Nasci carente de palavras, na minha frágil mente.
Envolta nove meses numa grande escuridão,
e encolhida num espaço curto... pacientemente
esperava, esperava, sem pressa ou ambição.
Movia-me nesse espaço curto, mês após mês
com maior dificuldade. Havia disparidade
entre o meu crescimento e o daquele espaço
onde, sem eu saber porquê, esperava não sei o quê.
Comecei a mover-me para sair da situação.
Com a força que me foi dada, busquei uma estrada
que pudesse conduzir-me à minha libertação.
Urgia que eu mudasse. Sentia-me sufocada.
Nove meses bastaram para tornar-me ansiosa.
Fui crescendo gerando em mim um modo de actuar,
e cheguei mesmo a esta convicção, assaz teimosa,
de que, se não estivesse bem... deveria mudar.
Contudo, ao longo dos anos estive mal inúmeras vezes,
e mudei de localização muito amiúde,
mas apesar da minha eupatia, pelos reveses,
digo ainda, a quem não estiver bem... que se mude!
Rodopiando na vida,
num rodopiar constante,
muitas vezes fui traída
de forma muito chocante.
Vivi anos assustada
numa escola onde a maldade
duma “doninha” frustada...
não gerou em mim saudade.
Adolescente inquieta,
amante de viajar,
decidida, e muito directa,
minha vida quis mudar.
Depois de ter posto fim
a um passado assaz duro,
escolhi Londres e, enfim,
programei o meu futuro.
Casei-me mal, fui sofrida,
mas meus filhos, meus amores,
ensinaram-me que a vida
é feita de muitas cores.
Numa luta sem descanso,
mil perdas quis esquecer,
e enfiei-me num campo
de mais ganhar que perder.
Serena e muito confiante,
faço provas, em escritos,
de ser da vida uma amante,
e de odiar conflitos.
Cada vez que penso dar
tempo ao tempo que ainda tenho...
acabo por perguntar
a mim mesma, com pesar,
se o tempo da minha vida
tem tempo para esperar.
É que me sinto perdida
num mar de tantos pendentes,
que tenho por resolver...
São coisas assaz urgentes
que o tempo, sempre a correr,
não quer deixar-me fazer.
Nem já posso perder tempo...
nem tenho tempo a perder.
Queria ser perfeita. Não consigo.
Sou reflexo de dor, por um castigo
vindo não sei de quem. Quiçá do Além
que desconheço, que teve - ou ainda tem -
algum ressentimento contra mim.
Será por isso que me mantém assim.
Escondo sentimentos que este mundo
não iria compreender mas que, no fundo,
controlo como posso ou como sei.
São fruto do rumo que tomei
e do qual hoje me sinto assaz culpada.
Porém, de malvadez, não teve nada.
Na vida amei - eu sei...- amei demais!
Não tenho, a definir-me, muito mais...
Se perdoar-me puderes,
pelo silêncio em que estive...
aceita, se te aprouver,
os mil motivos que tive.
Eu sentia, bem presente,
não desejar abraçar-te.
Faltava, na minha mente,
vontade de perdoar-te.
Tu sabes bem das razões
que, na altura, tu me deste...
pelo excesso de traições,
e de erros que cometeste.
Cansei de tanto esperar
pelas vontades, sentidas,
que silenciei num mar
de palavras reprimidas.
Mas o tempo foi passando,
filtrando a minha paixão.
O amor… foi acabando,
daí, pedir-te perdão.
Busco paragens diferentes,
outras Terras, e outras gentes.
Almas - porque indiferentes -
mais parecem seres ausentes.
Gentes que já não acreditam,
tão pouco rezam, ou imploram
… só porque deixaram de crer…
Não se lamentam, e não choram.
São meros seres a sofrer…
mas os seus corações palpitam.
Quero percorrer este Mundo,
conhecer gente a penar
de desgosto assaz profundo.
Gente a quem eu possa dar
coragem para reagir.
Quero ser estrela que guia
a criança em sofrimento
e dar-lhe, dia após dia,
nem que seja um só momento,
bons motivos para sorrir.
Quero sentir que há alguém
- onde quer que possa estar -
contente, na vida que tem.
Que saiba poder confiar
naquele bom ser que a socorre.
Gostaria, pois, que soubesse
que não se trata de quimera
os sonhos que ainda tece.
Por arrasto, na Primavera,
mais esperança... acontece!
O que seria de mim se durante a minha infância me tivessem dado tudo aquilo que eu pedia? Hoje, carente de algumas coisas, não por ganância... muito sinceramente, não sei dizer o que faria.
O que seria de mim se durante a juventude tivessem ignorado a minha agitação? Seria mimada, caprichosa e bastante rude, carecendo de uma orientada correcção!
O que seria de mim se os meus pobres Pais, outrora, tivessem menosprezado o meu medo de voar? Seguramente não teria tanta força, agora, perante a minha necessidade de viajar.
Se ama, trave a ira, não imponha, sugira. Perante uma contenda, não agrida, entenda. Se ama, não insulte nem imponha... ausculte! Se sabe que foi traída, deixe que o coração decida. Se foi você a tradora... termine já, sem demora.
Data da criação deste conteúdo:2012-10-17 Texto e conceito visual: Maria Letr@ Imagem gerada por plataforma de A.I.