Eu queria muito mudar o meu ser sem fé, impoluto de vis conceitos e convicções. Não consigo acreditar, não aceito… e não discuto, crenças verso contradições.
Acredito em cada homem que transforma os tristes ais em esplendorosos sorrisos. Desprezo aqueles que promovem crenças em deuses irreais. Milagres… não serão precisos!
Gostaria, sim, de mudar, criar sonhos, acreditar quando promessas sejam feitas por cada um, ao discursar. Iludir para conquistar, serão atitudes suspeitas.
Queria aceitar o Amor gerado por gente de bem, que tem em conta a justiça, que não instaura o terror, que nunca magoa alguém, e que à lei seja submissa.
Sinto ausência, merecida, de um tempo de sobressalto, em que eu fui refém da vida. Nunca me darei por vencida, mas paguei um preço tão alto, que nem sei bem qual a medida.
Mudar eu queria, ainda, por muito respeito a mim, e - porque não? - pela idade... Que do orgulho eu prescinda, e esqueça o que foi ruim, para abraçar a saudade.
Pessoa, um dia, escreveu:
“Não sei quantas almas tenho,
Cada momento mudei”.
Eu, nem sempre estou sendo eu,
porque às vezes me abstenho
de ser eu mesma. Cansei.
Para estar onde não sou
o que bem me apetecer...
desdobro-me em muitos eus.
Em cada um, eu não estou.
...Ou eu estarei, sem saber.
São todos estados meus.
Para estar... deverei não ser
a outra! Cansa demais.
Só serei como antes era
quando, um dia, eu perceber,
se eu era outras a mais,
ou se o meu ser se adultera.
Nasci com uma missão em que actua o coração: dar vidas a este mundo banhando-as de amor profundo. Foram missões abençoadas bem cumpridas, bem louvadas. Seis filhos de mim nasceram e muito amor receberam. Todos foram desejados, muito queridos, muito amados. Criá-los... foi um caso sério, mas disso... não há mistério. Conheço bem o porquê. Só um cego é que não vê. Mas mesmo com atropelos dos pés até aos cabelos, cumpri a minha missão com amor no coração. Adorei este meu papel, banhado de mel... e fel. Eu não sou um ser qualquer. Eu... sou Mulher!r
Fustigam-me ventos parecendo lamentos de alguém que perdi. Sinto-me traída, magoada, sentida, vivendo sem ti. Cansada, rebolo na cama e me enrolo nos lençóis esquecida. Procuro com brio esquecer o vazio da tua partida. Foste vida que em mim deu início e deu fim a uma história de amor. Hoje busco na vida minha alma ferida pelo teu desamor.
Na minha vida longa vivo assim:
caminho, lado a lado, com um desejo.
Sinto-o, mas não o vejo.
Está dentro de mim.
Na minha vida longa e protegida
por algo que não conheço
nem provavelmente mereço,
sou Amor e sou Vida.
Na minha alma, um cenário abstracto,
que não reconheço meu,
paira no breu,
reina o desacato.
No meu corpo vive este desejo ardente.
Identifico mil coisas que não quero
e, por vezes, desespero.
Porquê esta presença ausente?
Onde quer que tu estejas, meu amor, faz-me sentir-te... e que tu me escutas quando o breu da noite se avizinha. Tira-me deste inferno, desta dor de não te ter, das verdades absolutas que nos afastaram. Foi escolha minha. Espero que tu consigas entender. Peço perdão. Está para além de mim a decisão que tomei, sem te dizer.
Faz-me acreditar que estás aqui. Que não fui condenada a viver sem ti. Que o teu silêncio, amor, não perdure, e que este meu querer-te jamais finda. Regressa a mim e perdoa-me se puderes. Tu não pertences a esse além, ainda. Preciso que minha alma sofrida cure. Tu foste a luz da minha vida triste. Morri para sempre quando tu partiste.
Mas se nada, meu bem, te trouxer de volta, Já nada, também, me prenderá aqui. Não quererei sustentar esta revolta. Embalarei nos meus braços a coragem e iniciarei a tão desejada viagem. Começará, então, uma nova fase que, defendo, de alma e coração. O meu corpo poderia viver sem ti, mas a minha alma, certamente, não!
Sinto-me, de verdade, uma mulher feliz quando repenso em tudo de que fui capaz. Fiz aquilo que, mal ou bem, eu quis… mal-grado, por vezes, carecer de paz.
Longos anos sofri de impensáveis medos não sei bem de quê, nem sei bem de quem. Imaginava cenários com dezenas de enredos e clamava ajuda à minha querida Mãe.
Na escola primária, a velha professora invadia-me a vida gerando terror. Malvada palmatória! Era ameaçadora. Martelava-me a mente com a palavra: dor.
Fui mulher-criança, Virei poetisa. Venerava Camões e as suas poesias, as quais declamava de forma precisa, sem ponto ou ajuda servindo de guias.
Sofri violência em mulher-adulta. Para defesa minha e preservar a calma, faço por mantê-la secretamente oculta. Se escrever sobre ela traio a minha alma.
Percorri quilómetros, voei dias e dias, Fiz exposições, visitei clientes… Sobrevivi a tudo! “Um ver se te avias” sempre com respeito pelas leis vigentes.
E eis-me chegada a Mulher de Respeito, com as marcas antigas, mas mais indulgente. Continuo activa, porém, de outro jeito. Vivo mais em mim. Tornei-me prudente.
Vida, meu filho,
é força,
é coragem,
é amor.
Vida...
é uma luta constante
entre a felicidade
e a dor.
Vida...
é saberes olhar
com ternura
e compreensão,
todo aquele
que não é como tu,
mas é teu irmão.
Vida...
é saberes aceitar,
com resignação,
cada dia que vem,
mesmo aquele pior.
Vida...
é aprenderes a lição
da diferença que existe
entre o mal e o bem.
Sabê-la de cor,
rejeitares os erros
daqueles que, coitados,
não sabem melhor.
Vida...
é o fogo que aquece,
a neve que gela,
o quadro, a aguarela.
É um mar que assusta,
mas comove.
Vida...
é a história que ouviste
sobre coisas passadas,
que não viste.
Vida...
é sentires
o que o olhar puro
duma criança,
pode conseguir.
Vida...
é saberes como
e porquê,
podemos salvar
tantos dos que sofrem
e a maioria não vê.
Vida...
é a Natureza
que teima ajudar-te
em cada momento que passa.
Vida...
é o oposto à Morte,
à Guerra,
à Caça,
à Repressão,
e à indiferença do mundo
que contrai,
que aperta
tanto o coração.
Vida...
é a recusa
a todas as forças
nefastas, más,
que não deixam sentires
o que quer dizer Amor,
o que quer dizer Paz!
Há pavor entre as pessoas! Está a aumentar, dia-a-dia, um cenário muito imundo. As noticias não são boas. Há mais uma epidemia entre gente deste mundo. Actuam à rebelia, mesmo dentro de prisões e, como que por magia, tal e qual como as baratas, proliferam aos milhões, nas zonas mais caricatas.
Onde existem traficantes, há muita perseguição a tanta gente... Oh se tanta! São acérrimos amantes desta maldita paixão: fazer de sãos, uns doentes. Os dependentes da droga, quer seja da cocaina, marijuana ou maconha, usam as que estão em voga, tais como... a velha heroína, - ou nomes que me proponha.
Começam por drogas leves, pensando que não afectam a sua mente “ainda” sã, e esses tempos tão breves, que os seus utentes afectam, viram reais, amanhã. Vem a fase indesejada: mente e corpo... pedem mais. As leves já não resultam. - Querem tudo! Nunca nada, porque os seus “vazios demais”, geram dores... que não ocultam.
Certos de que essa adicção não acontece, jamais, vão fumando, ou snifando... Sentem-se bem! Por que não? Mas crises existenciais, requerem outro comando. O disfarce e a mentira encobrem actos ilícitos muito bem organizados. É assim que a droga gira, e os resultados, implícitos, nem sempre são detectados.
Enquanto alguns estão no mundo, - digamos, seres que vegetam e que dói-nos ver sofrer – outros, segundo, a segundo, suavemente... deletam, acabando por morrer. A droga esconde-se em tudo que hoje se faz. Que indecência! É já um tema sem fundo, e o culpado... actua mudo. Por que há tanta delinquência neste impune toximundo?
Não sei se estou seguindo em linha recta no caminho que escolhi como correcto pra chegar, vitoriosa, à minha meta. Espero, porém, ser limpo o meu trajecto.
Vou enfrentando a estrada na defesa. Reajo sempre conforme a situação. O que é benéfico acolho com firmeza, o que é maléfico... sem contemplação.
Neste meu caminhar encontro amarras com laçadas que julgo assaz bizarras, e que nem sempre consigo desfazer.
Serão obra de mestres bem treinados, que vivem de expedientes destinados a destruir, sem dó, quem quer vencer.
Espero-me, paciente, há longos anos,
ao ritmo com que, já velhas, vão caindo
as folhas, uma a uma, em cada Outono.
Perdi a conta de tantos desenganos
que me foram, lentamente, consumindo
o privilégio de um sonho, em cada sono.
Já deixei de reagir à força sórdida,
que mantém-me refém, numa apatia mórbida.
Espero-me na solidão a que me agarro.
Já não há voos no meu imaginário
porque perdi as asas num voo louco.
Vítima dum todo, assaz bizarro,
vivo escondida num pérfido cenário,
desencontrada de mim e com bem pouco.
Se tudo quanto amei, saíu de cena,
porquê esperar-me, então? Não vale a pena!
Espero-me, paciente, há longos anos,
ao ritmo com que, já velhas, vão caindo
as folhas, uma a uma, em cada Outono.
Perdi a conta de tantos desenganos
que me foram, lentamente, consumindo
o privilégio de um sonho, em cada sono.
Já deixei de reagir à força sórdida,
que mantém-me refém, numa apatia mórbida.
Espero-me na solidão a que me agarro.
Já não há voos no meu imaginário
porque perdi as asas num voo louco.
Vítima dum todo, assaz bizarro,
vivo escondida num pérfido cenário,
desencontrada de mim e com bem pouco.
Se tudo quanto amei, saíu de cena,
porquê esperar-me, então? Não vale a pena!
Minha alma, turbulenta,
brinca na poesia
que inventa.
Cria rimas
- umas irmãs,
outras primas -
que se confundem,
se enlaçam,
se entrelaçam,
se embaraçam,
se atropelam,
se rebelam,
e se fundem.
Sob um véu de fantasia
coexiste, na sua rede,
o meu EU e a sua sede
de acalmar na poesia.
Minha alma, destemida,
se estende,
se distende,
se rasga…
se anima...
e até se engasga
com a rima.
Ad Hoc, compila versos
muito seus,
muito simplórios,
focando temas diversos
que acaba por construir,
colorir e musicar
com palavras aldrabadas...
… mas muito em jeito de amar.
……………………………..
Com a mente intransigente
no que respeita a rimar...
saem sempre da minha mente
versos que o meu coração sente.
No teu semblante pesado,
envergonhado,
vejo sinais de tortura,
de escravatura
da tua alma inocente.
És um marco de sofrimento
sedento de compaixão
e de atenção...
… não importa por que razão.
És o retrato fiel
do fel que ronda no mundo,
onde impera muito imundo!
És vítima duma fera,
de poder sedenta,
que intenta sobrepor-se a tudo e a todos.
Recorre a perpretados engodos
pró-guerra,
com o fito de governar a Terra.
Tu és a medalha atribuída
a vil canalha
que não está governando...
está aproveitando
o que milhões de seres, em missão,
dão com o coração.
Vejo na tua imagem ressequida,
alguém que deu tanto à vida!
Tu foste esfera redonda, mas dizem que já não és. Gostaria de saber o que é que estará por trás de verdades mentirosas, que nos dão a conhecer em aulas prodigiosas. As teses são variáveis; vá-se lá saber porquê. Anda meio mundo, em vão, ensinando não sei quê, e descobre-se, afinal, que a tese que era ontem não tem o apoio geral. Na verdade, quando aluna, duvidava de teorias impostas na aprendizagem de matérias, de utopias – criadas não sei por quem – que me roubavam a coragem de aprender mais além. Se virmos bem, se pensarmos no que foi e já não é, dá vontade de passarmos a cancelar tudo a esmo, e passarmos a duvidar de cada teoria… mesmo! Acreditar ou sempre duvidar?
Esta saudade que sinto dói-me tanto quanto a resistência que perdi ao saber que partiste deste mundo. Foram muitos os anos que, entretanto, não conseguindo evitar pensar em ti, fui cavando em mim um mal profundo.
Tu eras vida e fogo, em minha vida. Vivia na esperança de que um dia passaria do sonho à realidade... Mas o tempo corria e eu... perdida na estrada mal amada em que seguia, queimava o tempo sofrendo de saudade..
O futuro que quis não é mais nosso. Estou farta desta vida de aquiescência contra a qual não quero mais lutar. Oh... esta dor com a qual não posso! Cada pedaço de mim é desistência, é barco abandonado, a naufragar.
Eu queria apenas ver-te, se pudesse... Não sei como... nem quando, meu amor. O tempo que tivemos... se perdeu. Aquilo que esperava que ele me desse não caberá no tempo ao meu dispor. Deixou de pertencer-me. Não é meu.
Não sei por que estou viva. Sou refém de mil pendentes esperando solução, para depois partir em liberdade. Não estás mais aqui. Estás num Além com o qual não tenho ligação e não consigo vencer esta saudade.
Era há tantos, tantos anos que vivias por teu mérito, cuidando sempre de ti... que o tempo te ofereceu tempos pra compensar contratempos que, bem nova, conheci.
Resignada e sofrida, tiveste, na tua vida, enganos e desenganos, mas esse tempo que amamos sabia tu teres a crédito milhões de afectos aqui.
Usaste esses tempos todos até ao último dia. Apesar de mil engodos, minha Mãe, foste calmia nos meus momentos de dor. Deixaste em nós tanto amor!
Sorri! Enche os teus olhos de brilho e de ternura. Semeia esperança em cada sepultura. Tu és a vida, a luz, a alegria da lua nova que surge em cada dia. Sê forte, serena, confiante, e que o Amor seja o teu grande amante. Vive pra ele. Faz-nos sentir que em cada ser há uma razão para sorrir.
Data da criação deste conteúdo:2009-12-06 Fotografia de família Publicado em “World Art Friends”19.530 visualizações
Deixem-me gritar, clamar bem alto
por milhões de seres vivendo em dor,
cujo longo sofrimento exalto,
fiel, que sou, à força do AMOR.
São já milhões os pobres inocentes
em sofrimento atroz por tanta guerra.
Temem o recurso a armas tão potentes,
que podem destruir a própria Terra.
Disputas de interesses, de ganância,
invadiram sistemas, em nações,
para os quais nada serve a importância
dos direitos humanos, sem excepções.
São valores que procuram camuflar
com estudadas leis, feitas a seu jeito,
contudo, esse tratado a respeitar
não é uma coisa vã, é um direito!
Que cessem os insultos e as agressões
provocadas por gente que se diz
detentora de credos e razões,
mas que não passam dum molho de imbecis!
E se querem lutar, que sejam eles
os primeiros da fila, essa gentalha.
Façam esta opção, que é menos reles:
voltem de novo às lutas, por batalha!
Por conta própria vagueio em busca de tanto ausente. Estou farta do que é imundo, quero encontrar o que anseio. Minha’alma em luta crescente se está escondendo do mundo.
Almas penadas caminham aos encontrões sem saída do que se tornou fatal. Maus tempos já se adivinham, e a humanidade, perdida, rende-se a quem lhes faz mal.
No céu esvoaçam em grupo andorinhas que procuram onde fazerem seus ninhos. Com outras me preocupo. Almas doentes não curam se carentes de carinhos.
Peço um firme alerta a cada ser
coexistindo comigo, aqui no mundo:
façamos cerrado cerco a quem estiver
revelando, por actos, ser alguém imundo.
Sempre que virmos uma anormal presença
de alguém suspeito, junto duma criança,
deveremos questioná-lo, sem ofensa.
Nunca ignorar se houver desconfiança.
Estejamos atentos! Urge observarmos
atitudes diárias, inconsequentes,
que nos surpreendam e não compreendamos.
Prolifera no mundo gente que maltrata,
e nem sempre a lei protege os inocentes
com punição severa, para quem os mata.
Foram anos passados numa luta
com vitórias e derrotas que enfrentei.
Fui vítima de gente muito astuta,
treinada para contornar a lei.
Foram anos passados que vivi
ora magoada, ora bem feliz.
Há erros dos quais já me esqueci.
Outros, porém, deixaram cicatriz.
Sempre preferi o risco ao ócio
de ver passar o tempo conformada
com a desdita de saber-me derrotada.
Nada do que fiz foi por “negócio”.
Sinto-me orgulhosa de saber
que tudo quanto fiz foi por prazer.
Dura Lex! Sed Lex! A primeira condenação imposta a qualquer cidadão. Todavia. um mundo de interrogações paira no ar: Quem de direito a inventou? Quem de direito a aprova ou a faz aplicar? Mas ela faz-se cumprir, de modo fácil, ou não, sem lugar pra admitir a mais leve compaixão. Os parágrafos... enfim! Dão "pano pra muita manga". Por vezes a culpa anula, outras vezes acumula males maiores a cada caso. Mas... insisto eu: quem de verdade e direito está à altura de julgar cada lei? Vejo pouco de perfeito - sem medo de exagerar - em muitos que a inventam, em muitos que a aprovam, ou a fazem aplicar. Num mundo em cujos sistemas, mais corruptos que sãos, fazem pesar grandes penas nos ombros dos cidadãos a eles sujeitos... vejo leis contrárias à lei do Amor, males com muitas virtudes e bens com muitos defeitos. E, com pavor, assisto a tanta injustiça na lei imposta, submissa ao poder de cada estado, que já não sei se lutar traz benefícios de vulto a um futuro que, oculto, me parece amordaçado. Mas, pra esse mal, não sai lei. É duma injustiça tremenda. Cada um que se defenda!
Recordar-te-ei na vida... que não lidero,
mas serás sempre o meu eterno amor,
apesar de tudo ter sido “bluff” sincero.
Foste um reconhecido adulador,
contudo, os teus comportamentos mudaram
no dia em que, finalmente, te deixei.
Hoje vivo feliz este Presente gasto,
seguindo a luz da viragem que gerei.
O tempo que se queima a promover
questões de cariz estranha e obscura,
devia ser usado para suster
a população carente de cultura.
Repete-se o velho antigamente...
Mantém-se a ignorância estagnada
enquanto um grupo livre, prepotente,
vai actuando firme, à descarada.
Fabricam-se leis em vários sectores.
Inventam-se facciosas decisões
com um fim: silenciar as multidões.
As condições de vida… são bem piores.
Enchem-se vários cofres, em segredo.
Não se gera cultura, gera-se medo.
Despertei de um lindo sonho, dentro do teu coração... Batia ao ritmo do meu, sem qualquer aceleração. Não partas, fica comigo, até que chegue outro dia. Não me deixes, meu amor, careço de companhia. Hoje sou ave sem asas, já não consigo voar. Faz-me falta a tua calma, e a tua força de amar. Se ver-te não posso mais… que o sonho seja o autor dos cenários virtuais, da minha vida sem cor.
Tinha uma vontade férrea de rasgar os danos que carregava, teimosamente, há tantos anos. Eram eles que motivavam o meu enorme tédio para o qual procurava o milagre dum remédio.
Queria algo que eliminasse, que excluísse o meu sofrimento. Sim! Urgia que eu insistisse em continuar a viver, mas feliz, não penando por males adquiridos dum passado sem comando.
Mantinha-me colada a um teimoso apego, num passado remoto de desesperança e medo. Acabei por cegar e ainda não compreendo como escapei do mal que me estava fazendo.
Impus-me, realmente, uma radical mudança que repusesse em mim uma dose de perseverança. Hoje, sim, estou novamente vivendo a vida... não aquela insuportável morte adquirida.
Manter-me-ei fiel a esta premeditada conduta, recusando conselhos de gente toxica, astuta... Estou feliz com as manifestações do meu ego, que se revela forte, entusiasta, mas não cego.
Recuso-me aceitar o peso do malvado fardo do qual, felizmente, já nem a memória guardo. Regressei feliz, brindando novamente à Vida... orgulhosamente perseverante e destemida!
Há ondas fortes nos mares do Oriente. Testam confrontos, tentando a sua sorte. Põem à prova o saber quem é mais forte, mas, entretanto… cai por terra muita gente!
O mundo está temendo os dois autores das guerras declaradas em pronta acção. Pergunto-me, revoltada, por que razão não lutam entre si, os temidos infractores?
Cessem as ondas nos mares, porque na Terra, há ventos rodopiando, em alvoroço. De paz não há sequer o mais leve esboço.
Carecemos de tratados contra a guerra. O mundo clama alto! Implora clemência. Salvemos a humanidade com urgência.
Não quero saber em que País está a razão! A guerra nunca foi justa, nem foi solução. Não quero saber quem ateou as acendalhas, porque acredito tenham sido vis canalhas. Não quero saber a verdade do que nos contam. Habituei-me às mil mentiras que se montam. Será que essa gentalha pensa na criança quando projecta a guerra na sua liderança? Quero saber quem irá pagar aqui na terra o ressuscitar dos mil despojos duma guerra. E quereria saber ainda, bem no meu fundo, quando se instalará a Paz aqui no mundo!
Data da criação deste conteúdo: 2022-03-11 Imagema: Dmitri Ganin
Urge que eu respeite a minha realidade
ou deverei começar, suavemente,
a dar mais atenção à indiscutível verdade
da não resistência aos grandes danos
que o tempo inflige em cada sana mente?
Sei que não sou imune ao avançar dos anos...
Deverei procurar serenar a minha agitação,
que me tem escrava do que falta acabar,
ou deverei moderar a minha tentação
deste meu fazer de conta, rumar a norte,
esquecendo que a sul, depressa ou devagar,
caminha, em minha direcção, a morte?
Por aqueles que sempre, fielmente, amei,
eu quero continuar a viver, a amar,
desprezando a tua chegada, que sempre ignorei!
A confiança que, de ninguém, mereces,
ofereço-a à Vida, que sabe criar e recriar!
Maldita sejas tu, que não desapareces!!!
O dia estava fresco, acinzentado.
A pobre da gaivota esvoaçava
em busca de alguns restos de pescado.
E enquanto sobrevoava... grasnava...
À ninhada, acabada de nascer,
não importava saber por que gritava.
Prosseguia, pipilrando por comer...
e a fome, entretanto, não passava.
Cansada de os ouvir, a gaivotinha,
solta um forte grasnar, tão estridente,
que acabou dorida numa asinha
e não pode voar mais. Ficou doente.
Arrastando-se, e bem contrariado,
surge o gaivoto, pai da pequenada.
Enfrenta a situação, desajeitado,
e decide, resoluto, fazer... nada!
Alguém da vizinhança, vendo a cena,
decidiu ir socorrer os pequenotes,
oferecendo à mãe, que lhe fez pena,
pescado muito fresquinho... aos magotes!
O gaivoto nunca mais apareceu,
não sei se por enorme humilhação.
Isto foi o que vi dum sítio meu,
com realismo em alta dimensão.
2023-04-14
Imagens: Olga Lioncat e Théo Lê
Montagem: Maria Letra
Um peso enorme nos ombros,
e um doce encanto que adoro,
parecem saír de escombros
de quando em quando… e choro
por elos de tanto Amor,
nascidos de muita dor.
Prisioneira neste mundo
em conflito, não me sinto
capaz de saír do fundo
dum Passado, mais que extinto.
Barulhos fortes, constantes,
me despertam por instantes…
Meus pés doem ao puxá-los
para que sigam em frente,
mas já não sei libertá-los
deste sofrido Presente.
Sinto-os como que amarrados,
teimosamente parados.
Há folhas velhas pelo chão.
Estão secas. Perderam cor.
As que ainda ali não estão
sofrem de perdas de Amor.
A poda... já se avizinha.
Novas vidas surgirão
trazendo em cada folhinha
cores da velha geração.
É assim que o tempo faz.
Cada ciclo é uma mudança
que a Natureza nos lança.
Os velhos ficam pra trás.
Vão morrendo em prestações
que a morte cobra... em fracções!
Tu urdes teias com mil cuidados.
Teces teus actos, em cada fio,
bem disfarçados, camuflados
nas tuas veias, de sangue frio!
Nesse tecer, tu não me aturdes.
É de meu jeito ver causa-efeito,
ir mais no fundo, ir mais além.
Não fantasio, enquanto urdes.
E, nesses dias, em que tu teces,
com tua mente geras suspeitas.
Por alguns dias, não apareces,
até que as teias estejam feitas.
Mas não sou presa. Sou combativa.
O teu tecer já não me engana.
Pára de urdir. Estou na ofensiva.
Da minha vida sou soberana.
Um movimento de gente atarefada
invade lojas, ruas e até calçadas.
Os multi-bancos, de forma inusitada,
esvaziam-se de notas... Que maçada!
A despeito de poderes, ou não, cobrir
uma listagem de presentes de Natal,
interessa-te é comprar e, a seguir,
“a ver vamos!”, dirás então... mas ficas mal.
Fazes a lista dos créditos a pagar, verificas o valor da tua receita,
e passarás esse Natal... insatisfeita!
Enfrentarás esta dura realidade:
Se o Dever for superior ao Haver,
há um saldo negativo… a inverter!
Pior do que estar falido é não termos consciência da nossa maledicência ao julgarmos mal alguém... quando passamos a vida com a alma impedernida pelos podres que contém.
Prometi amar-te eternamente, sim! Eu desejava que fosse mesmo assim. Reduziste-me a nada. Acreditei que tu ainda mudarias. Me enganei. Contudo, de loucura não irei morrer a despeito do quanto sei vir a sofrer.
Tudo farei para queimar esta paixão que subsiste, ainda, no meu coração. Hoje estou diferente. Nem sei quem sou. Só reconheço o mal que em mim ficou, paralisado os meus sonhos de criança. Perdi em ti, toda a minha confiança.
Silencia o que possas querer dizer-me. Não irias, seguramente, convencer-me.
Panteísmo, Pampsiquismo, Imanência e Transcendência coexistem, porque existem. São teorisas que exulto não precisar de abraçar. São temas com problemas de entendimento tão lento que desisto, sem ter visto factos concretos, objetos da minha entrega, que nega ir além do que convém. São meras linhas, não minhas, de pensamentos que tento, não ousar aprofundar. Nesta ignorância e ânsia de procurar saber mais, jamais terei, ou tentarei, uma resposta, pois exposta a cada teoria que as diferencia, perco a razão e, então... por ignorante passarei. Entre a verdade e a realidade do muito que tem sido dito gerar-se-á sempre um conflito.
Me atrai a sua graça, me enlaça, me abraça, deixa-me feliz. Atento, Cupido, atrevido, assaz seduzido pelo meu lado de actriz, deixa-me sem jeito e aproveita o ensejo para conquistar-me … e, quem sabe, enganar-me. Mas fico na minha, entre fofa e fofinha, feliz… mas sozinha.
Na estrada em que caminhamos, ora ausentes, ora conscientes da meta com a qual fechamos o livro da nossa Vida, o tempo dá-nos vertentes que podem precipitar essa força presumida a que uns chamarão morte, outros alívio de penas, outros também, pouca sorte. Heterónimos apenas! Não sei qual deles o pior. O rasto... é sempre de dor...