QUANDO O FRIO CANSA A ALMA


Almejo a primavera com íntima urgência.
Estamos fartos do frio, da áspera insistência
do vento e da humidade em dura permanência.
Ferem este país sem dó nem complacência.

Sonhamos ver os campos em flor rendidos,
mantos de cor, de beleza, de sentidos,
promessas que nos deixam comovidos
e devedores do tempo que nos foi subtraído.

As estações mudam — sempre mudaram — sabemos,
mas nunca como agora o peso que trazemos:
um inverno longo demais para quem já treme
e sente a alma cansada de tanto que ela teme.

Que venha o sol romper esta tristeza fria,
aquecer a Terra, a gente, a poesia.
Não era este o tempo que o povo queria:
tem saudades do bom tempo e vive de nostalgia.


Data da criação deste conteúdo:
2026-01-22