilrando por comer...
e a fome, entretanto, não passava.
Cansada de os ouvir, a gaivotinha,
solta um forte grasnar, tão estridente,
que acabou dorida numa asinha
e não pode voar mais. Ficou doente.
Arrastando-se, e bem contrariado,
surge o gaivoto, pai da pequenada.
Enfrenta a situação, desajeitado,
e decide, resoluto, fazer... nada!
Alguém da vizinhança, vendo a cena,
decidiu ir socorrer os pequenotes,
oferecendo à mãe, que lhe fez pena,
pescado muito fresquinho... aos magotes!
O gaivoto nunca mais apareceu,
não sei se por enorme humilhação.
Isto foi o que vi dum sítio meu,
com realismo em alta dimensão.
2023-04-14
Imagens: Olga Lioncat e Théo Lê
Montagem: Maria Letra
Sinto-me fora do espaço a que pertenço.
Não tenho eira, nem beira. Deslocada,
vivo alimentando um sonho imenso,
gerado em solitária madrugada.
Não saberei onde estou, mas concluí
que tu estarás comigo, porque te sinto
... embora neste espaço onde jazi,
estejamos ambos, num modo bem distinto.
Vivo a minha ‘sperança no amanhã
desejando chegar a um porto bem seguro.
Este meu sonho não é uma coisa vã
... é a meta onde me vejo no futuro.
Gostaria de, a seu tempo, constatar
que tudo o que padeci em tempo ido
tivesse sido, em concreto, pra gerar
um porto, em segurança, concebido !
Diz um ditado, já velho, que os olhos serão o espelho da alma do ser humano. Como tal, não por engano, transporta para o que cria uma especial magia em sentimentos, em imagens, indicadores de mensagens cuja interpretação depende da formação e do grau de sensibilidade de quem as lê, na verdade. O emissor as envia, o receptor as aprecia. Passa-se isso com as telas e, quando pincela nelas, o artista se revela. O quadro é aquilo que expela, em emoções. É o seu emissário, levando-nos a um universo onde o pintor resta, imerso. Por vezes, quem observa, fá-lo sem qualquer reserva de espaço para sentir o que o quadro reflectir. Tal depende do valor que terá o seu autor.
Se julgares-me te diverte, continua,
mas só eu sei quem sou e o que pretendo
quando tomo posições que tu condenas.
A tua convicção, na mentira flutua,
até que se dissolva em erros que não entendo.
Estás cheio de rancores que tu não drenas.
Liberta-te do peso que carregas
quando me julgas, carecendo de certeza.
Teus fundamentos nascem por incúria,
e por falsas convicções que sempre negas.
Acabas por cair em vil tristeza,
exactamente porque partem duma injúria.
Antes de me julgares, medita bem.
Sou eu a detentora das minhas razões
e da forma como quero conduzi-las.
Evita magoar-te. Não convém.
Perdes a força que têm as tuas opiniões
e o quanto te esforçaste, ao produzi-las.
Se, tal como eu, a tua mente
já não suporta os abusos incontroláveis
do obsceno, camuflado astutamente
para atrair negócios... autorizáveis,
sobretudo utilizando a Mulher....
Se, tal como eu, a tua paciência
já não suporta certos exibicionistas
espavoneando-se, na sua concuspicência
- seres cautelosos e estrategistas
que o seu status, em particular, requer -.
Se, tal como eu, achas que não vale a pena
remar contra a maré dessa gente insignificante
que nem amor por si sabe cultivar... Serena,
retira-te desse grupo assaz impactante,
mas oco de valores e de virtudes.
São gente que quer impor-se pelo brilho
mas tem a alma seca, sem qualquer cor.
Tem particulares que recuso e não partilho,
exactamente porque não sabem gerar amor.
Actuam no inverso, isentos de boas atitudes.
Jazem em mim amordaçadas esperanças
gélidas, sem cor. Passaram a lembranças
no dia em que partiste, feito orgulho,
mas é nelas que, por vezes, eu mergulho.
Eu sei que é doentia esta recordação
dum passado tanto vida quanto solidão...
Sobrepõe-se a tudo quanto me corrói,
um grande Amor que o tempo não destrói.
Eu sei que a minha frágil resistência
já pouco poderá, em realidade,
contra o desgaste recôndito da idade.
Mas prefiro abraçar-me à tua ausência,
do que anular em mim todo um passado!
Não estás... mas imagino-te ao meu lado.
Foste uma promessa, muito antecipada,
num tempo de criança, fora de prazo.
Na minha tenra idade, descuidada,
marquei-te para sempre, por acaso.
A seu tempo - quando ainda menina -
voltei a encontrar-te não sabendo
que a marca que tu tinhas, pequenina,
ainda estava em ti. Não compreendo.
Os anos transcorreram inocentes
do quanto às nossas vidas se ligavam
os danos que as ausências nos causavam...
Permitimos que todas as correntes
me mantivessem do teu amor cativa
... e passei a viver sempre à deriva.
Deixa-me continuar a viver, ó Vida,
mas dá-me algum do teu drenado espaço
imune aos podres daquilo que é devasso.
Não tolero mais sentir-me comprometida
entre aquilo que realmente defendo
e tanta injustiça, que eu não entendo.
Continuarei fiel ao que é correcto.
Não amo o mundo tal como ele está,
cheio de ostentação, e de gente má.
Amo o homem bom, desprezo o abjecto.
Que os anos que hão-de vir sejam de mudança,
e cesse o desrespeito pela criança.
Data da criação deste conteúdo: 2022-01-19 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem: Lukas Hatmann
Hoje a Ti clamo, Deus do Universo imenso!
Ignorante das razões que teriam motivado
tanta morte neste mundo a que pertenço,
eu não consigo entender, o que terá gerado
a perda de tantas vidas inocentes, tão a eito...
Estou profundamente chocada e muito desiludida!
Como mataste tão sem pena e tão sem jeito?
Uma a uma, tu deixaste que morresse tanta vida...
Já me confundiam as leis por que te reges, a qual gera
gritantes contrastes entre a abastança e a penúria.
Mas isto agora é o caos que sobre o mundo está caindo.
Enquanto milhares não verão mais a doce Primavera,
outros seguirão navegando no desprezo e na incúria
que devotam aos que lutando, irão também sucumbindo.
Como Tu foste veloz neste cenário contrastante,
revelando a coexistência de tanto sentimento...
Em apenas uns segundos, em apenas um momento,
deixaste escancarada uma panóplia de situações,
cheias de grande agoiro e de tantas aberrações.
Actuaste com tanta crueldade e tanto acirramento!
Não saberei dizer, nem saberá alguém,
quantas almas boas se vão perdendo pelo mundo,
olhando a vida com tolerância e fé, como convém.
Cravaste em nossa alma um espinho assaz profundo!
Oh se eu pudesse recuar àquele tempo em que sentia
que a vontade gera força! O que eu não faria!
Por conta própria vagueio em busca de tanto ausente. Estou farta do que é imundo, quero encontrar o que anseio. Minha’alma em luta crescente se está escondendo do mundo.
Almas penadas caminham aos encontrões sem saída do que se tornou fatal. Maus tempos já se adivinham, e a humanidade, perdida, rende-se a quem lhes faz mal.
No céu esvoaçam em grupo andorinhas que procuram onde fazerem seus ninhos. Com outras me preocupo. Almas doentes não curam se carentes de carinhos.
Até que a Vida me rejeite, …quero seguir, viajante, carregando aquilo que me tornou imigrante, num outro país. Quero ter força e fazer o que sempre quis: Amar-te, Vida! Sim, porque ao amar-te, estarei amando o mundo e todos os que nele sofrem dum mal profundo, que bem compreendo… Chama-se Saudade. Essa, não tem idade. Continuará vivendo depois de mim, de ti e de todos nós. Lutarei pela Vida, até quando ela quiser. A idade não perdoa, mas meu grito de dor, ainda que fraco, ecoa. Gentes que sempre amei, chorarão minha partida. Um dia? Uns anos?… Minha alma está dorida, feita de desenganos, mas meu coração é forte, afugentando a morte. Eu já não tenho anos, tenho vivências. Mereço respeito. Vivo de nada, para além do Amor que sinto no meu peito. Não quero envelhecer. Quero amar a Vida, deixar-me adormecer no seu regaço origem. Lutar contra os corruptos que nada dão… Exigem! Até quando a Vida quiser… quero continuar Mulher!
Data da criação deste conteúdo: 2014-03-11 Publicado na Antologia de Poesia Contemporânea Chiado Editora
O tempo gasta-se,
tal como a nossa paciência,
mas é um segredo do tempo
a grande conveniência
de saber esperar.
O tempo aflige,
tal como o sofrer duma criança,
mas é um segredo do tempo
pesar, numa balança,
o possível e o desejável.
Dar tempo ao tempo
pode ser o mais aconselhável.
O tempo corre veloz,
mas é um segredo do tempo
podermos dar corpo à voz
de todos nós, pelos que sofrem.
O tempo é professor.
Deixemos que ele nos dê
mais lições onde o amor
seja a palavra de ordem,
para que o mundo não acabe
numa grande desordem.
O tempo não é nosso,
foi-nos cedido
por um ano, um mês, um dia...
Ele não deve ser perdido.
O tempo passa por nós
e deixa marca...
quer sejas um plebeu
ou um monarca.
Saibamos amá-lo
com sabedoria,
para não corremos o risco
de não termos mais tempo
para apreciá-lo.
Data da criação deste conteúdo:
2010-10-25
Imagem: Montagem de Maria Letra
Parte tranquilo, dois mil e vinte e dois.
Leva contigo o mal que nos fizeste
e deixa ficar o que de bom trouxeste.
Tivemos esperança em ti. Pouco depois...
com o decorrer dos dias e dos meses,
perdemos a ilusão de tu seres diferente.
Seguiste a linha do ano precedente,
e começou uma escalada de reveses.
Sentia-se uma certa baralhação
na questão da saúde e também da vida.
Favoreceste a morte, essa bandida!
Fizeste do tempo uma péssima gestão!
Quero ver-te partir em boa ordem!
Que venha, pois, dois mil e vinte e três
e que seja feita, finalmente, desta vez,
a cessação do tempo da desordem.
Carecemos duma mudança radical
no sector da saúde e do bem viver,
com alimentos de confiança pra comer.
Há gente a sucumbir, por viver mal.
Data da criação deste conteúdo:
2022-12-31
Imagem: Javon Swaby
No terminar de mais um ano controverso, durante o qual muito foi mais, e pouco menos, recorro ao meu livre direito de opinar e toco no eterno drama do perverso, e dos factos que considero mais extremos, num país onde há um caos a criticar.
Entretanto o pobre passa fome...
Reina a desordem em diversos sectores. Há uma onda chocante de comentários de diferentes culturas, sem formação. Deparamos com supostos senhores doutores que, enfatuados, organizam plenários, mas de boas soluções... pouco saberão.
Entretanto o pobre se consome
Os media, tendo em mente as audiências e a distracção, bem “saudável”, do seu povo, exibem novidades muito eclatantes, tendenciosas, conforme as conveniências... ...com as quais já nem me movo nem me comovo, nem me perco em ver programas degradantes.
Entretanto o pobre venceu a fome ...
E eis que o povo se transforma em gente que já não quer saber do que Ronaldo tem ou daquilo que Cristina lhes irá propor. Tem agora bem cuidada a sua mente, capaz de discernir o que é que lhe convém... ... isto é, matar a fome e gerar Amor!
Não fora a podridão dum certo mundo insano
e os rebanhos seguidores da sua gente,
e acredito que o nosso Natal este ano
poderia bem ser outro, assaz diferente.
Há pessoas que eram... mas hoje já não são.
Outras, ficaram por cá. São seres expectantes
que, de meras cobaias de experimentação,
avançaram para esperanças periclitantes.
Desiludidos com o mundo em confusão
em que passaram a viver, preocupados,
esperam hipócrates, quiçá, tivesse razão...
No background ofusco, a Natureza Mãe,
será que inverterá os dramas ocasionados?
À ciência, argumentar, já não convém.
As marcas que nunca saram
permanecem como alertas.
Os dramas que as geraram
são feridas sempre abertas.
Passaste pela minha vida
fazendo de mim refém,
porém, a tua partida,
como refém me mantém.
Vivi gelados invernos
e verões muito violentos;
primaveras... como infernos,
sessenta outonos cinzentos...
No tempo, a chaga que tenho
virou da cor de carmim.
São lembranças que mantenho.
São penas... partes de mim.
No ano dois mil e dezoito, sentia-se que, no país, estávamos feitos num oito, mas não haveria embromas com um declarado cariz de preocupantes sintomas... Tais sinais eram diferentes, em quem quer dominar o mundo. Revelavam-se evidentes! Ocultaram-se mil perguntas - que prosseguirão sem resposta. Hoje mais parecem defuntas. E... em dois mil e dezanove, foi declarada a suposta peste, que move... e remove. Em dois mil e vinte e dois, paira um penoso mistério pelo que se passou depois da aplicação de vacinas, deixando um rasto funéreo em meninos e meninas. Por infindáveis mutações, aqueles que vivos estão, têm fundadas pretensões, de saber por que não resulta só uma inoculação, em cada pessoa adulta. Resta-nos, então - já se vê - saber quando irão parar de dar vacinas... pra quê? Até jovens vão perecendo? Onde iremos acabar? A vida não está vencendo! Reina um desaire escabroso, que acaba fazendo mal. Mesmo que o vírus, teimoso, acabasse por regredir, há uma verdade geral: o mundo está a sucumbir.
Data da criação deste conteúdo: 2022-11-20 Imagem: Mikhail Nilov
Não fora este meu jeito de viver
despegada do infâme materialismo
em que vejo o nosso mundo se abater...
e eu me anularia neste abismo.
Não fora este meu jeito de esquecer
e até de perdoar, sem abusar-me...
...e aqueles que me magoam, sem piedade,
teriam muitas contas a prestar-me.
Não me revejo em tudo o que é vileza
e falta de respeito, ou desamor.
Assusta-me a ousadia e a ligeireza
com que é adulterado o termo AMOR.
Prezo o abraço quente de quem ama,
tanto quanto abomino o dos que odeiam
e o dos que, sequiosos, querem fama.
Em mim, os maus amantes... serpenteiam.
Bem haja quem nas trevas se faz luz
e quem, no desfolhar-se, busca Vida.
Esses, seguem na estrada que conduz
a um Amor sem conta e sem medida.
Programa bem o futuro,
para não teres dissabores.
Na vida, nada é seguro!
São aos milhares os traidores.
Ama tudo o que criares
e quem sempre te apoiar.
Se, por acaso, falhares,
impõe-te recomeçar.
Busca valores que se ajustem
às tuas aspirações,
e que as falhas não te assustem
causando-te frustrações.
Segue a via mais correcta.
Não te enganes no caminho.
Corre em direcção à meta,
nem que tu corras sozinho.
Data da criação deste conteúdo:
2013-01-28
Imagem: Cottonbro Studio
Há pavor entre as pessoas! Está a aumentar, dia-a-dia, um cenário muito imundo. As noticias não são boas. Há mais uma epidemia entre gente deste mundo. Actuam à rebelia, mesmo dentro de prisões e, como que por magia, tal e qual como as baratas, proliferam aos milhões, nas zonas mais caricatas.
Onde existem traficantes, há muita perseguição a tanta gente... Oh se tanta! São acérrimos amantes desta maldita paixão: fazer de sãos, uns doentes. Os dependentes da droga, quer seja da cocaina, marijuana ou maconha, usam as que estão em voga, tais como... a velha heroína, - ou nomes que me proponha.
Começam por drogas leves, pensando que não afectam a sua mente “ainda” sã, e esses tempos tão breves, que os seus utentes afectam, viram reais, amanhã. Vem a fase indesejada: mente e corpo... pedem mais. As leves já não resultam. - Querem tudo! Nunca nada, porque os seus “vazios demais”, geram dores... que não ocultam.
Certos de que essa adicção não acontece, jamais, vão fumando, ou snifando... Sentem-se bem! Por que não? Mas crises existenciais, requerem outro comando. O disfarce e a mentira encobrem actos ilícitos muito bem organizados. É assim que a droga gira, e os resultados, implícitos, nem sempre são detectados.
Enquanto alguns estão no mundo, - digamos, seres que vegetam e que dói-nos ver sofrer – outros, segundo, a segundo, suavemente... deletam, acabando por morrer. A droga esconde-se em tudo que hoje se faz. Que indecência! É já um tema sem fundo, e o culpado... actua mudo. Por que há tanta delinquência neste impune toximundo?
Agradeço-te, Universo,
por tudo aquilo que me dás!
Por vezes, se surpreendida
por um drama inesperado,
irava-me contra a vida.
Qualquer um era o culpado.
Não encontrando resposta
para os porquês que me punha
atribuía ao destino
ou à má sorte que teria,
o que, de fonte incerta viria.
Sem bases, eu contrapunha
a minha convicção
a uma outra inventada
por gente mal informada
que também sabia... nada!
Um belo dia, porém,
procurei, no obverso
dessa tal convicção
- que atribuía a sansão
por um erro cometido -
um cunho mais evidente,
e uma justiça diferente
que fizesse mais sentido
e me tornasse consciente
do que, acreditava, seria
a grande e real verdade.
Constatando, com a idade,
que a resposta que buscava
era bem outra, por certo,
aprendi que o obverso
daquilo que procurava,
eras tu, nosso Universo!
Hoje sei que zelarás
por aquilo que a nós vem,
e que um dia nos provarás
que o que nos dás… nos convém.
Se o lôbrego cenário em que te fechas,
recrudesce e amodorra a tua vida,
não quero mais ouvir as tuas queixas,
fundadas na tua mente empedernida.
Cada vez que, rangendo ao meu ouvido,
me vens falar da tua fé e crença,
afadigas o meu ser que, consumido,
acredita que em ti... é já doença.
Aurindo uma doutrina em que não creio,
coleias, devagar, e adivinho
não perceberes que eu, não serpenteio…
Se aquilo em que acredito, tu não crês,
prefiro mudar meu rumo, meu caminho,
ao remansar da tua insensatez.
Se muitas preocupações te manifestam
presenças que originam desapego
a valores que, do passado, ainda restam...
procura o que na vida gera aconchego.
Liberta-te de penas que ainda sintas,
e que turvam a tua mente já cansada.
Luz e desaire são forças bem distintas.
Entrelaçam-se e confundem. Valem nada.
A luz em demasia ofusca a alma
que o desaire não deixa iluminar.
São duas forças diferentes a actuar.
Desamarra-te de tudo e busca calma.
Serás exemplo de força e de coragem,
e encherás de cores a tua imagem!
Já corre um novo ano, velozmente.
Vem com a pressa irritante de outros anos.
Enquanto muita esperança nos consente,
vai fabricando traições e desenganos.
Que corra, que tropece, que se estenda
na estrada que percorre sem comando.
Não temo qualquer pressa que transcenda
a velocidade dos passos que vou dando.
Vivo como posso e como sei,
aproveitando o tempo, que venero,
para fazer aquilo que hoje quero.
Na senda do caminho que tracei
já não há nada que me torne lesta.
Sou senhora do tempo que me resta.
Data da criação deste conteúdo:
2018-01-05
Do meu livro "Meus Caminhos de Cristal"
Quero viver comigo a liberdade de sonhar acompanhada de ninguém, sem nada que possa perturbar o meu jeito de saborear o nascer do sol depois duma linda madrugada.
Não quero dó nem tão pouco comiseração de quem outrora fingiu querer-me bem. Eu amo o meu silêncio e sinto aberração ao ruído da ribalta que este mundo tem.
Quero ser eu inteira, viver as minhas paixões sem ser contrariada ou mesmo constrangida a ter de ouvir as mais diversas opiniões, de quem ousou meter-se na minha vida.
Não quero mais trair-me. Cansei-me de fingir que iria adaptar-me a este mundo louco, onde concorrência feroz e frequente traição, exigem que semeies tanto... pra colher tão pouco.
Quero viver mais leve e mais feliz, bem ajustada ao meu dever social de convivência tolerante, para sentir em pleno a condição de libertada, que me permite ser eu de modo sempre constante.
Não quero, porém, ocasionar desconforto a alguém, com a minha preferência de estar só comigo mesma. Se alguém vier pedir-me ajuda, por não estar bem, correrei como um guepardo, não como uma lesma.
Data da criação deste conteúdo: 2022-10-27 Imagem: Eberhard Grossgasteiger
Com respeito eu entro e saio
nas(das) igrejas do mundo,
mas não preciso de ensaio
pra dizer o que, no fundo,
sinto ser uma agressão
à moral de um bom Cristão.
Não tem nada a ver com crenças.
Tem a ver com atitudes
notoriamente perversas
...disfarçadas de virtudes
por homens que as defendem.
São desumanos! Ofendem!
Conquistam os seus “rebanhos”
usando uma má doutrina,
e dogmas assaz estranhos
que actuam como morfina
na alma de muitos crentes.
São ordinários e doentes!
Por grandes portas eu entro...
saindo isenta de tanto!
Há manchas negras no centro
do meu grande desencanto.
Em mil nove e sessenta e dois
abracei-te, linda cidade,
mal sabendo que, depois,
viria uma tempestade.
Hoje dás-me o que procuro.
És o meu Porto Seguro!
Num enorme espaço aberto,
muito para Além do mundo,
entrou uma nova alma.
Encontrou outras dormindo
um sono muito profundo.
Ali não há vida, nem ambição.
Entrou nele mais uma luz,
que a um corpo deu tréguas,
deixando-o na Terra
onde agora jaz
a milhões de léguas
desse Além em Paz.
Um corpo que morreu
lutando para continuar vivo
mas que perece cativo
duma razão susceptível,
talvez, de confusão.
Uma guerra inconcebível,
para ajuste de contas,
ou um acto da Morte
que ceifa a vida
de quem deixou de ser forte?
Viagem que só tem ida.
A volta... nunca será prometida.
A partida é sempre triste
mas, na verdade, necessária.
É uma eterna adversária
contra a qual lutamos
para manter vivo quem “existe”.
E o que fica dessa luta?
Uma revolta bruta
de quem amará sempre,
sem reservas, quem partiu,
ou de quem já não amaria,
mas que a morte, enfim...
nunca lhe desejaria.
Nasci carente de palavras, na minha frágil mente.
Envolta nove meses numa grande escuridão,
e encolhida num espaço curto... pacientemente
esperava, esperava, sem pressa ou ambição.
Movia-me nesse espaço curto, mês após mês
com maior dificuldade. Havia disparidade
entre o meu crescimento e o daquele espaço
onde, sem eu saber porquê, esperava não sei o quê.
Comecei a mover-me para sair da situação.
Com a força que me foi dada, busquei uma estrada
que pudesse conduzir-me à minha libertação.
Urgia que eu mudasse. Sentia-me sufocada.
Nove meses bastaram para tornar-me ansiosa.
Fui crescendo gerando em mim um modo de actuar,
e cheguei mesmo a esta convicção, assaz teimosa,
de que, se não estivesse bem... deveria mudar.
Contudo, ao longo dos anos estive mal inúmeras vezes,
e mudei de localização muito amiúde,
mas apesar da minha eupatia, pelos reveses,
digo ainda, a quem não estiver bem... que se mude!
Urge que eu respeite a minha realidade
ou deverei começar, suavemente,
a dar mais atenção à indiscutível verdade
da não resistência aos grandes danos
que o tempo inflige em cada sana mente?
Sei que não sou imune ao avançar dos anos...
Deverei procurar serenar a minha agitação,
que me tem escrava do que falta acabar,
ou deverei moderar a minha tentação
deste meu fazer de conta, rumar a norte,
esquecendo que a sul, depressa ou devagar,
caminha, em minha direcção, a morte?
Por aqueles que sempre, fielmente, amei,
eu quero continuar a viver, a amar,
desprezando a tua chegada, que sempre ignorei!
A confiança que, de ninguém, mereces,
ofereço-a à Vida, que sabe criar e recriar!
Maldita sejas tu, que não desapareces!!!
As palavras, quando as soltam,
ruam por todos os lados,
e correm de boca em boca
em muitos que, não calados,
e de cabeça assaz oca,
fazem lestos prognósticos
sobre isto, aquilo e aqueloutro,
...nem sempre com fundamento.
Sejam simples ou pernósticos,
maltrapilhas, ou letrados,
soltam palavras ao vento,
cheios de convicções...
só pra não estarem calados
e causarem reacções.
Chamemos-lhes tagarelas!
Há, porém, muitas palavras
que vivem encarceradas
em bocas que não se abrem.
São vítimas de cautelas
de pessoas previdentes.
Nas suas mentes não cabem,
nem as conversas da treta,
nem as de mentes doentes.
Outras há, mesmo de cultos,
a que não chamo palavras,
prefiro chamar insultos.
Vivem num estado perene
na boca de gente reles.
Insulto... provoca insulto.
É ver quem se insulta mais!
Contudo, quando as palavras
são encerradas em livros
comprados por multidões...
passam a ser imortais.
Mais do que gerar palavras,
geram muitas emoções.
Ficam sujeitas à crítica
de quem as lê. Surdas, mudas...
estão ali. Oferecem tempo
a todo e qualquer leitor,
para que o seu pensamento
possa julgar e expor
sobre o tema que as juntou.
Não há dita por não dita.
Nenhuma dessas palavras
foi jogada para o ar.
Dispostas, na forma escrita,
a que alguém deu preferência,
passam a ser, uma a uma...
A Palavra! Sua Excelência!
Recordo quando os dois, um belo dia,
sentados junto a um rio, que não tem fundo,
me prometeste amor que nos daria
para viajarmos juntos, pelo mundo.
Recordo, uma a uma, cada jura
proferida com palavras bem expressas.
A tua convicção era a mais pura,
mas eu não acreditava nas promessas.
Os anos foram correndo, lentamente.
A vida separou-nos, mesmo amando.
Víamo-nos, apenas, de quando em quando.
Recordo o velho rio, que não tem fundo...
Dissolve palavras ditas em promessas...
mesmo que com muito amor sejam expressas.