Procura os porquês desta confusa vida,
sem grande ambição. Lê no teu coração.
Dentro dele há verdade, nunca ficção.
Procura os porquês desta confusa vida,
com muita simplicidade. Amigo, acredita,
vive tranquilo, sê feliz e medita.
Procura os porquês desta confusa vida,
olhando uma criança. Nela reside o segredo.
Vive a sua inocência! Rejeita esse teu medo.
Abandona os porquês desta confusa vida.
porque só o tempo poderá dar-te respostas,
através de sinais... com verdades expostas.
Prosa poética
Escondo-me nas palavras que não digo por recear, dizendo-as, magoar-me.
Quero, loucamente, estar contigo, mas nunca, se o fizer, irei perdoar-me.
Escondo-me nos silêncios que tu dizes marcarem cada dia em que me ausento. Não quero ser presença enquanto vives de um sonho que, de cor, está já isento.
Escondo-me na praga de um desejo que combato, consciente das razões
pelas quais, de ti, eu me protejo. Escondo-me nas marcas que me escudam
a mente, repleta de ambiçõesl Meu amor... palavras não te mudam!
O rubicundo poente
que a minha imaginação
criou no meu horizonte,
é um factor decorrente
que a paz no meu coração
deixa que, serena, afronte.
Abaganhada em trabalho,
missão que a vida me impõe
dia, após dia, que passa,
busco homizio num baralho,
as mil coisas que se impõe
que eu, tranquilamente, faça.
Mas o poente em questão,
engoda quem lhe faz mossa,
e quando penso que sim,
que talvez, ou mesmo não,
ele acredita que eu possa
suportar seu frenesim.
Mas a idade atraiçoa
esses poentes em fogo,
frutos das nossas cabeças.
E quando o muito magoa
e o trabalho está em jogo,
viramos tudo às avessas.
Um veloz fenecimento
da força que, até então,
parecia viver em nós,
surge num dado momento
e, sem qualquer ambição,
sentimo-nos muito sós.
Entre ocas focas e mil fofocas, há um mar de ricas fofoquices! Ninguém neste todo fica ileso. São grandes e perigosos venenos que lideram milhões de canalhices feitas por gente dum 'enorme peso'!
Controlam mesmo, com claro arrojo, internet, jornais, radios e televisões. Trata-se dum descaramento imundo! É um comandar que nos gera nojo, feito em prol dos muitos tubarões, eternos dominadores deste mundo.
São como víboras maléficas, tontas... camafeus de muito reles pedigree. Eles não são gente, são gentalha! Especialistas em controlar contas, aumentando aqui... e roubando ali, fazem parte integrante da maralha.
Preparem-se, se ainda vos aprouver, para assistir a um lamentável cortejo de gente pobre que fome irá passar... Perderão a casa onde estavam a viver e nem sequer, talvez, tenham o ensejo dos seus elementares direitos reclamar.
O seu raciocínio lógico não passa de demagógico. Atreve-se a discursar e acaba mal, a boiar na própria água que mete. Cada palavra é um barrete. Expele asneiras pela boca porque a cabeça... está oca! O que defende em política foi sempre sujeito a crítica.
Já tenho cheio o meu saco com inúteis bate-papo a que assisti muitas vezes - para mal dos Portugueses! Eu sinto que o que ele diz ser bom para o seu País só empapa confusões nas mentes que, nas votações, ficam todas baralhadas e fazem escolhas erradas.
O povo que não se engane! Tudo aquilo que ele trame pra defender o seu tacho, segundo aquilo que eu acho, não passa de vil cantiga. Por muita coisa que diga em defesa do seu nome, nem surte nem mata a fome de quem há muito, sentado, espera um futuro adiado.
Abraço os sonhos que tenho, indiferente aos sinais que me recordam a idade. Vivo meu dia após dia com enorme felicidade, pois ninguém se atreveria a travar o que é demais. Vou até onde eu puder, sem pressa ou agitação. Ninguém corre atrás de mim. Sou livre e sem compromissos... seguirei vivendo assim! Meus quereres insubmissos? Combato-os, por precaução.
Caminho num mundo estranho; pra não ir só, me acompanho. Eu vou comigo mas sinto que parei num labirinto cuja saída perdi. Porém, nunca desisti, e não é com esta idade que deixo a minha vontade perder-se desta maneira. Enquanto estou caminhando, meu corpo vai-se cansando, mas, revendo os passos dados em mil dias mal passados, eu sou feliz por sentir que ainda posso insistir em seguir por uma estrada sem qualquer encruzilhada. Bastar-me-á persistir no que pretendo atingir.
Ó mar lindo, inspirador de poetas
a quem lavas, docemente, suas mágoas,
solta as ninfas que conservas submersas,
na profundidade dessas tuas águas.
Vives, indiferente, serpenteando
em ondas, que sempre vão… e sempre voltam.
Lembram crianças tontas, rodopiando
de tanta felicidade... quando as soltam.
Escrava dos teus encantos escolho rimas
que tornem este poema - especial -
um hino à tua imagem, em geral.
Estou-te grata, mar, porque me animas
quando te procuro. Me basta olhar-te!
Eu sei que para sempre irei amar-te!
Revejo, palmo a palmo, as estradas onde caminhei
arrastando comigo a teimosa ilusão de haver-te.
Foi um penoso crescimento, que não controlei,
uma vontade constante de não perder-te.
Viveste escondido em todos os meus cenários.
Era um modo de ter-te, uma forma de provar-te
que estavas em mim nos meus sonhos diários.
Enquanto vida fui... continuei a amar-te.
Hoje sinto que parti. Choro esse tempo, Amor.
Será que percebeste a imensidão da dor
que carreguei no peito durante tantos anos?
Sou vulcão sem vida que jaz acorrentado
num espaço gelado, triste, ignorado.
Na minha mente secaram já mil desenganos.
Foste uma promessa, muito antecipada,
num tempo de criança, fora de prazo.
Na minha tenra idade, descuidada,
marquei-te para sempre, por acaso.
A seu tempo - quando ainda menina -
voltei a encontrar-te não sabendo
que a marca que tu tinhas, pequenina,
ainda estava em ti. Não compreendo.
Os anos transcorreram inocentes
do quanto às nossas vidas se ligavam
os danos que as ausências nos causavam...
Permitimos que todas as correntes
me mantivessem do teu amor cativa
... e passei a viver sempre à deriva.
Duas pestes coabitam
no meio da multidão.
Perturbam, maçam, agitam,
são um mal sem solução.
A primeira, a Ignorância
- crassa e até desordeira -
se persiste sem “substância”
arrisca a gerar cegueira.
Depois, há a Petulância.
latente nos sabichões.
Ostentam muita arrogância.
Provocam indigestões.
Os dois grupos são perigosos
quando reais opressores.
São os dois capciosos,
a que chamo... “os professores”.
Urge curar este todo
de gente assaz convencida.
Só de ouvi-los me incomodo.
São os pobres desta vida.
O dinheiro não distingue
graus de conhecimentos.
Quanto valerás se extingue
em tristes comportamentos..
Ignorantes, ou cultos,
fundem-se na actuação
se ambos geram tumulto,
perturbando a multidão.
Mocho lindo, sabichão,
lê este poema todo
e responde, com prontidão:
serei do mal, um engodo?
Nasci no mês de Setembro,
e gostava de saber
porque será que não lembro,
noutro mês me acontecer
tanto azar em 30 dias…
Já pensei em recolher-me,
mas... como tenho manias,
não consigo resolver-me.
Não suporto estar fechada
dentro dum pequeno espaço...
Como sou amedrontada,
não confio no que faço.
Temo que em qualquer momento
me ataque qualquer fobia,
e, com este meu sofrimento,
eu morra duma histeria.
Estive oculta três estações
na minha Mãe, que me teve;
quando saí, sem pressões,
nem Outono me deteve...
Daí em diante, então,
ano após ano, em Setembro,
cada minha decisão...
foi um desastre que lembro.
Há provas do que escrevi.
De cada caso... um tratado!
Foi Karma que contraí,
ou destino programado?
Quando somos jovens, contemplamos a vida
como sendo longa, mesmo que sem medida.
Criamos sonhos, envolvendo-os num cenário
colorido pelo nosso imaginário.
No tempo, talvez por erosão da mente,
desgastada por factores a ela adjacentes,
e más experiências acumuladas...
a esperança e a fé, são alteradas.
Não canceles pendentes por organizar.
Ocupa-te do que está por acabar,
criando compromissos com sentido.
Não lamentes o que o tempo diluiu!
Valoriza o que a mente conseguiu.
O que hoje tens é o Saber Adquirido.
Se te cansa estar entre a multidão,
porque tua alma não quer agitação.
Se algo, ou alguém, te decepcionou
porque, de algum modo, te prejudicou.
Se agora te amas mais intensamente,
e queres colocar-te no lugar da frente.
Se a tua suportação diminuiu,
porque a resiliência te traiu...
Apoia-te apenas no que te faz bem,
e em tudo aquilo que mais te convém.
Não te excedas, porém. Tu és a pessoa
que deve estar firme, na frente, na proa.
Aceita o auxílio de alguém que te ama
se tu, porventura, caíres numa cama.
Abre bem os braços ao que a ti voltar.
É um prémio da Vida que dizias Amar.
Nunca te arrependas do que tu fizeste
em prol dos valores, que sempre defendeste.
Abençoa a Vida, em qualquer idade.
Dedica uma ode à tua Verdade.
Dos fracos nunca rezou a História, mas não nos deveremos esquecer que para podermos cantar vitória, houve muita gente a combater... Quantos haverá hoje, ignorados, vivendo, tristemente, na penúria, esquecidos e negligenciados! Pura crueldade... ou vil incúria?
Tenho uma prenda escondida dentro do meu coração. Não quis abrir no Natal, não sei bem por que razão. Talvez não fosse o momento de dar-lhe vida terrena. Ficou só em pensamento, duma forma assaz serena... Eu não me sentia em Paz para assumi-la com garra, nem me sentia capaz de soltar-me de uma amarra que há tantos anos sentia. Estava seca de tão velha. Era muito doentia... O coração me aconselha abri-la para toda a vida, lançando ao mar o passado e deixando, na despedida, um pensamento gravado: Tal como o céu, o Perdão não tem limite, pra mim: Eterno na duração... tem princípio, não tem fim.
Empertigas-te e suspiras, com ar de quem, enfadada, não suporta privações, mas essa vida a que aspiras podes crer, está viciada, e cheia de «tubarões». Empregos... cem em mil; vigaristas... trinta em cem; Escravos... são aos milhões! Deixa de ser imbecil.
Nasci forte e destemida. Sou Mulher à Portuguesa. Doei seis filhos à vida, dos quais – que grande surpresa! – nasceram catorze netos, todos de rara beleza. São uma fonte de afectos, entre brincadeiras e mimos... Oh! Quanto nos divertimos!
O dia saiu de cena. Acabou a encenação. Por hoje, fechou-se o palco onde ao vivo fiz, serena, o papel de aventureira. Sobre penas, que ainda calco, nos bastidores me deleito por ter sido verdadeira.
Fiz uso deste meu jeito de disfarçar, simular, de esconder-me, de sorrir.. sendo eu mesma, sem fingir. Não faço papel de actriz; não recrio fantasias. As mágoas perdurarão no tempo, com cicatriz.
Dói-me que o meu calendário, corra veloz num cortejo de meses, parecendo dias. Sinto pena que o cenário não me tenha dado ensejo de esconder o que me dói. Ferida que o tempo não cura… não desvanece… corrói.
É tempo de fome e de guerra em muitas zonas do planeta Terra. Se ouvires gritos de inocentes, ecoando com os ruídos estridentes do detonar violento de metralhas, serás um conivente se não espalhas a denúncia da existência de opressores, déspotas, facínoras, malfeitores que, com um ódio profundo, gerem os destinos deste mundo. Escuta, irmão: tu, tal como eu, deves ajudar a levantar o véu que esconde acordos indecentes entre homens de mentes muito doentes. É tempo de reflexão, meu bom amigo. Em cada canto espreita um inimigo.
Em vez dessa escumalha interromper a vida de seres que amam viver, que busquem energúmenos defensores das suas teses erradas, de ditadores. Juntem-se a assassinos voluntários, ou mesmo experientes mercenários, e chacinem-se, entre si, sem piedade. Morram todos na sua iniquidade. Fazerem guerra como antigamente, seria muito menos abrangente. Ninguém tem o direito de impor, de qualquer jeito e seja como for, lutas em defesa de alienações que não admitem outras soluções, que não sejam as do recurso à guerra. Isso, é contra a Vida aqui na Terra.
Em mil nove e sessenta e dois
abracei-te, linda cidade,
mal sabendo que, depois,
viria uma tempestade.
Hoje dás-me o que procuro.
És o meu Porto Seguro!
Sinto que as palavras são tão importantes!
Elas sobrepõem-se às pausas de silêncio
que por vezes - mesmo que por instantes -
sentimos serem necessárias. Quando em dor
as soltamos, arbitrariamente e, em baixa voz,
num ímpeto de mágoa, e sem rancor,
aliviamos a solidão se nos sentirmos sós.
Usemos as palavras com tanto, tanto Amor.
Ofereces resistência às suas investidas... ...em jeito de brincadeira, mas atenção à insistência das batidas. Cada uma, traiçoeira, arrasta prepotência e... água mole, em pedra dura ...tanto dá até que fura!
Peço perdão
pela escolha que fiz de como exorcizar
o drama que vivi durante o meu passado.
Teria sido pior mantê-lo ignorado.
Peço perdão
Parte da história que não contei - por opção -
irá partir comigo um dia, silenciada.
Foi uma decisão longamente ponderada.
Peço perdão
Eu só queria proteger os meus sentimentos.
Não era fácil encontrar uma solução,
que aliviasse a dor, sem consternação.
Peço perdão
por não ter sabido escolher outra forma de esconder
a dor que a cada hora multiplicava.
Tinha de libertá-la. Sentia que me sufocava.
Peço perdão
Cada verso que escrevi, poupou alguém de ouvir-me.
Foram gritos de silêncio do pensamento...
derradeira libertação do meu sofrimento.
Quando voo desenlaço
os laços que eu bem quiser.
Não quero o espaço tão escasso,
que tem, na Vida, a Mulher.
São laços de nós forçados,
que teimam em me impingir
os tempos ultrapassados
em que amar... era servir.
Mulher que serve a paixão
de alguém que se diz seu dono,
é amada no Verão,
e esquecida no Outono.
Para a falta de carácter, e o uso de hipocrisia… eu sigo esta via: a da exclusão. Mas, se mesmo assim, continuar, enfim, a provocação… recorro a uma saída: a da acusação, por via legal, para acabar com o mal. É certo que muita gente, estressada e muito marada, recorre à bofetada, mas como sou contrária a essa opção, caro leitor, prefiro a primeira posição, por uma questão de honor. Outra solução será esta: ignorar a provocação e praticar o desprezo. Se, repito, não resulta, e a ofensa subsiste, recorre-se à lei, não se insulta! É uma posição que me assiste, porventura.. . porque este tipo de gente não se atura... Trata-se duma questão de ausência de educação. Nota especial: A possível existência de um caso real, quando criei este tema, para este poema, é pura coincidência. É que este tipo de gente prolifera em Portugal… em quantidade anormal. É um problema social, no estado viral.
A Assembleia da República foi palco de cena lúdica, sem nada de divertido. O povo, desiludido, já pondera observar quem está lá em seu lugar, a defender seus direitos. Enganados e contrafeitos, veem enfraquecer o país, por caruncho na raiz. Lá dentro, uma palhaçada de gente nada engraçada brinca com a boca do lobo, esquecendo a força do povo, que, cansado desta cena, e num sofrer que faz pena, não acredita em conversas de tendências bem diversas do seu tema principal: a injustiça social. O caos em que está o Estado, no qual se sente afundado, é composto de pessoas que são tudo, menos boas pra governar Portugal. Assim, será bem normal que se levante uma onda de protestos que, sem conta, vão acabar por punir quem insistiu em dormir, em vez de lutar com garra contra esta gente bizarra que só pensa no seu tacho. Pois é… É isto que eu acho!
Perguntam-me quem sou eu, e o que foi que aconteceu, para sentir-me perdida. Não saberei responder. Perdi-me logo ao nascer, mas fiquei bem presa à vida . Posso não saber quem sou, por que caminho é que vou, ou qual será o meu fim, mas sei que, enquanto viver, tenho o honroso dever de ser eu mesma. Isso sim!
Cansei-me de esperanças sem resposta, de promessas vãs, tantas, tantas... A paciência está às avessas, exposta à dura espera sem sentido, mergulhada num sonho comprometido.
Não me venham com tretas esfarrapadas, de algum "algo" que virará o mundo. Estamos cercados por marretas, com ideias torpes e ódio profundo. Querem poder, tudo mais que poder.
Pretendem, firmes, executar um esquema que, a seu tempo, nos conduzirá, sem dó, sem pena ou piedade, à amarga verdade deste poema, se não agirmos já!
Travemos nesses cretinos hostis, corruptos, orgulhosos e servis o mal que se preparam para fazer. Querem voltar aos tempos de outrora, sem hesitação e sem demora.
Facultemos às crianças, pois, razão para serem felizes! Com bons exemplos, plantemos raízes sadias nas suas mentes. ainda sãs, como queremos.
Urge fazer uma limpeza geral em toda a Nação, sem hesitar, para que nasça um novo Portugal, onde o Amor floresça, vindo da alma e do coração, sem sombra de mal.
Que nunca mais seja aspiração imposta pelo medo ou pela repressão, como na sombra do Estado Novo, com seu rastro de miséria e consternação. Jamais tal pesar no nosso povo!
Enquanto no mundo imperando está o caos, o Universo cuidará com zelo dos maus e dos bons, com amor e sincero respeito, pois rege a vida de modo perfeito.
O sol continuará a brilhar no céu sempre que consiga dissipar o breu, dando à lua luz ao final do dia. E os desgostos voam... quase por magia.
Que se elevem vozes clamando paz a quem vive em pena, pelos erros que faz, porque a alma sofre quando ages mal.
Urge neutralizar cada arma nuclear para haver vida na Terra e vida no mar. Sigamos as leis do amor universal.
Deixem que caminhe às cegas sem saber quando parar. Ó alma minha! Se negas a viagem continuar contigo amarrada em mim, sentenciarás meu fim.
As viagens programadas, comigo já não resultam! Acabam sempre falhadas. São muitas das quais me culpam. Preferirei ir andando sem estipular como ou quando.
A alma que hoje venero deixa-me “reinar” assim: faço aquilo que bem quero e ela olha por mim. Espero que não se arrependa, e minha mente compreenda.
Carrega o meu corpo às costas com erros que cometi. Subiu mil e uma encostas, levou-me amarrada em si. Continua a estar comigo. Será prémio, ou castigo?
O meu corpo envelheceu. Já pus a zero os quilómetros. Hoje o tempo é todo meu, não preciso de cronómetros. Amo a dimensão do sonho e o tempo de que disponho.
As marcas que nunca saram
permanecem como alertas.
Os dramas que as geraram
são feridas sempre abertas.
Passaste pela minha vida
fazendo de mim refém,
porém, a tua partida,
como refém me mantém.
Vivi gelados invernos
e verões muito violentos;
primaveras... como infernos,
sessenta outonos cinzentos...
No tempo, a chaga que tenho
virou da cor de carmim.
São lembranças que mantenho.
São penas... partes de mim.
As leis devem ser cumpridas!
São duras, mas não faz mal
se com justiça criadas
e com justiça votadas
pra todo o crime, em geral.
Porém, há casos chocantes
tanto nas mal concebidas,
como nas mal aplicadas.
Vejamos só este caso...
das taxas que nós pagamos
dentro de assaz curto prazo.
Quando um pobre ser, coitado,
tem um percalço na vida
e vê-se, então, condenado
a não poder liquidar
todas as contas do mês...
Seu sossego...era uma vez!
Por qualquer valor em débito,
nem que sejam poucos euros,
penhoram-lhe a própria casa,
e o salário que tem,
em tempo record. Pois bem...
Se, no entanto, um ministro,
ou outro VIP qualquer
que tenha um certo poder,
cometer um acto-crime
que lese gente, em geral,
será também condenado,
contudo, o tempo que leva
a resolver o seu caso,
dá-lhe tempo pra girar
os seus bens pra outro nome
...ou até divorciar-se.
Esse, nunca morre à fome!
Podemos ter a certeza.
O tempo que vai levar
o seu caso a resolver...
dá pano pra muita manga
enquanto o pobre, impotente,
fica doente... e de tanga!
Este, o que tiver,
seja pouco, ou seja nada,
não precisa daquele tempo
e, com a casa penhorada,
só poderá ir pensando
onde meter a família
porque até mesmo a mobília
que comprou, sacrificado,
vendeu para ir pagando
aquilo que deve ao Estado.
Pode, bons anos depois,
o VIP vir a ser preso
mas, raramente indefeso,
terá sempre gentil oferta
duma alternativa aberta
por um qualquer “bom amigo”...
Pois é com pesar que vos digo
que há leis no nosso país,
que não cortam males pela raiz.
Adormeceram em mim vontades insaciadas
que me pediam tanto, mas gostavam de tão pouco.
Eram sedes abstractas, muito inadequadas
à minha alma imaterial, num mundo louco.
Hoje, compreendo minha luta interior.
Estava incarcerada, amando a liberdade.
Lutava, por dever, contra um imenso Amor,
entalada entre o desejo, e a saudade!
Adormecia a dor num constante rodopio.
Travei ímpetos que o dever não me consentiu,
mas não perdi a esperança, nem o amor à Vida.
Apagaram-se as luzes. É tempo de descanso!
Queria renascer, pra reviver, mas já me canso...
Há tantos compromissos de que estou arrependida.
Cubos e Caixas,
Barracas baixas.
Robots e Peças,
Ruas, Travessas.
Máquinas, Contas,
Cabeças tontas.
Governos, Ministros,
Rostos Sinistros.
Dólares, Escudos,
Tostões miúdos.
Prisões, Tortura,
Droga, Loucura.
Um mundo cão,
Sem compaixão.
Está tudo em mim.
Para quando o fim?
Desde os primórdios da vida
que pessoas, com poder,
vão escravizando a criança.
Quanta pessoa agredida
no mais fundo do seu ser...
Quanta desesperança!
Foram feitas tentativas
- ao longo de muitos anos -
de acabar com esse mal.
Contudo, não conclusivas,
vão causando brutais danos,
e mantém-se tudo igual.
A lei tem processos lentos,
não é rápida a actuar.
Não vai ao fundo, ladeia...
Ignora comportamentos
de quem está a escravizar...
A eficácia escasseia.
Todo o ser que é abusado
carece de muito amor
e de muita iniciativa...
Ainda não sei pra qual lado
pende a lei. Seu valor...
… depende da perspectiva.
Há que acabar com o abuso,
mas a ganância é poder
neste mundo tão cruel.
Mantém em modo confuso,
- embora sem se render -
quem à justiça é fiel.
De forma bem programada
por quem tem mente canalha,
e sentimentos amorfos…
a criança é escravizada,
enriquecendo gentalha
desprovida de remorsos.
Me escondo na poesia,
nas palavras musicadas,
nas rimas que vou criando,
nas verdades abafadas
entre versos, vagueando...
Me acalmo na poesia,
comunicando, vivendo,
expressando aquilo que sinto,
quantas vezes não sabendo
se são verdades, se minto.
Nas grades que tu fizeste, eu me deleito. Nas grades que aqui puseste, feliz... te espreito. Tu, prisioneiro da vida, estás numa gaiola, sem veres a saída que amarra, que enrola tua alma a sofrer... porque tu não soubeste teus medos vencer.
Aos eternos e malogrados adormecidos, e a todos que, no tempo, vão embrutecendo por manterem apego a tudo aquilo que brilha, parem de fazer de conta, seus presumidos inocentes, que sabemos não estarão vendo que tudo o que é oco, já não maravilha.
Muitos governos estarão negligenciando os velhos, as crianças e doentes em geral, em consequência de má governação. É assim que o mundo hoje está girando. Desçam à Terra onde reina o virtual e façamos uma bem profunda reflexão.
Está-nos fugindo dos pés a base que nos suste equilíbrio, força e resiliência. Unamo-nos todos contra a indiferença, por muito que isso nos ocupe e nos custe. O desejo de vingança e a prepotência são cúmplices duma usura assaz intensa.
Recorramos aos nossos transparentes recursos, captados por peritos da investigação, porque os vícios não falecem! Adormecem! Atentos aos autores de obductos discursos cuja actuação não disfarça uma preocupação: ajustarem o que parecem àquilo de que carecem.
Um gesto estudado, um rosto cansado, sem brilho, sem cor. Um falso sorriso no momento preciso, em tempo de amor. Um "whisky" com soda corta a inibição. Quem sabe? Talvez aquilo em que crês seja uma ilusão. Seguras a vida como que aturdida, aos poucos morrendo; calada a falar; falando calada; sem amor, a amar; a olhar, não vendo; Onde queres chegar?
Enquanto, à segunda-feira,
és da preguiça, uma herdeira.
Enquanto, nos outros dias,
tu tens muitas arrelias
- ou mesmo um fim de semana
com muita coisa sacana.
Enquanto tu te revoltas
por males viajando à solta.
Enquanto no teu ofício,
o trabalho virou vício
_porque a família que tens
são os teus mais puros bens.
Enquanto buscas, em vão,
um amor, uma paixão.
Enquanto, do que semeias,
colhes menos do que anseias...
outros há esperando a morte.
Isso sim, é que é “má sorte”!
Enquanto uns, desgastando
o que ainda vai sobrando
dum corpo já quase ausente
deste mundo deprimente...
há ainda os que se lamentam
de coisas que os atormentam.
E enquanto o corpo gastam
e sua alma desgastam...
há os que dariam tudo
pelo passado. Contudo,
estão velhos e a enfrentar
o que lhes resta: esperar!
És habitante com prazo.
Não deixes que aquele atraso
que tu sentes, no que esperas,
te desespere deveras.
Aceita o que tens sabendo
que, mal ou bem, tu estás vivendo!