Maria Letra
Posts by Maria Letra:
A MISTURA

A Esperança, muito optimista,
olha para o Cepticismo,
de mau grado... Certamente!
Recusa ser pessimista.
No seu profundo altruísmo,
e devotamente crente,
não vê que, em realidade,
a crença só, não resulta.
Um plano mal calculado
e algo, sem piedade,
por uma razão oculta...
deixa tudo bloqueado.
Portanto, amigos, à Esperança,
juntemos tanta Paciência,
dura luta, muito amor,
e grande perseverança.
O resto cabe ao poder
dum nosso Deus, ou factor...
aliar à nossa luta
outros bons ingredientes
do cosmos no qual giramos.
Com uma sábia conduta,
acabará sem inconvenientes
aquilo em que acreditamos.

Data da criação deste conteúdo:
2012-06-21
DEMOCRACIA ADULTERADA

Cerca de cinquenta anos tivemos a ditadura, instalada em Portugal. Sou testemunha dos danos causados pela tortura a muita gente, em geral. A revolução de Abril libertou-nos, finalmente, dum governo à força imposto, mas, gentinha assaz servil, continua, secretamente, atraiçoando por gosto. Bailando na corda bamba, bufando e manipulando... vão, ricamente, vivendo, enquanto outros, de tanga, ...de tristeza vão chorando, de pobreza vão morrendo...

Data da criação deste conteúdo:
2023-04-25
O DESABAR DE UM IMPÉRIO

Urge uma rajada de esperança
abanar-nos o corpo, sacudir-nos a alma.
Tenhamos coragem para a mudança.
O mundo está virado do avesso
e ao que se passa, para além das teias,
pouquíssimos seres têm acesso.
Não confundamos as areias
com que era feito o cimento,
no passado.
Hoje a massa é outra,
e bem diferente.
Aguenta mais e por mais tempo,
mas quando cai,
deixa milhões de pessoas perplexas.
Acontece com outra projecção.
Quem monta cada império,
navega em áreas complexas.
Só entra lá quem tiver credencial especial
e sofre muita perseguição.
No passado, sabias onde estava o inimigo.
Hoje, ele actua em desafio.
Reina o disfarce e um compadrio
que compromete.
Será que a história, na verdade, não se repete
ou cada um nunca sabe onde se mete?

Data da criação deste conteúdo:
2020-02-25
ESCRAVATURA

Desde os primórdios da vida
que há gente a usar os outros
como sua propriedade.
Quanta pessoa agredida
no mais fundo do seu ser!
Oh quanta brutalidade!
Tem havido tentativas
- ao longo de muitos anos -
de acabar com esse mal.
Contudo, são iniciativas
sorrateiras, prepotentes,
que mantêm tudo igual.
A lei tem processos lentos,
não é rápida a actuar.
Não vai ao fundo... ladeia...
E apesar dos lamentos,
de quem é escravizado,
a eficácia escasseia.
Na mulher, na Esposa e Mãe,
nas Filhas e nas Irmãs,
o abuso vai actuando,
e não se percebe bem,
de que lado está a lei
operando em modo brando...
Há que acabar com o abuso,
mas é tão grande a ganância
neste mundo tão cruel,
neste mundo tão confuso,
que perde qualquer substância
qualquer contrato fiel.
E, de forma camuflada,
que a muitos pode escapar,
a escravatura acontece!
Nem a criança é poupada
neste mundo a descambar...
pra algo que não merece.

Data da criação deste conteúdo:
2011-05-05
O MALMEQUER E A MULHER

Perguntas, com inocência,
… a um mal te quer, bem te quer,
o que sabe da tua vida de Mulher.
Não creias mais nessa treta,
que o malmequer não irá saber
o que poderá responder.
Se tu lhe arrancas as pétalas.
sem qualquer comiseração,
impõe-se uma reflexão!
Estás em guerra no amor?
O malmequer… nem saberá…
e se souber… silenciará.
Primeiro, ele não tem voz,
nem sabe o que o futuro trás.
Quer é que o deixem em paz.
Não te agarres a fantasias.
do tempo dos tetra-avós...
… séculos antes... e até após!
Já vivemos noutra era!
Com tanto cinzento à vista,
o futuro é muito realista.
Deixemos que o malmequer
viva feliz nos jardins,
entre flores, e tantos outros afins.

Data da criação deste conteúdo:
2024-06-25
A EXCLUSÃO ALIVIA

Para a falta de carácter,
e o uso de hipocrisia…
eu sigo esta via:
a da exclusão.
Mas, se mesmo assim,
continuar, enfim,
a provocação…
recorro a uma saída:
a da acusação,
por via legal,
para acabar com o mal.
É certo que muita gente,
estressada e muito marada,
recorre à bofetada,
mas como sou contrária
a essa opção, caro leitor,
prefiro a primeira posição,
por uma questão de honor.
Outra solução será esta:
ignorar a provocação
e praticar o desprezo.
Se, repito, não resulta,
e a ofensa subsiste,
recorre-se à lei,
não se insulta!
É uma posição que me assiste,
porventura.. .
porque este tipo de gente
não se atura...
Trata-se duma questão
de ausência de educação.
Nota especial:
A possível existência
de um caso real,
quando criei este tema,
para este poema,
é pura coincidência.
É que este tipo de gente
prolifera em Portugal…
em quantidade anormal.
É um problema social,
no estado viral.

Data da criação deste conteúdo;
2013-06-30
ÁGUA, FONTE DE VIDA

Dizem que és Fonte de Vida.
Tens movimentos simbólicos,
transportando em nós nutrientes,
restos celulares, jacentes,
de processos metabólicos.
Dizem que és Fonte de Vida,
levas contigo as hormonas,
enzimas e células tantas...
A Vida em nós tu levantas;
refrescas e accionas.
Dizem que és Fonte de Vida.
És um solvente sem sabores
e um meio de suspensões
para químicas reacções
gerarem novos valores.
Dizem que és Fonte de Vida
e, segundo a medicina,
proteges articulações,
ajudas nas excreções
e transformas-te em urina.
Dizem que és Fonte de Vida.
Regulas a temperatura
do nosso corpo. Bem hajas!
Nossas vidas encorajas
quando a sede te procura.
Dizem que és Fonte de Vida.
É nosso dever cuidar-te,
para nunca nos faltares
em fontes, lagos, mares
e rios de toda a parte.

Data da criação deste conteúdo:
2011-03-22
O PALAVRÃO – SIM OU NÃO?

Como é possível calar
bocas que lançam prò ar
calúnias e palavrões
ditos sem qualquer respeito,
por quem não tem outro jeito
de aliviar frustrações?
Seja política ou bola,
só ganhar… não os consola.
Têm mesmo que ofender!
Provocam, gritam, insultam,
não desistem, nem entendem,
que tais coisas não resultam,
nem os vão enaltecer.
E se no disse e não disse
vierem com a patetice
de afirmar, não é assim…
Desistam! Eu não sou surda.
Há gente muito absurda
e muito oca. Quanto a mim...
contra o palavrão reclamo!
Eu evito o que não chamo
nem a um meu inimigo,
muito embora até pareça,
que dá alívio à revolta...
… Que o palavrão desapareça!
É ofensa! Vai... e volta.

Data da criação deste conteúdo:
2014-05-28
DEPOIS DO NOSSO AMOR

Prometi amar-te eternamente, sim!
Eu desejava que fosse mesmo assim.
Reduziste-me a nada. Acreditei
que tu ainda mudarias. Me enganei.
Contudo, de loucura não irei morrer
a despeito do quanto sei vir a sofrer.
Tudo farei para queimar esta paixão
que subsiste, ainda, no meu coração.
Hoje estou diferente. Nem sei quem sou.
Só reconheço o mal que em mim ficou,
paralisado os meus sonhos de criança.
Perdi em ti, toda a minha confiança.
Silencia o que possas querer dizer-me.
Não irias, seguramente, convencer-me.

Data da criação deste conteúdo:
1056-11-24
LIBERDADE CONQUISTADA

No tempo e nos espaços
que tive, ao meu dispor,
eu fiz e desfiz mil laços
criados com muito AMOR.
No desespero, fui esperança;
no pecado, compaixão;
no conflito, temperança;
na ofensa, fui perdão.
Nos desvios da minha estrada
prometi-me ser mudança.
Não queria ser culpada
de falhas de insegurança.
Nem sempre, enfim, consegui
preencher os meus vazios,
mas uma coisa aprendi:
a corrigir meus desvios.
Os anos foram passando.
Não me permito abusada.
Sou alguém que vive amando
sou livre, livre e mais nada.

Data da criação deste conteúdo:
2016-06-11
ALMA ESCRAVA

Tal como um mar em tumulto, galgando rochas e areias
em dias de marés cheias, em noites de tempo instável...
assim estou, face ao insulto de ver que há gente que trava
a paz que urge implantar neste mundo, a desabar
para um caos insuportável…
Minha alma virou escrava duma luta sem dar tréguas
a cada ladrão herói. Sim, porque este disfarce dói!
É fruto da corrupção de quem está a muitas léguas
de pensar com o coração.
Reina a guerra e a vida insana
… por culpa de tanto sacana!!

Data da criação deste conteúdo:
2013-06-23
EM BUSCA DE OBJECTIVOS

Mesmo com a idade avançando, não me cansarei, jamais,
de ir procurando o que tanta falta me faz:
puros valores vitais, e tanta, tanta paz.
Busco novos objectivos, entre os quais ressalta
o de como justificar esta minha sede de amar, de satisfazer a alma,
de conseguir reparar aquilo que mina e que me traz o tédio
causado pela rotina.
Amarei, entretanto, todos os que, como eu, acreditam na vida…
mas não na do presente, profundamente agredida
por tanta loucura, para a qual não vejo cura.
Como podem certos homens convencerem jovens
a lutar por uma fé em que a maioria não crê?
Não importa como ou até quando, mas continuarei procurando
bons e novos objectivos que tornem os fracos activos
na recuperação do amor e de um mundo melhor.

Data da criação deste conteúdo:
2015-03-15
BACK TO LONDON

Às 09h:50m, tinha aterrado em Londres, vinda de Portugal. Estava de regresso a minha casa, com um tempo de arrepiar qualquer frágil pardalito que ousasse voar nesta típica atmosfera húmida e fria. Feita pardalita-mor, tive coragem suficiente para, depois de tomar um reconfortante pequeno almoço, no aeroporto, meter pés ao caminho, enfrentando um nevoeiro pestilento, e partir para a segunda etapa da minha viagem, em direcção ao meu ninho de prata.
Deixei as duas malas, maiores e mais pesadas do que eu, e fui direitinha para o supermercado Sainsbury's, comprar aquilo que não havia na despensa para alimentar este corpinho que, em silêncio e com um sorriso nos lábios, teve a distinta arrogância de recusar o que a sua cabecinha pensadora disse, de si para si: " Vai mas é dormir um pouco, que o teu mal é sono!
Enganei-me redondamente. Ainda arrumei um trolley de mercearia e mais cinco sacos que não sei como consegui levar até casa, sob o olhar espantado do condutor do autocarro, que me observava pensando: "Esta aqui deve ser passada dos carretos"!...
Como boa fadinha do meu lar, enchi a máquina de lavar roupa, pus-me a limpar o interior do frigorífico, para colocar nele o que comprei, e fui preparar qualquer coisa para o almoço. Estava exausta! Tentava em vão combater este meu teimoso carácter virginiano, mas era superior a mim disfarçar o desconforto de estar sozinha em casa. Submeter-me ao repouso não fazia parte dos meus planos, quando a casa implorava limpeza. Tive de antecipar o meu regresso a Londres, por compromissos de trabalho, e sentia que a solidão estaria a corroer-me a mente. Sempre foi difícil para mim ir descansar sem que tudo à minha volta estivesse como eu desejava. Prossegui, portanto, nesta desnecessária pressa de restabelecer a ordem em casa, mas fui sentindo que valeria a pena ir descansar... e desvinculei-me da missão que, desta vez, não consegui terminar.
A avaliar pela minha confortável posição, na minha querida caminha, não me pareceu que iria dormir. Pensava, de mim para mim: - Não te ponhas a contactar seja quem for em Portugal pois a esta hora, estará toda a gente a ver as fastidiosas telenovelas da tarde. Pensarão, então, que estarei a escrever mais um poema ou a sonhar com uns deliciosos bolinhos de bacalhau que, tão cedo, não voltarei a comer. Será melhor ficar por aqui...
IMPÕE-SE DORMIR!

Data da criação deste conteúdo:
2011-11-08
DISCREPÂNCIAS

Texto inspirado nos actos de um desonesto
gestor que tinha uma grande ambição:
continuar corrupto ininterrupto.
Aquela cor vermelha
no semblante de quem vai rebentar em qualquer instante,
pareciam indiciar que não conseguia saír
do pesado labirinto em que se meteu…
Dir-se-ia ser da “telha” com que viu deslizar, por uma malvada grelha,
aquilo que ambicionou, mas que uma “busca” não lhe possibilitou…
... E tudo o vento levou!
Prémio da discrepância entre a ganância,
a honestidade e outros afins:
um bom par de patins!

Data da criação deste conteúdo:
2014-07-22
INDIFERENÇA

Será muito complicado
pôr a igreja de lado
neste espaço português,
quando um caso, como a fome,
magoa, desgasta, consome…
Milagres? Quem os espera
nesta má atmosfera
de injustiças, de ladrões,
de oportunistas e de vilões?
Oferecemos, à juventude,
muito defeito, pouca virtude.
Quem deveria resolver
tudo o que estamos a ver...
em vez de promover paz,
gera guerra. Nada faz!
Pedir milagres, Senhor,
em preces ditas de cor?
Somos nós, apenas nós,
e certamente nós sós,
quem deverá “milagrar”,
mudar o mundo, lutar
por tudo o que mais convém...
para irmos muito além
duma esmolinha qualquer
dada ao pobre, que o que quer,
é limpar o que é imundo;
fazer lavagens no mundo.
Há um bom número de gente,
de mente suja e doente,
que vive muito enfunada,
vaidosa e cheia de nada
nas suas cabeças ocas.
Em verdade tudo vêm,
mas se fecham, porque têm
mais brio na ostentação,
do que amor no coração.
Não lhes é difícil viverem
indiferentes, sem sofrerem
ao verem tanta miséria.
São temas de cariz séria
que, em parte, queimam com droga
muito usada, muito em voga.
Amigos, se nada fizermos,
em prol do que nós quisermos...
viveremos contrafeitos,
num país cheio de defeitos.
Nesta sociedade gasta…
comovermo-nos... não basta!

Data da criação deste conteúdo:
2013-03-03
CORAGEM DE SER

(Inspirado no poema de Fernando Pessoa,
Intitulado “Tudo o que Sou não é mais do
que Abismo)
Nesse abismo que referes,
giram outros seres, também.
Estão nele bastantes mulheres
que quem são... não sabem bem...
Buscam no Ser ou Não Ser
feliz encontro entre as duas...
mas carecem de um haver:
as almas despidas... nuas!
E se assumem, com coragem,
quem foram ou, hoje, são,
há que aceitar a imagem
que ao mundo revelarão.
A ti, Fernando Pessoa,
declaro, desempoeirada,
que o meu Ser viaja à proa
e de Não Ser... sobrou nada!

Data da criação deste conteúdo:
2017-04-09
ESSE MUNDO QUE É VOSSO

Deixa-me juntar a vós,
mesmo que em sonho.
Deixa-me conhecer
o seu rosto risonho,
as suas mãos que brincam
e as suas pernas que correm,
quando as ondas se agitam.
Deixa-me ouvir, contigo,
a sua voz te chamar
quando, por momentos,
te esqueças de brincar.
Deixa-me penetrar
nesse mundo que é vosso
e ao qual gostaria
tu chamasses “nosso”.

Data da criação deste conteúdo:
1986-08-21
DOS FRACOS…

Dos fracos nunca rezou a História, mas não nos deveremos esquecer
que para podermos cantar vitória, houve muita gente a combater...
Quantos haverá hoje, ignorados, vivendo, tristemente, na penúria,
esquecidos e negligenciados! Pura crueldade... ou vil incúria?

Data da criação deste conteúdo:
2019-11-17
AI SE O DINHEIRO SENTISSE

Ai se o dinheiro sentisse! Coitado...
Que pensaria ele dessa avidez
que, por tão desejado, quanto usado,
tem de mudar de destino tanta vez!
Ai se o dinheiro perdesse valor!
Como tudo seria assaz diverso!
Será que existiria mais amor?
Findaria tudo o que é perverso?
Esteja ele guardado em alçapões,
de banco em banco, viajando louco
ou numa correria, quando roubado…
Será sempre um motivo de traições,
ódios, invejas, de tudo um pouco…
mas sempre, eternamente, cobiçado.

Data da criação deste conteúdo:
2011-05-22
DUOMO DE MILÃO

Projectando sobre ti intensa luz,
à arte do passado o Sol fez jus...
Quase me cegou de encantamento,
mas pude captar aquele momento.
Em séculos de história, Duomo belo,
- do gótico clássico a “neos” saltar...
foste salvo do enorme flagelo
que qualquer guerra pode provocar.
Foram séculos de inúmeras batalhas
perpretadas por seres muito canalhas...
Tanta obra de arte arruinaram...
mas tanto de sublime, ainda deixaram.

Data da criação deste conteúdo:
2016-02-14
NOS BRAÇOS DE UM SONHO

Despertei de um lindo sonho,
dentro do teu coração...
Batia ao ritmo do meu,
sem qualquer aceleração.
Não partas, fica comigo,
até que chegue outro dia.
Não me deixes, meu amor,
careço de companhia.
Hoje sou ave sem asas,
já não consigo voar.
Faz-me falta a tua calma,
e a tua força de amar.
Se ver-te não posso mais…
que o sonho seja o autor
dos cenários virtuais,
da minha vida sem cor.

Data da criação deste conteúdo:
2013-08-26
VOOS ALTOS

Hoje o mar está agitado.
O vento, forte, ameaça
cortar as asas às aves
que voam alto demais.
Muita gente anda assustada.
Cada pássaro que passa,
mesmo que em voos suaves,
instala o pavor no cais...
Agita-se a passarada
de grandes voos sedenta,
porque a força atroz do vento
pode trazer guerra e morte.
Sem asas, e depenada,
a ave não aguenta...
Perde a força e o alento
e também perde o seu norte.

Data da criação deste conteúdo:
2016-05-15
APOTEOSE NO AREAL

Entrou pelo mar adentro
a rede dos pescadores,
em busca de peixe fresco.
O mar deu o que queriam,
sem querer saber pra quê.
No regresso, triunfante,
esperava-os um maranhal
de gente muito ansiosa,
curiosa e coisa e tal.
Com lenços brancos de neve
o mar acenou, contente,
ao povo, em grupo, na costa,
esperando ansiosamente.
- Até à volta! Até breve!
Não teve qualquer resposta.
Mercadores e usurários,
esperavam no areal.
Afastaram as pessoas,
naquele momento crucial,
para evitar muitas baixas
no conteúdo geral
das redes com pescaria.
Santo Deus! Virgem Maria!
O cenário se adensava,
atacado por gaivotas
que buscavam as marmotas
e o resto do cardume.
Palavra de ordem: - Matar!
Saí de cena... desfeita,
sem assistir à colheita.

Data da criação deste conteùdo:
2020-06-27
FINALMENTE… INTEIRA!

Finalmente... inteira!
Era a última da fila; hoje, sou a primeira.
Desisti de um certo modo de amar
perdidamente, dividida em mil pedaços.
Não tenho mais espaços por ocupar
no meu todo, unido por fortes laços.
Finalmente... inteira!
Já não saberia estar de outra maneira.
Peguei cada pedaço envelhecido,
virei-o e revirei-o do avesso
até que cada um, restabelecido,
permitisse eu aceitar-me, de regresso.
Finalmente... inteira!
Consciente, tranquila, e sem cegueira.

Data da criação deste conteúdo:
2016-03-16
CASAR IMPLICA LIMITES

Quando me casar contigo
não serás o meu senhor.
Eu sou minha e Tu és teu!
Para além de meu Amigo
és minha fonte de Amor,
sem que eu deixe de ser EU.
A posse implica poder,
não quero ser possuída.
Não me vejo desse jeito.
Sou feliz por te querer
e por ser por ti querida,
mas exijo-te respeito.
Peço-te, Amor, que medites
nestes pontos que foquei.
São as minhas condições!
Casar implica limites...
Tu sabes... e eu também sei.
Respeita as limitações.

Data da criação deste conteúdo:
2019«05-15
DOIS MUNDOS, UMA VIDA!

Já nada do que fazia
num tempo muito distante
pouco estável, muito errante
- que vivia, dia-a-dia -
faz parte do meu presente.
De programa organizado
partia, nesse passado,
e, por dias, estava ausente.
Quando tinha, reunidas,
várias colecções de roupa,
- Muita chique! Simples, pouca! -
escolhia a mais preferida.
Eu tinha de trabalhar
de modo a deixar contentes
vários tipos de clientes
difíceis de contentar.
Na mulher simples e culta,
de gostos sóbrios, simplistas,
que não ousa dar nas vistas,
o clássico… resulta.
Mas há outras, extravagantes,
que gostam de lantejoulas
e, como são muito louras,
são dos brilhos, muito amantes.
Com a roupa estagnada,
comparo o que sou agora,
com aquilo que era outrora.
Eu... -“moi”-, não mudei nada!
Quando a vida corre mal…
procuro o que faz efeito:
sigo em frente do meu jeito!
Continuo tal e qual...

Data da criação deste conteúdo:
2013-06-17
VENTOS FORTES DE MUDANÇA

Vento que bate, insistente,
em frágeis corpos sem norte.
Leva tudo à sua frente,
na sua fúria de morte.
Ninguém sabe o que fazer.
Desistir, não são capazes.
Acreditam que vencer
é o prémio dos audazes.
Os que preferem ponderar,
estudam o mal na raiz,
buscando como travar
os ventos do seu país.
Ventos loucos, sem control,
que sopram todos os anos,
anos escuros, sem sol,
que causam penas e danos.
Uns esperando a calmia,
vão recolhendo a folhagem;
outros, mais em sintonia,
lutam juntos com coragem.
Procuram travar a dor.
Têm esperança no bom senso
e na força do amor,
cujo poder é imenso.
Fartos dum presente duro,
fogem de ventos e lodos.
Têm esperança no futuro.
Todos por um, um por todos!
E, nesse esperar sem fim,
sentindo a força do vento
que sopra, dentro de mim,
fui-me esquecendo do tempo,
esse factor meu rival,
que sei ser muito importante
nesta luta desigual
contra um mau tempo constante.

Data da criação deste conteúdo:
2009-07-01
A ENTRADA DOS VILÕES

Entre ocas focas e mil fofocas,
há um mar de ricas fofoquices!
Ninguém neste todo fica ileso.
São grandes e perigosos venenos
que lideram milhões de canalhices
feitas por gente dum 'enorme peso'!
Controlam mesmo, com claro arrojo,
internet, jornais, radios e televisões.
Trata-se dum descaramento imundo!
É um comandar que nos gera nojo,
feito em prol dos muitos tubarões,
eternos dominadores deste mundo.
São como víboras maléficas, tontas...
camafeus de muito reles pedigree.
Eles não são gente, são gentalha!
Especialistas em controlar contas,
aumentando aqui... e roubando ali,
fazem parte integrante da maralha.
Preparem-se, se ainda vos aprouver,
para assistir a um lamentável cortejo
de gente pobre que fome irá passar...
Perderão a casa onde estavam a viver
e nem sequer, talvez, tenham o ensejo
dos seus elementares direitos reclamar.

Data da criação deste conteúdo:
2011-04-25
VER PARA CRER

Fui jovem arrojada e destemida.
Era crente, era vida, era amor,
mas fui traída por muito desamor.
Era confiante, e era temente.
Enfrentava tudo com rosto risonho.
Vivia imbuída das luzes dum sonho.
Pequei pelo erro de ter a visão
dum acreditar assaz irrealista,
porque as crenças me turvavam a vista.
Naquilo que via e que me chocou,
coloquei uma cruz, mas tirei o Cristo.
Fui surpreendida pelo imprevisto.
Que Jesus viveu... faz parte da História.
Sei, claramente, que Ele existiu,
como viveu, e o que O distinguiu.
Se milagres existem, não vejo justiça!
Não creio nesse poder misterioso
onde reina o mal e o suspeitoso.
Depois de ver o que se passa no mundo,
aceito cada crença, religião,
mas os milagres… bem… esses é que não!
Cansada de verdades mentirosas,
no tempo perdi toda a minha fé!
Pergunto eu: - Será porque sou Tomé?

Data da criação deste conteúdo:
2013-09-28
UM CERTO FALSO AMAR

Desvirtuadas virtudes
estão hoje muito na moda.
É um misto de atitudes,
uma moral que incomoda...
Não consigo lidar bem
com um certo amar de cobra,
mal amando quem não tem
o que outros têm de sobra.
Um molhe de gente egoísta,
com uma mente assaz sacana
e muito materialista...
tornou-nos a Vida insana.
Não posso crer na mudança
quando a sede é de vingança.

Data da criação deste conteúdo:
2013-12-30
VIVER DE NOVO

Esta sensação que eu provo,
esperando manter assim,
é um feliz sentir de novo,
que está no centro de mim.
Tu és esperança perdida
há tanto tempo, que nem sei
se os anos, na minha vida,
foram séculos que passei.
Encontrei-te sem esperar-te.
Amei-te mesmo não querendo
apaixonar-me por ti..
Agora só quero amar-te,
para manter o que entendo
ser... o que nunca vivi.

Data da criação deste conteúdo:
2013-10-16
TEATRO DA VIDA

A farsa está cada vez mais presente na nossa vida, com “artistas” participando nela de várias formas. O uso da máscara é um “must” muito comum. Algumas vão caindo por terra, mas a farsa a que me refiro hoje... continua. Participam nela:
- O expoente máximo, o chamado “Manda Chuva”, seu criador.
- Os que actuam segundo ordens deste; não têm vontade própria; vivem para servir a
vontade de mestres. São os chamados “Alienados”.
- Os que actuam para gerar a confusão através da criação de cenários especiais; chamam-se
os “Mascarados”; cada vez que lhes cai a máscara, passam à clandestinidade, mas
candidatam-se outros, para os substituir.
- Outros há - que também usam máscara - mas só participam nesta farsa para criar “defesas”,
na esperança de não serem reconhecidos quando precisam de mudar de farsa, por
conveniências extra. São conhecidos como "Oportunistas".
- Há os que abandonaram esta farsa por não se identificarem com a trama que lhes foi proposta;
chamam-lhes “Traidores”: vivem de esmolas, daí a sua fragilidade.
- Por último - a maior parte! – são os que não entendem nada do que se passa à sua volta;
são os conhecidos como “Zombies”; vivem por empurrão... ajudados por quem ainda tem coração;
continuarão encarcerados na sua própria condição;
No palco deste teatro, as cortinas não são encerradas, porque há falta de quem se atreva a acabar com uma farsa que tanto interesse continua a suscitar nos seus peculiares criadores.
Por detrás dos bastidores, movem-se os chamados “Operadores Especiais”; conjecturam formas de reunir uma série de elementos capazes de acabar com tudo o que for Farsa.
A assistência é composta de pessoas que, por diversas circunstâncias, vivem sem dificuldades, consequentemente, vão-se divertindo, à sua maneira, sorrindo sarcasticamente.
Quem sou eu nesta confusão? Uma “Infiltrada”! Busco dados que possam suscitar-me uma Reflexão.

Data da criação deste conteúdo:
2024-05-22
O BARCO DA VIDA

Que o barco da tua vida
não deixes de guiar, jamais!
Se a luta for aguerrida...
nunca encalharás num cais.
Mesmo que só, tu navegues,
por traição de quem amaste...
Reflecte, medita! Não deves
deixar que a dor te desgaste.
Traições daqueles que tu amas,
- ou amaste durante anos -
são actos cruéis, desumanos.
Despreza aqueles a quem clamas
por atitudes de amor.
Segue em frente, sem rancor...

Data da criação deste conteúdo:
2018-06-28
















