INCOERÊNCIAS DA LEI


As leis devem ser cumpridas
por todos nós, em Portugal.
Devem ser pre-concebidas,
incluindo os parágrafos,
para aplicação geral.

Há casos com contra-tempos.
Por exemplo: quando um ser
passa a ter incumprimentos
nos pagamentos mensais,
o credor não quer saber.

Se esse pobre ser, coitado,
carecer de liquidez,
sentir-se-á pressionado
por não poder liquidar
todas as contas do mês...

O seu credor, neste caso,
recorre aos juros de mora.
É-lhe concedido um prazo.
Se falharem pagamentos…
aplica-lhe a penhora.

Todo o valor em questão,
nem que seja pouca monta,
o credor, por precaução,
confisca-lhe o seu salário
enquanto não paga a conta.

Mas… se o devedor fôr ministro
ou outro VIP qualquer,
e tiver seu nome em risco,
que lese o povo em geral…
usa os truques que puder.

Terá tempo, sem precipitar-se,
de usar os anos que tem.
Pode sempre divorciar-se
passando os bens para quem
estárá pronto a “jogar” também.

Esse, nunca se arrepende,
nem com o caso se zanga,
enquanto o pobre… impotente,
sem encontrar solução,
fica doente... e de tanga!

O que tem é só pobreza.
Até se foi a mobília.
Resta-lhe a nobre certeza
cruel, humilhante e triste,
de só contar com a família.

Pode, nos anos de engonha,
o VIP vir a ser preso,
mas jamais perde a vergonha.
Orgulhoso dos seus actos,
olha o mundo com desprezo.

Pois é com pesar que digo:
há leis neste nosso país
com males na sua raiz.
Lembra um complot camuflado
entre Élites… e Estado.


Data da criação deste conteúdo:
2018-03-25
Data da sua alteração:
2025-11-24