Maria Letra nasceu em Coimbra, a 20 de Setembro de 1938. Escreve poesia desde os 13 anos, idade em que manifestou a sua preferência por esta forma literária. Possui os cursos Comercial e Liceal, completos, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos das línguas Inglesa e Francesa em escolas estrangeiras. Aos 22 anos foi para Londres, onde estudou no conceituado colégio “The West London College”. Foi secretária de direcção e tradutora técnica durante 35 anos, e empresária durante 17.
Deixou Portugal para viver em Itália em 1989, por exigências de trabalho, mas três anos depois fixou residência definitiva no Reino Unido.
Lvros publicaos: “Meus Caminhos de Cristal”, em 2011, e "Meu Pequeno Grande País, em 2017.
I. Hoje, no âmbito deste meu manifesto, abordo um dos muitos “modernismos” particularmente desagradáveis, na língua portuguesa.
É solicitado a um jornalista, ou apresentador, que relate uma determinada ocorrência. Actualmente, é comum ouvirmos esta primeira palavra, "disparada" com uma naturalidade impressionante:
- Dizer que………..
Tal expressão causa arrepios. É uma verdadeira aberração presente em linguagem expressa diariamente, em qualquer canal televisivo… e não só!
II. Existem, igualmente, inúmeras expressões com sistemáticas incorrecções gramaticais, da mesma família desta que exemplifico:
- Estás-me a ouvir? em vez de... - Estás a ouvir-me?- Eu já tinha aceite esse valor, em vez de... - Eu já tinha aceitado esse valor.
Ensinemos as nossas crianças a falar correctamente, logo comecem a pronunciar as primeiras frases. Evitaremos, assim, que criem vícios de linguagem inadmissíveis.
Não me perguntem quem sou,
pois não sei se me conheço.
O pouco que de mim resta
está virado do avesso.
Dentro... já pouco presta.
Há quem veja um coração.
Sim, na verdade… palpita!
Por muitos? Decerto não!
Haverá quem admita
que, em tempos, fui furacão.
Fico contente por isso,
mas não me revejo assim.
Que bati recordes... Sim!
Minha mente só esqueceu
quem é que, hoje, serei eu.
Esta minha saudação especial vai para todas as pessoas que, neste momento, choram a morte de um ente querido, com particular relevância, desta vez, para os familiares de quem morre em consequência das inaceitáveis negligências que têm ocorrido no Serviço Nacional de Saúde Português. Tais negligências exigem acção imediata da parte do Estado, para bem dos que sofrem e dos que vêm sofrer. Nem todos têm a possibilidade de recorrer aos cuidados médicos de uma instituição privada, até porque o que recebem, mensalmente, não chega para as despesas básicas do seu agregado familiar. Nunca pensei assistir a esta vergonhosa situação, que tanto me afecta.
Minha alma, turbulenta,
brinca na poesia
que inventa.
Cria rimas
- umas irmãs,
outras primas -
que se confundem,
se enlaçam,
se entrelaçam,
se embaraçam,
se atropelam,
se rebelam,
e se fundem.
Sob um véu de fantasia
coexiste, na sua rede,
o meu EU e a sua sede
de acalmar na poesia.
Minha alma, destemida,
se estende,
se distende,
se rasga…
se anima...
e até se engasga
com a rima.
Ad Hoc, compila versos
muito seus,
muito simplórios,
focando temas diversos
que acaba por construir,
colorir e musicar
com palavras aldrabadas...
… mas muito em jeito de amar.
……………………………..
Com a mente intransigente
no que respeita a rimar...
saem sempre da minha mente
versos que o meu coração sente.
Quando, um dia, for velhinha.
- mas não estiver muito mal -
quero tornar-me vizinha
dum tranquilo hospital
e, ainda... duma escola bem zelada,
porque há algo que eu anseio:
seguir ouvindo, deliciada,
as crianças no recreio.
• A Arte é uma manifestação espiritual do seu criador, quando intrinsecamente desligada de valores materiais.
• A interpretação do valor de uma obra de arte - enquanto manifestação espiritual do seu criador - dependerá do tipo de impacto que possa gerar em cada ser humano que a observa.
• Os diferentes impactos que uma obra de arte gera em cada indivíduo, poderão servir de análise dos diversos tipos de personalidade e de caráter do ser humano.
Quando a condição "estar só"
passa a ser nossa, no tempo,
porque a idade avançou…
Causa, efeito, ou dominó,
geram sempre um contratempo
e algo, então, se alterou.
Procura uma boa via
de tornares mais valioso
teu saber, dia após dia.
Faz de ti tua companhia.
Esse tempo é precioso
e... quiçá... uma mais valia.
Não desesperes! Reflecte!
Segue em frente, com bom senso.
Explora o tempo. Ele é teu!
Abraça o que completa
o espaço que no teu eu
precisa ser mais intenso.
Estranho costume o daqueles
que fazem do “meu”, “seu”, também.
Sem respeito e sem pudor,
vão aumentando o que é “deles”,
da forma que lhes convém.
Para esses, sem excepções,
esta é a vida melhor
e, nesta luta por bens,
a ambição dos ladrões,
vai de mal a bem pior...
Há vários tipos de rapina,
que o rapinador consome:
por cleptomania,
porque se tornou sovina,
ou por estar cheio de fome.
Por doença, há que curá-la
com um método eficaz;
por ganância, há que perdê-la;
pela fome, há que matá-la,
senão... não se vive em Paz.
À mistura com rapina,
há mil formas de conduta
perturbando muita gente,
que se exalta e se amofina,
fazendo-a manter em luta
pois nesta guerra, infernal,
há que pegar-lhe pela ponta,
começando pelo imbecil
que, indiferente à moral,
alimenta o “faz de conta”.
Com discursos de fachada,
sem nada a ver com o que sentem,
deixam muitos convencidos
que a razão, arquitectada,
está do lado dos que mentem.
Mas há outros, aos milhões,
que querem fazer um cerco
a esta corja de ladrões,
que cresce dia, após dia.
São uma forma de esterco!
Já nada existe daquilo que acreditei
fosse verdade em ti e, pensando bem,
partiste da minha vida, e hoje sei
que fui, do teu egoísmo, sua refém.
Por este sentimento, agora em mim,
e por tudo quanto me fizeste sofrer,
eu espero apenas por um justo fim:
não recordar-te mais para poder viver.
Quando – falso - dizias que me amavas,
acreditava, porque tu, até juravas.
Era uma criança... com uma paixão.
Puro engano de quem sonha, iludida,
acreditando amar para toda a vida
alguém, que não foi mais do que traição.
Neste primeiro dia dos 365 que se seguirão, deixo votos de esperança na necessária luta mundial contra a carência de amor, de dedicação a causas humanitárias, de coesão e de resiliência, carências estas que tornam impeditivo o desejado progresso e paz mundiais de que tanto precisamos.
Chegou o momento em que urge filtrar de cada um de nós todo e qualquer pensamento negativo, por erros cometidos no passado, afim de avançarmos para um futuro sem egoísmo ou atitudes em que a ganância e defesa de interesses pessoais ou de estado, prejudicaram a liberdade e o bem-estar geral da Humanidade. A prática destes erros colocou o mundo numa situação de insegurança generalizada, a qual se encontra no limite do suportável.
Façamos votos para que, durante 2024, surjam projectos válidos para:
1. A instauração da Paz em todo o mundo. 2. O fim da miséria em que vivem milhões de famílias.
Cada ser humano morto em consequência de uma guerra, ou vítima da maldade de outrem, leva um pouco de vida de todos aqueles que repudiam a desumanidade e a sede de vingança. A morte de alguém só é compreendida se resultante de um factor alheio à existência de perversidade e de desamor. Procuremos um conhecimento válido daquilo que está acontecendo no mundo, através da leitura de notícias credíveis e não daquilo com que tantos tentam, tendenciosamente, ofuscar a verdade dos factos para proveito próprio, ou para proveito de grupos que pretendem alcançar sucesso em projectos com finalidade duvidosa. Estamos a avançar velozmente para a era do conhecimento e da tecnologia avançada do foro digital. Entremos na plataforma dos que sofrem e busquemos dados reais de informação, uma das formas possíveis de constatar a verdade sobre a existência de problemas ligados a carências inaceitáveis. É tempo de agir, porque estamos a ser presenteados com meios que podem denunciar factos que nos foram ocultados de várias formas, no passado. O futuro do mundo carece da instauração de programas de actuação a partir da raiz de muitas vertentes, a fim de ser conseguida uma sã HUMANIDADE, em detrimento da MENTIRA e da GANÂNCIA, dois dos factores que fomentam guerras, monopolizam riquezas excessivas e privilegiam a maldade hedionda de uma onda de sedentos de poder, para moldarem o mundo à sua imagem e semelhança.
E foram anos de dor entre paredes, escrevendo sobre tanto que nem sei se o que compus, por amor, são só rascunhos, gemidos, ou livros que, em mim, guardei.
Não devemos menosprezar uma opção que tomámos no sentido de seguir uma direcção que, aparentemente, até parecia não ser conveniente. Quantas vezes, apesar de ponderarmos ser impróprio, decidimos, teimosamente, seguir o caminho que, mais tarde, por uma razão a que não demos atenção, porque esta se manteve oculta… vem a provar-se que até resulta?!? Eu chamo a isso um mistério que altera, de modo sério, os nossos planos e convicções, gerando alegrias... ou até decepções.
Há que reflectirmos nesta situação:
Pensemos nos fortes abanos que, por vezes, sofremos durante meses... ou mesmo durante anos. Não serão eles avisos de caminhos alternativa a seguir, mas que preferimos não admitir?
É bom ter em atenção
que a Florista do Bolhão,
é educada, mas muito directa...
Se a cliente, forreta,
não aceitar o valor
a pagar por cada flor...
enfia nos bolsos as mãos,
cria pensamentos sãos,
e busca algo que a sossegue
na cliente que se segue.
Data da criação deste conteúdo:
2023-12-27
Autor da imagem: Miguel Letra
Já fui luz e fui mensagem
em tempo de nevoeiro...
Já fui ponte de passagem
num passado traiçoeiro.
Já fui barco desejado,
perdido num mar deserto.
Tinha o presente amarrado,
e o futuro... incerto!
Aguentei abanões
de gente muito perversa.
Eram mestres em traições,
assaz ricos de conversa...
........................................…
Hoje, cansada de tudo,
luto contra uma má onda.
Meu coração virou mudo,
e a minha alma, redonda,
não tem princípio, nem fim.
Porém... sinto-me filtrada,
estanque ao que for ruim…
Não preciso de mais nada!
Cinco dias de vida para a despedida
de dois mil e vinte e três. Quem sabe, talvez,
parta humilhado, e com tanta vergonha...
Muito mais do que aquilo que se suponha!
Foram inúmeras as malogradas vidas,
certa e inexoravelmente perdidas;
umas foram causas brutais e desumanas,
praticadas por pessoas muito sacanas;
outras ligadas a ódios e a ganância,
nas quais se luta por tudo... em abundância;
restam ainda as de causas naturais...
pelas quais não foi possível fazer-se mais,
e outras, também, de causas a descobrir
as quais, quiçá, ocultam metas a atingir.
Ficarão no ar mil perguntas sem respostas
credíveis, esclarecedoras e compostas
das causas de alguns efeitos secundários...
mas só nos são explicados dados primários.
Assumem-se inúmeros procedimentos,
contra os quais não são admitidos argumentos.
E já asseguram que os vindouros anos
carregarão mares de vários desenganos.
Deixemos correr as prenunciadas águas!
Quem sabe lavarão todas as nossas mágoas...
Amo-te, Vida! Não sei como foste concebida, quem te gerou, e depois te propagou por este maravilhoso Universo, do qual faço parte. Tu és uma obra de arte! Tu és perfeita! Mas há gente que não respeita a verdadeira aplicação de cada elemento, de cada orgão, com que foram concebidos: refiro-me aos assumidos “Reis da sua Preferência”. Eles personificam a prepotência do seu eu, da sua ganância... defendida com pompa e com circunstância, porque eles Querem e Podem impor uma nova ordem na vida: o malogrado fim deste indecifrável Universo onde já reina tanto de perverso!!! Defenderei, até à exaustão, o verdadeiro mistério da criação!
Peço perdão
pela escolha que fiz de como exorcizar
o drama que vivi durante o meu passado.
Teria sido pior mantê-lo ignorado.
Peço perdão
Parte da história que não contei - por opção -
irá partir comigo um dia, silenciada.
Foi uma decisão longamente ponderada.
Peço perdão
Eu só queria proteger os meus sentimentos.
Não era fácil encontrar uma solução,
que aliviasse a dor, sem consternação.
Peço perdão
por não ter sabido escolher outra forma de esconder
a dor que a cada hora multiplicava.
Tinha de libertá-la. Sentia que me sufocava.
Peço perdão
Cada verso que escrevi, poupou alguém de ouvir-me.
Foram gritos de silêncio do pensamento...
derradeira libertação do meu sofrimento.
Se fosse garantido a cada cidadão, gratuitamente, uma base com livre direito a:
casa, assistência médica, acesso ilimitado a educação e projectos culturais...
defendo que quem continuou a desenvolver os seus conhecimentos e aptidões especiais, deverá ser recompensado/a desde que, comprovadamente, desenvolvidos. Obviamente que deverá ser tida em consideração a diferença entre quem atingiu um conhecimento apenas básico e obrigatório, e quem, em iguais circunstâncias, adquiriu maiores conhecimentos, sendo remunerado de acordo com tal situação. Depois há os empregos de maior risco que deverão ser, igualmente, considerados.
De Pavlov a Skineer, inúmeras propostas de orientação pedagógica foram sugeridas sem que tivesse sido encontrado o modelo ideal para a correcta formação dum novo cidadão. Esse modelo deveria, contudo, contemplar em primeiro lugar a preparação adequada de elementos escolhidos a dedo para participar na desejada reestruturação escolar, completamente inovadora. Muitos dos mais velhos responsáveis escolares e encarregados de educação, continuam vítimas de vícios enraizados neles, em consequência, segundo a teoria comportamentalista, do que herdaram dos seus antepassados, durante o período Salazarista. Não sei mesmo quantas gerações serão necessárias para ‘limpar’, totalmente, os efeitos dessa mesma política, que tantos danos psicológicos causou. Eles manifestam-se, muitas vezes, duma forma quase indelével, mas são uma realidade a considerar. Embora preocupada com este facto, acredito na grande capacidade de muitos elementos e na sua boa formação para ser estudado um método eficaz de construção dum indivíduo de "Mens Sana in Corporeo Sano". Considero sejam três os principais pontos a considerar: EXEMPLAR ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Criação de normas de ensino e de acompanhamento dos alunos, completamente inovadoras, a serem postas em prática por elementos de reconhecida capacidade humana e adequada formação pessoal e académica. Seria muito importante, por exemplo, que todo e qualquer aluno fosse acompanhado pelo mesmo orientador pessoal, desde o início da sua frequência escolar, até ao seu términus. O problema de muitos alunos começa, exactamente, no seio familiar. Seria aconselhável começar a olhar-se a sua educação num sentido mais lato, uma vez que dependerá da sua boa formação a responsabilidade de criar e manter a conservação dum mundo completamente renovado. ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Embora não lhe seja atribuída a importância que merecia ser-lhe dada, sem uma adequada alimentação, não poderá haver um bom aproveitamento a todos os níveis.
Se perdoar-me puderes,
pelo silêncio em que estive...
aceita, se te aprouver,
os mil motivos que tive.
Eu sentia, bem presente,
não desejar abraçar-te.
Faltava, na minha mente,
vontade de perdoar-te.
Tu sabes bem das razões
que, na altura, tu me deste...
pelo excesso de traições,
e de erros que cometeste.
Cansei de tanto esperar
pelas vontades, sentidas,
que silenciei num mar
de palavras reprimidas.
Mas o tempo foi passando,
filtrando a minha paixão.
O amor… foi acabando,
daí, pedir-te perdão.
A dor embarga.
A saudade entristece.
A decepção é amarga.
O amor aquece...
… e a vida?... Continua…
Corrija-se olhando para trás.
Manifeste-se arrependida.
Trave os erros que ainda faz...
Abrace o perdão da Vida.
...e foi nesse mesmo dia,
e nessa data precisa,
que entraste na minha Vida
para sempre. Decidida,
passei a sentir magia
num viver que simboliza
a mudança e o valor
que tem a força do Amor.
Quando no olhar inocente e puro duma criança,
não há sinais da vida, da luz duma Esperança,
essa criança, sofrida, não pergunta nada.
Queria, apenas, sentir-se mais amada.
Amada por nós, pelo chão que pisa,
ou pela frescura duma doce brisa.
Bastar-lhe-ia algo do tanto
- não importa quanto -
que outras terão,
mas ela… NÃO!
Tu urdes teias com mil cuidados.
Teces teus actos, em cada fio,
bem disfarçados, camuflados
nas tuas veias, de sangue frio!
Nesse tecer, tu não me aturdes.
É de meu jeito ver causa-efeito,
ir mais no fundo, ir mais além.
Não fantasio, enquanto urdes.
E, nesses dias, em que tu teces,
com tua mente geras suspeitas.
Por alguns dias, não apareces,
até que as teias estejam feitas.
Mas não sou presa. Sou combativa.
O teu tecer já não me engana.
Pára de urdir. Estou na ofensiva.
Da minha vida sou soberana.
Preocupada com o aumento desmedido de casos de violência doméstica – e não só! - volto a publicar, agora em formato de prosa poética, um poema que escrevi em 1982-10-02 - anteriormente publicado - numa derradeira tentativa de chamar a atenção do Estado Português para a necessidade de criar planos para formar crianças a partir de uma base intrinsecamente extensiva à família, com consciência e organização cuidadosas. Dedico esta publicação a todas as pessoas vítimas de violência doméstica, as quais, por razões que só a elas dizem respeito, vivem amarradas à impossibilidade de se libertarem do sofrimento que as mantém caladas. Eu ainda não acredito no factor AMOR como justificação, um dos elementos que a vítima aponta, quando questionada. Haverá outros fortes motivos, para além do mazoquismo, para que ela se deixe violentar por um ignóbil ser humano que faz do seu parceiro, ou parceira, um verdadeiro saco de pancadas que ele utiliza para libertar-se de traumas retidos na sua insana mente.
ATÉ QUANDO?
Faço parte desse teu imaginário. Para ti, não sou um ser... Eu sou um vulto bem escondido atrás dum cenário onde, covardemente, o manténs oculto. Tu nunca consideraste o meu direito à liberdade. Ignoras o respeito que me deves. Sou Mulher e sou pessoa. Tu não planeaste tudo isto à toa...
Não tolero a tua covardia, tanto insuportável, quanto infame! Tu geres sempre o meu dia-a-dia tentando protegeres-te do vexame de poderes vir a ser reconhecido. Tu és um ser que vive comprometido entre fazer bem e fazer muito mal. Tu és.... subtilmente... um anormal. Divides-te entre o bem que aparentas, e o insuportável mal que praticas. Satisfazes velhas ânsias sedentas de vingança e guerra, que exercitas provocando no meu ser um medo atroz. Impedida de erguer a minha voz, fizeste de mim a escrava desejada que amordaças, para manteres calada. E eu... - Deus meu! - não posso fazer-te frente. És demasiado musculoso... forte! A minha grande fraqueza não consente arrojos, porque vive temendo a morte.
Eu queria muito mudar o meu ser sem fé, impoluto de vis conceitos e convicções. Não consigo acreditar, não aceito… e não discuto, crenças verso contradições.
Acredito em cada homem que transforma os tristes ais em esplendorosos sorrisos. Desprezo aqueles que promovem crenças em deuses irreais. Milagres… não serão precisos!
Gostaria, sim, de mudar, criar sonhos, acreditar quando promessas sejam feitas por cada um, ao discursar. Iludir para conquistar, serão atitudes suspeitas.
Queria aceitar o Amor gerado por gente de bem, que tem em conta a justiça, que não instaura o terror, que nunca magoa alguém, e que à lei seja submissa.
Sinto ausência, merecida, de um tempo de sobressalto, em que eu fui refém da vida. Nunca me darei por vencida, mas paguei um preço tão alto, que nem sei bem qual a medida.
Mudar eu queria, ainda, por muito respeito a mim, e - porque não? - pela idade... Que do orgulho eu prescinda, e esqueça o que foi ruim, para abraçar a saudade.
Mais velha do que eu te sentirás tu,
madrugada linda! Fiel aos vivos,
transportas no teu mágico baú
surpresas com milhões de sonhos cativos
e tantos pesadelos, inesperados,
para os promotores de mil pecados!
Estarás sempre presente em cada dia
que surge, e que contemplo agradecida.
Na alma de cada ser semeias alegria.
Tu és prenúncio do milagre da Vida.
Quero todos os dias ter o ensejo
de ver-te, porque te amo e te almejo.
Espero por ti, madrugada, todos os dias.
És a minha permanente inspiração,
presente em cada uma das minhas poesias.
É comum, em alguns programas, haver espaço pra comentar notícias que envolvem dramas, ou factos a considerar. Jornalistas sem competência, são postos a entrevistar, sem a devida experiência.
Acabam de anunciar que alguém foi assassinado! Questionam um seu parente: - Por favor... o que sentiu ao saber desta notícia? Alguém à morte assistiu? Alguém chamou a polícia?
A pessoa nem respondeu, porque estava emocionada. Que pena não estar lá eu… Que mulher impreparada! São perguntas que se façam? Pegam em casos fatais, e em vez de acalmarem... maçam!
Sou um produto do tempo, um ser com o carácter moldado pelas boas e más experiências que fui vivendo ao longo dos anos. Esse tempo modificou também o meu aspecto físico, colocando algumas rugas no meu corpo, mas nenhumas na minha alma. Esta viajará sempre jovem, silenciosamente indiferente aos riscos que vou correndo. Permanecerá ‘colada’ a mim enquanto a minha mente estiver activa. Como ‘utente’ do meu corpo, usa e abusa dele, sobretudo quando se opõe ao que decido fazer da minha vida. Provavelmente acredita no meu sentido de responsabilidade. Não sei se merecerei essa confiança, mas ela sabe que a sua permanência em mim é efémera e que a sua libertação acontecerá um dia, quando a minha mente parar de comandar-me. Desvincular-se-á, então, do meu corpo, partindo em liberdade… sabe-se lá para onde. O que hoje aceitamos como uma verdade mentirosa, amanhã poderemos concluir ter sido uma mentira verdadeira. Tem sido sempre assim, ao longo de séculos e séculos…
2013-04-16
Tendo esclarecido quem pudesse ter interesse em ler o que escrevo, sobre o que penso a meu respeito, reparei que ninguém se pronunciou. Volto, portanto — sete anos mais tarde — a este texto para referir que, sobre os outros,
Viro a pergunta ao invés: — Espero que não te desgoste… Ora diz-me lá: — Quem és? Não quero saber quem foste.
2020-07-04
Decorridos onze anos sobre a primeira parte deste texto, sinto-me perfeitamente à vontade para rematá-lo com esta reflexão extra:
Quem fui eu na vida, outrora, não me interessa, podem crer. Eu amo quem sou agora… fruto de tanto aprender.
2024-10-10
Data inicial da criação deste conteúdo: 2012-11-20 Data final: 2024-10-10
Café de Paris,
Ponto de encontro de tantos corpos.
Uns, cheios de vida, outros, quase mortos.
Nas cabeças, um mundo desconhecido de ambições.
No peito… mais dores do que corações.
A banda, repetitiva, sempre igual,
parecia tudo, menos musical.
O interior do salão era deprimente,
e o aspecto, sórdido.
Nos olhares sentia-se uma esperança
e um desejo mórbido.
Em cada par, um caso… por vezes sério,
mas na maioria, pra não recordar.
Contudo,
neste salão deprimente, de aspecto sórdido,
onde quase tudo era doentio, era mórbido...
encontrei-te a ti.
No teu doce peito senti um coração.
Na tua cabeça… uma humana ambição:
encontrares alguém que suavizasse
a vida que tens.
Dançámos. Sem falsas ilusões,
dia, após dia, um desejo crescia:
estarmos juntos os dois.
O meu corpo ansiava aprender
a lição do Amor. Ensinaste-ma tu.
Hoje, meu bem,
o meu coração sabe bem o que quer.
Aprendeu, contigo como é bom ser Mulher.
Tal qual sou, estarei aqui.
De como acordo... dependo.
Não espero me compreendam
pois nem eu mesma me entendo.
Sou muito sujeita a luas,
nunca sei o que me espera
Tenho um coração que é calmo
e um outro que acelera.
Se está um dia de sol,
faço projectos, actuo,
mas se o dia está cinzento,
viro teimosa e amuo.
Surpreendo facilmente,
porque detesto a rotina.
Já não mudo nesta idade.
Sou assim desde menina.
Caminhava às escuras,
na última etapa
da estrada onde, um dia,
perdi o meu norte.
As noites tão duras,
sem lua, sem mapa
e sem companhia,
eram breu de morte.
Abracei-me e beijei
minhas mãos já gastas
de tanto escrever
de tanto afagar.
Não te choro. Cansei.
Foram muito nefastas
as dores de temer,
as dores de te amar.
"Por má distribuição dos bens da Terra, Que torna a vida dura e faz a guerra Nos corações dos homens sem um guia, Pergunto às solidões do ser humano Se Deus criou o Homem por engano, Se o Homem criou Deus por cobardia."
Permitam-me que hoje dê o meu parecer:
Por má governação dos bens da Terra, que faz os Homens provocarem guerra - por mentes desprovidas de valores... Respondo sem recurso a quaisquer tretas: Deus não criou o Homem por engano, este é que deixou de ser humano e mata sedes em fontes abjectas.
Portugal, fragmentado
em todo o singular lado,
no mais recôndito canto...
virou um país em pranto.
De tanto que foi traído
já pouco nele faz sentido.
Nem usando cola-tudo
se colaria, contudo,
Mesmo que desajeitado,
qualquer fadista tem fado
que cantará a seu jeito,
filtrando a dor a preceito.
Oh... País desgovernado...
Não serás silenciado!
Faz-te ouvir, sem veleidade.
Grita de dor e saudade.
Quando somos jovens, contemplamos a vida
como sendo longa, mesmo que sem medida.
Criamos sonhos, envolvendo-os num cenário
colorido pelo nosso imaginário.
No tempo, talvez por erosão da mente,
desgastada por factores a ela adjacentes,
e más experiências acumuladas...
a esperança e a fé, são alteradas.
Não canceles pendentes por organizar.
Ocupa-te do que está por acabar,
criando compromissos com sentido.
Não lamentes o que o tempo diluiu!
Valoriza o que a mente conseguiu.
O que hoje tens é o Saber Adquirido.
Leio, na transparência linda da tua alma
que amarás aquilo que ambos comungamos
mesmo quando tu, cansado e quase sem calma,
escavas paciência no que partilhamos.
São acordos de amor, laivos de atenção
na procura de algo que não sei explicar.
Busco mil tesouros que tens no teu coração,
os quais te devolvo num maroto olhar.
Um olhar apenas. Fico presa a ti.
Sentirás tu, Pai, o que vale pra mim
entregares-te assim à minha malandrice?
São poemas de amor que não vi... nem li.
Páginas de estórias que nunca terão fim...
Verdadeiros sonhos da minha meninice.
Entrai, minha gente, entrai!
Nós, portugueses, sabemos,
que já não há quem debande
gente a mais. Todos cabemos!
Entre quem veio, e quem foi,
houve quem, tão bem, dizia...
“Levo barriga de boi
e a bolsa, não vai vazia”.
Basta que sejam estrangeiros...
Mesmo sem cobrar vintém,
estamos prontos a servir-vos
pra que nos alembrem bem.
Vinde de novo, almas santas!
Estão abertas as fronteiras
pra turistas especiais,
que tenham boas maneiras.
Tão bem estiveram por cá…
Outros verões haverão!
Com uns euros bem poupados,
terão sol, vinho e bom pão.
Se, realmente,voltarem,
quiçá ‘inda cá estaremos...
Simpatia, encontrarão!
Sobreviventes… veremos!
... e o velho combatente, de corpo gasto e conturbada mente... enquanto espera pela partida, da sua malograda vida, troca o tradicional cigarro, por um ilusório charro.
Data da criação deste conteúdo: 2023-11-12 Autor da imagem: Miguel Letra
Dura Lex! Sed Lex! A primeira condenação imposta a qualquer cidadão. Todavia. um mundo de interrogações paira no ar: Quem de direito a inventou? Quem de direito a aprova ou a faz aplicar? Mas ela faz-se cumprir, de modo fácil, ou não, sem lugar pra admitir a mais leve compaixão. Os parágrafos... enfim! Dão "pano pra muita manga". Por vezes a culpa anula, outras vezes acumula males maiores a cada caso. Mas... insisto eu: quem de verdade e direito está à altura de julgar cada lei? Vejo pouco de perfeito - sem medo de exagerar - em muitos que a inventam, em muitos que a aprovam, ou a fazem aplicar. Num mundo em cujos sistemas, mais corruptos que sãos, fazem pesar grandes penas nos ombros dos cidadãos a eles sujeitos... vejo leis contrárias à lei do Amor, males com muitas virtudes e bens com muitos defeitos. E, com pavor, assisto a tanta injustiça na lei imposta, submissa ao poder de cada estado, que já não sei se lutar traz benefícios de vulto a um futuro que, oculto, me parece amordaçado. Mas, pra esse mal, não sai lei. É duma injustiça tremenda. Cada um que se defenda!