Meu mar… foste caminho na minha vida. Levaste-me onde o amor foi ilusão. Na areia que pisei, em dor sentida, apagaste minhas marcas... mas eu, não! Contudo, meu mar, em ti eu brindo à vida que me escapa, dia a dia, levando no seu vento suave, lento, o que num cruel passado, foi magia.
Quero semear amor em áridos campos frios, e enregelados rios. Ali, nem o sol aquece, nem algo acontece. São terras de desamor, onde seres desventurados são picados por espinhos de tortuosos caminhos. Muitos morrem castigados... São vítimas! Não são culpados!
Amo meus “minino d’ouro” como a Noite ama o Luar, o Dia, o brilho do Sol e a Natureza... o criar. São partes do meu Tesouro, pedaços do meu Amar, palpitando no meu peito com ternura e com respeito.. É um bem que não se perde, em terras de Cabo Verde. Um pé... vai para a escolinha, enquanto o outro... caminha! Pé-coxinho também anda: é a vontade que o manda!
Oh! Como eu gostava de viver mais anos, não sendo efémera a felicidade. Viver, para poder vencer os desenganos e ser, diariamente, eternidade.
Não fora o mal de estar em sofrimento, e saberia agir, sem raiva, a tanta dor — por depender de quem, sem um lamento, transforma cada esforço em puro amor.
Sou pena pesada a quem me cuida — eu sei. Vivo com esse alguém no meu frágil coração, sabendo que não preciso de pedir perdão.
Cada dia que passa… luto contra a lei imposta pelo Universo. Agradecida, aceito o que vier — venerando a vida.
É tão pequenino o espaço onde o velhinho se move tão tristemente... e tão só... que chega a fazer-me dó. Deixa de ser peregrino na Terra, comum a todos, passando a ficar sujeito ao espaço a que tem direito. Ainda que vivo... está morto! Mas que direito tão torto!
Recordo quando os dois, um belo dia,
sentados junto a um rio, que não tem fundo,
me prometeste amor que nos daria
para viajarmos juntos, pelo mundo.
Recordo, uma a uma, cada jura
proferida com palavras bem expressas.
A tua convicção era a mais pura,
mas eu não acreditava nas promessas.
Os anos foram correndo, lentamente.
A vida separou-nos, mesmo amando.
Víamo-nos, apenas, de quando em quando.
Recordo o velho rio, que não tem fundo...
Dissolve palavras ditas em promessas...
mesmo que com muito amor sejam expressas.
Amor é uma luz cheia de vida,
que surge quando menos esperamos.
É uma chama calma, reflectida
no mais pequeno gesto que façamos.
Amor, algo que nasce e fica em nós.
É uma força calma, linda, dedicada…
que não reclama, não fala, mas tem voz.
Usa os corações como morada.
Por ele se faz passar sua irmã gémea
a quem foi dado o nome de Paixão.
Actua sem piedade, sem ter rédea;
espalha dor, não sabe o que é perdão.
O Amor vive num tempo sem limite,
mesmo que magoado, e em ferida.
Ele é o centro dum mundo cego e tonto,
mas é a melhor essência desta Vida.
Vou abrir uma porta nova,
Onde a Vida nunca esteve.
Urge que o Sol possa entrar.
Adiei anos e anos,
Belos projetos que tinha,
Reservados para um dia…
Indiferente a que o tempo,
Rival da Vida, corria.
Uni-me à força que tinha,
Marcada por muitos sonhos
Aos quais tinha renunciado.
Parti, então, na aventura,
O que até então não fiz,
Receosa de que o sonho,
Tombasse pela raiz,
Acabando em desventura.
Data da criação deste conteúdo:
2011-04-25
Poema acróstico
Mais velha do que eu te sentirás tu,
madrugada linda! Fiel aos vivos,
transportas no teu mágico baú
surpresas com milhões de sonhos cativos
e tantos pesadelos, inesperados,
para os promotores de mil pecados!
Estarás sempre presente em cada dia
que surge, e que contemplo agradecida.
Na alma de cada ser semeias alegria.
Tu és prenúncio do milagre da Vida.
Quero todos os dias ter o ensejo
de ver-te, porque te amo e te almejo.
Espero por ti, madrugada, todos os dias.
És a minha permanente inspiração,
presente em cada uma das minhas poesias.
Pesaram-me as regras gerais,
porque nem todas eram iguais.
Isso originou o meu vacilar
sobre a decisão a tomar,
pois a opção... não era segura.
Decidir, foi prova dura…
carecia de profundeza.
Não havia qualquer certeza!
E pensava... reflectia...
cada hora e cada dia:
Vacina: sim, ou vacina não?
Ainda me punha a questão
dos medos! Mas disse: Sim.
Contudo... de mim pra mim,
dizia: Maria, toma cautela
que podes “partir de vela”.
Não sabia o que fazer!
Eu não queria morrer
dum vírus que é tão fatal.
Estaria a ponderar mal?
Nada havia de eficaz...
Sigo em frente... ou volto atrás?
Recuei e... pelo sim, pelo não,
optei pela negação!
Não havia meios termos!
Imaginava os enfermos
que, num sofrimento atroz,
morriam cedo, mal e sós.
Anos a fio passarão
até sabermos, então.
porque morreu tanta gente.
Impõe-se resposta urgente!
A minha alma, estouvada, adora estar sempre a cantar. Conjecturando... presumo que não saberá chorar. Gasta, mas inconformada, decidiu mudar de rumo, para me ajustar ao mundo que o Universo governa, - mas que tanto mal contém. Tem uma ambição que alterna num seu desejo profundo: que eu baile… e me sinta bem. Com esta sua alternância, que me causa desconforto, nós entramos em conflito. Coisas há que não suporto. Perante tal circunstância, fico calada… e cogito...
Tal como um mar em tumulto, galgando rochas e areias em dias de marés cheias, em noites de tempo instável... assim estou, face ao insulto de ver que há gente que trava a paz que urge implantar neste mundo, a desabar para um caos insuportável…
Minha alma virou escrava duma luta sem dar tréguas a cada ladrão herói. Sim, porque este disfarce dói! É fruto da corrupção de quem está a muitas léguas de pensar com o coração.
Reina a guerra e a vida insana … por culpa de tanto sacana!!
Paira um clima aziado... Um cerrado nevoeiro invadiu um estado inteiro. Concentrou-se a sudoeste. Pouco se vê da bandeira, porque aumentou a cegueira!
Já há quem se manifeste… É comum a toda a gente querer limpar o ambiente de tanta peste que abunda. Não muda seja o que for... cada dia está pior!
No povo... a dor afunda. Há olhares angustiados, em rostos muito enrugados. Paira medo em todo o lado! Tanto nos mais revoltados como nos que estão calados.
Há mudança no cenário, que parece contrastante. O povo está hesitante sobre a força do palácio. onde permanece um conto… em jeito de contra-ponto.
Deus – Pátria – Família Lá dentro… querem que dure. Os alicerces são fortes... Quem os tem que os segure! Os estadistas da Nação reprimem com convicção.
Não há bem que sempre dure! Nem há mal que nunca acabe. Deixemos para quem sabe ‘limpar’ de fio... a pavio... Basta de tanta opressão, imposta anos a fio!
Maria Letr@ 2015-05-27 (Recriação do poema que escrevi em 1973)
No silêncio, exorcizo males que sofri na vida. Se não me sinto vencida, continuo vencedora. Uma coisa só preciso: calar as penas que sinto, e, enquanto assim, calada, gritando as penas que tenho dentro de mim, expostas... comparo qual o tamanho das minhas, com tantas mais, que outros levam às costas... Acalmo. As minhas penas podem matar-me de dores, mas, mesmo assim, são pequenas. Há outras muito maiores, causadas, principalmente, por tanta falta de AMOR!
Penso naquele tempo de mel e de vinagre, tão insensato quanto ponderado e acre, e sinto a mudança enquanto, já idosa, cada nuvem negra se tornava cor-de-rosa.
Deixei, adormecidas, memórias dum passado descrito num simples diário ocultado de alguém que gostaria de saber quanto sei. Houve muito que, ignorando, ultrapassei.
Resignada, serena e sem algum remorso, comandaria a minha vida sem esforço, se na minha alma pesar ainda houvesse.
Presentemente vivo sem mágoas, com amor, mas filtraria de novo ulterior rancor, se a resíduos cruéis ainda cedesse.
Paira no mundo, de lés a lés, uma onda viciada de opiniões. Não cancela chavões gastos: recicla-os em muitas versões e, assim, fomenta a guerra que nos aterra. Fala-se de proveitos num processo intrincado e conveniente — que se consente — onde há pouco de bom e excesso em demasia. Falam os cultos, os conhecidos sabichões — todos adultos. Seguros, ruidosos, abastecidos de certezas instantâneas, desafiam os cautelosos porque as inspirações momentâneas se multiplicam aos milhões. Vultosos na forma, ocos no conteúdo. Vagueiam pela Terra, calmamente alheios, inversos e controversos, opinando sobre tudo, sustentando quase nada. Cada tese desagrada. Não querem, porventura, a guerra. Querem, certamente, futebol; amam arguir… E chamam Amor às múltiplas formas de não sentir.
E o Mostrengo,
velhíssimo e trengo,
em noite de breu
do mar se ergueu.
Voltas não conseguiu dar
...nem mesmo se ouviu chiar.
Estava triste e estupefacto
com um surpreendente facto:
percebeu que, lá no fundo,
não sentia como estava o mundo.
Agradeço-te, Universo,
por tudo aquilo que me dás!
Por vezes, se surpreendida
por um drama inesperado,
irava-me contra a vida.
Qualquer um era o culpado.
Não encontrando resposta
para os porquês que me punha
atribuía ao destino
ou à má sorte que teria,
o que, de fonte incerta viria.
Sem bases, eu contrapunha
a minha convicção
a uma outra inventada
por gente mal informada
que também sabia... nada!
Um belo dia, porém,
procurei, no obverso
dessa tal convicção
- que atribuía a sansão
por um erro cometido -
um cunho mais evidente,
e uma justiça diferente
que fizesse mais sentido
e me tornasse consciente
do que, acreditava, seria
a grande e real verdade.
Constatando, com a idade,
que a resposta que buscava
era bem outra, por certo,
aprendi que o obverso
daquilo que procurava,
eras tu, nosso Universo!
Hoje sei que zelarás
por aquilo que a nós vem,
e que um dia nos provarás
que o que nos dás… nos convém.
Oh Natureza Perfeita!
Oh grande eleita!
Tu me sorris cada dia,
enchendo-me de alegria.
Tu proteges e acarinhas
tantas coisas, também minhas,
que nascem em cada canto,
e que hoje venero tanto...
Rogo ao meu Deus clemência,
para quem destrói a essência
de tudo o que vais criando.
Que não reduzam a pó
esta Terra onde, sem dó,
tanto mal se está fazendo.
É vergonhoso! É tremendo
o desrespeito que existe
e que me põe muito triste.
Que sejas, por longos anos,
protegida contra danos.
Que o Sol continue raiando
cada manhã, acordando
mil almas que, com respeito,
defendem o seu direito
a esta magia querida
a que nós chamamos VIDA!
Servimo-nos de ti, constantemente.
És usada e abusada.
Não reclamas, não contestas
e, em troca, o que é que pedes?
Nada!
Se te pegam, docemente,
tu és amada.
Se te pegam, rudemente,
tu és odiada.
Se fores veículo de insulto,
e não cederes à resposta,
geras tumulto
na alma de quem tu feres
e sofres o que não queres:
um bombardear de ofensas.
O que pensarias tu
se pensamento tivesses?
Que o teu corpo nasceu nu…
serve todos os interesses.
A minha mente me acusa de mil difíceis estradas que percorri sem pensar no possível contratempo de não poder recuar. Mas, apesar de confusa por essas encruzilhadas onde sempre fui parar durante este espaço de tempo, nunca desisti de Amar! Sou filha da Temperança. A minha mente é imprudente, mas a minha alma, não. Em vez de lutar com asco, luto com o coração! E nesta luta, com Esperança, vive uma coisa envolvente, contrária à resignação: tentar vencer o fiasco de Acreditar... sem Razão!
Quando a condição "estar só"
passa a ser nossa, no tempo,
porque a idade avançou…
Causa, efeito, ou dominó,
geram sempre um contratempo
e algo, então, se alterou.
Procura uma boa via
de tornares mais valioso
teu saber, dia após dia.
Faz de ti tua companhia.
Esse tempo é precioso
e... quiçá... uma mais valia.
Não desesperes! Reflecte!
Segue em frente, com bom senso.
Explora o tempo. Ele é teu!
Abraça o que completa
o espaço que no teu eu
precisa ser mais intenso.
Nas tuas mãos rugosas,
calejadas,
vejo mil sonhos por realizar,
mil promessas amorosas,
impensadas,
mil tormentos enfadonhos,
a magoar.
Um quadro sem vida
e sem cor,
e uma vontade teimosa,
insaciável,
de não te dares por vencida,
nessa dor.
Sua causa – vergonhosa! -
é intragável.
Gostarias de ultrapassar
algo que te morde,
te remorde,
te consome cada artéria.
Há gente que lhe chama Fome,
outros lhe chamam Miséria!
A Esperança, muito optimista, olha para o Cepticismo, de mau grado... Certamente! Recusa ser pessimista. No seu profundo altruísmo, e devotamente crente, não vê que, em realidade, a crença só, não resulta. Um plano mal calculado e algo, sem piedade, por uma razão oculta... deixa tudo bloqueado.
Portanto, amigos, à Esperança, juntemos tanta Paciência, dura luta, muito amor, e grande perseverança. O resto cabe ao poder dum nosso Deus, ou factor... aliar à nossa luta outros bons ingredientes do cosmos no qual giramos. Com uma sábia conduta, acabará sem inconvenientes aquilo em que acreditamos.
Foram tantos os anos que vivi, sofrida, que nem sei descrever o que, em mim, pesou. Se foram os erros que cometi na vida, ou aqueles com que a Vida me machucou.
Foram tantos os anos de suor molhados, carregando às costas deveres a cumprir, que nem sei se esses tempos atribulados seriam um castigo, por não desistir.
Fui tenacidade, fui força, fui Mulher! Fui fiel às bases, aço e temperança, com orgulho herdadas doutra geração.
Fui tudo o que hoje sou! Se Deus houver, que Ele me ajude, numa sã mudança, a transformar revolta em resignação.
Sou fruto do casamento entre um jovem perfeccionista, Pai a cem por cento, e uma jovem maternalista, exemplar e dedicada. Fui por eles bem educada. Amo profundamente o mundo, mas nunca o que, através dele, se transforma em algo imundo: medo, egoísmo, vil traição, materialismo, perversão. Meus mecanismos de proteção: intransigência ao obverso do que vem por bem do universo. Caráter e personalidade, moldei-os na adversidade. Foram oitenta anos de luta, marcante, feroz, mas absoluta. A forma como estou na vida tornou-me frágil, mas decidida.. Sem crenças ideológicas ou teorias filosóficas, Viso a libertação de quem vive oprimido e sem ninguém. Com quem coabito… dou-me bem, basta apenas que me respeitem e que eu os respeite também. Sigo numa estrada errada que, de certeza, não escolhi... tal como o que adveio daí. Desilusões? Oh! Tive tantas! Contudo, hoje, já não me matam. O corpo já morreu! E a alma… dependerá de como a tratam. Restam-me bem dezanove luzes com que tu, ó vida, me seduzes.
Percorri caminhos de palavras e de sonhos, alargando horizontes em solos estrangeiros, onde cada frase se tornava uma ponte de conhecimento de diferentes culturas e saberes. Residente no Reino Unido durante vários anos, regressei a Portugal num momento crucial da minha já longa vida e, tal como a saudade acelera decisões importantes, também a irreflexão precipita impulsos imediatos. Assim, antes que pudesse realizar o motivo que me prendeu àquele país durante tantos anos, deixei Londres para sempre.
Aconteceu, porém, que esta aparentemente má decisão culminou num profundo enriquecimento pessoal: o de saber lidar com a Resiliência. Trouxe do Reino Unido uma bagagem de palavras que se entranham em cada verso que crio, no lirismo com que vejo o mundo e que ofereço a todos os que comigo partilham a paixão pela poesia, mas, sobretudo, permite-me hoje não só perpetuar uma realidade, como também “escoar” recordações que dão aos meus dias momentos deliciosos.
PROJECTO DE VIDA
Amo a estrada onde caminho. Não me importa onde irá ter. Aprendi com o passado várias formas de viver:
Viver com algo de um pouco, viver com um tanto de nada, amar o sol que me aquece e deitar de madrugada.
E se mais eu puder ter, eu quero ser candidata a um projecto de vida cujo fim não terá data.
Olhai a chuva que cai durante uma tempestade. Olhai os lírios dos campos, cercados de pirilampos. Desfrutai da luz do sol, enquanto canta o rouxinol. São frutos da linda Natureza, em toda a sua beleza.
Escutai o som dos trovões, ou o ruído dos canhões, factos deste nosso mundo, tão fecundo pela coexistência brutal entre o bem e tanto mal. Somos todos viajantes temporários nestes cenários.
Meros humanos, vítimas de muitos enganos, alguns, vultos disfarçados, como que ocultos por um véu de incastidade, sem pureza e sem verdade, - quiçá traídos pela ignorância durante a sua infância.
Façamos um cerco à vida, quando desprovida de justiça perante o crime que nos oprime. Abracemos o belo e tudo o que existe em paralelo com a prática do bem – eis o que ao Universo convém!
Outrora, o meu regaço quente e fundo abraçava, apaixonado, todo o mundo. Partilhava sonhos, era outra atmosfera. Oh! Quem dera que voltasse a Primavera...
Pairava cheiro intenso a urze nas montanhas enquanto os rios geravam força nas azenhas. Brilhava felicidade por todo o lado, e os maus momentos dissolviam-se no fado.
Quisera sentir hoje, como antigamente, a magia do indiviso e, lentamente, envelhecer durante os anos que me restam.
Porém, os rios já não são livres como outrora. Parte do caudal diminuiu, e pesa agora, uma infinidade de males que molestam.
A Criança é um diamante.
Ela não se usa,
não se abusa, não se explora.
A Criança...
é um ser superior, puro.
Ela é a esperança no futuro,
é o amanhã e é o agora.
A Criança...
...ai dos que se servirem dela!
Maldito seja aquele, ou aquela,
que a desrespeita.
A Criança...
merece ser adorada
e superiormente guiada.
O lírio a simboliza. Ela é perfeita!
Até que a Vida me rejeite, …quero seguir, viajante, carregando aquilo que me tornou imigrante, num outro país. Quero ter força e fazer o que sempre quis: Amar-te, Vida! Sim, porque ao amar-te, estarei amando o mundo e todos os que nele sofrem dum mal profundo, que bem compreendo… Chama-se Saudade. Essa, não tem idade. Continuará vivendo depois de mim, de ti e de todos nós. Lutarei pela Vida, até quando ela quiser. A idade não perdoa, mas meu grito de dor, ainda que fraco, ecoa. Gentes que sempre amei, chorarão minha partida. Um dia? Uns anos?… Minha alma está dorida, feita de desenganos, mas meu coração é forte, afugentando a morte. Eu já não tenho anos, tenho vivências. Mereço respeito. Vivo de nada, para além do Amor que sinto no meu peito. Não quero envelhecer. Quero amar a Vida, deixar-me adormecer no seu regaço origem. Lutar contra os corruptos que nada dão… Exigem! Até quando a Vida quiser… quero continuar Mulher!
Data da criação deste conteúdo: 2014-03-11 Publicado na Antologia de Poesia Contemporânea Chiado Editora
Que ninguém tenha ilusões quando julga reacções. Se não conhecer a fundo - por exame assaz profundo - o cerne duma questão, pode haver precipitação. Cada pessoa é um caso se acontecer extravaso que venha a ser causador de boa ‘molha’ em redor. Aí, é porque há revolta que se liberta, se solta, por se romper o travão. Isso gera exaltação. Por vezes é como ter um copo de água a encher e uma simples gotinha, que pouco volume tinha, provoca um aguaceiro que serve de mensageiro de penas acumuladas que não podem ser julgadas por uma gotinha a mais, porque essa... já foi demais!
Há mentalidades sujas
que se contam aos milhões!
Ora parecem corujas,
ora mochos sabichões.
Vivem tramando quem calha,
com grande sabedoria.
São estrigiformes! Maralha
do mesmo saco. Sabia?
Tento analisar de frente
o cenário do Poente,
que sinto ter como certo.
Ele já me ronda de perto.
Está tão próximo de mim
que consigo ver-lhe o fim.
Não sei bem qual a distância
a que estou da minha infância,
mas do poente, sei eu.
Por vezes levanta o véu
e deixa-me calcular
o quanto possa sonhar
ainda, na minha vida
- tão bela quanto sofrida.
Eu viajei neste mundo
com seres de saber profundo
e outros que, sem querer,
levaram-me a perceber
o porquê da ignorância
ter a sua relevância.
Actualmente, a cultura,
- na presente conjuntura -
prejudica-nos demais.
Não me refiro aos jornais,
revistas... e outros mais...
Notícias tendenciosas,
com verdades mentirosas
retiram, a quem é sério,
todo e qualquer desidério
de continuar no mundo.
Com efeito, eu, no fundo,
sofro por coabitar
com certa gente, na Terra,
porque promovem a guerra.
Prefiro a paz do Além.
Lá... não se lesa ninguém!
A hard life I have been made to face,
my brother, till you turn much older,
but I have great hope and faith
that I´ll be strong enough
to carry you, with love,
on my shoulder.
Data da criação deste conteúdo:
2014-08-29
Imagem de Quang
Tremem as folhas que, outrora, eram serenas.
Giram fortes ventos em muitas direcções.
Não sei se as minhas dores são somente penas
ou um acumular de tantas desilusões.
Ocultam-se na sombra de homens muito sábios,
verdades que recuso... das quais tanto preciso.
Inquieta-me o frio cerrar de tantos lábios
onde deixou de ver-se o mais leve sorriso.
Carrego ondas inquietas de perguntas
que me faço, dia-a-dia, sempre em vão.
Sinto muita falta de amor e de perdão.
As saudades que em mim pesam, todas juntas,
não encontram forças capazes de as levar...
São muitos anos de ausência e de pesar.
Hoje o mar está agitado. O vento, forte, ameaça cortar as asas às aves que voam alto demais. Muita gente anda assustada. Cada pássaro que passa, mesmo que em voos suaves, instala o pavor no cais... Agita-se a passarada de grandes voos sedenta, porque a força atroz do vento pode trazer guerra e morte. Sem asas, e depenada, a ave não aguenta... Perde a força e o alento e também perde o seu norte.
A palavra 'velhice'... carrega na minha alma! Nunca pensei, quando jovem, sedenta de brincadeira, que a última fase da vida, que exige calma, seria tão árdua... e pesada desta maneira.
Minha mãe, um dia, disse: 'Pra lá vais!' - no jeito seu. - 'Filha, nem sempre as nossas vontades movem montanhas'. E, no tempo que correu, que vivi e ela viveu, casei, fui mãe e fui avó... Fiz mil e uma façanhas!
Dei conselhos mal seguidos. Lutei tanto... Se lutei!!! Não gosto de pensar no que passei para poder ter forma de continuar viva. A vida - eu bem sei! - tem caminhos com muitas direcções para escolher.
Sempre que numa tormenta, nós carecermos de remos, devemos reflectir e assumir, com soluções chave, a forma mais correcta e digna como resolvemos eliminar a presença dum presumível entrave.
Somos levados a fases difíceis de colmatar... se não formos dotados de força e resiliência. Nesses momentos eu escolhi, sem sequer vacilar, a estrada mais adequada: a da resistencia!
Hoje constato que minha mãe tinha muita razão. Atingi a idade em que a força desfalece e o que era premente resolver 'do pé pra mão'... posso dizer: ‘já não me aquece... nem me arrefece’!
Amo-te de todo o jeito: quando me causas embaraço; quando me acalmas com um abraço; quando, no leito que partilhamos, nem nos saudamos, nem nos amamos.
Amor, confio em ti. Tu és o sol que me acalenta, és o farol que me orienta, és a pessoa que eu escolhi. Já não consigo viver sem ti.
Amor, toma atenção... Ciúme, não! Faz-me muito mal. Não tens razão, porque, afinal, és a essência da minha vida. Sem ti, estaria desprotegida.
Amor, te peço: Perdoa sempre meu coração quando perdido noutra paixão. Respeita bem meus sentimentos, adormecidos nos velhos tempos…
Deslizam como um rio de águas turvas, feridas de um passado que me corrói. No leito que as abraça, existem curvas, jacentes de tanta mágoa que me dói.
Não fora o grande amor que tenho à vida, não suportaria as dores que em mim ficaram. Foram golpes que enfrentei, desprevenida, mas segura dos lindos frutos que geraram.
Hoje, já no limiar de um patamar a que nenhum de nós, jamais, escapará, encaro a nova fase a repensar como será que minha alma reagirá.
Enfrento o mundo em franca mutação, carente de um grande bem assaz disperso: a continuidade na humanização, que gera paz e harmonia no Universo.
Transmito a todas as amigas, amigos e Familiares distantes a minha mais profunda gratidão pelos votos de Boas Festas que, tão gentilmente, me enviaram. Votos sinceros de um Feliz ANO Novo!!! Que venha por bem.
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Encurta-se a distância que me conduz ao fim de mais um ano, sem saber bem de mim. Busquei-me em vão no meio da confusão.
Absorvida pela vida, perdi-me pelo espaço entre pouco de nada e tanto de escasso. Foram tempos de tormenta e de muita desilusão.
Estou pronta a enfrentar mais um recomeço. Quiçá o universo entenda que o mereço. Imponho-me o dever de estar agradecida.
Gostava de abraçar com fé, com muito amor, cada ser que sofre por tanto desamor. A paz no mundo está comprometida.
Sinto-me fora do espaço a que pertenço.
Não tenho eira, nem beira. Deslocada,
vivo alimentando um sonho imenso,
gerado em solitária madrugada.
Não saberei onde estou, mas concluí
que tu estarás comigo, porque te sinto
... embora neste espaço onde jazi,
estejamos ambos, num modo bem distinto.
Vivo a minha ‘sperança no amanhã
desejando chegar a um porto bem seguro.
Este meu sonho não é uma coisa vã
... é a meta onde me vejo no futuro.
Gostaria de, a seu tempo, constatar
que tudo o que padeci em tempo ido
tivesse sido, em concreto, pra gerar
um porto, em segurança, concebido !
Um céu cinzento turva-me a razão. Não sei quem sou. Não me conheço. Giro como um robot, sem direcção, num nevoeiro cerrado e espesso que não me deixa ver pra onde vou. Não sei quem era, nem sequer quem sou. A minha alma confusa e perturbada não me deixa perceber o que se passa. Viajo perdida entre tudo... e entre nada. Na fonte que procuro, a água é escassa. Sou alguém que não vive, sucumbiu. Amputaram-me as asas. Sinto frio.
Vou abrir uma janela,
espreitar a Vida lá fora;
Cá dentro o ar me sufoca,
desde que tu foste embora.
Janela aberta prà Vida,
vigora a Vida de quem
abre o coração de novo,
e dá Vida a outro alguém.
Data da criação deste conteúdo:
2011-04-11
Autora do poema: Susana Letra