Cubos e Caixas,
Barracas baixas.
Robots e Peças,
Ruas, Travessas.
Máquinas, Contas,
Cabeças tontas.
Governos, Ministros,
Rostos Sinistros.
Dólares, Escudos,
Tostões miúdos.
Prisões, Tortura,
Droga, Loucura.
Um mundo cão,
Sem compaixão.
Está tudo em mim.
Para quando o fim?
Desde os primórdios da vida
que pessoas, com poder,
vão escravizando a criança.
Quanta pessoa agredida
no mais fundo do seu ser...
Quanta desesperança!
Foram feitas tentativas
- ao longo de muitos anos -
de acabar com esse mal.
Contudo, não conclusivas,
vão causando brutais danos,
e mantém-se tudo igual.
A lei tem processos lentos,
não é rápida a actuar.
Não vai ao fundo, ladeia...
Ignora comportamentos
de quem está a escravizar...
A eficácia escasseia.
Todo o ser que é abusado
carece de muito amor
e de muita iniciativa...
Ainda não sei pra qual lado
pende a lei. Seu valor...
… depende da perspectiva.
Há que acabar com o abuso,
mas a ganância é poder
neste mundo tão cruel.
Mantém em modo confuso,
- embora sem se render -
quem à justiça é fiel.
De forma bem programada
por quem tem mente canalha,
e sentimentos amorfos…
a criança é escravizada,
enriquecendo gentalha
desprovida de remorsos.
Me escondo na poesia,
nas palavras musicadas,
nas rimas que vou criando,
nas verdades abafadas
entre versos, vagueando...
Me acalmo na poesia,
comunicando, vivendo,
expressando aquilo que sinto,
quantas vezes não sabendo
se são verdades, se minto.
Nas grades que tu fizeste, eu me deleito. Nas grades que aqui puseste, feliz... te espreito. Tu, prisioneiro da vida, estás numa gaiola, sem veres a saída que amarra, que enrola tua alma a sofrer... porque tu não soubeste teus medos vencer.
Aos eternos e malogrados adormecidos, e a todos que, no tempo, vão embrutecendo por manterem apego a tudo aquilo que brilha, parem de fazer de conta, seus presumidos inocentes, que sabemos não estarão vendo que tudo o que é oco, já não maravilha.
Muitos governos estarão negligenciando os velhos, as crianças e doentes em geral, em consequência de má governação. É assim que o mundo hoje está girando. Desçam à Terra onde reina o virtual e façamos uma bem profunda reflexão.
Está-nos fugindo dos pés a base que nos suste equilíbrio, força e resiliência. Unamo-nos todos contra a indiferença, por muito que isso nos ocupe e nos custe. O desejo de vingança e a prepotência são cúmplices duma usura assaz intensa.
Recorramos aos nossos transparentes recursos, captados por peritos da investigação, porque os vícios não falecem! Adormecem! Atentos aos autores de obductos discursos cuja actuação não disfarça uma preocupação: ajustarem o que parecem àquilo de que carecem.
Um gesto estudado, um rosto cansado, sem brilho, sem cor. Um falso sorriso no momento preciso, em tempo de amor. Um "whisky" com soda corta a inibição. Quem sabe? Talvez aquilo em que crês seja uma ilusão. Seguras a vida como que aturdida, aos poucos morrendo; calada a falar; falando calada; sem amor, a amar; a olhar, não vendo; Onde queres chegar?
Data da criação deste conteúdo: 1983-04-10 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Ó mar lindo, inspirador de poetas
a quem lavas, docemente, suas mágoas,
solta as ninfas que conservas submersas,
na profundidade dessas tuas águas.
Vives, indiferente, serpenteando
em ondas, que sempre vão… e sempre voltam.
Lembram crianças tontas, rodopiando
de tanta felicidade... quando as soltam.
Escrava dos teus encantos escolho rimas
que tornem este poema - especial -
um hino à tua imagem, em geral.
Estou-te grata, mar, porque me animas
quando te procuro. Me basta olhar-te!
Eu sei que para sempre irei amar-te!
Revejo, palmo a palmo, as estradas onde caminhei
arrastando comigo a teimosa ilusão de haver-te.
Foi um penoso crescimento, que não controlei,
uma vontade constante de não perder-te.
Viveste escondido em todos os meus cenários.
Era um modo de ter-te, uma forma de provar-te
que estavas em mim nos meus sonhos diários.
Enquanto vida fui... continuei a amar-te.
Hoje sinto que parti. Choro esse tempo, Amor.
Será que percebeste a imensidão da dor
que carreguei no peito durante tantos anos?
Sou vulcão sem vida que jaz acorrentado
num espaço gelado, triste, ignorado.
Na minha mente secaram já mil desenganos.
Foste uma promessa, muito antecipada,
num tempo de criança, fora de prazo.
Na minha tenra idade, descuidada,
marquei-te para sempre, por acaso.
A seu tempo - quando ainda menina -
voltei a encontrar-te não sabendo
que a marca que tu tinhas, pequenina,
ainda estava em ti. Não compreendo.
Os anos transcorreram inocentes
do quanto às nossas vidas se ligavam
os danos que as ausências nos causavam...
Permitimos que todas as correntes
me mantivessem do teu amor cativa
... e passei a viver sempre à deriva.
Duas pestes coabitam
no meio da multidão.
Perturbam, maçam, agitam,
são um mal sem solução.
A primeira, a Ignorância
- crassa e até desordeira -
se persiste sem “substância”
arrisca a gerar cegueira.
Depois, há a Petulância.
latente nos sabichões.
Ostentam muita arrogância.
Provocam indigestões.
Os dois grupos são perigosos
quando reais opressores.
São os dois capciosos,
a que chamo... “os professores”.
Urge curar este todo
de gente assaz convencida.
Só de ouvi-los me incomodo.
São os pobres desta vida.
O dinheiro não distingue
graus de conhecimentos.
Quanto valerás se extingue
em tristes comportamentos..
Ignorantes, ou cultos,
fundem-se na actuação
se ambos geram tumulto,
perturbando a multidão.
Mocho lindo, sabichão,
lê este poema todo
e responde, com prontidão:
serei do mal, um engodo?
Nasci no mês de Setembro,
e gostava de saber
porque será que não lembro,
noutro mês me acontecer
tanto azar em 30 dias…
Já pensei em recolher-me,
mas... como tenho manias,
não consigo resolver-me.
Não suporto estar fechada
dentro dum pequeno espaço...
Como sou amedrontada,
não confio no que faço.
Temo que em qualquer momento
me ataque qualquer fobia,
e, com este meu sofrimento,
eu morra duma histeria.
Estive oculta três estações
na minha Mãe, que me teve;
quando saí, sem pressões,
nem Outono me deteve...
Daí em diante, então,
ano após ano, em Setembro,
cada minha decisão...
foi um desastre que lembro.
Há provas do que escrevi.
De cada caso... um tratado!
Foi Karma que contraí,
ou destino programado?
Portugal, fragmentado
em todo o singular lado,
no mais recôndito canto...
virou um país em pranto.
De tanto que foi traído
já pouco nele faz sentido.
Nem usando cola-tudo
se colaria, contudo,
Mesmo que desajeitado,
qualquer fadista tem fado
que cantará a seu jeito,
filtrando a dor a preceito.
Oh... País desgovernado...
Não serás silenciado!
Faz-te ouvir, sem veleidade.
Grita de dor e saudade.
As férias terminaram?
E o que é que isso tem?
Não aproveitaram?
Não se sentem bem?
Então…
Encham o peito de ar,
e respirem bem fundo.
Tudo tem de acabar…
É assim o Mundo!
Posso não saber quem sou, por que caminho é que vou, ou os males que me afligem... Mas sei que, enquanto viver, tenho o honroso dever de respeitar minha origem.
Deixa-me juntar a vós, mesmo que em sonho. Deixa-me conhecer o seu rosto risonho, as suas mãos que brincam e as suas pernas que correm, quando as ondas se agitam. Deixa-me ouvir, contigo, a sua voz te chamar quando, por momentos, te esqueças de brincar. Deixa-me penetrar nesse mundo que é vosso e ao qual gostaria tu chamasses “nosso”.
As algemas com que vivo, noite e dia, estrangulando vontades que sinto em mim, tornaram-me um ser cativo duma existência que abrando, alienando-me assim: trabalho com raiva e dor e bebo para esquecer o que enfrento, dia a dia. Filtro mágoas no suor, que, no meu corpo a escorrer, grita cansaço, arrepia.
Data da criação deste conteúdo: 2012-06-18 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Soltei-me das amarras que me prendiam à longa distância de um tempo sem contagem. Mergulhei nas entranhas do desconhecido, em busca de um saber ou de uma miragem, que desse luz a um todo abluído nas águas que o tornaram respeitado e oficialmente consagrado. Não me perdoo tudo o que perdi, durante tantos anos de inconsciência, dominada por inaceitável prepotência. Cavei um abismo no limiar do caos, sem retorno ou concebível solução. Os pesadelos eram tantos e tão maus, que quase enlouqueci de perdição. Não encontrava a saída dessa vida. Mas foi na origem deste meu poema que me encontrei comigo. Decidida, adquiri uma alternativa e uma paz serena
Data da criação deste conteúdo: 2024-11-15 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Editado por Maria Letra, em "The World Art Friends", em 04/03/2014 – 16:25
Quando tinha 13 anos, apaixonei-me, seriamente, por um amiguinho, filho de amigos dos meus Pais. Quando meu Pai descobriu, caíu "o Carmo e a Trindade" lá em casa. Passei a sofrer todo o tipo de medidas de precaução para que essa paixão não viesse a tornar-se, mais tarde, um "quebra-cabeças", porque meu Pai era gerente da firma do pai dele e, por princípio, isso seria algo que o molestaria profundamente. Além disso, atendendo à nossa idade, seria inconcebível. Pudera! Uma pirralha de 13 anos, enamorada de um jovem de 11!!!
Mas era tão lindo... Era o meu Gary Cooper da época... Em tempo de aulas eu fazia um trajecto de uns bons 5kms a pé, acompanhada por uma fiel amiguinha, só para poder vê-lo e trocarmos um ou dois bilhetinhos de amor, quando eu chegasse à Praça do Marquês, no Porto, onde ele estaria à minha espera. Que inocentes... Acreditem! Éramos mesmo inocentes...
Foi também nessa idade que começou o meu amor pela poesia. Nessa altura, sabia já, de cor, alguns cantos dos Lusíadas - tal era a minha paixão por esta forma fixa de escrever poesia. E escrevia... escrevia... quantas vezes até de madrugada. Que loucura! E foi numa dessas noites, entre os 13 e os 15 anos, que escrevi um soneto dedicado ao meu grande amor pelo referido jovem, o qual foi publicado no velho jornal "O Primeiro de Janeiro". Meu Pai, que andava de olhos bem abertos em cima de nós, nunca comentou o teor do poema. Hoje indago-me... porquê?! Claro está que eu não revelava o segredo do nosso amor um pelo outro e a traição de ter sido descoberta, "apaixonada"... Mas meu Pai venceu. Anos mais tarde o pai dele mandou o grande amor da minha vida estudar para a Alemanha e o meu autorizou que eu fosse estudar para Londres. Isso determinou o final de uma esperança, mas não do Amor que nos unia.
MISTÉRIO
Grande é o mistério que envolve o meu segredo pois, mesmo eu, já não sei se o compreendo. Minha vida, transformada num degredo, é enorme confusão que não entendo.
Da minha dor culparei somente a vida, pois cobrindo-a com o véu da ilusão, escondi-me atrás de si na falsa lida em que andava, disfarçada, sem perdão...
E, ao cair esse véu que faz sofrer todo aquele que confiar em seu poder, fazendo dele um jardim para sonhar...
acabei por destruir minha ventura, não vendo mais o valor, nem a ternura, que possui um coração que quer amar!
Um dia, esse tal jovem insistiu comigo que o amor dele era maior do que o meu. Escrevi, então, esta quadra, num dos célebres bilhetinhos que trocávamos ainda, quadra essa que, mais tarde, se recusou devolver-me:
Se tu te servires duma balança, p'ra com cuidado pesares nossa paixão, verás tombar com grande diferença, o prato que contém meu coração!
Ah! Pois é... dizia eu...
Data da criação deste conteúdo: 2014-04-07 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
É tempo de fome e de guerra em muitas zonas do planeta Terra. Se ouvires gritos de inocentes, ecoando com os ruídos estridentes do detonar violento de metralhas, serás um conivente se não espalhas a denúncia da existência de opressores, déspotas, facínoras, malfeitores que, com um ódio profundo, gerem os destinos deste mundo. Escuta, irmão: tu, tal como eu, deves ajudar a levantar o véu que esconde acordos indecentes entre homens de mentes muito doentes. É tempo de reflexão, meu bom amigo. Em cada canto espreita um inimigo.
Em vez dessa escumalha interromper a vida de seres que amam viver, que busquem energúmenos defensores das suas teses erradas, de ditadores. Juntem-se a assassinos voluntários, ou mesmo experientes mercenários, e chacinem-se, entre si, sem piedade. Morram todos na sua iniquidade. Fazerem guerra como antigamente, seria muito menos abrangente. Ninguém tem o direito de impor, de qualquer jeito e seja como for, lutas em defesa de alienações que não admitem outras soluções, que não sejam as do recurso à guerra. Isso, é contra a Vida aqui na Terra.
Em mil nove e sessenta e dois
abracei-te, linda cidade,
mal sabendo que, depois,
viria uma tempestade.
Hoje dás-me o que procuro.
És o meu Porto Seguro!
Sinto que as palavras são tão importantes!
Elas sobrepõem-se às pausas de silêncio
que por vezes - mesmo que por instantes -
sentimos serem necessárias. Quando em dor
as soltamos, arbitrariamente e, em baixa voz,
num ímpeto de mágoa, e sem rancor,
aliviamos a solidão se nos sentirmos sós.
Usemos as palavras com tanto, tanto Amor.
Ofereces resistência às suas investidas... ...em jeito de brincadeira, mas atenção à insistência das batidas. Cada uma, traiçoeira, arrasta prepotência e... água mole, em pedra dura ...tanto dá até que fura!
Não me assusta nada a Morte, mas a Vida, agora, sim! Ela avança sem saber o que bem fazer de mim. É dela que eu tenho medo. Sinto uma luta entre as duas quando, como hoje, me excedo e fico horas e horas a pensar no que inventar para não ser castigada por este meu “deixa andar”... Soluções? Não encontrei porque o caminho que sigo diz-me que olhe por mim, mas afinal... não consigo!
Amo-te, Vida! Não sei como foste concebida, quem te gerou, e depois te propagou por este maravilhoso Universo, do qual faço parte. Tu és uma obra de arte! Tu és perfeita! Mas há gente que não respeita a verdadeira aplicação de cada elemento, de cada orgão, com que foram concebidos: refiro-me aos assumidos “Reis da sua Preferência”. Eles personificam a prepotência do seu eu, da sua ganância... defendida com pompa e com circunstância, porque eles Querem e Podem impor uma nova ordem na vida: o malogrado fim deste indecifrável Universo onde já reina tanto de perverso!!! Defenderei, até à exaustão, o verdadeiro mistério da criação!
Mulher, tu pisas estradas
docemente agarrando
o que a vida te vai dando.
Deixas marcas bem vincadas
nos lugares por onde passas,
e nos seres que tu abraças.
Teus olhos espelham Amor,
como uma estrela cadente,
aos olhos de quem te sente.
Tu esqueces a tua dor
para ajudares quem procura
os teus segredos de cura.
Nasceste flor amando
tuas pétalas de cor rosa.
Sensível, muito ciosa
das vidas que vais criando...
mostras ao mundo, com arte,
que o amor é o teu estandarte.
Porém... deves renunciar
a quem te aldrabando vive,
e de respeito te prive.
Recusa sempre aceitar
qualquer tipo de violência.
Foge dela com urgência.
Esse mastro sobre rochas resistentes, como eu, às tempestades da vida, marca a presença que outrora deixava rastos de amor por onde quer que passasse. Mastro de perseverança fecundada na esperança de conquistar mil batalhas. Arrojada e resiliente, cada uma que perdia gerava nova vertente. E era assim que investia pra realizar meus sonhos. Havia riscos medonhos, na luta por conseguir minhas metas atingir, mas tal como rocha dura, resisti às consequências de quem prefere arriscar, a desistir sem lutar.
Sinto bem que essas palavras, ditas assim... ao ouvido, devem ter duplo sentido: Ou me queres muito, ou me aldrabas. Pára lá com o sussurro. Já está a cheirar-me a esturro!
Tu foste a estrela de um sonho, que caducou numa doce esperança. Deste-me força, amor e confiança. Hoje, suporto o que me desespera em cada esquina da minha estrada. Foste agridoce nesta caminhada. Serás sempre uma estrela lembrada entre tantas outras que eu abracei. Tu és a perda maior, indesejada, que, certamente, nunca esquecerei. Caminho, ousada, buscando o fio de um confuso novelo cuja traça corroeu a imaterial essência, agora, malogradamente, escassa. Vivo a memória do nosso tempo, mas o futuro me apaixona tanto que, neste tempo de mau contentamento, até com o que foi... hoje me encanto. De Deus imploro asas para voar, que o que perdi, Ele não me pode dar.
Todos os dias são especiais. Uns... são de nada outros... são de mais! Há desejados feriados para serem festejados, por variadas razões; geram lindas reuniões. Encontrei uma solução: bastaria que o abelhudo daquele chamado de entrudo estivesse, enfim, preparado e muito bem aprontado para uma grande proeza: mascarar a multidão do que tem no coração contra o que tem na cabeça.
E no dia de São Valentim? Que treta! Eu penso assim: Uns vão jantar com a esposa, mas...traidores como a raposa... praticam o acto constante de estar depois com a amante. E viva a hipocrisia! Contudo, ainda há casais nutrindo um bem especial pela pessoa que amam e que jamais trairão! Esses… em pura verdade, prezam a sua paixão! Ai se o coração falasse... Talvez a todos contasse o que poucos saberão.
Data da criação deste conteúdo: 2020-02-14 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Almejo a primavera com íntima urgência. Estamos fartos do frio, da áspera insistência do vento e da humidade em dura permanência. Ferem este país sem dó nem complacência.
Sonhamos ver os campos em flor rendidos, mantos de cor, de beleza, de sentidos, promessas que nos deixam comovidos e devedores do tempo que nos foi subtraído.
As estações mudam — sempre mudaram — sabemos, mas nunca como agora o peso que trazemos: um inverno longo demais para quem já treme e sente a alma cansada de tanto que ela teme.
Que venha o sol romper esta tristeza fria, aquecer a Terra, a gente, a poesia. Não era este o tempo que o povo queria: tem saudades do bom tempo e vive de nostalgia.
Data da criação deste conteúdo:2026-01-22 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Deixem que caminhe às cegas sem saber quando parar. Ó alma minha! Se negas a viagem continuar contigo amarrada em mim, sentenciarás meu fim.
As viagens programadas, comigo já não resultam! Acabam sempre falhadas. São muitas das quais me culpam. Preferirei ir andando sem estipular como ou quando.
A alma que hoje venero deixa-me “reinar” assim: faço aquilo que bem quero e ela olha por mim. Espero que não se arrependa, e minha mente compreenda.
Carrega o meu corpo às costas com erros que cometi. Subiu mil e uma encostas, levou-me amarrada em si. Continua a estar comigo. Será prémio, ou castigo?
O meu corpo envelheceu. Já pus a zero os quilómetros. Hoje o tempo é todo meu, não preciso de cronómetros. Amo a dimensão do sonho e o tempo de que disponho.
As marcas que nunca saram
permanecem como alertas.
Os dramas que as geraram
são feridas sempre abertas.
Passaste pela minha vida
fazendo de mim refém,
porém, a tua partida,
como refém me mantém.
Vivi gelados invernos
e verões muito violentos;
primaveras... como infernos,
sessenta outonos cinzentos...
No tempo, a chaga que tenho
virou da cor de carmim.
São lembranças que mantenho.
São penas... partes de mim.
As leis devem ser cumpridas!
São duras, mas não faz mal
se com justiça criadas
e com justiça votadas
pra todo o crime, em geral.
Porém, há casos chocantes
tanto nas mal concebidas,
como nas mal aplicadas.
Vejamos só este caso...
das taxas que nós pagamos
dentro de assaz curto prazo.
Quando um pobre ser, coitado,
tem um percalço na vida
e vê-se, então, condenado
a não poder liquidar
todas as contas do mês...
Seu sossego...era uma vez!
Por qualquer valor em débito,
nem que sejam poucos euros,
penhoram-lhe a própria casa,
e o salário que tem,
em tempo record. Pois bem...
Se, no entanto, um ministro,
ou outro VIP qualquer
que tenha um certo poder,
cometer um acto-crime
que lese gente, em geral,
será também condenado,
contudo, o tempo que leva
a resolver o seu caso,
dá-lhe tempo pra girar
os seus bens pra outro nome
...ou até divorciar-se.
Esse, nunca morre à fome!
Podemos ter a certeza.
O tempo que vai levar
o seu caso a resolver...
dá pano pra muita manga
enquanto o pobre, impotente,
fica doente... e de tanga!
Este, o que tiver,
seja pouco, ou seja nada,
não precisa daquele tempo
e, com a casa penhorada,
só poderá ir pensando
onde meter a família
porque até mesmo a mobília
que comprou, sacrificado,
vendeu para ir pagando
aquilo que deve ao Estado.
Pode, bons anos depois,
o VIP vir a ser preso
mas, raramente indefeso,
terá sempre gentil oferta
duma alternativa aberta
por um qualquer “bom amigo”...
Pois é com pesar que vos digo
que há leis no nosso país,
que não cortam males pela raiz.
Adormeceram em mim vontades insaciadas
que me pediam tanto, mas gostavam de tão pouco.
Eram sedes abstractas, muito inadequadas
à minha alma imaterial, num mundo louco.
Hoje, compreendo minha luta interior.
Estava incarcerada, amando a liberdade.
Lutava, por dever, contra um imenso Amor,
entalada entre o desejo, e a saudade!
Adormecia a dor num constante rodopio.
Travei ímpetos que o dever não me consentiu,
mas não perdi a esperança, nem o amor à Vida.
Apagaram-se as luzes. É tempo de descanso!
Queria renascer, pra reviver, mas já me canso...
Há tantos compromissos de que estou arrependida.
Gostava de ser capaz
de poder voltar atrás,
aos velhos tempos de outrora...
...sabendo o que sei agora!
Escondidos nestes meus versos,
há muitos sonhos imersos
em quadros de muitas cores.
São contos de mil amores.
Sonhos perdidos, quimeras,
mil e muitas primaveras
vividas, enquanto amei.
Oh… mas quanto me enganei!
………………
Abracei-te com saudade,
ansiando liberdade...
O amor tornou-se escasso,
tal como este meu abraço.
...E foi no teu olhar que mergulhei
um dia, procurando-me,
buscando saciar a minha sede
de amar... e de ser amada,
de libertar-me daquela dura rede
onde permanecia, encarcerada.
...E foi em ti que, descrente, constatei,
confrontando-me,
que amar era tão importante
quanto virar a página dum livro velho,
onde já nada era belo, ou relevante,
e onde me revia, como num espelho.
Amar de novo era um desejo ardente,
era uma necessidade, não uma ilusão
ou um capricho impertinente.
Ser livre, esquecer aquele diário
onde quase tudo me parecia secundário
deixou de ser uma simples ambição.
Urgia libertar-me da prisão
onde, cruelmente, estava aprisionada,
reduzida a zero, no auge do tormento...
...E foi em ti que me reencontrei,
liberta das amarras em que estive
tantos anos, nos quais não tive, um só momento,
o que me deste tu, Amor. Quanto te amei!
...E foi em ti, num lindo amanhecer,
que despertei dum pesadelo... para Viver!
Este poema que hoje publico, é uma chamada de atenção para a
assustadora escalada de violência doméstica que se verifica no
mundo. Dia, após dia, surgem notícias constrangedoras a respeito
deste tema que não encontra resposta que viabilize uma solução.
Tu e eu somos dois seres muito diferentes!
Sempre serás um oceano que me agita,
e eu... um ser assaz sereno que te irrita.
Perturbado pelos cenários que tu crias,
e alheio ao sofrimento que tu provocas,
espezinhas, maltratas, dominas e sufocas.
Disse não a esse universo que tu geres.
Não serei, nunca mais, essa mulher resignada,
que foi, durante anos, reduzida a nada.
Estou preparada para caminhar em frente!
O passado que me culpa, e que me acusa,
transformou-se em muita força e em recusa.
Desprendi-me de alguém que tanto magoaste.
Sinto hoje que a minha vida vale mais
do que as cenas que fazias… sempre iguais!
Deixei de ser a mulher que tu nunca amaste.
Vento que bate, insistente, em frágeis corpos sem norte. Leva tudo à sua frente, na sua fúria de morte. Ninguém sabe o que fazer. Desistir, não são capazes. Acreditam que vencer é o prémio dos audazes. Os que preferem ponderar, estudam o mal na raiz, buscando como travar os ventos do seu país.
Ventos loucos, sem control, que sopram todos os anos, anos escuros, sem sol, que causam penas e danos. Uns esperando a calmia, vão recolhendo a folhagem; outros, mais em sintonia, lutam juntos com coragem. Procuram travar a dor. Têm esperança no bom senso e na força do amor, cujo poder é imenso.
Fartos dum presente duro, fogem de ventos e lodos. Têm esperança no futuro. Todos por um, um por todos! E, nesse esperar sem fim, sentindo a força do vento que sopra, dentro de mim, fui-me esquecendo do tempo, esse factor meu rival, que sei ser muito importante nesta luta desigual contra um mau tempo constante.
Admiro a Mulher decidida, que luta, que é corajosa, ponderada, resoluta, e que, perante um facto irreversível, procura bem torná-lo exequível, apelando ao poder do Universo... Quem sabe o que estará no reverso desse facto e da sua não aceitação? A revolta poderá ser uma razão.
Data da criação deste conteúdo: 2021-03-08 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.
Para além do palpável, visível e perceptível, esconde-se um Mistério, onde tudo é mutável. Nesse suposto império, onde somos marionetas, parece estar alguém, atento ao que projectas. Não tomes como seguro o que possas desejar, para bem do teu futuro. Num súbito volte-face, acaba por desabar aquele teu lindo plano que contavas resultasse. Seria puro engano? Quando virás a saber? Num mês, num dia, num ano? A resposta tardará, mas surgirá, podes crer.
Data da criação deste conteúdo: 2019-04-13 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.