Desde os primórdios da vida que há gente a usar os outros como sua propriedade. Quanta pessoa agredida no mais fundo do seu ser! Oh quanta brutalidade!
Tem havido tentativas - ao longo de muitos anos - de acabar com esse mal. Contudo, são iniciativas sorrateiras, prepotentes, que mantêm tudo igual.
A lei tem processos lentos, não é rápida a actuar. Não vai ao fundo... ladeia... E apesar dos lamentos, de quem é escravizado, a eficácia escasseia.
Na mulher, na Esposa e Mãe, nas Filhas e nas Irmãs, o abuso vai actuando, e não se percebe bem, de que lado está a lei operando em modo brando...
Há que acabar com o abuso, mas é tão grande a ganância neste mundo tão cruel, neste mundo tão confuso, que perde qualquer substância qualquer contrato fiel.
E, de forma camuflada, que a muitos pode escapar, a escravatura acontece! Nem a criança é poupada neste mundo a descambar... pra algo que não merece.
Sentia aperto no beco, onde morei toda a vida. Lá fui grito; não fez eco; preparei-me prà partida. Mil sonhos, mil esperanças se tornaram pesadelos. Foram pesadas heranças deixadas por vis camelos.
Num baú antigo e tosco, vejo um transparente fosco, num mar de recordações. São sombras das ilusões que pintei com o verniz da vida que tive e quis. Estão enlaçadas num todo; fazem parte do engodo de um passado que não sigo. Procuro-te e me castigo por penosas concessões às tuas violações daquilo que sempre fiz. Secaste-lhes a raiz.
Quando o lindo mar se agita,
por revolta no seu fundo,
há gente que, muito aflita,
teme que termine o mundo.
Não te encrespes mais, ó mar!
Apesar dos males que alastram,
iremos poder travar
o que tantos egos castram.
Que a ira não se repita!
Entranhada no teu fundo,
há um mal-estar que grita
contra um egoísmo imundo.
Elevamos nossa voz!
Vivamos todos na Terra
considerando que NÓS,
muitos EU e TU encerra.
(Dois excertos do meu livro)
.....................................
Pra terminar esta parte
da História de Portugal
e do seu nome também
(apenas porque convém),
acrescentarei, portanto,
que o nosso país de encanto,
em redor de Portus Cale,
era o Porto... tal e qual
(ou mais ou menos, digamos,
pra que não atraia enganos)!
Então como foi possível
este feito inverosímel
de termos crescido tanto?
Foram séculos de luta
com muitos filhos da mãe
que sempre nos invadiram
de causas para disputa
desse país de ninguém.
No ano mil cento e três,
um tal Henrique Borgonha
- morto nove anos mais tarde -
com uma coragem medonha
faz algo que maravilha:
Resolve ajudar Castilha
de forma não calculista
(ou calculista, talvez...)
na luta pela reconquista.
Grato por este seu gesto,
Afonso VI o que fez?
Nomeou o tal Henrique,
por vontade ou manifesto,
El Conde de Portugal.
Foi um acto excepcional,
porém, morre Afonso VI
e altera-se o contexto
em que tudo decorria.
No terminar de mais um ano controverso, durante o qual muito foi mais, e pouco menos, recorro ao meu livre direito de opinar e toco no eterno drama do perverso, e dos factos que considero mais extremos, num país onde há um caos a criticar.
Entretanto o pobre passa fome...
Reina a desordem em diversos sectores. Há uma onda chocante de comentários de diferentes culturas, sem formação. Deparamos com supostos senhores doutores que, enfatuados, organizam plenários, mas de boas soluções... pouco saberão.
Entretanto o pobre se consome
Os media, tendo em mente as audiências e a distracção, bem “saudável”, do seu povo, exibem novidades muito eclatantes, tendenciosas, conforme as conveniências... ...com as quais já nem me movo nem me comovo, nem me perco em ver programas degradantes.
Entretanto o pobre venceu a fome ...
E eis que o povo se transforma em gente que já não quer saber do que Ronaldo tem ou daquilo que Cristina lhes irá propor. Tem agora bem cuidada a sua mente, capaz de discernir o que é que lhe convém... ... isto é, matar a fome e gerar Amor!
Confirmam-se actos surpreendentes,
que não sabemos porque se geram,
nem com que fim são praticados.
Perturbam crentes e até descrentes.
Há mil respostas que nada alteram
se os seus autores são questionados.
Silêncios estranhos, perturbadores,
derrubam sonhos, queimam projectos,
ferem pessoas, destroem vidas...
Não conhecemos os vis traidores.
Hediondos monstros, seres abjectos,
que silenciam... com fins suicidas?
Caminham juntos, na mesma estrada,
seres que te amam, seres que te odeiam,
seres que te iludem, seres que te traem..
Porém... amigo, na caminhada,
há outras almas, de mil formatos,
que com ruídos... não se distraem.
Fica em silêncio, e põe-te à escuta
para aprenderes quem fala a quem,
e o que combinam de muito imundo...
Esquece os ruídos! Há gente em luta,
que quer salvar quem está refém
dessa gentalha, que trai o mundo.
Mergulho na noite, breu medonho,
deixando-me, dormindo, transportar
ao mistério deslumbrante do sonho...
Actuante, sem deixas, sem suporte,
saio da plataforma "Consciente",
cheia de regras, ponderação,
para um teatro livre, potente,
cenas virtuais, encenação.
Oh! Este momento, sem comando,
onde o cenário, vil enganador,
poderia permitir-me que, sonhando,
sentisse Amor, não este Desamor.
Entre mim e ti
uma longa história
paira viva
na minha memória.
Jazem inapagáveis
cicatrizes
nas nossas raízes.
Imortal será,
entre nós,
a palavra Mãe...
pelo valor intrínseco
que tem.
Sólidos estarão
entre as duas,
dezanove rubis
onde continuas.
Quando me casar contigo não serás o meu senhor. Eu sou minha e Tu és teu! Para além de meu Amigo és minha fonte de Amor, sem que eu deixe de ser EU.
A posse implica poder, não quero ser possuída. Não me vejo desse jeito. Sou feliz por te querer e por ser por ti querida, mas exijo-te respeito.
Peço-te, Amor, que medites nestes pontos que foquei. São as minhas condições! Casar implica limites... Tu sabes... e eu também sei. Respeita as limitações.
Para além do que se conhece há uma incomensurável ignorância, - consciente ou não - do que ainda se desconhece ou que não convém darem-nos a conhecer. Em abundância, há uma teimosa convicção por vezes inabalável, de que há quem já saiba tudo! Um pormenor relevante: proliferação do surdo-mudo! Há um esquema, indecifrável, que andam a ocultar-nos e que segue camuflado sem quererem desvendá-lo. Depois... há o conhecimento, quiçá bem memorizado à força de martelá-lo na nossa mente ainda fresca... em que verdades “autênticas”, são mentiras gigantescas passadas constantemente, e escolhidas, tacitamente, para encobrir o obscuro que nem aceito, nem descuro... Resumindo... Existem os detentores dum certo conhecimento, que se chamam “professores”. Depois há os vigaristas, os mais espertos de todos, que nos enchem sempre as vistas - com um fim intencional - de “paisagens” mentirosas... e teorias enganosas dum rigor excepcional. Concluindo: Faz falta um Saber Superior capaz de priorizar o AMOR.
Mil países tivesse, em tempos, visitado, mil anos tivesse neles, longe vivido, e esta vontade que sinto me tentar - meu Portugal tão amado e tão querido - seria igual à de hoje: regressar! Foram penas nele sofridas num passado que no presente nem recordo, nem esqueci. Mas é aqui, meu Portugal acorrentado, que desejo reconstruir o que perdi.
A lava do teu vulcão queimou-me calmos desejos. Não quero mais os teus beijos nem tua louca paixão. Sinto-me fria, a tremer, acorrentada em teus laços, fugindo dos teus abraços, querendo não mais te ver. Sedenta de solidão, quero encontrar-me comigo para auscultar se consigo dar paz ao meu coração. Não passaste de ilusão. Foste dor em noites loucas. Tu me amas mas eu não!
Ó mar, acalma-te, amansa; essa raiva que tu geras contra um todo desregrado seca a alma, enerva, cansa. Não agites mais as feras deste mundo atormentado. Gentalha amante da guerra, onde impera a misandria, e o desamor pela vida pode acabar com a Terra e enveredar pela via de uma paz comprometida.
De quem é, então, a culpa? Do culpado, ou de quem julga? Puxo aqui o tema AMBIENTE, que, ultimamente, se sente em todo o mundo, alterado. Tem sido negligenciado. Portanto, decidi acrescentar, ou direi mesmo, mudar palavras neste poema, para focar o dilema que estamos vivendo já no mundo, tal como está.
Há que tentarmos pôr fim, por todos e até por mim, no caos que está a gerar-se. Quem estiver a marimbar-se fugindo a regras impostas, a que muitos viram costas, deve sofrer um castigo. Isso é acto de inimigo. A mim também caberá, apesar de idosa... vá, fazer tudo o que puder pra mudança acontecer.
Daí eu ter decidido escrever aqui um pedido de empenhamento geral. E que ninguém leve a mal... O que é vida vira morte, (e não se trata de sorte!) se este planeta, em risco, não for protegido... Insisto: Nós deixaremos cadilhos aos netos dos nossos filhos, se mantivermos estagnada a questão de fazer... nada!
E pensei, de mim pra mim, pôr este poema assim, porque aquele, antes escrito, pecava por ser restrito, no tema aqui em questão. Ora vamos lá então... Quando o sol, luz irradia, no começo de cada dia, a Natureza implora, estarmos atentos, na hora, com rigor, e de bom jeito, à dupla: Causa-Efeito.
Muda e cega, muita gente age de forma imprudente, deixando subentender, que não quer mesmo saber do que se passa no mundo. Claro que, enfim, no fundo, não faz o que lhe compete, e o futuro compromete! Deixo a coisa neste pé: Quem avisa… amigo é!
Data da criação deste conteúdo: 2022-07-14 Imagem: Margarida Antunes Vieira
Procuro-me onde estava e como era
no tempo em que te amava loucamente
e duma forma transparente, tão sincera,
que eras presença mesmo estando ausente.
Se no espaço etéreo que te envolve,
adivinhar-te pudesse... eu te diria
que a lucidez que tenho não me devolve
aquilo que fui perdendo, dia após dia.
Pergunto-me, por vezes, onde estará
aquela outra que não sinto mais em mim.
Será que o nosso amor chegou ao fim?
Que se perca o tempo que não voltará,
mas que não se apague a recordação
daquilo que perdura no meu coração.
Em tempos de criancinha, na minha igreja,
falavam-me de inferno, com muita firmeza.
Diziam ser o castigo, quando eu pecasse...
Porque toda a repetição a mais, caleja,
como sempre fui uma prendada, que se preza,
ficava assaz estarrecida... sempre que falhasse.
Fui crescendo... Muito devagar, fui entendendo,
que para perceber bem o que é o inferno,
teria de aprender mais... para além dele...
E foi assim que, lentamenter, fui diluendo
certos medos - mesmo que ‘in modo” prosternal.
Que contra o meu passado eu nunca me rebele!
Queria ter força, fugir, mesmo sem saber de quê. Deixar o mundo, partir em busca dum tal “por quê” que nunca me dá descanso e não deixa de seguir-me. Quando me enervo, me amanso. Já não quero mais trair-me. Enroscada no meu “EU”, continuo a procurar-me, mas não me encontro Deus meu!
Café de Paris,
Ponto de encontro de tantos corpos.
Uns, cheios de vida, outros, quase mortos.
Nas cabeças, um mundo desconhecido de ambições.
No peito… mais dores do que corações.
A banda, repetitiva, sempre igual,
parecia tudo, menos musical.
O interior do salão era deprimente,
e o aspecto, sórdido.
Nos olhares sentia-se uma esperança
e um desejo mórbido.
Em cada par, um caso… por vezes sério,
mas na maioria, pra não recordar.
Contudo,
neste salão deprimente, de aspecto sórdido,
onde quase tudo era doentio, era mórbido...
encontrei-te a ti.
No teu doce peito senti um coração.
Na tua cabeça… uma humana ambição:
encontrares alguém que suavizasse
a vida que tens.
Dançámos. Sem falsas ilusões,
dia, após dia, um desejo crescia:
estarmos juntos os dois.
O meu corpo ansiava aprender
a lição do Amor. Ensinaste-ma tu.
Hoje, meu bem,
o meu coração sabe bem o que quer.
Aprendeu, contigo como é bom ser Mulher.
Enquanto a vida se entende nesta incerteza em que vivo, solto esta arte que corre dentro do meu coração. Continua muito activo o fogo desta paixão. Viverá até ao fim. Que morra apenas eu, como um pobre plebeu, mas nunca pobre de mim!
Não há bem que sempre dure, nem há mal que não acabe… - diz o povo, que bem sabe! Para grande mal, grande cura. Este ditado… convence! Ora recorde, ora pense: Quando cremos estarmos bem… surge uma qualquer má nova, de levar caixão à cova, e o povo, bué cansado, não reage. Desanimado, nem aquece, nem arrefece… Se as águas passadas já não movem moínhos, sigamos novos caminhos... Façamos o que deve ser feito... ...mas sem intenções subtis: Cortemos o mal pela raiz!
Texto inspirado nos actos de um desonesto gestor que tinha uma grande ambição: continuar corrupto ininterrupto.
Aquela cor vermelha no semblante de quem vai rebentar em qualquer instante, pareciam indiciar que não conseguia saír do pesado labirinto em que se meteu…
Dir-se-ia ser da “telha” com que viu deslizar, por uma malvada grelha, aquilo que ambicionou, mas que uma “busca” não lhe possibilitou… ... E tudo o vento levou!
Prémio da discrepância entre a ganância, a honestidade e outros afins: um bom par de patins!
Neste espelho em que me vejo retratada, fielmente, vejo rugas em cortejo marcando este meu presente. Não há margem para enganos: o meu corpo está cansado, por muitos e muitos danos, dum tormentoso passado. Abundante em muitos feitos, minha vida virou rica... rica de “golpes” desfeitos e tanto que a dignifica. Mas com orgulho e coragem enfrento o futuro bem, fazendo sempre a filtragem do que nele mais me convém. Escolho bem as amizades para poder enfrentar as muitas falsas verdades que nos querem injectar. Depois… o que é que me impede de viver, sempre sonhando, se o meu coração não cede aos anos que vão passando?
Onde quer que estejas, Mãe, este poema é para ti, como se estivesses aqui... não nesse remoto Além. Estou carregada de dor, mas também de tanto Amor. Sabes da minha saudade e do quanto gostaria de ter-te connosco, este dia da tua maternidade. Mas não venceu a melhor, e foi a Morte, agressora, que, uma vez mais, vencedora, levou vida, deixou dor. Porém... não nos separou. Eu sinto a tua presença, leve... serena... e muda. Não me fala, mas saúda. Maldita sejas, ó Morte, quando de nós te levou. Que triste condenação dada a um ser desejado. Para mim... isso é traição à vida de alguém amado. Não sei se rumaste a Norte, onde creio o Além morar. Só sei que estou à deriva, perdida num alto-mar... Onde quer que possas estar, não deixarei de te amar!!!
Se muitas preocupações te manifestam
presenças que originam desapego
a valores que, do passado, ainda restam...
procura o que na vida gera aconchego.
Liberta-te de penas que ainda sintas,
e que turvam a tua mente já cansada.
Luz e desaire são forças bem distintas.
Entrelaçam-se e confundem. Valem nada.
A luz em demasia ofusca a alma
que o desaire não deixa iluminar.
São duas forças diferentes a actuar.
Desamarra-te de tudo e busca calma.
Serás exemplo de força e de coragem,
e encherás de cores a tua imagem!
Estás na hora da partida, embalando os teus haveres. Que pobreza de conteúdo! Quando tu eras miúdo, entraste num mundo em festa com uma lista gigantesca de coisas para fazermos. Sem ideias, sem sabermos por que lado começar, era importante avançar! Portugal estava abatido pelo que tinha perdido. Havia uns que corriam, outros que nada faziam. Muitos passavam o tempo fazendo dele passatempo, enquanto outros, honestos, organizavam protestos contra a gula e a luxúria dos detentores da incúria. Vais partir triste, deixando muita gente meditando, com perguntas sem resposta. Eu faço-te uma proposta: diz ao teu filho hoje à noite, que reze por um milagre: que a guerra não deflagre. Estamos cá para ajudá-lo. Somos muitos a apoiá-lo!
E foi a explosão na minha mente
- que me mantinha presa e amordaçada -
a causa que matou, naquele Presente,
a praga duma Vida mascarada.
Mudei a direcção que, então, seguia.
Rumei a um Futuro que, não nego,
mudou completamente, nesse dia,
o lado distorcido do meu ego.
Apraz-me constatar que sou feliz.
Assim... a minha alma nua,
nunca mais se mascarou de actriz.
Vestiu-se de verdade, não actua.
Já nada existe daquilo que acreditei
fosse verdade em ti e, pensando bem,
partiste da minha vida, e hoje sei
que fui, do teu egoísmo, sua refém.
Por este sentimento, agora em mim,
e por tudo quanto me fizeste sofrer,
eu espero apenas por um justo fim:
não recordar-te mais para poder viver.
Quando – falso - dizias que me amavas,
acreditava, porque tu, até juravas.
Era uma criança... com uma paixão.
Puro engano de quem sonha, iludida,
acreditando amar para toda a vida
alguém, que não foi mais do que traição.
Fui amante de tesouros que, em verdade,
fui criando ao longo duma certa idade,
em que a esperança mantinha-se permanente...
Acreditava em tudo... porque inocente.
Eles seriam os meus escudos nas batalhas
perpetradas contra os eventuais canalhas,
que ousassem querer violar a minha mente.
Percorri a minha juventude consciente
do quanto era importante que o futuro
fosse bem diferente, e muito mais seguro.
Aquilo a que assisti, tanto em excesso,
virou todas as minhas vontades do avesso.
Mantinha-se, bem vincado, dentro do meu lar,
aquilo que, fora dele, estava a faltar.
Mas isso não chegava. Era bem pouco
neste mundo onde aquele que confiar, é louco.
Ganhei uma forte, bem vincada consciência
das nossas regras sociais, e da prepotência
com que somos, tacitamente, manipulados.
E a minha alma partiu-se, em mil bocados.
Hoje, atingida já uma certa idade,
não me bastam a força e a boa vontade,
para moldar o leito em que eu me aqueço.
Foram tantos aqueles sonhos, que não esqueço!
Viraram pesados, fugazes e mal dormidos,
tal como os anos de luta com fé vividos
que, pensando bem, nem sei se valerá a pena
continuar a sonhar com uma vida plena.
Recomeçar da base seria repensar
uma nova fórmula para tudo mudar.
Vejo o mundo a sucumbir no exagero,
com tanto de falso e tão pouco de vero.
A maré hoje está cheia. Gaivotas pairam no ar. Quanto mais a maré sobe, outras mais se irão juntar. Não há barcos sobre as ondas, nem turistas pela praia. O tempo ameaça chuva, não se vê nada que atraia. Sem permissão para pesca, reina vida no cenário. Para peixes... sabe a festa, para gaivotas... calvário! Há ciclos durante a vida, que contrastam, grandemente. Uns dizem serem acasos, outros o poder da mente. Há, porém, quem contradiga, com um parecer diverso, atribuindo os acasos ao poder do Universo.
Urge uma rajada de esperança abanar-nos o corpo, sacudir-nos a alma. Tenhamos coragem para a mudança. O mundo está virado do avesso e ao que se passa, para além das teias, pouquíssimos seres têm acesso. Não confundamos as areias com que era feito o cimento, no passado. Hoje a massa é outra, e bem diferente. Aguenta mais e por mais tempo, mas quando cai, deixa milhões de pessoas perplexas. Acontece com outra projecção. Quem monta cada império, navega em áreas complexas. Só entra lá quem tiver credencial especial e sofre muita perseguição. No passado, sabias onde estava o inimigo. Hoje, ele actua em desafio. Reina o disfarce e um compadrio que compromete.
Será que a história, na verdade, não se repete ou cada um nunca sabe onde se mete?
Milhões de preces foram feitas para que a gripe cessasse. Mas não cessou; deixou maleitas. Os vírus multiplicaram-se e, velozes, transformaram-se em outras gripes perigosas. Rezar não adianta nada, quando esta sair falhada. São práticas religiosas paralelas à ciência, na luta por assistência. Em momentos de aflição, por que não uma oração? Espero que, sempre alerta, a cura seja descoberta.
Desperto e logo desejo continuar a dormir, porque, acordada, não vejo a forma de colorir o cenário desta peça a que chamam "Existir".
Eu não tenho mais cabeça para inventar um viver que não deixe que envelheça mesmo antes de envelhecer. É que aquilo com que sonho não é um existir qualquer.
A pergunta que me ponho é se haverá um modelo de sonhar, sem que esse sonho não termine em pesadelo... pela exaustão que prevejo por tanto que me acautelo.
Se "Existir" não deixar tornar sonhos realidade... amigos, por este andar, acabamos, na verdade, por escolher adormecer para não ver a maldade...
Avanças presa a um passado que não consegues esquecer. Transpõe os teus obstáculos! Cada passo que dás em frente é para avançar. Não pares! Apoia-te em sustentáculos que revigorem a mente, para voltares a viver. Enche a alma de esperança. Quem bem luta, sempre alcança! O que para trás ficou... ...não recordes. Acabou! Esquece quem te fez mal, ousando tua vida perturbar. Para além do que é verdade, há um mundo surreal que esconde um vasto mar de hipocrisia e falsidade. Confia no futuro que te espera! Não ajas à toa; pondera.
Não me fales de amor se vives da ganância, nem de empatia se fomentas guerra. Vives a vida na crassa ignorância dos reais valores de que carece a Terra.
Vive-se uma onda de real loucura que há muito grassa no mundo… e quanto a leis nem sempre são cumpridas, pois perdura a dos que vivem, ainda, como reis.
Passam por cima de tudo e de todos para forçar vitórias. Vis, implacáveis, acabam por matar, de vários modos.
Morrem inocentes aos milhões, em cruéis lutas insustentáveis. Seguimos numa fila aos trambolhões.
Aqui jaz alguém que já nada faz ou, provavelmente, fez alguma vez. Dentro dessa caixa que o encerra, o tempo reduzi-lo-á à origem, ao estado de matéria virgem. Para ele, o "Deve" e "Haver" já não terão mais razão de ser. Para muitos, a Contabilidade, necessária, é uma afirmação da sua situação nesta vida, do seu valor como ser humano, pois é directamente proporcional ao valor intrínseco do seu capital. É um conceito assaz desumano, se assim interpretado. Contudo, esse valor não é tudo. É nada! É a tua essência mascarada, um cálculo completamente errado, e passas à categoria de condenado se for provado que tu... nada tens, além de alguns míseros bens. A vida tem uma dimensão maior, no que concerne ao seu real valor. Sobrepõe-se à maldade profunda duma sociedade moribunda. Eu tento ignorar a falsidade em que abunda: a perversidade, a traição e a velha corrupção. A vida gera o bater do coração, quando vibra e quando se agita, ou sente a falta de um amor ausente, que nunca mais estará presente. Não é preciso saber contabilidade para compreender onde está a verdade de cada ser de alma e coração, que olha o outro como seu irmão.
Data da criação deste conteúdo: 1986-05-03 Autor da iImagem: KoolShooters
Parte tranquilo, dois mil e vinte e dois.
Leva contigo o mal que nos fizeste
e deixa ficar o que de bom trouxeste.
Tivemos esperança em ti. Pouco depois...
com o decorrer dos dias e dos meses,
perdemos a ilusão de tu seres diferente.
Seguiste a linha do ano precedente,
e começou uma escalada de reveses.
Sentia-se uma certa baralhação
na questão da saúde e também da vida.
Favoreceste a morte, essa bandida!
Fizeste do tempo uma péssima gestão!
Quero ver-te partir em boa ordem!
Que venha, pois, dois mil e vinte e três
e que seja feita, finalmente, desta vez,
a cessação do tempo da desordem.
Carecemos duma mudança radical
no sector da saúde e do bem viver,
com alimentos de confiança pra comer.
Há gente a sucumbir, por viver mal.
Data da criação deste conteúdo:
2022-12-31
Imagem: Javon Swaby
Não serão, certamente, estes meus versos,
gerados na dor do que estou vendo,
que irão mudar as mentes dos perversos
que vivem pra matar, mesmo morrendo.
Condenada e sem saída, a vossa estrada
cheira a mortes e a fogo, aqui na Terra.
Vive-se a mentira arquitectada
nas verdades ocultas duma guerra.
Os corpos inocentes que hoje jazem
em terras onde o solo é infecundo...
têm o vosso selo vil, imundo.
Não temo as ameaças que, em vão, fazem.
Sou cidadã do mundo. Busco Paz...
esteja ela onde estiver. Tanto faz!
Atrás, não sei bem de quê,
corre o Tempo assaz veloz.
Leva um pouco de você,
de mim… de todos nós.
Criemos uma barragem
no trajecto que ele seguir
para aumentar a coragem
de quem já quis desistir.
Tempo que vai mas não volta,
tem calma… vai devagar.
A tua pressa revolta
quem quer tempo para Amar.
A perfeição não existe,
mas essa é a minha meta.
De tão exigente ser
não me sinto completa.
Mesmo assim, por acabar,
tenho um coração que crê
que, de amor, estou repleta.
Aos olhos de quem me vê
por vezes sou assim mesmo:
Incompleta! O que é que falta?
O problema está dentro.
Há um senão que ressalta.
Ontem, fui boa pessoa;
anteontem… já não sei;
hoje procuro tornar-me
a mistura que convém.
Convém... a quem de mim espera
qualquer coisa... assaz diferente.
Acabo sendo um enigma
aos olhos de toda a gente
que me olha e vai dizendo:
- Esta aqui, não está completa!
Tem um parafuso a menos...
ou é doutro planeta.
Longos voos realizei,
sempre com ida... e com vinda.
Tantos anos que eu matei!
Nem sei quantos tenho ainda.
Buscava pérolas brancas,
escapava a pontas de fogo.
Fechava portas com trancas,
pra fugir de um demagogo.
Uma asa já quebrou,
não a posso consertar.
Estou cansada de tentar.
Choro o tempo que passou.
Nem correndo o apanharia!
Mas... quem sabe se, um dia...
Mãe, tu que me deste a Vida
para ser vivida em pleno,
tinhas a doce esperança
dum futuro assaz sereno.
Mãe, tu que me viste falhar
milhares de vezes - apesar
dos teus avisos permanentes,
sábios e tão pertinentes...
Crê, eu não te culpo de nada.
O meu falhar foi resultante
do quanto, na vida, passei.
Hoje, sinto-me arrependida.
Para sempre, recordar-te-ei
como uma Mulher de força,
uma Mãe boa, assumida,
porém, muito introvertida.
Não obstante irreverente,
sentia na tua conduta
os efeitos da tua luta.
Mãe, partiste tão de repente...
Tu travaste uma batalha
aos teus noventa e seis anos...
e eu... estava de novo ausente
e não me despedi de ti.
Foi injusto… inesperado,
e muito fora dos teus planos
… se de morte planos houvesse...
Estes, o Universo os tece.
Como eu me sinto sozinha!
Oh! Mãe, minha querida Mãe,
deixaste-me na maior dor.
Repousa, agora, em Paz,
Meu Grande Eterno Amor.