A ALMA DO MEU POENTE



Deixem que caminhe às cegas
sem saber quando parar.
Ó alma minha! Se negas
a viagem continuar
contigo amarrada em mim,
sentenciarás meu fim.

As viagens programadas,
comigo já não resultam!
Acabam sempre falhadas.
São muitas das quais me culpam.
Preferirei ir andando
sem estipular comou quando.

A alma que hoje venero
deixa-me “reinar” assim:
faço aquilo que bem quero
e ela olha por mim.
Espero que não se arrependa,
e minha mente compreenda.

Carrega o meu corpo às costas
com erros que cometi.
Subiu mil e uma encostas,
levou-me amarrada em si.
Continua a estar comigo.
Será prémio, ou castigo?

O meu corpo envelheceu.
Já pus a zero os quilómetros.
Hoje o tempo é todo meu,
não preciso de cronómetros.
Amo a dimensão do sonho
e o tempo de que disponho.

Data da criação do poema: 2015-10-09