Maria Letra nasceu em Coimbra, a 20 de Setembro de 1938. Escreve poesia desde os 13 anos, idade em que manifestou a sua preferência por esta forma literária. Possui os cursos Comercial e Liceal, completos, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos das línguas Inglesa e Francesa em escolas estrangeiras. Aos 22 anos foi para Londres, onde estudou no conceituado colégio “The West London College”. Foi secretária de direcção e tradutora técnica durante 35 anos, e empresária durante 17.
Deixou Portugal para viver em Itália em 1989, por exigências de trabalho, mas três anos depois fixou residência definitiva no Reino Unido.
Lvros publicaos: “Meus Caminhos de Cristal”, em 2011, e "Meu Pequeno Grande País, em 2017.
Amiga, tu, como eu,
foste jovem, no Passado.
Hoje... estamos na descida
dum tempo quase esgotado.
Não penso, porém, no fim.
Tenho muita Vida, ainda, em mim.
Amiga, fala-me do tempo,
dos teus desamores,
dos teus desencantos
e dos teus dissabores.
Fala-me da tua má sorte...
...mas nunca me fales de Morte.
Amiga, fala-me da lua,
das tuas fraquezas,
das tuas paixões
e até das tristezas,
quando foste traída...
...mas deixa que eu te fale de Vida!
Recuso temer a Morte
mesmo que esteja a sofrer.
Antes de mim, morre a esperança!
Quero ser a última a perecer.
Tenho mil projectos em suspenso.
Enquanto o tempo corre...
é neles que penso.
Espero-me, paciente, há longos anos,
ao ritmo com que, já velhas, vão caindo
as folhas, uma a uma, em cada Outono.
Perdi a conta de tantos desenganos
que me foram, lentamente, consumindo
o privilégio de um sonho, em cada sono.
Já deixei de reagir à força sórdida,
que mantém-me refém, numa apatia mórbida.
Espero-me na solidão a que me agarro.
Já não há voos no meu imaginário
porque perdi as asas num voo louco.
Vítima dum todo, assaz bizarro,
vivo escondida num pérfido cenário,
desencontrada de mim e com bem pouco.
Se tudo quanto amei, saíu de cena,
porquê esperar-me, então? Não vale a pena!
Espero-me, paciente, há longos anos,
ao ritmo com que, já velhas, vão caindo
as folhas, uma a uma, em cada Outono.
Perdi a conta de tantos desenganos
que me foram, lentamente, consumindo
o privilégio de um sonho, em cada sono.
Já deixei de reagir à força sórdida,
que mantém-me refém, numa apatia mórbida.
Espero-me na solidão a que me agarro.
Já não há voos no meu imaginário
porque perdi as asas num voo louco.
Vítima dum todo, assaz bizarro,
vivo escondida num pérfido cenário,
desencontrada de mim e com bem pouco.
Se tudo quanto amei, saíu de cena,
porquê esperar-me, então? Não vale a pena!
Capa da Revista "Telenovelas" de 28 de Julho a 6 de Agosto de 2023
Num País onde o crime está a aumentar todos os dias, de uma maneira absolutamente preocupante, eu pergunto mais uma vez se não seria oportuno proibir a exibição de imagens chocantes como a que vemos na revista acima exposta, cujo maioritário propósito será o de aumentar as suas vendas, eventualmente aproveitando-se da conhecida paixão dos portugueses por telenovelas e/ou por viver cenas que envolvam drama pesado, marimbando para o respeito que deveria merecer-lhes os traumas de tantíssimas vítimas de violência, a quem magoará recordar certas imagens, e/ou mesmo para o quanto possa ser pernicioso para certos jovens, mal orientados, a quem as mesmas possam instigá-los à prática de violência como arma de descarga da sua revolta pela vida que têm, mas que não desejam.
Não me cansarei de denunciar tudo aquilo que, de uma maneira, ou de outra, possa alimentar os muitos criminosos que já existem em Portugal, situação esta agravada, actualmente, pela nossa justa boa vontade em acolher migrantes que estejam a viver grandes dramas no seu país de origem, embora muitos dos quais não saibamos, tão pouco, qual a verdadeira intenção por que pedem permissão de residência no nosso País.
Vivo a impressão de que o mundo está a sofrer uma pesada reviravolta, em todos os sentidos, e temo muito pelas crianças.
Servimo-nos de ti, constantemente.
És usada e abusada.
Não reclamas, não contestas
e, em troca, o que é que pedes?
Nada!
Se te pegam, docemente,
tu és amada.
Se te pegam, rudemente,
tu és odiada.
Se fores veículo de insulto,
e não cederes à resposta,
geras tumulto
na alma de quem tu feres
e sofres o que não queres:
um bombardear de ofensas.
O que pensarias tu
se pensamento tivesses?
Que o teu corpo nasceu nu…
serve todos os interesses.
Fala-se muito de violência doméstica mas, pessoalmente, chamar-lhe-ei apenas violência em geral, porque hoje generalizou-se de tal maneira esta forma de imposição do poder de uns sobre outros, que prefiro não fazer distinções entre uma e outra.
Ao longo da minha vida - que já vai longa! - nunca senti tão profundamente o que está a acontecer, no plano social da luta contra a violência. Parece-me existir uma considerável dose de hipocrisia, da parte do poder e das instituições, quando tomam certas posições, relativamente à urgente necessidade de acabar com a escabrosa violência, generalizada, entre focos da população portuguesa e obstáculos, ocultos ou não, que surgem de todos os lados, no sentido de travar as posições a assumir, travão esse que impossibilita a realização do que seria desejável. Instalou-se um absoluto caos entre as diversas fontes de comando e de actuação para solução do problema, e a população menos instruída - e talvez farta de "levar no corpo" - parece procurar na violência a sua forma de manifestar-se vítima e/ou exorcista de si mesma. Com o que expus acima, gostaria de expressar a forma como encaro as possíveis causas mínimas do que está a passar-se na nossa sociedade, causas essas muito medíocres relativamente a um manancial de muitíssimas outras. Assim sendo, e consciente de que tudo o que pudesse expor como óptica pessoal do problema poderia ser julgado como sendo anti-democrático - quando sou completamente o inverso disso mesmo - exporei apenas pontos que carecem de uma reflexão profunda, começando pelos mais importantes, indiscutivelmente. Irei repetir-me em alguns que já referi, aqui e ali, em textos anteriores, os quais pecam por antagonismos que se vão manifestando, os quais, de algum modo - mesmo que por diversificadas actuações - poderão alterar os respectivos efeitos em diferentes vertentes.
1. É inadmissível a permissão de serem transmitidos certos tipos de programas televisivos ou a edição de capas de revista de novelas exibindo imagens de uma violência macabra, expondo-as aos olhos de, por exemplo, jovens em formação, muitos dos quais são já defensores da violência durante o namoro, o que estamos a constatar acontecer em larga escala. 2. Igualmente inconveniente é, também, a permissão de serem vendidos produtos alimentares muito prejudiciais à saúde - e não só! - e, paralelamente, ser apregoada à população, pelas mais variadas fontes, a necessidade de respeitar uma alimentação saudável. “Dando uma no cravo e outra na ferradura”, não se chegará a lado algum. Sabemos da existência de muita ignorância neste país e dizer-se que as pessoas são livres de comerem, permanentemente, o que muito bem lhes aprouver, como é o caso do que acontece em milhares de famílias, estamos a incorrer numa situação desagradável no que se refere à formação de uma juventude saudável. De uma óptima alimentação se constroem homens de mente sã. Não podendo, obviamente, ser imposto o fim de uma má alimentação, haveria, no mínimo, a necessidade de realizar atraentes e permanentes campanhas de consciencialização. Infelizmente retardaria o propósito, mas valeria a pena tentar-se. Mais... ser pretendida uma boa formação dos jovens quando, de uma grande maioria deles fazem parte já auténticos heróis de sobrevivência, é uma utopia. Esta situação choca com a realidade de muitos deles serem já referenciados como sendo vítimas directas do tipo de vida que são levados a conduzir, face às suas carências. 3. É inadmissível o descalabro do aumento exagerado dos preços de produtos alimentares, quando além do miserável ordenado mínimo e do subsídio de reincerção que muitos recebem, a população está a ser altamente prejudicada pelas inúmeras desonestidades praticadas por um ou por outro elemento do governo e/ou de importantes responsáveis de instituições e de grandes empresas - desonestidades essas que empobrecem o país. Não esqueçamos que a população será sempre – de uma maneira ou de outra - quem paga os prejuizos financeiros que o governo possa sofrer. 4. De que serve o aconselhamento sobre prevenções a bem da saúde pública, quando o que é facultado a quem não tem um rendimento mínimo digno, gera milhares de doentes que, por sua vez, são expostos a situações constrangedoras ao recorrerem aos hospitais e/ou centros de saúde? Esta posição é vergonhosa! 5. A tendência hoje, em Portugal, gira neste sentido: o teu valor como pessoa é proporcional ao valor do teu património. Regra geral, só escapa desta classificação quem teve a sorte de adquirir uma boa formação moral e cultural, e uma robustez espiritual fora dos limites considerados normais. 6. Saúde e Educação são dois temas de uma importância social preciosíssima! Serem permitidas condições de trabalho absolutamente condenáveis, a profissionais de saúde e de educação, inspiram na população o quê, em boa verdade? Resiliência!!! O problema é que muitos idosos e mesmo até os mais jovens, não aguentam o peso que esse mesmo problema lhes pôe em cima. Admite-se que haja doentes a recorrer às urgências e não haja médicos de serviço para os socorrer, acabando alguns por morrer? 7. Entre os que vivem miseravelmente e os que “se vão safando”, circulam os que têm rendimentos superiores àquilo de que necessitam para viver desafogadamente e sem preocupações... já para não referir os que, em quaisquer situações, marimbam sempre para o que vai acontecendo no seu País.
Sente-se, em Portugal, uma enorme falta de ESTOICISMO, da parte dos mais carenciados, o que é perfeitamente compreensível dadas as suas condições de vida. Esta falta é chocante quando confrontada com uma enorme OSTENTAÇÃO da parte de alguns dos grandes priviligiados existentes, e de uma considerável dose de INCOMPETÊNCIA da parte de outros que têm a superior responsabilidade de governar o nosso querido País.
Chocou-me profundamente ter tido conhecimento, já com 60 anos, de incongruências existentes entre a doutrina católica e o que possa o Estado do Vaticano ter tentado encobrir sob um manto diáfano de lamentável hipocrisia.
Recordo que, quando criança e quando adolescente, era o único membro da família que ia à missa ao domingo. O meu quarto – quando tinha treze anos – tinha uma mesinha carregada de santinhos e imagens. Meu Pai, que eu amava muito, era absolutamente ateu, e brincava sempre com essa minha prática semanal de ir à missa todos os domingos, tinha eu 15 anos. Quando me preparava para sair, ouvia-o sussurrar ao ouvido da minha Mãe, de forma a que eu ouvisse, e com ar entre irónico e brincalhão:
- A tua filha vai à missa ao domingo para pedir perdão a Deus e poder continuar a pecar durante a semana.
Claro está que o fazia brincando comigo, talvez porque acreditasse que tal prática pessoal iria passando com a idade... Não brincava, porém, quando me avisava que não ousasse confessar-me a um padre, porque aí o assunto seria mais sério... Mas eu confessei-me e fiz a comunhão em segredo, sem vestido especial ou qualquer tipo de festa, obviamente. Era um segredo que eu queria manter, porque sabia bem quanto me poderia custar se ele viesse a saber que eu havia transgredido as suas ordens.
Quando eu tinha já 18 anos, estávamos à mesa a almoçar e ele olhou para mim, com ar “ameaçador”, e disse-me:
- Que eu não tenha a confirmação de algo de que desconfio... porque aí, irei ter de tomar uma posição de que não irás gostar.
A partir dos meus 30 anos, mais ou menos, comecei a manifestar uma certa relutância em aceitar atitudes e posições da igreja, que me chocavam muito, mas embora tivesse deixado de ir à missa, eu continuava a considerar-me católica apostólica romana. Tive, porém, um conhecimento mais profundo de certas situações, durante os anos em que fiz deslocações permanentes a Itália, por questões de trabalho. Aí, fui confrontada com o conhecimento de certas notícias lamentáveis do que se passaria no Vaticano, e que nada tinham de comum com valores de humanidade e de fraternidade que eu tanto defendia.
Anos mais tarde fui viver para Torino, e foi aí que comecei a ouvir rumores da razão pela qual o Banco Ambrosiano tinha ido à falência e, então sim, comecei a duvidar dos conceitos de religião que tinha adquirido em criança e que fizeram de mim católica apostólica romana, bem contra o desejo do meu Pai. Assim sendo, fiz algumas reflexões! O Vaticano nada tinha que ver com os valores que eu defendia e, portanto, passei a perservar os que, moralmente me serviam, e servem, tendo-me desligado totalmente da igreja gerida por um grupo de entidades “religiosas” que estarão a degradar a confiança que os católicos depositavam neles.
No que diz respeito à minha posição actual, perante a igreja, perante a sociedade, e perante o mundo, faço a gerência entre o que se diz e o que convém respeitar, optando por seguir uma linha de AMOR incondicional à vida, e aos outros, carregada de tudo o que a minha consciência me vai ditando.
A areia da tua praia guarda segredos bem fundo que nunca revelará aos curiosos do mundo. Tem sido fiel cobaia de mil ditos e enredos. Sem contramarcha, tu teimas em enfiá-los na tua abusada lida. Na tua vida não há, nem haverá, o sossego que desejas, enquanto nela faltar “Inversão de Marcha”, ou “Saída”…
Estás na hora da partida, embalando os teus haveres. Que pobreza de conteúdo! Quando tu eras miúdo, entraste num mundo em festa com uma lista gigantesca de coisas para fazermos. Sem ideias, sem sabermos por que lado começar, era importante avançar! Portugal estava abatido pelo que tinha perdido. Havia uns que corriam, outros que nada faziam. Muitos passavam o tempo fazendo dele passatempo, enquanto outros, honestos, organizavam protestos contra a gula e a luxúria dos detentores da incúria. Vais partir triste, deixando muita gente meditando, com perguntas sem resposta. Eu faço-te uma proposta: diz ao teu filho hoje à noite, que reze por um milagre: que a guerra não deflagre. Estamos cá para ajudá-lo. Somos muitos a apoiá-lo!
A liberdade deixa de ser uma ilusão se nos libertarmos das amarras que nos mantêm prisioneiros de algo. Apenas pratique o que for adequado aos seus próprios interesses saudáveis. A liberdade é adquirida, não posta à disposição de quem serve interesses que provocam a falta de liberdade.
Se o mundo está mal,
de que serve fazeres de conta
que tudo corre sobre rodas,
negligenciando os que sofrem
mais do que tu?
Se nesta vida que te deram,
falhares como cidadão,
serás tudo, menos um bom irmão.
Nascemos com a missão de viver,
não de matar.
Cerrem-se as lutas! Tranquem-se as portas
que conduzem a um fim indesejado.
Fazes parte deste todo,
envergonhado do que vês,
mas será insensatez
“deixar rolar”.
Demos as mãos e unamo-nos firmes
na luta contra a droga, a guerra
e a destruição dos valores básicos
para uma vida feliz.
Cortemos o mal pela raiz.
Dá-me a tua mão, sem hesitação.
Salvemos a Terra.
Sigamos a estrada que nos conduz à Paz.
Digamos NÃO à Guerra!
À pergunta “quem sou eu”,
sou directa e bem concreta:
não tenho nada de Orpheu,
mas dizem que sou poeta.
Sou uma mistura de pouco,
e o resultado de tanto,
e com meu “estar” meio louco,
acabo sendo eu, portanto!
Envolvo a insegurança,
numa certa valentia,
com muita perseverança...
...“e levo a carta a Garcia.”
Como vivi a pandemia?
No global, o que sinto,
é que a vivi, dia-a-dia,
metida num labirinto
de coisas que não suporto.
Se discordam, não me importo!
Em tempo de frustração
por um vírus vagabundo
ter vindo para matar,
eu senti, bem no meu fundo,
asco da vil ignorância
que causa tanto mal-estar.
E... talvez pela minha idade,
uma enorme discrepância
entre a mentira e a verdade,
gerou em mim implicância.
De olhos cheios de poeira,
perdi qualquer esperança
de ser-nos dada maneira
de promover confiança.
Já ninguém crê no que contam
os grão-mestres da ciência.
Hoje dizem uma coisa,
amanhã... haja paciência!!!
Depois do que vi... e vejo,
nos meios de informação,
sei que há pessoas sem pejo
de iludir a multidão
com programas inconvenientes.
A justiça, sempre lerda,
não é posta a funcionar
contra quem defende a tese
de as audiências salvar
mesmo que o que passe lese
os interesses da criança.
Um, ou outro, programador,
fiéis a uma velha herança...
vão recorrendo a programas
com violência... no amor.
O resultado final?
As audiências... são salvas
e grita-se: Menos mal!!
MAS QUE FALTA DE PUDOR!
Portugal está, indiscutivelmente, com problemas graves no Sistema Nacional de Saúde, problemas esses que geraram este meu manifesto de hoje. Antes, porém, gostaria de repetir-me afirmando que sou absolutamente apolítica, sobretudo porque, com a minha avançada idade, já vi incumprimentos de todos os lados, quer seja da esquerda, quer seja do centro ou da direita.
• Em Portugal luta-se muito na tentativa de ensinar os Portugueses a optar por uma alimentação saudável.
a) O cidadão português que vive com um salário mínimo nacional, ou com um subsídio de reinserção (?), pode comer saudavelmente, quando o dinheiro que (não) tem disponível só dá para passar fome?
b) Quanto pior se come, mais doentes são gerados! Isso acelera a ineficiência latente do serviço hospitalar, agravando, em consequência, as condições económicas da população que acabará por ter de descontar parte do que recebe, para pagar ao Estado os prejuízos que possam advir da sua deficiente actuação. Todos os aumentos que têm sido feitos podem ser considerados uma permanente anedota... Ou não?!?
c) Estou de acordo quando há dias ouvi alguém dizer, numa entrevista, que os cidadãos que possuam formação superior - como um curso universitário ou outro de elevado mérito - deveriam receber mais do que outros trabalhadores que têm uma formação básica, por exemplo. Isso poderá, na realidade, criar nos alunos interesse por adquirirem uma formação superior. Não estou, porém, de acordo que esteja a perder-se prestígio no que respeita a certas posições do governo português, que faculta um rendimento de reinserção, ou mesmo um ordenado mínimo nacional, repito, absolutamente vergonhosos, valores esses que dão facilmente para atirar um ser humano para o Serviço Nacional de Saúde actual, podendo mesmo acabar morrendo à porta do hospital, se não houver médicos disponíveis para socorrê-lo em tempo record.
Se nós somos aquilo que comemos e que pensamos, solicito ao Estado o favor de deixar que pensemos melhor e proporcione a quem vive mal, acesso a uma alimentação digna. Considero muito grave que não se apliquem medidas para pôr fim à miserável situação em que vivem tantas famílias em Portugal, daí o aumento dos doentes, o aumento do crime e o aumento de tantas outras situações nefastas a todos e à reputação de um País lindo como o nosso. Sente-se que a maior preocupação de quem gere a nossa economia, é dar de comer a certos políticos que tanto mal causaram ao país e que, “coitaditos!”, devem continuar a viver bem. Não será isso?
Ofereces resistência às suas investidas... ...em jeito de brincadeira, mas atenção à insistência das batidas. Cada uma, traiçoeira, arrasta prepotência e... água mole, em pedra dura ...tanto dá até que fura!
Se sentes que nos outros tu já não crês, porque alguém te feriu, atraiçoando uma jura que te fez… Se estás a sentir que o mundo desabou a teus pés, porque a pessoa que amas e a quem te confessavas não te aceita como és. Se sentes não seres capaz de voltar a amar, ferida no teu amor próprio e sem qualquer vontade de perdoar... Olha o teu passo em frente. Ele anseia prosseguir, não importa por qual estrada e a despeito dessa dor que possas estar a sentir. É no caminhar consciente do que possas enfrentar, que aumentarás a força que tu não sabias ter, nem precisar. Não queiras olhar para trás, para tudo o que tu deixaste. Faz parte do teu passado, dum tempo para esquecer. Foi nele que te magoaste. É no futuro que deves acreditar, criando esperança. Agarra a Vida com muito amor, sentindo a força e o valor do olhar duma criança.
Cada vez que penso dar
tempo ao tempo que ainda tenho...
acabo por perguntar
a mim mesma, com pesar,
se o tempo da minha vida
tem tempo para esperar.
É que me sinto perdida
num mar de tantos pendentes,
que tenho por resolver...
São coisas assaz urgentes
que o tempo, sempre a correr,
não quer deixar-me fazer.
Nem já posso perder tempo...
nem tenho tempo a perder.
Um peso enorme nos ombros,
e um doce encanto que adoro,
parecem saír de escombros
de quando em quando… e choro
por elos de tanto Amor,
nascidos de muita dor.
Prisioneira neste mundo
em conflito, não me sinto
capaz de saír do fundo
dum Passado, mais que extinto.
Barulhos fortes, constantes,
me despertam por instantes…
Meus pés doem ao puxá-los
para que sigam em frente,
mas já não sei libertá-los
deste sofrido Presente.
Sinto-os como que amarrados,
teimosamente parados.
Um céu cinzento turva-me a razão. Não sei quem sou. Não me conheço. Giro como um robot, sem direcção, num nevoeiro cerrado e espesso que não me deixa ver pra onde vou. Não sei quem era, nem sequer quem sou. A minha alma confusa e perturbada não me deixa perceber o que se passa. Viajo perdida entre tudo... e entre nada. Na fonte que procuro, a água é escassa. Sou alguém que não vive, sucumbiu. Amputaram-me as asas. Sinto frio.
Amor é uma luz cheia de vida,
que surge quando menos esperamos.
É uma chama calma, reflectida
no mais pequeno gesto que façamos.
Amor, algo que nasce e fica em nós.
É uma força calma, linda, dedicada…
que não reclama, não fala, mas tem voz.
Usa os corações como morada.
Por ele se faz passar sua irmã gémea
a quem foi dado o nome de Paixão.
Actua sem piedade, sem ter rédea;
espalha dor, não sabe o que é perdão.
O Amor vive num tempo sem limite,
mesmo que magoado, e em ferida.
Ele é o centro dum mundo cego e tonto,
mas é a melhor essência desta Vida.
Um jogo vergonhoso de interesses
impera... destruindo este País
onde a população... está infeliz.
Oh infortúnio! Poucas são as vezes
em que a justiça faz pronta questão
de antecipar devida punição!
Fala-se de culpas e condenações,
mas a espera... enfim! É muito longa!
Entretanto, se alonga... se prolonga...
Quando chegam, finalmente, conclusões...
os culpados ter-se-ão bem prevenido,
e terão um bom futuro! Garantido!
Maldita seja a grande perversidade
que impera neste mundo desumano
onde os bons... só existem por engano!
Impera a vilânia e a dupla crueldade.
Salvemos as crianças desta loucura!
Isto não é viver! Isto é tortura!
Em tempos de criancinha, na minha igreja,
falavam-me de inferno, com muita firmeza.
Diziam ser o castigo, quando eu pecasse...
Porque toda a repetição a mais, caleja,
como sempre fui uma prendada, que se preza,
ficava assaz estarrecida... sempre que falhasse.
Fui crescendo... Muito devagar, fui entendendo,
que para perceber bem o que é o inferno,
teria de aprender mais... para além dele...
E foi assim que, lentamenter, fui diluendo
certos medos - mesmo que ‘in modo” prosternal.
Que contra o meu passado eu nunca me rebele!
Luto por encontrar-me
entre o meu ego e eu.
Não sei onde estou,
por onde tenho andado,
nem o que me aconteceu.
Sim, talvez viva algures,
numa dimensão diferente.
Quiçá terá sido a razão
por que se gerou tanta tensão,
entre um e outra,
duma forma crescente.
Fizemos disparates sem conta
em todas as minhas presenças,
e em todas as minhas ausências.
Foram inúmeros os conflitos
existentes entre ambos.
- Quantos... Quantos!!!
Perdi-lhes muitas vezes,
o rumo, ao ser-me pedido
para dar mais do que podia,
...simplesmente porque devia.
Talvez eu já tenha sucumbido,
ou vagueie neste mundo caótico,
procurando-me entre os dois,
num passado tortuoso, sofrido.
Tive de tudo, mas nada pedi.
Busco-me por toda a parte!
Até mesmo nas minhas raizes,
onde o meu ser foi concebido,
e onde nem tudo foi alegria.
Acredito ainda, que um belo dia...
será dada vida à esperança
de ficarmos juntos, felizes,
em perfeita harmonia,
e em eterna segurança.
Toda a violência exercida nas raízes
de alguém para quem o passado é sagrado,
perpetua-lhe inapagáveis cicatrizes
que serão, eternamente, um seu legado.
Actos imperdoáveis, causadores de medo,
como aqueles do direito de posse, e do ciúme,
são comparáveis aos da lapa presa no rochedo
que, como tal... de direito se julga e se presume.
Urge encontrar meios para exterminar
vícios nefastos, geradores de violência...
embora difícil seja qualquer interferência.
Contudo, se nada se fizer, irão continuar
mortes macabras e todo o tipo de agressão.
Tenha-se eficaz control da situação.
Ouço o chilrear dum pássaro, aturdido.
Minha alma desperta ao som dum novo dia.
A noite despediu-se escapando do ruído
de seres indignados, gritando de agonia.
Começa o movimento dum vaivém que cansa.
O povo não se cuida, afunda na rotina...
e neste afundamento pesa o da criança
entregue a vigilâncias às quais se subordina.
Vives esmagado por normas sociais
onde impera a força de grandes aldrabões.
Queimam a tua esperança e as tuas ilusões.
Vives numa era de forças virtuais.
Deixaste de ser livre! Tu és um seu refém!
Não vales pelo que és, mas sim pelo que tens.
Duas pestes coabitam
no meio da multidão.
Perturbam, maçam, agitam,
são um mal sem solução.
A primeira, a Ignorância
- crassa e até desordeira -
se persiste sem “substância”
arrisca a gerar cegueira.
Depois, há a Petulância.
latente nos sabichões.
Ostentam muita arrogância.
Provocam indigestões.
Os dois grupos são perigosos
quando reais opressores.
São os dois capciosos,
a que chamo... “os professores”.
Urge curar este todo
de gente assaz convencida.
Só de ouvi-los me incomodo.
São os pobres desta vida.
O dinheiro não distingue
graus de conhecimentos.
Quanto valerás se extingue
em tristes comportamentos..
Ignorantes, ou cultos,
fundem-se na actuação
se ambos geram tumulto,
perturbando a multidão.
Reencontrei-me num mar de exclusões.
Nada do que tivera, me seduzia,
e o que restou está nu do que era seu.
Em redor fala o silêncio. Não há recordações
daquilo que não era, mas parecia,
enquanto bajulavam o meu EU.
Se houve quem me amasse, eu não sabia.
Não foi perito na arte de se expor...
...ou sentiria remorsos se paz me desse?
O futuro? Que importa? Eu já sabia
que iria continuar sem ter amor,
contudo, tudo fiz pra que o tivesse.
Resta porém, feliz, a minha alma
serena, e inexoravelmente... calma.
Relativamente ao género de poesia que escrevo, por vezes sou confrontada com perguntas sobre o porquê duma tendência para a melancolia, ou até para uma certa rudeza quando abordo alguns temas, razão pela qual decidi escrever este manifesto.
Escrevo sobre sentimentos, negativos ou não, ou sobre acontecimentos que mexem com as minhas fragilidades, das quais urge me liberte, daí - regra geral - o género da minha poesia. Ela é o eco de desabafos que faço comigo mesma, num espaço etéreo muito meu, criado por mim. É nele que grito, silenciosamente, as dores das minhas cicatrizes, ou as razões que me deram a força que tenho tido e que quero se mantenha, enquanto puder. Terminada a construção do tema, regressa a mim a alma que conservo de raiz: resiliente, pronta a enfrentar a vida com superação de males pessoais, ou do mundo, e com o espírito aberto a um futuro desejável e – por que não? - feliz!
Sendo eu uma cidadã atenta ao que se passa no meu país, e no mundo, será que terei motivos para encher o céu de sol quando o vejo coberto de nuvens?
Peço um firme alerta a cada ser
coexistindo comigo, aqui no mundo:
façamos cerrado cerco a quem estiver
revelando, por actos, ser alguém imundo.
Sempre que virmos uma anormal presença
de alguém suspeito, junto duma criança,
deveremos questioná-lo, sem ofensa.
Nunca ignorar se houver desconfiança.
Estejamos atentos! Urge observarmos
atitudes diárias, inconsequentes,
que nos surpreendam e não compreendamos.
Prolifera no mundo gente que maltrata,
e nem sempre a lei protege os inocentes
com punição severa, para quem os mata.
Que ninguém tenha ilusões quando julga reacções. Se não conhecer a fundo - por exame assaz profundo - o cerne duma questão, pode haver precipitação. Cada pessoa é um caso se acontecer extravaso que venha a ser causador de boa ‘molha’ em redor. Aí, é porque há revolta que se liberta, se solta, por se romper o travão. Isso gera exaltação. Por vezes é como ter um copo de água a encher e uma simples gotinha, que pouco volume tinha, provoca um aguaceiro que serve de mensageiro de penas acumuladas que não podem ser julgadas por uma gotinha a mais, porque essa... já foi demais!
Gostaria que este poema tivesse asas
para poder voar pelo Universo,
pincelando de cores todas as casas
e emanando amor de cada verso.
Gostaria que cada ser reflectisse
nos seus erros, cometidos no passado,
e que, com a melhor fé, se permitisse
ser de muito sofrimento liberado.
Gostaria que cada pessoa fosse luz
no bom renascer dum mundo com valores.
Ódio é um factor que nos conduz
ao deflagrar de guerras, com seus horrores.
Gostaria que o renascer fosse na base,
no seio das famílias mal formadas,
atendidas com amor, em cada fase,
e todas, condignamente, respeitadas.
Gostaria que cada governo fosse forte,
fiel à sua causa, muito activo,
e nunca se desviasse do seu norte,
projectado num sentido construtivo.
Não serão, certamente, estes meus versos,
gerados na dor do que estou vendo,
que irão mudar as mentes dos perversos
que vivem pra matar, mesmo morrendo.
Condenada e sem saída, a vossa estrada
cheira a mortes e a fogo, aqui na Terra.
Vive-se a mentira arquitectada
nas verdades ocultas duma guerra.
Os corpos inocentes que hoje jazem
em terras onde o solo é infecundo...
têm o vosso selo vil, imundo.
Não temo as ameaças que, em vão, fazem.
Sou cidadã do mundo. Busco Paz...
esteja ela onde estiver. Tanto faz!
Face a certas notícias deploráveis que leio diariamente, por vezes tenho a impressão de sentir a minha alma gritar-me ao ouvido para parar de ter a esperança de que o mundo vai melhorar. Não devendo abandonar a minha necessidade de manter-me informada, busco formas de travar os meus ocasionais ímpetos de revolta interior pelo que vai acontecendo, mas não é fácil. Há actos que tento ultrapassar, muito embora com grande dificuldade, mas fica a martelar na minha mente uma pergunta: em qual direcção estará a humanidade a desejar seguir, uma vez que, apesar dos esforços que pessoas de bem tentam pôr em prática - no sentido de acabar com os hediondos crimes que acontecem todos os dias - as estatísticas revelam resultados frustantes que nos estrangulam toda a esperança que possamos desejar manter.
Fico perplexa quando leio que alguém, numa determinada localidade onde é considerado/a pelos vizinhos como uma pessoa cortês, educada - enfim, uma boa pessoa! - inesperadamente surpreende todos com a atitude macabra de matar, com hedionda barbaridade, alguém a si ligado/a, atitude essa reveladora de um ódio profundo pela vítima quando, aparentemente, na opinião dos referidos "todos", sempre havia revelado amar, profundamente, a pessoa que acaba de matar. Isto leva a uma lenta mas bem fundamentada razão para duvidarmos de toda e qualquer pessoa, o que é revoltante! Mas que mundo é este que estamos a tentar mudar, no sentido de ser gerada confiança no futuro quando, simultaneamente, a realidade coloca-nos perante um cenário tão cinzento e tão sombrio? Desagrada a qualquer ser humano, de "mente mente sana in corporeo sano", dever acreditar que ninguém é fiável, mas impõe-se que aceitemos esta tristíssima realidade, se pensarmos nos nossos filhos e nos nossos netos, bem assim como nas crianças que, inúmeras vezes também, ficam abandonadas a si próprias, envoltas no mistério de tanta coisa que não entendem e que os marca para sempre.
É um facto real que, ao longo da história, foram praticados actos de extrema violência, mas estamos a viver uma muitíssimo recente viragem, no nosso país, viragem essa aparentemente inspiradora pelos esforços que estão a ser feitos no sentido anti-corrupção, anti-crime, anti tudo e mais alguma coisa, e o resultado não está a gerar o que se pretende. Está em processamento uma luta real pela renovação da sociedade, em prol de valores que sabemos estarem em degradação, mas os resultados desejados estão a ser desgastantes e de grande frustração, por contra-acções paralelas. Tal luta carece de um forte 'background' de apoio estatal. Vejamos o que está a acontecer relativamente
a) à violência social, b) à péssima conduta de orgãos de soberania responsáveis, c) à desonestidade de quadros com altos cargos em grandes potências económicas,
todavia, tudo parece continuar “em modo conveniente”. E conveniente para quem? Para um certo núcleo de gente!
Resiliência parece ser a única ferramenta a que poderemos recorrer, mas trata-se de uma arma muito pouco abrangente, se pensarmos no muito que está a ser exigido de todos nós, nos mais variados campos, levando ao desespero total dos mais fracos de espírito e/ou de menos sólida formação.
Marco um encontro comigo.
Ora me atraso… ou não vou.
Tenho sempre uma razão.
É que ouvir-me - se consigo
explicar-me quem sou -
gera grande confusão.
Se pretendo analisar-me
neste quadro social
em que, confusa, estagnei…
acabo por magoar-me.
Encontro-me nele tão mal
que já nem sei quem serei.
Pergunto-me, revoltada,
como posso suportar-me
vivendo neste cenário…
Mas a resposta, aldrabada,
com que tento desculpar-me…
nem merece comentário.
Resignada, não estou.
Conivente… também não.
Gravito em torno de mim.
Já que não sei bem quem sou,
prefiro dar-me à paixão
de aturar-me até ao fim.
É por isso que um encontro
entre mim e eu, se afunda.
Complica-me o sistema.
Receio que um desencontro
entre as duas, nos confunda,
face a todo este dilema.
Terás sido magoada pela vida,
ou criticada por vis ignorantes,
mas nasceste pra cumprir várias missões
que não deverás, jamais, menosprezar.
Há que iniciares luta aguerrida
contra males reais e massacrantes.
Faz renascer em ti, novas paixões,
e nada será mais como era antes.
Segue em direcção àquela luz
que vês na nova estrada.
Segue em frente... confia!
Caminharás, então, em segurança,
com uma confiança intemporal.
Procura liberar-te dessa cruz
que sobre ti caiu e, de repente,
tudo enfrentarás com mais esperança!
No Universo nem tudo é surreal.
Sei que tens vontade de viver
e de fugir dessa inacção atroz
que irrompeu, inesperadamente,
sobre a tua alma limpa, pura...
Não desistas nunca. Urge vencer
os gritos da tua depressão sem voz.
Avança lenta, mas decididamente,
e sentir-te-ás, aos poucos, mais segura.
Queria ser Primavera, vestir as árvores de verde quando pareciam já mortas, em aparente agonia… Queria ser Primavera, ser força quando tu perdes um sonho lindo, que abortas do ventre em que era magia. Queria ser Primavera em casa de quem é pobre, ser esperança e ser coragem, não ter tempo, nem idade. Queria ser Primavera na nuvem que o sol encobre e em cada minha abordagem, falar só de Felicidade.
As leis devem ser cumpridas!
São duras, mas não faz mal
se com justiça criadas
e com justiça votadas
pra todo o crime, em geral.
Porém, há casos chocantes
tanto nas mal concebidas,
como nas mal aplicadas.
Vejamos só este caso...
das taxas que nós pagamos
dentro de assaz curto prazo.
Quando um pobre ser, coitado,
tem um percalço na vida
e vê-se, então, condenado
a não poder liquidar
todas as contas do mês...
Seu sossego...era uma vez!
Por qualquer valor em débito,
nem que sejam poucos euros,
penhoram-lhe a própria casa,
e o salário que tem,
em tempo record. Pois bem...
Se, no entanto, um ministro,
ou outro VIP qualquer
que tenha um certo poder,
cometer um acto-crime
que lese gente, em geral,
será também condenado,
contudo, o tempo que leva
a resolver o seu caso,
dá-lhe tempo pra girar
os seus bens pra outro nome
...ou até divorciar-se.
Esse, nunca morre à fome!
Podemos ter a certeza.
O tempo que vai levar
o seu caso a resolver...
dá pano pra muita manga
enquanto o pobre, impotente,
fica doente... e de tanga!
Este, o que tiver,
seja pouco, ou seja nada,
não precisa daquele tempo
e, com a casa penhorada,
só poderá ir pensando
onde meter a família
porque até mesmo a mobília
que comprou, sacrificado,
vendeu para ir pagando
aquilo que deve ao Estado.
Pode, bons anos depois,
o VIP vir a ser preso
mas, raramente indefeso,
terá sempre gentil oferta
duma alternativa aberta
por um qualquer “bom amigo”...
Pois é com pesar que vos digo
que há leis no nosso país,
que não cortam males pela raiz.
Reinam no país grandes investigações
sobre quem serão os verdadeiros,
e quem serão os aldrabões.
Isto é... os trapaceiros!
(Vá lá alguém descobrir...)
Gerados jeitos e alguns trejeitos,
em quem responde às inquirições
feitas por sábios matreiros,
com estudadas intenções...
(... por exemplo, reflectir...)
O inquirido, com notória falta de firmeza,
claro está, busca a calma
e, tocando os lábios com subtileza,
dá provas de perturbação na alma...
(por duvidar da sua encenação.)
Adultos de sólida e provada formação,
passem aos jovens o ensinamento
que os conduz à realização
dum futuro em tudo isento.
A decepção abunda em Portugal!
Meus genitores já partiram. Deixaram-me ensinamentos que nem sempre pratiquei, ou porque não me serviram em específicos momentos... - mais de recusa, direi - ou, talvez, por ocasião de rejeição e discórdia sobre os nossos ideais... ... Ou seria uma questão de teimosa monocórdia nas suas ordens de pais???
Hoje, porém, reconheço, que eles até tinham razão! Por isso, principiantes, uma coisa só vos peço: invistam na Instrução. Deixem de ser petulantes! Há muito por aprenderem sobre este mundo assaz louco e que tanto surpreende. Vale a pena compreenderem que, afinal, sabem tão pouco, que até petulância... ofende!
Revolução!?! Mas o que é revolução?
É passares o tempo de jornal na mão,
condenares partidos, criares confusão?
É chamares aos outros nomes sem perdão?
É clamares por algo que não cultivaste,
e quando tu erras, não veres que falhaste?
Não! Revolução é pôres no que fazes, paixão,
repudiando o mal... dando nova razão
à existência humana, sem sede de fama.
Revolução, é amares todo o ser desprezado,
ou diferente, a que chamam coitado.
É sentires as dores daqueles que anseiam
condições melhores. Sim, amigo, Revolução
é jamais permitires a exploração;
é dares realidade à palavra "amigo".
É criares um mundo sem desunião.
Revolução, é não revelares qualquer distinção
entre ti e um ser que nasceu mais pobre;
é abrires caminhos para a Paz no mundo.
Meu irmão, Revolução... é algo mais nobre,
não a falsa paz, com fins abjectos,
mas a paz de espírito, com fins bem concretos,
sem as guerras frias, inúteis, cruéis,
onde opera gente nem a si fiéis.
Revolução... é fazeres sempre o bem;
é reinvindicares uma nobre condição:
a de haver compaixão e um abnegado AMOR,
que exclui o que seja traição e rancor.
Depois... conserva os valores que geras,
e praticas, porque acreditas que a vida
deverá ser dignamente vivida.
Reconhecerás, então, que a tua consistência
serviu à Nação, por serem valores reais.
Pratica lealdade, fidelidade e decência;
Exige justiça e condições sociais,
geradas numa base bem definida.
Dá-te a esta luta, de alma e coração!
Verás que isso, amigo, foi uma dura lida,
mas poderás gritar... FUI REVOLUÇÃO!!!
Não sei se estou seguindo em linha recta no caminho que escolhi como correcto pra chegar, vitoriosa, à minha meta. Espero, porém, ser limpo o meu trajecto.
Vou enfrentando a estrada na defesa. Reajo sempre conforme a situação. O que é benéfico acolho com firmeza, o que é maléfico... sem contemplação.
Neste meu caminhar encontro amarras com laçadas que julgo assaz bizarras, e que nem sempre consigo desfazer.
Serão obra de mestres bem treinados, que vivem de expedientes destinados a destruir, sem dó, quem quer vencer.
Oh Natureza Perfeita!
Oh grande eleita!
Tu me sorris cada dia,
enchendo-me de alegria.
Tu proteges e acarinhas
tantas coisas, também minhas,
que nascem em cada canto,
e que hoje venero tanto...
Rogo ao meu Deus clemência,
para quem destrói a essência
de tudo o que vais criando.
Que não reduzam a pó
esta Terra onde, sem dó,
tanto mal se está fazendo.
É vergonhoso! É tremendo
o desrespeito que existe
e que me põe muito triste.
Que sejas, por longos anos,
protegida contra danos.
Que o Sol continue raiando
cada manhã, acordando
mil almas que, com respeito,
defendem o seu direito
a esta magia querida
a que nós chamamos VIDA!
Quem anda à chuva... acontece ter aquilo que merece! Tive seis filhos... que quis! Só por isso, já sou feliz. Netos, são catorze aqueles que tenho, cada qual do seu tamanho. Os que estão longe, ouço às vezes, mas alguns não ouço há meses! Depende das suas razões e das minhas limitações. Resumindo: lá gente... eu tenho! Até aqui, nada é estranho. Amo todos de igual maneira, vê-los é que é uma canseira! Alguns estão sempre ocupados com namoradas ou namorados. E se não estão... lá terão qualquer boa distracção. Bué de jogos, discoteca, internet... Mas que seca! E quem sofre? Sempre a avó, que não gosta de estar só. Raramente lhes dou prendas. Tenho despesas tremendas! É curto o meu rendimento. Se o gasto não me alimento. Dei muita gentinha ao mundo, e se não poupo, me afundo. Nem o Natal me comove. Catorze e seis... dezanove!!!
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