Maria Letra nasceu em Coimbra, a 20 de Setembro de 1938. Escreve poesia desde os 13 anos, idade em que manifestou a sua preferência por esta forma literária. Possui os cursos Comercial e Liceal, completos, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos das línguas Inglesa e Francesa em escolas estrangeiras. Aos 22 anos foi para Londres, onde estudou no conceituado colégio “The West London College”. Foi secretária de direcção e tradutora técnica durante 35 anos, e empresária durante 17.
Deixou Portugal para viver em Itália em 1989, por exigências de trabalho, mas três anos depois fixou residência definitiva no Reino Unido.
Lvros publicaos: “Meus Caminhos de Cristal”, em 2011, e "Meu Pequeno Grande País, em 2017.
Mais um ano passou sem ver as tuas águas.
Mais um ano passou sem ver as tuas areias.
Ai quantas vezes lavaste as minhas mágoas
e quantas vezes, meu bem, mudei de ideias.
Mais um verão marcado pelo desgaste
sorrateiro e louco, que tanto me sufoca.
Esperei-te, meu amor, mas tu nunca chegaste.
Sou retrato fiel do que o esperar provoca.
O mar e tu, meu bem, são tudo o que me resta
dum passado remoto que me tem cativa
dum amor imenso, que não irá deixar-me.
Um vil cansaço em mim se manifesta.
São rugas de que o tempo não me priva...
Amar-te-ei, amor, até cessar de amar-me.
Que não se espere paz de gente que ama a guerra Há que criar o modo de pôr fim a vis projectos que impedem os amantes da Vida aqui na Terra, de gerar a Paz, liberta de propósitos abjectos.
Impõe-se actuar. Amanhã será tarde.
Rodopia no ar, desaire e loucura.
Urge que apaguemos a chama que arde,
antes que outras pestes surjam já sem cura.
Misturam-se as forças do bem, e do mal.
Uma estranha nuvem é vista no céu
pelos olhos de luz de um jovem zagal…
mas foge encoberta por um turvo véu.
Milhões de imbecis estão bailando na estrada.
São gente que grita, que canta, que clama.
Filmam-se em poses de glória frustrada,
vivendo em ribalta, sedentos de fama.
Mas há um outro grupo, sereno e culto,
de seres inteligentes, e assaz calados,
que ama escutar o Universo oculto,
onde ecoa o silêncio dos iluminados.
Deixem que caminhe às cegas sem saber quando parar. Ó alma minha! Se negas a viagem continuar contigo amarrada em mim, sentenciarás meu fim.
As viagens programadas, comigo já não resultam! Acabam sempre falhadas. São muitas das quais me culpam. Preferirei ir andando sem estipular como ou quando.
A alma que hoje venero deixa-me “reinar” assim: faço aquilo que bem quero e ela olha por mim. Espero que não se arrependa, e minha mente compreenda.
Carrega o meu corpo às costas com erros que cometi. Subiu mil e uma encostas, levou-me amarrada em si. Continua a estar comigo. Será prémio, ou castigo?
O meu corpo envelheceu. Já pus a zero os quilómetros. Hoje o tempo é todo meu, não preciso de cronómetros. Amo a dimensão do sonho e o tempo de que disponho.