A SOMBRA DO OBSCURANTISMO

(Texto escrito e publicado em 2011. Onze anos volvidos, politicamente tudo continua como dantes)



Sem querer mencionar o autor de uma crítica muito bem feita que deu origem a este meu texto, pois isso poderia, eventualmente, dar lugar a que passasse a ser considerada membro ou simpatizante do  partido da pessoa em causa, quando sou absolutamente apartidária, gostaria de referir aqui o seguinte:

Fico muito bem impressionada sempre que bons críticos usam uma  forma clara, precisa e imparcial de analisarem as actuações dos vários governantes que temos tido, ou mesmo de figuras públicas, do nosso País. Tenho pena é que, quase sempre, esses não queiram assumir lugares de chefia. Não sei se será por saberem existir uma disfarçada barreira a medidas que conduzam à queda do obscurantismo - a qual não quererão enfrentar por fidelidade aos seus princípios - ou porque não quererão expor-se a uma situação que mexa com a sua estabilidade pessoal e familiar.

Adequados programas para desenvolvimento cultural da população deveriam estar incluídos na base de medidas revolucionárias a serem tomadas, urgentemente, em Portugal, pois testemunhamos muitas falhas nos sucessivos governos aos quais, provavelmente, tem-lhes sido conveniente manter o obscurantismo que referi. A cultura não isenta, tendenciosa, trava medidas importantes em prol de um são progresso social e poderá conduzir a uma degradação dos pilares que deveriam garantir a continuidade de iniciativas tomadas no sentido de tornarmo-nos uma população feliz em todos os sentidos, particularidade que não convirá aos governos corruptos, pois os seus elementos deixariam de poder “puxar a brasa à sua sardinha”. Quando me refiro a programas de desenvolvimento cultural refiro-me a medidas revolucionárias a tomar nos mais variados sectores, nomeada e principalmente na área da saúde, do ensino, da família, da informação, do entretenimento, etc., tendo sempre como principal objectivo a formação duma nova geração,  e o reinventar de programas de correcção de atitudes das gerações mais velhas, marcadas ainda por defeitos adquiridos no passado.

O sucesso dos "vendedores de pomada Santa Jibóia" só tem sido possível devido ao nosso elevado número de ignorantes os quais, não só não terão motivação para a leitura, por exemplo, por falta de hábito, como ocasionará não estarem à altura de compreender a maior parte das coisas que são escritas, o que causará, por vezes, a leitura incorrecta do que vão lendo, ou mesmo ouvindo nos meios de informação.  Para conseguirem os seus objectivos, aqueles fabricantes de promessas manipulam a população duma forma que mexe com qualquer cidadão mais lúcido e/ou melhor informado, o que é, lamentavelmente, impressionante. Mas esta é uma mínima razão entre tantas outras condenáveis.

A agravar esta situação está o facto da incultura levar a "cegas" tomadas de posição por aqueles a quem chamo "professores", os quais sabem tudo e não deixam que os outros saibam seja o que fôr. Estes são muitíssimos e são, também, os que votam sem saber a fundo quem é o cidadão que querem ver eleito. São essas posições, frequentemente transformáveis em graves conflitos, que agravam a solução de problemas que poderiam ser resolvidos de forma democrática, mas que a referida incultura não consegue assimilar como sendo, em democracia, a correcta forma de ouvirmos, de sermos ouvidos e de obtermos os resultados desejados, de forma pacífica, justa e sólida. Seria este um bem programado trajecto para um futuro idealizado por cidadãos bem formados, por homens de mente limpa em corpo são. Assim, impor-se-ia, com urgência, que os nossos políticos mudassem de táctica e começassem, não só a usar de transparência real (sim, porque há a transparência alienatória, muito perigosa) como a decidirem optar por transformar promessas em verdades convincentes. O problema maior está, portanto, também em QUEM se escolhe para governar o País. Como será isso possível se um lamentável número de candidatos, ao invés de olharem apenas para o seu umbigo – embora de vez em quando, para disfarçar, olhem “um pouco” para o umbigo dos outros -  continua a defender interesses que nada têm a ver com o melhoramento das condições económicas em que vive a maioria dos portugueses? É aqui que volto a perguntar:
- Como podemos qualificar os membros de um bom número dos sucessivos governos que temos tido? Será que governaram bem ou que se governaram bem???

2011-02-16
Imagem: Harrison Haines