Maria Letra
Posts by Maria Letra:
ESTA INSUPORTÁVEL VIOLÊNCIA

Cada monstro hediondo, deste mundo, que mantém a sua presa submissa a maus tratos de conteúdo imundo… impera onde a justiça for omissa.
Rogo a Vós, ó Deuses do Universo,
enquanto resta a ténue esperança…
que seja punido todo o perverso
que mata, ou abusa duma criança.
Demitam-se, juízes incompetentes,
que julgam sem pensar na reincidência
de um criminoso, não encarcerado.
Todo o inapto juiz, displicente,
é, comprovadamente, incompetente,
e deve demitir-se, após julgado.

Data da criação deste conteúdo_ 2019-02-16
QUEM SABE SE, UM DIA…

Longos voos realizei, sempre com ida... e com vinda. Tantos anos que eu matei! Nem sei quantos tenho ainda. Buscava pérolas brancas, escapava a pontas de fogo. Fechava portas com trancas, pra fugir de um demagogo. Uma asa já quebrou, não a posso consertar. Estou cansada de tentar. Choro o tempo que passou. Nem correndo o apanharia! Mas... quem sabe se, um dia...

Data da criação deste conteúdo: 2020-02-20
DO CONSCIENTE AO SONHO

Mergulho na noite, breu medonho, deixando-me, dormindo, transportar ao mistério deslumbrante do sonho... Actuante, sem deixas, sem suporte, saio da plataforma "Consciente", cheia de regras, ponderação, para um teatro livre, potente, cenas virtuais, encenação. Oh! Este momento, sem comando, onde o cenário, vil enganador, poderia permitir-me que, sonhando, sentisse Amor, não este Desamor.

Data da criação deste conteúdo: 2015-04-22
MANDANDO “POSTS” DE PESCADA

I - LINGUAGEM POPULAR PORTUGUESA Quando mando “posts” de pescada e fico sem perceber nada, procuro num dicionário, de correcto vocabulário, a resposta adequada. Exemplificando: 1. Mandar postas de pescada ou mandar bitaites. Falar de alguma coisa não percebendo nada do assunto em questão. 2. O rapaz estava na festa, numa qualquer chafarica, e pisgou-se, a toda a mecha, tal e qual uma flecha, com uma crise de forrica. = O rapaz estava na festa, numa qualquer tabernita, e fugiu a toda a pressa, tal e qual uma flecha, com uma crise intestinal. 3. Chafarica: pequena loja, tipo taberna. 4. Pisgou-se: vem do verbo pisgar-se, nas suas variadas formas, cujo presente do indicativo posso indicar como sendo expresso assim, popularmente: Eu fujo = Eu fujo Tu safas-te = Tu foges Ele pisga-se = Ele foge Nós piramo-nos = Nós fugimos Vós raspais-vos = Vós fugis Eles miscam-se = Eles fogem 5. A toda a mecha: A grande velocidade 6. Forrica: 1) Cousa branda, mole, de pouca consistência. 2) Dejeções brandas. (3) Diarreia, furriqueira. Nota: há dicionários onde as palavras "furrica" e "forriqueira" estão escritas com "o", e outros onde estão escritas com "u". Tanto umas, como outras, existem com o mesmo significado.

Data da criação deste conteúdo: 2024-01-28
ODE AO UNIVERSO

Há momentos - maus momentos!- em que me sinto morrer, mas há muitos mais, ainda, em que me sinto viver. A minha alma está limpa de quaisquer comedimentos. Sinto que a vida me enlaça, me prende e até me abraça, como água cristalina, brincando com uma menina... Nem a chuva me incomoda! Esvazia-me a alma toda daquilo que me faz mal, e quedo-me, impressionada, em profunda reflexão, até que passe, em geral, o que me causa impressão. Quero pensar que é mentira nada haver que seja são. Na Vida, tudo venero, nas pessoas é que não. Enquanto a idade alonga, eu não sinto que envelheço, sinto boa orientação. Que eu morra quando mereço, mas o Universo... não!

Data da criação deste conteúdo: 2010-10-12
ENCONTRO COM A FELICIDADE

...E foi no teu olhar que mergulhei um dia, procurando-me, buscando saciar a minha sede de amar... e de ser amada, de libertar-me daquela dura rede onde permanecia, encarcerada. ...E foi em ti que, descrente, constatei, confrontando-me, que amar era tão importante quanto virar a página dum livro velho, onde já nada era belo, ou relevante, e onde me revia, como num espelho. Amar de novo era um desejo ardente, era uma necessidade, não uma ilusão ou um capricho impertinente. Ser livre, esquecer aquele diário onde quase tudo me parecia secundário deixou de ser uma simples ambição. Urgia libertar-me da prisão onde, cruelmente, estava aprisionada, reduzida a zero, no auge do tormento... ...E foi em ti que me reencontrei, liberta das amarras em que estive tantos anos, nos quais não tive, um só momento, o que me deste tu, Amor. Quanto te amei! ...E foi em ti, num lindo amanhecer, que despertei dum pesadelo... para Viver!

Data da criação deste conteúdo: 2014-06-12
NÃO À EXPLORAÇÃO DA CRIANÇA!

Desde os primórdios da vida que pessoas, com poder, vão escravizando a criança. Quanta pessoa agredida no mais fundo do seu ser... Quanta desesperança! Foram feitas tentativas - ao longo de muitos anos - de acabar com esse mal. Contudo, não conclusivas, vão causando brutais danos, e mantém-se tudo igual. A lei tem processos lentos, não é rápida a actuar. Não vai ao fundo, ladeia... Ignora comportamentos de quem está a escravizar... A eficácia escasseia. Todo o ser que é abusado carece de muito amor e de muita iniciativa... Ainda não sei pra qual lado pende a lei. Seu valor... … depende da perspectiva. Há que acabar com o abuso, mas a ganância é poder neste mundo tão cruel. Mantém em modo confuso, - embora sem se render - quem à justiça é fiel. De forma bem programada por quem tem mente canalha, e sentimentos amorfos… a criança é escravizada, enriquecendo gentalha desprovida de remorsos.

Data da criação deste conteúdo: 2011-05-21
MEU AMOR, PALAVRAS NÃO TE MUDAM!

Prosa poética Escondo-me nas palavras que não digo por recear, dizendo-as, magoar-me. Quero, loucamente, estar contigo, mas nunca, se o fizer, irei perdoar-me. Escondo-me nos silêncios que tu dizes marcarem cada dia em que me ausento. Não quero ser presença enquanto vives de um sonho que, de cor, está já isento. Escondo-me na praga de um desejo que combato, consciente das razões pelas quais, de ti, eu me protejo. Escondo-me nas marcas que me escudam a mente, repleta de ambiçõesl Meu amor... palavras não te mudam!

Data da criação deste conteúdo: 2016-01-26
PRESSÁGIO DE NAUFRÁGIO

No silêncio do meu quarto sinto um presságio sacana que ameaça tempestade. O meu coração está farto! Está gélida a minha cama. Terei eu capacidade para aguentar o frio que teima paralizar-me? Enfrentar o desafio exige fé e coragem! A minha alma se esforça. Quero continuar lutando, mas esta gelada aragem não me deixa. Não sei quando possa voltar o calor capaz de aquecer-me a alma, e revigorar meu EU, carente de tanto Amor! Impõe-se mantenha a calma. Não desistirei, Deus meu!

Data da criação deste conteúdo: 2015-01-27
A LÍNGUA PORTUGUESA
MODERNISMOS E INCORRECÇÕES ABERRANTES

I. Hoje, no âmbito deste meu manifesto, abordo um dos muitos “modernismos” particularmente desagradáveis, na língua portuguesa.
É solicitado a um jornalista, ou apresentador, que relate uma determinada ocorrência. Actualmente, é comum ouvirmos esta primeira palavra, "disparada" com uma naturalidade impressionante:
- Dizer que………..
Tal expressão causa arrepios. É uma verdadeira aberração presente em linguagem expressa diariamente, em qualquer canal televisivo… e não só!
II. Existem, igualmente, inúmeras expressões com sistemáticas incorrecções gramaticais, da mesma família desta que exemplifico:
- Estás-me a ouvir? em vez de... - Estás a ouvir-me?
- Eu já tinha aceite esse valor, em vez de... - Eu já tinha aceitado esse valor.
Ensinemos as nossas crianças a falar correctamente, logo comecem a pronunciar as primeiras frases. Evitaremos, assim, que criem vícios de linguagem inadmissíveis.

Data da criação deste conteúdo: 2024-01-12
QUEM SEREI EU?

Não me perguntem quem sou, pois não sei se me conheço. O pouco que de mim resta está virado do avesso. Dentro... já pouco presta. Há quem veja um coração. Sim, na verdade… palpita! Por muitos? Decerto não! Haverá quem admita que, em tempos, fui furacão. Fico contente por isso, mas não me revejo assim. Que bati recordes... Sim! Minha mente só esqueceu quem é que, hoje, serei eu.

Data da criação deste conteúdo: 2021-10-31
ALMA RIMADA

Minha alma, turbulenta, brinca na poesia que inventa. Cria rimas - umas irmãs, outras primas - que se confundem, se enlaçam, se entrelaçam, se embaraçam, se atropelam, se rebelam, e se fundem. Sob um véu de fantasia coexiste, na sua rede, o meu EU e a sua sede de acalmar na poesia. Minha alma, destemida, se estende, se distende, se rasga… se anima... e até se engasga com a rima. Ad Hoc, compila versos muito seus, muito simplórios, focando temas diversos que acaba por construir, colorir e musicar com palavras aldrabadas... … mas muito em jeito de amar. …………………………….. Com a mente intransigente no que respeita a rimar... saem sempre da minha mente versos que o meu coração sente.

Data da criação deste conteúdo: 2013-07-16
A MINHA INTERPRETAÇÃO DA ARTE

• A Arte é uma manifestação espiritual do seu criador, quando intrinsecamente desligada de valores materiais.
• A interpretação do valor de uma obra de arte - enquanto manifestação espiritual do seu criador - dependerá do tipo de impacto que possa gerar em cada ser humano que a observa.
• Os diferentes impactos que uma obra de arte gera em cada indivíduo, poderão servir de análise dos diversos tipos de personalidade e de caráter do ser humano.

Data da criação deste conteúdo: 2024-01-07
QUANDO ESTAR SÓ VALE A PENA

Quando a condição "estar só" passa a ser nossa, no tempo, porque a idade avançou… Causa, efeito, ou dominó, geram sempre um contratempo e algo, então, se alterou. Procura uma boa via de tornares mais valioso teu saber, dia após dia. Faz de ti tua companhia. Esse tempo é precioso e... quiçá... uma mais valia. Não desesperes! Reflecte! Segue em frente, com bom senso. Explora o tempo. Ele é teu! Abraça o que completa o espaço que no teu eu precisa ser mais intenso.

Data da criação deste conteúdo: 2013-08-09
CONCEITOS DE RAPINA

Estranho costume o daqueles que fazem do “meu”, “seu”, também. Sem respeito e sem pudor, vão aumentando o que é “deles”, da forma que lhes convém. Para esses, sem excepções, esta é a vida melhor e, nesta luta por bens, a ambição dos ladrões, vai de mal a bem pior... Há vários tipos de rapina, que o rapinador consome: por cleptomania, porque se tornou sovina, ou por estar cheio de fome. Por doença, há que curá-la com um método eficaz; por ganância, há que perdê-la; pela fome, há que matá-la, senão... não se vive em Paz. À mistura com rapina, há mil formas de conduta perturbando muita gente, que se exalta e se amofina, fazendo-a manter em luta pois nesta guerra, infernal, há que pegar-lhe pela ponta, começando pelo imbecil que, indiferente à moral, alimenta o “faz de conta”. Com discursos de fachada, sem nada a ver com o que sentem, deixam muitos convencidos que a razão, arquitectada, está do lado dos que mentem. Mas há outros, aos milhões, que querem fazer um cerco a esta corja de ladrões, que cresce dia, após dia. São uma forma de esterco!

Data da criação deste conteúdo: 2009-08-08
ACREDITANDO AMAR PARA TODA A VIDA

Já nada existe daquilo que acreditei fosse verdade em ti e, pensando bem, partiste da minha vida, e hoje sei que fui, do teu egoísmo, sua refém. Por este sentimento, agora em mim, e por tudo quanto me fizeste sofrer, eu espero apenas por um justo fim: não recordar-te mais para poder viver. Quando – falso - dizias que me amavas, acreditava, porque tu, até juravas. Era uma criança... com uma paixão. Puro engano de quem sonha, iludida, acreditando amar para toda a vida alguém, que não foi mais do que traição.

Data da criação deste conteúdo: 1962-05-21
ESCOLHA DE OPÇÕES

Não devemos menosprezar uma opção que tomámos no sentido de seguir uma direcção que, aparentemente, até parecia não ser conveniente. Quantas vezes, apesar de ponderarmos ser impróprio, decidimos, teimosamente, seguir o caminho que, mais tarde, por uma razão a que não demos atenção, porque esta se manteve oculta… vem a provar-se que até resulta?!? Eu chamo a isso um mistério que altera, de modo sério, os nossos planos e convicções, gerando alegrias... ou até decepções. Há que reflectirmos nesta situação: Pensemos nos fortes abanos que, por vezes, sofremos durante meses... ou mesmo durante anos. Não serão eles avisos de caminhos alternativa a seguir, mas que preferimos não admitir?

Data da criação deste conteúdo: 2014-04-08
CONTRA-ONDA

Já fui luz e fui mensagem em tempo de nevoeiro... Já fui ponte de passagem num passado traiçoeiro. Já fui barco desejado, perdido num mar deserto. Tinha o presente amarrado, e o futuro... incerto! Aguentei abanões de gente muito perversa. Eram mestres em traições, assaz ricos de conversa... ........................................… Hoje, cansada de tudo, luto contra uma má onda. Meu coração virou mudo, e a minha alma, redonda, não tem princípio, nem fim. Porém... sinto-me filtrada, estanque ao que for ruim… Não preciso de mais nada!

Data da criação deste conteúdo: 2014-08-06
DEIXEMOS CORRER AS PRENUNCIADAS ÁGUAS

Cinco dias de vida para a despedida
de dois mil e vinte e três. Quem sabe, talvez,
parta humilhado, e com tanta vergonha...
Muito mais do que aquilo que se suponha!
Foram inúmeras as malogradas vidas,
certa e inexoravelmente perdidas;
umas foram causas brutais e desumanas,
praticadas por pessoas muito sacanas;
outras ligadas a ódios e a ganância,
nas quais se luta por tudo... em abundância;
restam ainda as de causas naturais...
pelas quais não foi possível fazer-se mais,
e outras, também, de causas a descobrir
as quais, quiçá, ocultam metas a atingir.
Ficarão no ar mil perguntas sem respostas
credíveis, esclarecedoras e compostas
das causas de alguns efeitos secundários...
mas só nos são explicados dados primários.
Assumem-se inúmeros procedimentos,
contra os quais não são admitidos argumentos.
E já asseguram que os vindouros anos
carregarão mares de vários desenganos.
Deixemos correr as prenunciadas águas!
Quem sabe lavarão todas as nossas mágoas...

Data da criação deste conteúdo: 2023-12-25
HINO À VIDA

Amo-te, Vida!
Não sei como foste concebida,
quem te gerou,
e depois te propagou
por este maravilhoso Universo,
do qual faço parte.
Tu és uma obra de arte!
Tu és perfeita!
Mas há gente que não respeita
a verdadeira aplicação
de cada elemento, de cada orgão,
com que foram concebidos:
refiro-me aos assumidos
“Reis da sua Preferência”.
Eles personificam a prepotência
do seu eu, da sua ganância...
defendida com pompa e com circunstância,
porque eles Querem e Podem
impor uma nova ordem
na vida: o malogrado fim
deste indecifrável Universo
onde já reina tanto de perverso!!!
Defenderei, até à exaustão,
o verdadeiro mistério da criação!

Data da criação deste conteúdo: 2023-12-25
PEÇO PERDÃO

Peço perdão pela escolha que fiz de como exorcizar o drama que vivi durante o meu passado. Teria sido pior mantê-lo ignorado. Peço perdão Parte da história que não contei - por opção - irá partir comigo um dia, silenciada. Foi uma decisão longamente ponderada. Peço perdão Eu só queria proteger os meus sentimentos. Não era fácil encontrar uma solução, que aliviasse a dor, sem consternação. Peço perdão por não ter sabido escolher outra forma de esconder a dor que a cada hora multiplicava. Tinha de libertá-la. Sentia que me sufocava. Peço perdão Cada verso que escrevi, poupou alguém de ouvir-me. Foram gritos de silêncio do pensamento... derradeira libertação do meu sofrimento.

Data da czriação deste conteúdo: 2021-01-23
PESTES CONTRA A PAZ NO MUNDO

Se fosse garantido a cada cidadão, gratuitamente, uma base com livre direito a: casa, assistência médica, acesso ilimitado a educação e projectos culturais... defendo que quem continuou a desenvolver os seus conhecimentos e aptidões especiais, deverá ser recompensado/a desde que, comprovadamente, desenvolvidos. Obviamente que deverá ser tida em consideração a diferença entre quem atingiu um conhecimento apenas básico e obrigatório, e quem, em iguais circunstâncias, adquiriu maiores conhecimentos, sendo remunerado de acordo com tal situação. Depois há os empregos de maior risco que deverão ser, igualmente, considerados.

Data da criação deste conteúdo: 2023-12-23
SE PERDOAR-ME PUDERES

Se perdoar-me puderes, pelo silêncio em que estive... aceita, se te aprouver, os mil motivos que tive. Eu sentia, bem presente, não desejar abraçar-te. Faltava, na minha mente, vontade de perdoar-te. Tu sabes bem das razões que, na altura, tu me deste... pelo excesso de traições, e de erros que cometeste. Cansei de tanto esperar pelas vontades, sentidas, que silenciei num mar de palavras reprimidas. Mas o tempo foi passando, filtrando a minha paixão. O amor… foi acabando, daí, pedir-te perdão.

Data da criação deste conteúdo: 2014-06-12
QUANDO, PARA UMA CRIANÇA, ALGO DE TANTO… BASTA!

Quando no olhar inocente e puro duma criança, não há sinais da vida, da luz duma Esperança, essa criança, sofrida, não pergunta nada. Queria, apenas, sentir-se mais amada. Amada por nós, pelo chão que pisa, ou pela frescura duma doce brisa. Bastar-lhe-ia algo do tanto - não importa quanto - que outras terão, mas ela… NÃO!

Data da criação deste conteúdo: 2013-07-17
AS TUAS TEIAS

Tu urdes teias com mil cuidados. Teces teus actos, em cada fio, bem disfarçados, camuflados nas tuas veias, de sangue frio! Nesse tecer, tu não me aturdes. É de meu jeito ver causa-efeito, ir mais no fundo, ir mais além. Não fantasio, enquanto urdes. E, nesses dias, em que tu teces, com tua mente geras suspeitas. Por alguns dias, não apareces, até que as teias estejam feitas. Mas não sou presa. Sou combativa. O teu tecer já não me engana. Pára de urdir. Estou na ofensiva. Da minha vida sou soberana.

Data da criação deste conteúdo: 2012-10-24
SILÊNCIO AMARRADO

Preocupada com o aumento desmedido de casos de violência doméstica – e não só! - volto a manifestar-me sobre este assunto, juntando-me a todos quantos desejem alertar o governo para este flagelo em aumento alarmante. Trata-se de um dever urgente que se impõe tentemos levar a cabo, numa derradeira tentativa de serem estudados programas no sentido de formar crianças a partir de uma base intrinsecamente extensiva à família.
Dedico esta publicação não só às vítimas de violência, mas também a todos os que sentem o peso dramático de cada caso. Não esqueçamos que muitos desses seres violentados, por razões que só a elas dizem respeito, vivem amarrados à impossibilidade de se libertarem do sofrimento que os mantém calados. Eu ainda não acredito no factor AMOR como justificação, um dos elementos que a vítima aponta, muitas vezes, quando questionada. Haverá outros fortes motivos, para além do mazoquismo, para que ela se deixe violentar por um ignóbil ser humano que faz do seu parceiro, ou parceira, um verdadeiro saco de pancada que ele utiliza para libertar-se de traumas retidos na sua insana mente.

Data da criação deste conteúdo: 1982-10-02
Texto e conceito visual: Maria Letr@
Imagem gerada por plataforma de A.I.
MUDAR QUERIA EU, AINDA…

Eu queria muito mudar
o meu ser sem fé, impoluto
de vis conceitos e convicções.
Não consigo acreditar,
não aceito… e não discuto,
crenças verso contradições.
Acredito em cada homem
que transforma os tristes ais
em esplendorosos sorrisos.
Desprezo aqueles que promovem
crenças em deuses irreais.
Milagres… não serão precisos!
Gostaria, sim, de mudar,
criar sonhos, acreditar
quando promessas sejam feitas
por cada um, ao discursar.
Iludir para conquistar,
serão atitudes suspeitas.
Queria aceitar o Amor
gerado por gente de bem,
que tem em conta a justiça,
que não instaura o terror,
que nunca magoa alguém,
e que à lei seja submissa.
Sinto ausência, merecida,
de um tempo de sobressalto,
em que eu fui refém da vida.
Nunca me darei por vencida,
mas paguei um preço tão alto,
que nem sei bem qual a medida.
Mudar eu queria, ainda,
por muito respeito a mim,
e - porque não? - pela idade...
Que do orgulho eu prescinda,
e esqueça o que foi ruim,
para abraçar a saudade.

Data da criação deste conteúdo:
2014-03-28
ESPERO POR TI, MADRUGADA

Mais velha do que eu te sentirás tu, madrugada linda! Fiel aos vivos, transportas no teu mágico baú surpresas com milhões de sonhos cativos e tantos pesadelos, inesperados, para os promotores de mil pecados! Estarás sempre presente em cada dia que surge, e que contemplo agradecida. Na alma de cada ser semeias alegria. Tu és prenúncio do milagre da Vida. Quero todos os dias ter o ensejo de ver-te, porque te amo e te almejo. Espero por ti, madrugada, todos os dias. És a minha permanente inspiração, presente em cada uma das minhas poesias.

Data da criação deste conteúdo: 2021-04-05
IDENTIDADE EM VIAGEM

IDENTIDADE EM VIAGEM
Sou um produto do tempo, um ser com o carácter moldado pelas boas e más experiências que foi vivendo ao longo dos anos. Esse tempo modificou também o meu aspecto físico, colocando algumas rugas no meu corpo, mas nenhumas na minha alma. Esta viajará sempre jovem, silenciosamente indiferente aos riscos que vai correndo. Permanecerá ‘colada’ a mim enquanto a minha mente estiver activa. Como ‘utente’ do meu corpo, usa e abusa dele, sobretudo quando se opõe ao que decido fazer da minha vida. Provavelmente acredita no seu sentido de responsabilidade. Não sei se merecerá essa confiança, mas ela sabe que a sua permanência em mim é efémera e que a sua libertação acontecerá um dia, quando a minha mente parar de comandar-me. Desvincular-se-á, então, do meu corpo, partindo em liberdade… sabe-se lá para onde. O que hoje aceitamos como uma verdade mentirosa, amanhã poderemos concluir ter sido uma mentira verdadeira. Tem sido sempre assim, ao longo de séculos e séculos…

Data da criação deste conteúdo: 2012-11-20
Data da sua última publicação: 2024-10-10
Texto e conceito visual: Maria Letr@
Imagem gerada por plataforma de A.I.
A FOME E A FARTURA

Perguntaram à fartura:
quem foi que te pôs no mundo?
respondeu, toda ternura,
— Foi um ser muito fecundo.
— Queria ser tua filha,
comentou quem perguntou.
Ser-se pobre só humilha,
não sei quem me atraiçoou.
Perdi tudo, tenho fome,
não sei mais o que fazer.
Meu nada ter me consome,
sou pobre até no viver.
A fartura, muito cheia,
retorquiu-lhe sem afecto:
— Se não tens um “pé de meia”,
tornas-te um ser abjecto!
Pede emprego no governo.
Vais ver o que é viver bem!
Deixas de estar nesse inferno,
viverás sempre em Belém.
Tratada como princesa,
numa casa apalaçada,
terás sempre cheia a mesa,
e toda a roupa lavada!

Data da criação deste conteúdo:
2012-11-23
CAFÉ DE PARIS

Café de Paris, Ponto de encontro de tantos corpos. Uns, cheios de vida, outros, quase mortos. Nas cabeças, um mundo desconhecido de ambições. No peito… mais dores do que corações. A banda, repetitiva, sempre igual, parecia tudo, menos musical. O interior do salão era deprimente, e o aspecto, sórdido. Nos olhares sentia-se uma esperança e um desejo mórbido. Em cada par, um caso… por vezes sério, mas na maioria, pra não recordar. Contudo, neste salão deprimente, de aspecto sórdido, onde quase tudo era doentio, era mórbido... encontrei-te a ti. No teu doce peito senti um coração. Na tua cabeça… uma humana ambição: encontrares alguém que suavizasse a vida que tens. Dançámos. Sem falsas ilusões, dia, após dia, um desejo crescia: estarmos juntos os dois. O meu corpo ansiava aprender a lição do Amor. Ensinaste-ma tu. Hoje, meu bem, o meu coração sabe bem o que quer. Aprendeu, contigo como é bom ser Mulher.

Data da criação deste conteúdo: 1985-04-05
TAL QUAL SOU

Tal qual sou, estarei aqui. De como acordo... dependo. Não espero me compreendam pois nem eu mesma me entendo. Sou muito sujeita a luas, nunca sei o que me espera Tenho um coração que é calmo e um outro que acelera. Se está um dia de sol, faço projectos, actuo, mas se o dia está cinzento, viro teimosa e amuo. Surpreendo facilmente, porque detesto a rotina. Já não mudo nesta idade. Sou assim desde menina.

Data da criação deste conteúdo_ 2017-01-03
QUANDO AMAR DÓI

Caminhava às escuras, na última etapa da estrada onde, um dia, perdi o meu norte. As noites tão duras, sem lua, sem mapa e sem companhia, eram breu de morte. Abracei-me e beijei minhas mãos já gastas de tanto escrever de tanto afagar. Não te choro. Cansei. Foram muito nefastas as dores de temer, as dores de te amar.

Data da criação deste conteúdo: 2016-09-06
PORTUGAL FRAGMENTADO

Portugal, fragmentado em todo o singular lado, no mais recôndito canto... virou um país em pranto. De tanto que foi traído já pouco nele faz sentido. Nem usando cola-tudo se colaria, contudo, Mesmo que desajeitado, qualquer fadista tem fado que cantará a seu jeito, filtrando a dor a preceito. Oh... País desgovernado... Não serás silenciado! Faz-te ouvir, sem veleidade. Grita de dor e saudade.

Data da criação deste conteúdo: 2020-02-23
SABER ADQUIRIDO

Quando somos jovens, contemplamos a vida como sendo longa, mesmo que sem medida. Criamos sonhos, envolvendo-os num cenário colorido pelo nosso imaginário. No tempo, talvez por erosão da mente, desgastada por factores a ela adjacentes, e más experiências acumuladas... a esperança e a fé, são alteradas. Não canceles pendentes por organizar. Ocupa-te do que está por acabar, criando compromissos com sentido. Não lamentes o que o tempo diluiu! Valoriza o que a mente conseguiu. O que hoje tens é o Saber Adquirido.

Data da criação deste conteúdo: 2023-11-16














