Almejo a primavera com íntima urgência. Estamos fartos do frio, da áspera insistência do vento e da humidade em dura permanência. Ferem este país sem dó nem complacência.
Sonhamos ver os campos em flor rendidos, mantos de cor, de beleza, de sentidos, promessas que nos deixam comovidos e devedores do tempo que nos foi subtraído.
As estações mudam — sempre mudaram — sabemos, mas nunca como agora o peso que trazemos: um inverno longo demais para quem já treme e sente a alma cansada de tanto que ela teme.
Que venha o sol romper esta tristeza fria, aquecer a Terra, a gente, a poesia. Não era este o tempo que o povo queria: tem saudades do bom tempo e vive de nostalgia.