QUANDO O VENTO ELEVA O VOO


Quando o voo dos hoazins perturba a tua vida,
rodopiando nos céus, em jeito de inconstância,
esvoaçam andorinhas, em dança desmedida,
sob ventos que assobiam sinais de intolerância.

Escuta o grasnar da gaivota enlouquecida,
anunciando tempos de luta e de mudança.
É tempo de enfrentar a sombra endurecida
e combater, com firmeza, o espectro da ganância.

Para além do que vês, há jogos e traições
urdidos no silêncio de ocultos bastidores.
Impõe-se discernir caminhos e direcções
por onde se infiltram velhos semeadores.

Águas limpas deslizam pelas montanhas,
lavando impurezas que o tempo não disfarça.
Mesmo as aves mais turvas, sujas e estranhas,
não vencem a verdade quando a alma esparsa.

Regressarão as flores com a Primavera,
e o ar renovado há-de trazer bonança.
Depois do vendaval, a vida persevera:
há sempre um recomeço onde habita a esperança.


Data da criação deste conteúdo: 2026-03-20
Texto e conceito visual: Maria Letr@
Imagem gerada por plataforma de A.I.