Maria Letra
Posts by Maria Letra:
SE VOLTASSE A SER CRIANÇA

Se voltasse a ser criança
num mundo como hoje temos,
perderia a confiança
neste mundo, onde há um demos.
Reina o caos na urdidura
de recorrer à mentira,
enquanto quem tem cultura
vê quem urde e quem conspira.
Confundem-se as opções,
de quem quer mudar de vida,
mas sente que as soluções
não a deixam convencida.
Quando busco decifrar
os valores que nos são dados...
acabo por constatar
que há dados mal calculados.

Data da criação deste conteúdo:
2025-05-05
RECOMEÇAR

Quando alguém recomeça uma nova etapa na sua vida, é porque terá fechado, ou interrompido por algum tempo, uma outra anterior, por qualquer razão. Na sua mente, terão ficado boas e más recordações, as quais, de alguma forma, lhe terão deixado marcas das várias vertentes em que esteve envolvido/a – umas boas, outras nem tanto. Porém, inevitavelmente, essas experiências deverão tê-lo/a alertado para a necessidade de filtrar cada um dos seus projectos futuros, bem como de travar uma certa dose de precipitação que possa ainda existir ao abrir “novos horizontes”.
Será de louvar, no entanto, ter adquirido resistência e coragem para RECOMEÇAR.

Data da criação desre conteúdo:
2018-10-18
QUANDO A NECESSIDADE DE DESABAFAR SE SOBREPÕE À MINHA CAPACIDADE DE TRAVAR OS MEUS IMPULSOS

Começo a pôr em dúvida se vivo no mesmo país que o Senhor Primeiro-Ministro Luís Montenegro. Fico absolutamente boquiaberta ao ouvi-lo afirmar, de forma convencida e peremptória, que o país vive agora em estabilidade económica e financeira. Será que ouvi bem, ou o Senhor Primeiro-Ministro está a tentar atirar areia aos olhos de milhares de pessoas afundadas numa situação de verdadeiro desespero?! Como é que um indivíduo com responsabilidade governativa pode fazer uma afirmação destas com tanta desfaçatez e convicção?
Efectivamente, somos um país de sonhadores… Francamente, já nem consigo ouvi-lo, Senhor Primeiro-Ministro!! Foi preciso atingir uma certa e respeitável idade para assistir a verdadeiros momentos de um lirismo chocante.

Data da criação deste conteúdo:
2025-04-03
ONDE QUER QUE ESTEJAS, MÃE…

Onde quer que estejas, Mãe,
este poema é para ti,
como se estivesses aqui...
não nesse remoto Além.
Estou carregada de dor,
mas também de tanto Amor.
Sabes da minha saudade
e do quanto gostaria
de ter-te connosco, este dia
da tua maternidade.
Mas não venceu a melhor,
e foi a Morte, agressora,
que, uma vez mais, vencedora,
levou vida, deixou dor.
Porém... não nos separou.
Eu sinto a tua presença,
leve... serena... e muda.
Não me fala, mas saúda.
Maldita sejas, ó Morte,
quando de nós te levou.
Que triste condenação
dada a um ser desejado.
Para mim... isso é traição
à vida de alguém amado.
Não sei se rumaste a Norte,
onde creio o Além morar.
Só sei que estou à deriva,
perdida num alto-mar...
Onde quer que possas estar,
não deixarei de te amar!!!

Data de criação deste conteúdo:
2012-09-01
A FORÇA QUE NOS FALTA

Não há bem que sempre dure,
nem há mal que não acabe...
diz o povo, convencido.
Não há bem que tudo cure,
nem gente que tudo sabe.
Quando pensamos estar bem,
surge uma qualquer má nova,
que sempre isto nos comprova:
a nossa esperança arrefece,
e a nossa revolta aquece.
Face a este quadro de dados,
para enfrentar tanta gente,
de convicções armados,
urge cultivar a mente
de certos seres perturbados.
Estão aqui, justificados,
num vai-e-vem sempre igual...
O que irá acontecer,
se não for alguém de força
a governar Portugal.

Data da criação deste conteúdo:
2015-07-13
SEM COMPROMISSO

Não assinei compromisso
quando disse que te amava.
Tu estavas certo… eu, não estava.
Um sentimento insubmisso
e dúbio, que sempre combati,
teimava amarrar-me a ti.
Pediste um acordo assinado;
era a tua exigência no momento,
porém, havia um impedimento.
Meu coração estava apaixonado,
mas tu exigias demasiado…
e decidi de modo ponderado.
Deixei que o tempo passasse,
para que o sentir definisse
a sensação que persistisse.
Depressa saí do impasse.
A paixão levou-a o vento
e eu… vivo a meu contento!

Data da criação deste conteúdo:
2015-01-17
SAÚDE: UM PRIVILÉGIO OU UM DIREITO?

A Saúde é uma das maiores fontes de rendimento para os especialistas que dela se ocupam e o maior quebra-cabeças para quem, vivendo no limiar da pobreza, adoece e tem de depender das condições oferecidas pelo governo para se tratar. Encarar certas situações vividas no nosso país é, pura e simplesmente, revoltante!

Data da criação deste conteúdo:
2025-02-27
DIETA DA DESINFORMAÇÃO

Sinto que todos nós — cidadãos sem formação académica adequada sobre saúde — estamos sedentos de informação credível e imparcial sobre os vários regimes alimentares hoje defendidos por, aparentemente, verdadeiros mestres na matéria. É certo que cada um de nós tem toda a liberdade para julgar o que lê e ouve sobre este assunto; o que me parece, porém, é que a avalanche de informação está a tornar-se, de certo modo, perigosa, podendo provocar males irreparáveis na saúde das pessoas, que acabam por não saber qual dos mestres terá razão, seguindo, consequentemente, caminhos errados.
Paralelamente a esta minha observação muito pessoal, devo acrescentar que, enquanto os fanáticos da sua leitura vão ficando sem o valor dos livros que compram, os seus autores vão aumentando a receita, tanto pelo que vendem como pelo acréscimo de entrevistas e seguidores que conseguem. Quem ficará em situação mais vantajosa?
Mais ainda, face às teorias defendidas, nomeadamente, pelo Dr. Lair Ribeiro, pelo Dr. Manuel Pinto Coelho, pela Dra. Jessie Inchaus, etc., etc., etc., quem deveremos seguir, considerando que temos, no background de toda esta situação, um Serviço Nacional de Saúde a dar provas de inadequação e desprovido de condições essenciais à dignidade humana?

Data da criação deste conteúdo.
2025-02-27
UM GRANDE AMOR

UM GRANDE AMOR
Editado por Maria Letra, em "The World Art Friends", em 04/03/2014 – 16:25
Quando tinha 13 anos, apaixonei-me, seriamente, por um amiguinho, filho de amigos dos meus Pais. Quando meu Pai descobriu, caíu "o Carmo e a Trindade" lá em casa. Passei a sofrer todo o tipo de medidas de precaução para que essa paixão não viesse a tornar-se, mais tarde, um "quebra-cabeças", porque meu Pai era gerente da firma do pai dele e, por princípio, isso seria algo que o molestaria profundamente. Além disso, atendendo à nossa idade, seria inconcebível. Pudera! Uma pirralha de 13 anos, enamorada de um jovem de 11!!!
Mas era tão lindo... Era o meu Gary Cooper da época... Em tempo de aulas eu fazia um trajecto de uns bons 5kms a pé, acompanhada por uma fiel amiguinha, só para poder vê-lo e trocarmos um ou dois bilhetinhos de amor, quando eu chegasse à Praça do Marquês, no Porto, onde ele estaria à minha espera. Que inocentes... Acreditem! Éramos mesmo inocentes...
Foi também nessa idade que começou o meu amor pela poesia. Nessa altura, sabia já, de cor, alguns cantos dos Lusíadas - tal era a minha paixão por esta forma fixa de escrever poesia. E escrevia... escrevia... quantas vezes até de madrugada. Que loucura! E foi numa dessas noites, entre os 13 e os 15 anos, que escrevi um soneto dedicado ao meu grande amor pelo referido jovem, o qual foi publicado no velho jornal "O Primeiro de Janeiro". Meu Pai, que andava de olhos bem abertos em cima de nós, nunca comentou o teor do poema. Hoje indago-me... porquê?! Claro está que eu não revelava o segredo do nosso amor um pelo outro e a traição de ter sido descoberta, "apaixonada"... Mas meu Pai venceu. Anos mais tarde o pai dele mandou o grande amor da minha vida estudar para a Alemanha e o meu autorizou que eu fosse estudar para Londres. Isso determinou o final duma esperança, mas não do Amor que nos unia.
MISTÉRIO
Grande é o mistério que envolve o meu segredo
pois, mesmo eu, já não sei se o compreendo.
Minha vida, transformada num degredo,
é enorme confusão que não entendo.
Da minha dor culparei somente a vida,
pois cobrindo-a com o véu da ilusão,
escondi-me atrás de si na falsa lida
em que andava, disfarçada, sem perdão...
E, ao cair esse véu que faz sofrer
todo aquele que confiar em seu poder,
fazendo dele um jardim para sonhar...
acabei por destruir minha ventura,
não vendo mais o valor, nem a ternura,
que possui um coração que quer amar!
Um dia, esse tal jovem insistiu comigo que o amor dele era maior do que o meu. Escrevi, então, esta quadra, num dos célebres bilhetinhos que trocávamos ainda, quadra essa que, mais tarde, se negou devolver-me:
Se tu te servires duma balança,
pra com cuidado pesares nossa paixão,
verás tombar com grande diferença,
o prato que contém meu coração!
Ah pois é!!! Dizia eu...
Maria Letr@
2014-04-07
FORA DE CENA

O dia saiu de cena.
Acabou a encenação.
Por hoje, fechou-se o palco
onde ao vivo fiz, serena,
o papel de aventureira.
Sobre penas, que ainda calco,
nos bastidores me deleito
por ter sido verdadeira.
Fiz uso deste meu jeito
de disfarçar, simular,
de esconder-me, de sorrir..
sendo eu mesma, sem fingir.
Não faço papel de actriz;
não recrio fantasias.
As mágoas perdurarão
no tempo, com cicatriz.
Dói-me que o meu calendário,
corra veloz num cortejo
de meses, parecendo dias.
Sinto pena que o cenário
não me tenha dado ensejo
de esconder o que me dói.
Ferida que o tempo não cura…
não desvanece… corrói.

Data da criação deste conteúdo:
2014-05-12
TUAS MÃOS

Tuas mãos, de força cheias,
transpiram brutalidade,
assustam, gerando medo.
São magras, longas e feias...
Retratam impiedade
de um coração mau, azedo.
Amar-te? Sim, bem queria,
se tu não fosses como és,
quer por fora, quer por dentro.
Recuperei alegria...
Sou diferente do que vês.
É em mim que me concentro.
Já não me sinto submissa
ao teu perfil malformado,
perito em actos perversos.
Faço-me breve justiça,
filtrando um cruel passado
nestes derradeiros versos.

Data da criação deste conteúdo:
1985-04-04
UM EGO CEGO

O meu ego, obstinado,
aos estímulos responde
com muita precipitação.
É fiel a uma buzina,
escondida — não sei bem onde —
dentro do meu coração.
Se me chama, cedo logo.
Nem penso se devo ou não.
Querer estar é o que importa.
E depois… eu me interrogo
se o que sinto é só paixão.
Este meu ego é traidor.
Para ele... tudo é amor.

Data da criação deste conteúdo:
2013-12-12
TEMPOS QUE O TEMPO TE DEU

Era há tantos, tantos anos
que vivias por teu mérito,
cuidando sempre de ti...
que o tempo te ofereceu tempos
pra compensar contratempos
que, bem nova, conheci.
Resignada e sofrida,
tiveste, na tua vida,
enganos e desenganos,
mas esse tempo que amamos
sabia tu teres a crédito
milhões de afectos aqui.
Usaste esses tempos todos
até ao último dia.
Apesar de mil engodos,
minha Mãe, foste calmia
nos meus momentos de dor.
Deixaste em nós tanto amor!

Data da criação deste conteúdo:
2013-08-15
PASSADO, PRESENTE E PROJECTO DE VIDA

Percorri caminhos de palavras e de sonhos, alargando horizontes em solos estrangeiros, onde cada frase se tornava uma ponte de conhecimento de diferentes culturas e saberes. Residente no Reino Unido durante vários anos, regressei a Portugal num momento crucial da minha já longa vida e, tal como a saudade acelera decisões importantes, também a irreflexão precipita impulsos imediatos. Assim, antes que pudesse realizar o motivo que me prendeu àquele país durante tantos anos, deixei Londres para sempre.
Aconteceu, porém, que esta aparentemente má decisão culminou num profundo enriquecimento pessoal: o de saber lidar com a Resiliência. Trouxe do Reino Unido uma bagagem de palavras que se entranham em cada verso que crio, no lirismo com que vejo o mundo e que ofereço a todos os que comigo partilham a paixão pela poesia, mas, sobretudo, permite-me hoje não só perpetuar uma realidade, como também “escoar” recordações que dão aos meus dias momentos deliciosos.
PROJECTO DE VIDA
Amo a estrada onde caminho.
Não me importa onde irá ter.
Aprendi com o passado
várias formas de viver:
Viver com algo de um pouco,
viver com um tanto de nada,
amar o sol que me aquece
e deitar de madrugada.
E se mais eu puder ter,
eu quero ser candidata
a um projecto de vida
cujo fim não terá data.

Data da criação deste conteúdo:
2013-08-17
SERÁ A HISTÓRIA UM INDESEJÁVEL “MARCO DE TRANSFORMAÇÕES”?

Salvo raríssimas excepções, quando busco fontes de informação sobre o panorama político internacional, recorrendo à televisão ou aos jornais, fico absolutamente confusa e desagradada com tudo o que vejo ou leio. Dificilmente encontro uma fonte isenta, transparente e precisa. O que encontro é uma panóplia de manipuladores da verdade, defensores daquilo que, em franca realidade, considero ser-lhes conveniente moldar, à imagem e semelhança do que querem fazer do mundo.
Esta minha opinião é agravada pelos chamados “comentadores políticos”, os quais, em mesas de reuniões pluralistas, geram momentos saturantes, com resultados inconclusivos e, muitas vezes, até revoltantes, pelo ar com que se assumem como “detentores das soluções” que lhes serão convenientes.
Para além deste cenário, há uma realidade – direi já quase insuportável de digerir – travada entre uma segunda panóplia, a dos governadores e seus “complementos operacionais”, que seguem actuando à margem daquilo que convém à população em geral, e não apenas à de quem vive em absoluto conforto, não reclamando, portanto, seja o que for.
Entretanto, há também um cenário exterior, onde predomina uma atmosfera de ameaça do recurso ao uso de armas nucleares, defendido pelos “eternos poderosos”, caso aqueles que consideram não ter qualquer poder, ou mesmo os chamados ‘mexilhões’, não respeitem as imposições que desejam ver bem-sucedidas.
A completar todo este cenário permanente e insuportável, vão morrendo milhões de pessoas, como complemento de um ambiente de terror e de prepotência humanitária absolutamente condenável.
Segundo Lavoisier, “Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Assim sendo, deveremos continuar a aceitar esta verdade, deixando que a História continue a revelar-se um abominável “Marco de Transformações”?

Data da criação deste conteúdo:
2025-01-31
DESFECHO DESEJADO

Não sei como te ocultaste!
Só sei que andei envolvida
uma parte da minha vida
em actos de muito contraste.
Hoje não consigo admitir
como, anos e anos… (tantos!),
presa aos teus falsos encantos,
tivesses coragem de trair.
Entretanto, vil desonesto,
amando à tua maneira,
enchias tua algibeira,
em jeito de muito honesto.
O teu plano saiu furado,
acabaste arruinado,
enquanto eu… tão lutadora,
saí forte e vencedora.

Data da criação deste conteúdo:
2013-01-16
EM CADA CANTO DE MIM

Em cada canto de mim,
tu és essência,
tu és paixão —
és felicidade.
Em cada canto de mim,
tu és ausência,
és solidão —
e és saudade.
Em tantos anos de espera,
foste ilusão,
deixando a dor
quando partiste.
Em tantos anos de espera...
todos em vão,
resta um amor
que não desiste.

Data da criação deste conteúdo:
2013-01-12
TU ME AMAS MAS EU NÃO

A lava do teu vulcão
queimou-me calmos desejos.
Não quero mais os teus beijos
nem tua louca paixão.
Sinto-me fria, a tremer,
acorrentada em teus laços,
fugindo dos teus abraços,
querendo não mais te ver.
Sedenta de solidão,
quero encontrar-me comigo
para auscultar se consigo
dar paz ao meu coração.
Não passaste de ilusão.
Foste dor em noites loucas.
Tu me amas mas eu não!

Data da criação deste conteúdo:
2011-01-17
QUANDO A MORTE TRAI A VIDA

Observando esta Vida
e o seu sentido profundo,
fico quase convencida
de que não domina o Mundo.
Nós fazemos um projecto
para um vindouro Amanhã,
mas a Morte, sem afectos,
revela-se assaz vilã.
São terramotos, são guerras,
guerrilhas, vulcões, trovões,
e um mar que galga as terras,
movido por abanões.
E, deste drama tão duro,
o que resta é um Passado,
com um Futuro inseguro...
face a um Presente marado.

Data da criação deste conteúdo:
2011-04-04
SEM SOLUÇÃO

Sigo procurando um fio
que se esconde não sei onde,
neste meu espaço vazio.
Faço uma busca infernal,
me agasto, me desgasto,
e me sinto muito mal.
Faço acordos com a vida;
quer respeite ou desrespeite,
nunca fico arrependida.
Depois, quando o sol se põe,
é que eu entro bem lá dentro
onde o meu ego se expõe…
Chego, então, à conclusão,
desiludida e sofrida...
que não tenho solução.

Data da criação deste conteúdo:
2013-01-21
TODA A CAUSA GERA EFEITOS

De barriguinha bem cheia,
cheia de tudo ou de nada,
eles aquecem corações
em cada fria alvorada.
Olhem seus olhos tão doces:
neles reside a esperança.
Não lhes cortemos acessos
ao mundo de cada criança.
Por culpa de alguns perversos,
são-lhes vedados direitos,
e o resultado... é a fome!
Toda a causa gera efeitos.

Data da criação deste conteúdo:
2013-02-03
EM BUSCA DA MINHA ESTRADA

Caminho num mundo estranho;
pra não ir só, me acompanho.
Eu vou comigo mas sinto
que parei num labirinto
cuja saída perdi.
Porém, nunca desisti,
e não é com esta idade
que deixo a minha vontade
perder-se desta maneira.
Enquanto estou caminhando,
meu corpo vai-se cansando,
mas, revendo os passos dados
em mil dias mal passados,
eu sou feliz por sentir
que ainda posso insistir
em seguir por uma estrada
sem qualquer encruzilhada.
Bastar-me-á persistir
no que pretendo atingir.

Data da criação deste conteúdo:
2013-01-29
UMA QUESTÃO DE FÉ

Gostava que me aceitassem
com a minha velha crença,
e que nunca a mal julgassem,
excessivamente intensa.
Cada um é como é,
quando se trata de Fé.
Duma crença limitada,
neste espaço onde me movo,
há muito que vem do nada
e dá vida a todo um povo.
Eu creio na Natureza,
tão bela quanto indefesa.
É que, num dado momento,
inventa-se outro cenário,
e o nosso convencimento
fica virado ao contrário.
Sigo feliz um Senhor
ao qual chamamos: AMOR.
De resto, tudo é incerto
nesta vida que vivemos,
pensando que o que está certo
é tudo aquilo em que cremos.
Por isto mesmo, eu respeito
quem respeita este meu jeito.
Vejam-me como um jardim
que acolhe qualquer flor.
O coração que há em mim
bem conhece a Fé no AMOR.
Só nessa vou caminhando,
as outras vou respeitando.
Com fé devota, girando
entre amor e Natureza,
vivo grata mesmo quando,
contra um mal, não há defesa.
Acolho, resignada,
qualquer mão cheia de nada!

Data da criação deste conteúdo:
2013-01-29
CUPIDO ATREVIDO

Me atrai a sua graça,
me enlaça,
me abraça,
deixa-me feliz.
Atento, Cupido,
atrevido,
assaz seduzido
pelo meu lado de actriz,
deixa-me sem jeito
e aproveita o ensejo
para conquistar-me
… e, quem sabe,
enganar-me.
Mas fico na minha,
entre fofa e fofinha,
feliz… mas sozinha.

Data da criação deste conteúdo:
2009-08-08
A DERROTA DO SEQUESTRADOR

Libertar-me de ti quisera, um dia,
mas não tinha coragem, amarrada.
Sabia muito bem no que incorria
se tentasse escapar, subjugada.
Rendida, diariamente, ao meu desejo
de manter-me alguém que não desiste,
perdia, em cada hora, um bom ensejo
de libertar-me do mal que me infligiste.
Há um tempo lento, durante o dia,
em que nada de oportuno se conjuga.
Vendo que o bom momento não surgia,
decidi-me programar a minha fuga.
Num ímpeto de arrojo e de coragem,
propus-me renunciar ao subjugar-me,
e iniciei, sozinha, uma viagem
planeada no sentido de libertar-me.
Foi longo o tempo de espera e de incerteza;
na ânsia de rever quem me apoiou,
sentia muito bem que esta proeza
podia acabar mal, mas resultou.
Passei anos e anos numa luta
tão incessante quanto perturbante,
mas foi a solução absoluta
para viver a vida, doravante.

Data da criação deste conteúdo:
2025-01-21
REFLEXOS DA MINHA VIDA

Penso naquele tempo de mel e de vinagre,
tão insensato quanto ponderado e acre,
e sinto a mudança enquanto, já idosa,
cada nuvem negra se tornava cor-de-rosa.
Deixei, adormecidas, memórias dum passado
descrito num simples diário ocultado
de alguém que gostaria de saber quanto sei.
Houve muito que, ignorando, ultrapassei.
Resignada, serena e sem algum remorso,
comandaria a minha vida sem esforço,
se na minha alma pesar ainda houvesse.
Presentemente vivo sem mágoas, com amor,
mas filtraria de novo ulterior rancor,
se a resíduos cruéis ainda cedesse.

Data da criação deste conteúdo:
2025-01-19
LIBERDADE DE EXPRESSÃO E INFORMAÇÃO

Art.º 37.º da Constituição da República Portuguesa
Até quando nos será permitido o livre pensamento e a sua divulgação pública?
Até quando poderemos usar o manifesto como um marco de uma posição pessoal, em determinado momento, sobre um assunto que consideramos da máxima importância para a sociedade em geral?
Perante uma evidente posição tendenciosa ou desprovida de fundamento positivo da parte de um governo, creio ser lícita a publicação de um manifesto – nunca com um objectivo impositivo por parte de quem o elabora, mas apenas como manifestação pessoal, traduzindo o julgamento de alguém.
É notória a existência de uma tendência para uma viragem à direita, em certos países. Consequentemente, perante essa ameaça, o panorama político desses países, onde a democracia é defendida – maioritariamente ou não – começa a alterar-se, agitando as forças antagónicas na tentativa de travar o avanço da direita. A história não me parece resultar como experiência, porque quando as “águas se agitam”, surge o desespero que gera o caos e, no auge dessa agitação, aparecem os defensores do regresso ao que consideram ter sido positivo, sem considerarem os males que causaram, em paralelo.
Conclusão pessoal:
Prevalece, na história, o saudosismo de um passado que julgo pouco tenha ensinado. Acredito que não existirá nunca um aproveitamento benéfico dos factos que a história relata… até porque dependerá sempre do seu autor e de como tais factos são relatados. Tudo isto envolve um jogo de interesses que, pessoalmente, considero ignóbil, pois gerará sempre uma competição de forças que pode dar lugar a uma guerra atroz e ao risco evidente - e consequente - de perdas de vidas humanas.

Data da criação deste manifesto:
2025-01-14
A FLOR DO CAMINHHO

Entre pedras de um caminho,
nasceu esta linda flor.
Eu não sei se por amor
ou por respeito e carinho,
quem vai passando por lá
não ousa sequer tocar-lhe,
talvez para não roubar-lhe
a vida que nela há.
Oh! Quem me dera ser cuidada
como essa flor de rua,
ser companheira da lua
e do sol ser namorada!
Mas o tempo da existência
é efémero, sem prazo.
A morte é fruto do acaso
ou tem tempo de vigência?

Data da criação deste conteúdo:
2025-01-11
VAI EM FRENTE! NÃO TEMAS!

Avanças presa a um passado
que não consegues esquecer.
Transpõe os teus obstáculos!
Cada passo que dás em frente
é para avançar. Não pares!
Apoia-te em sustentáculos
que revigorem a mente,
para voltares a viver.
Enche a alma de esperança.
Quem bem luta, sempre alcança!
O que para trás ficou...
...não recordes. Acabou!
Esquece quem te fez mal,
ousando tua vida perturbar.
Para além do que é verdade,
há um mundo surreal
que esconde um vasto mar
de hipocrisia e falsidade.
Confia no futuro que te espera!
Não ajas à toa; pondera.

Data da criação deste conteúdo:
2019-03-03
NUNCA MAIS

Num baú antigo e tosco,
vejo um transparente fosco,
num mar de recordações.
São sombras das ilusões
que pintei com o verniz
da vida que tive e quis.
Estão enlaçadas num todo;
fazem parte do engodo
de um passado que não sigo.
Procuro-te e me castigo
por penosas concessões
às tuas violações
daquilo que sempre fiz.
Secaste-lhes a raiz.

Data da criação deste conteúdo:
2022-04-12
AUSÊNCIA DE ÉTICA E DE MORAL EM CERTA IMPRENSA

Gozar com a desgraça de alguém
é sadismo que não convém.
Há perguntas inconvenientes,
feitas por inconscientes,
que chego a ficar chocada,
estupefacta e revoltada!
Vejamos só este caso,
escolhido por mero acaso.
Acaba de ser anunciado
que alguém foi assassinado.
Perguntam a um seu parente:
– Por favor... como se sente?
Se fosse eu a questionada,
responderia, perturbada:
– E você, seu atrasado?
Estaria melhor calado!
Sede mórbida de ver sofrer!
São perguntas a fazer?
Em vez de acalmar... corroem,
angustiam, não comovem.
A pessoa, magoada,
que está a ser entrevistada,
é invadida por gente
curiosa e incompetente.
Será que algumas revistas
pagam aos seus jornalistas
para explorar notícias
– eventualmente fictícias –
só para atearem chamas
em almas sedentas de dramas?
É que as perguntas que fazem
desagradam, não comprazem.
E quando um título atrai
numa notícia que sai,
falsa do princípio ao fim…
faço-me a pergunta assim:
mas que jornalismo é este?
Não haverá quem proteste?
A decência é fundamental
no jornalismo, em geral.

Data da criação deste conteúdo:
2020-01-09
O FARDO DA HUMANIDADE PERDIDA

Mais um ano decorreu, deixando para o próximo o pesado fardo de destruições maciças, execráveis na sua natureza, ceifando vidas e valores irrecuperáveis. Tudo porque alguém, algures, insiste em vencer, pelo uso da força, a batalha de interesses que a maioria da população mundial repudia.
Esse alguém vê nas armas um trampolim para alcançar o domínio absoluto, onde só existe deferência por si próprio, ignorando o respeito pela vida. A paz que proclama é uma ilusão apodrecida, que apenas reforça o seu sentimento de invencibilidade enquanto ser humano.
Nada na vida é eterno. Tudo será efémero enquanto persistir a ganância pelo poder absoluto sobre tudo e todos. O mundo precisa de valores comuns a toda a humanidade, onde o respeito pela individualidade e pela vida de cada ser humano sejam os alicerces imprescindíveis para a construção de uma paz duradoura.

Data da criação deste conteúdo:
2024-12-31
O DESTINO DA “GENTE”

O povo grita e pragueja
contra um governo impudente,
que se desculpa, gagueja
e não quer saber da «gente»!
Da «gente»… pois! E não só!
Ó meu Deus, vê lá… tem dó!
Na mente dos governantes,
enfatuados senhores,
nós não somos relevantes…
nós somos só pagadores!
O pobre está habituado
a ser sempre o condenado.
Enquanto ladrões, à solta,
vivem à grande, à francesa,
duma forma que revolta,
a «gente» vive na pobreza
dum miserável ordenado,
espremido e descontado.
Estamos cheios de conversas!
Queremos acções diversas!
Avancem com demissões,
um após outro, que a «gente»
quer ter, em vez de aldrabões,
um governo competente!

Data da criação deste conteúdo:
2012-10-17
DESAFIOS DE UM “NOVELO” INFINDÁVEL

Escrevo, apago, volto a escrever; registo no papel ecos do meu eu, do que penso hoje a meu respeito ou do que gostaria de ter pensado no passado, antes de ter assumido certas posições que marcaram o meu futuro para sempre. Não gosto de negligenciar a forma como reajo perante cada obstáculo, tal como não devo "encher de pompa e circunstância" um acto aparentemente bem-sucedido que, com o decorrer do tempo, possa vir a revelar-se um fracasso. Será por isso, talvez, que começo a sentir-me frágil em cada momento em que tenho de tomar uma decisão importante, sobretudo quando essa decisão envolve o futuro dos meus filhos.
Presentemente, no meu dia-a-dia, faço o que posso, não o que gostaria de fazer. Vivo como posso, não como gostaria de viver. Deixo-me vaguear ao sabor do tempo e das minhas possibilidades. Para quê ordenar ou organizar ideias, quando hoje somos mais vítimas do tempo do que vencedores na corrida para alcançar um determinado objectivo? Quando pensamos que estamos quase a alcançar a vitória, cai-nos em cima mais um problema que, ao tentarmos ultrapassá-lo, acaba por nos deixar absolutamente desiludidos, levando-nos a perder a vontade de seguir a estrada da vida que escolhemos e a dar prioridade ao que é, na verdade, prioritário.
Hoje, já não sou a mulher lutadora e cheia de garra com que os outros sempre me identificaram, muito embora conserve ainda a pretensão da sua existência. Contudo, vivo-a sozinha. Sempre que posso, evito que os outros se apercebam dela, pois dura apenas umas curtas horas. Assim que percebo que se torna nefasta, encho o peito de ar e vou à rua dar uma volta, se ainda for cedo. Se não for, reduzo-me à insignificância que me foi atribuída pelo Universo. Só não danço porque teria vergonha de o fazer sozinha, não vá eu convencer-me de que estou a endoidecer. Todavia, como sempre acontece nas minhas santas noites, quando vou para a cama, durmo consciente de que tudo parecerá melhor no dia seguinte.
Desisto, por hoje, de alongar esta minha tentativa de escrever. Se insistir em continuar a procurar o fio neste novelo sem jeito, acabarei por sair desiludida. Pese embora nunca tenha sido mulher de desistências, o bom senso exige-me que tente desistir de continuar este manifesto de luta por extrair o que não encontro. Voltarei a tentar amanhã, no meu tempo livre.
Tempo livre? Quem ousará usar esta expressão quando se trata de velhos? É aquilo que lhes terá sido dado em maior quantidade, como condenação perpetuada no curto espaço daquilo a que teimam chamar existência…

Data da criação deste conteúdo:
2024-12-16
APEGO À VIDA

O meu coração cansado,
por tanta pena sofrida,
bate forte, acelerado,
porque tem apego à vida.
Mil penas ultrapassou
– males infligidos sem dó –
mas fez de mim o que sou:
Mulher, Mãe e muito Avó.
Minhas ambições cederam
ao peso da minha idade,
mas o que os netos me deram
nem delas deixou saudade.
Mais anos virão ainda,
surpresas não faltarão.
Não há avó que prescinda
de outras formas de ambição.

Data da criação deste conteúdo:
2012-09-16
CERCO AOS MARRETAS

Cansei-me de esperanças sem resposta,
de promessas vãs, tantas, tantas...
A paciência está às avessas,
exposta à dura espera sem sentido,
mergulhada num sonho comprometido.
Não me venham com tretas esfarrapadas,
de algum "algo" que virará o mundo.
Estamos cercados por marretas,
com ideias torpes e ódio profundo.
Querem poder, tudo mais que poder.
Pretendem, firmes, executar um esquema
que, a seu tempo, nos conduzirá,
sem dó, sem pena ou piedade,
à amarga verdade deste poema,
se não agirmos já!
Travemos nesses cretinos hostis,
corruptos, orgulhosos e servis
o mal que se preparam para fazer.
Querem voltar aos tempos de outrora,
sem hesitação e sem demora.
Facultemos às crianças, pois,
razão para serem felizes!
Com bons exemplos, plantemos
raízes sadias nas suas mentes.
ainda sãs, como queremos.
Urge fazer uma limpeza geral
em toda a Nação, sem hesitar,
para que nasça um novo Portugal,
onde o Amor floresça, vindo da alma
e do coração, sem sombra de mal.
Que nunca mais seja aspiração imposta
pelo medo ou pela repressão,
como na sombra do Estado Novo,
com seu rastro de miséria e consternação.
Jamais tal pesar no nosso povo!

Data da criação deste conteúdo:
2013-10-07
DE AMBIÇÃO EM AMBIÇÃO

A ambição é um desejo
de algo que não teremos,
mas que bem queremos ter.
Será justo ter o ensejo,
mas sem cair nos extremos,
desse algo mais obter.
Tal ambição… é demais
se muitas outras virão,
provocando o exagero
de querer cada vez mais.
Daí, então, resultarão
a crise e o desespero.
Se tu não páras a tempo,
tudo pode acontecer,
e, portanto, eu te aconselho:
antes dum mau contratempo,
tenta já retroceder
e olha-te bem num espelho.
Teus olhos estão esbugalhados,
teus cabelos muito fracos,
oleosos e sem jeito.
Os teus bens estão penhorados,
teus instintos são velhacos,
já ninguém te tem respeito.

Data da criação deste conteúdo:
2013-04-28












